Always At Your Side
5 Quem sabe uma chance...
Notas iniciais
Espero que gostem...
Sei que a fic ainda está no começo e um pouco desinteressante mais é por que precisa desses capítulos para o Gran finale acontecer!
Aviso: Pra quem é fã de Bonnjer e Carolyler...haha esses nomes hein?!... Haha. Bom vão ter muitos momentos deles também na fic!
O barulho era intenso, mesmo o ambiente não estando lotado. À noite, embora quente e com ar fresco, estava bastante convidativa diferenciando-se totalmente das tardes agitadas de NY e do movimento frenético nas calçadas. Mas ninguém estava preocupado com o clima, a não ser, o clima de divertimento em plena segunda-feira. O movimento estava menos frenético, embora buzinas ainda fossem ouvidas constantemente. O colorido das calçadas vinha dos bares que reunia todos os tipos de pessoas que se alojavam por entre as mesas dispostos a trocarem confidências, comentarem o dia e, até mesmo, ficar de olho nas pessoas do sexo oposto. Empresários, advogados, universitários. Todos se reuniam descompromissados no famoso "happy hour".
Damon, Matt e Stefan ocupavam uma das mesas de um dos bares mais agitados da cidade. Estavam do lado de fora bebericando de vez em quando um grande copo de cerveja muito bem exposto no centro da mesa. As cadeiras pareciam que estavam lá de maneira proposital, já que era o número exato das pessoas que ambos haviam convidado para se encontrarem depois da muvuca do dia. Embora Stefan não tivesse ajudado tanto com o convite a Jeremy, Damon não podia perder a chance ao rever o parceiro de sala saindo de uma empresa que parecia uma editora. A cena não fora tão bizarra com relação ao seu encontro com Elena, mas rendera boas risadas ao relembrarem dos momentos que passaram juntos na escola. A chance fora-lhe dada, e Jeremy fora incluído sem demora no encontro para terminarem de colocarem o papo em dia.
Claro que a ironia do destino não incluía Elena Gilbert, pois, na realidade, Damon e ela nunca foram amigos. Conversavam o que era suficiente, isso quando não entravam em guerra pelos corredores. Eles sempre mantiveram uma distância um do outro mesmo ambos se gostando e isso era bastante estranho já que, ao conversarem naquela tarde, havia alguma coisa que com certeza alterou a forma de tratamento. Damon não saberia dizer se foi o fato de ser um desastrado ou se ela simplesmente queria se ver livre dele e nada mais justo do que ser simpática. Mas, com sua esperteza que jamais fora ignorada, aproveitou o caminho que Jeremy faria até a casa da morena e pediu que ele a convidasse.
O encontro de ambos no meio de uma das avenidas principais de NY ainda era relembrado por ele sempre ou quando Stefan resolvia parar de falar. Sentia-se extasiado. As feições dela continuavam as mesmas e o temperamento um pouco diferente. Várias perguntas começaram a atordoar seu cérebro, mas ele preferiu ignorar todas elas. Não queria pensar em causas e consequências. Queria, pela primeira vez, deixar tudo ocorrer sem tentar agir contra os fatos.
Com a mente bastante longe de onde estava Damon nem sentira os cutucões de Matt em suas costelas. O melhor amigo do moreno e Matt ainda estava curioso para saber como tudo havia acontecido. Stefan achava que não ouvira o suficiente e queria saber se ver Elena havia mudado alguma coisa dentro de Damon, que voltara a realidade.
– O que foi?
Stefan dera uma risadinha abafada. E Matt falou:
– Interrompi sua idealização da mulher perfeita? — perguntou Matt, apoiando os cotovelos na mesa.
– O que você quer dizer com isso? — perguntou Damon, balançando a cabeça como se estivesse desanuviando a mente.
– Você sabe muito bem o que ele quer dizer. — Stefan tamborilou os dedos na mesa, encarando o melhor amigo.
Damon olhou confuso e ambos reviraram os olhos.
– Você não nós contou tudo o que houve entre Elena e você.
– Não tem muito o que dizer. — Damon encolhera os ombros. — Saí correndo, escorreguei no lixo, cai em cima dela e a cumprimentei com cheiro de banana. Quer mais detalhes que isso?
Stefan e Matt gargalharam ao ouvir a versão do amigo, mas ficou meio confuso ao vê-lo tão sério. Em cenas como aqueles ambos tiravam sarro depois, pois era típico ver Damon pagando qualquer mico na frente da morena. Mas, algo lhe dizia que aquilo não havia deixado o amigo feliz e resolveu cessar o riso.
– Foi tão ruim assim? – disse Matt e Stefan parou de rir em seguida.
– Estranho! – disse Damon pensativo.
– Por que? – agora foi a vez de Stefan perguntar
Damon suspirou. Puxou seu copo para si e bebericou mais uma vez a cerveja.
– Porque eu pensei que tinha superado minha síndrome por Elena Gilbert. Eu não deveria ter corrido que nem um idiota. Eu fazia aquilo quando eu tinha dezessete anos. Agora eu tenho o número vinte preenchido por sucessores e é ridículo eu ter feito aquilo.
– Não deveria sentir-se assim. Você gost... – disse Matt
– Gostava! — Damon erguera o dedo indicador, com uma sobrancelha alteada. Era complicado tentar dizer ao amigo que havia esquecido Elena, mesmo não tendo certeza se realmente a missão foi bem sucedida. Às vezes, perguntava-se por que havia voltado para NY. Parecia que gostava de reviver lembranças ruins.
– Certo! Gostava então! — disse Stefan, fingindo concordar com o amigo.
Depois de terem saído de NY, Damon havia virado um perito em omitir sentimentos. Por mais que tentasse, Stefan jamais conseguia informações completas como antes conseguia. Nem ao menos Tyler, com seu ar mais sério, saía com alguma frase inteira. Damon havia mudado bastante, mas Stefan, Tyler e muito menos Matt nunca entenderam as razões que o levaram a ficar assim. Até o humor do moreno estava se perdendo conforme os meses iam se passando e aquilo era completamente preocupante.
– Quer saber mais de alguma coisa? — perguntou Damon, com um tom nada agradável.
– Isto é o suficiente! – Matt erguera as mãos como se estivesse se defendendo de algo. Observou o amigo em silêncio e logo virou o rosto, mirando a rua estreita que alojava todos os tipos de carros.
– Hum... Acho que eles chegaram. — comentou Stefan, esticando o pescoço em direção a uma Mercedes preta.
A primeira coisa que Damon vira, foram os cabelos castanhos e longos de Elena entregues ao vento. O andar tímido parecia ter se tornado mais rígido conforme ela avançava na direção deles com Jeremy e Bonnie nos calcanhares.
– Demoramos? — perguntou Jeremy, cumprimentando os três homens que levantaram-se para receber os amigos.
– Na verdade, nem cronometramos. — disse Stefan, rindo e virando-se na direção de Elena. — Mas se não é a lenda Elena Gilbert.
A garota sentira os lábios de Stefan em suas bochechas, que esquentaram de vergonha. Se tivesse seus dezessete anos, com certeza teria lhe acertado uma tapa em cheio na face. Mas apenas sorriu timidamente. Era estranho conversar com os dois meninos que ela era acostumada a bater.
– Conhece meu amigo Damon Salvatore? — perguntou ele, abrindo um sorriso na direção do amigo.
Naquele momento, Damon sentira a mesma vontade que Elena idealizou em sua mente: socar Stefan.
– Conheço. — disse Elena dando uma olhada de esguela para Damon. Ele permanecia o mesmo. A única diferença é que tinha se barbeado e estava incrivelmente bem arrumado.
– Oi, Gilbert — cumprimentou Damon, a distância, erguendo a mão esquerda gentilmente.
– Hey, Salvatore — Elena apertou a sua mão. E uma corrente elétrica passou entre ambos. Fazendo os dois se fitarem.
– Vocês ainda se tratam assim? — perguntou Bonnie olhando de um para o outro, indignada. E cortando a sintonia de Damon e Elena. — Jeremy, acho que terei que voltar a te chamar de cabrito.
Jeremy, Matt e Stefan caíram na gargalhada. Bonnie parecia ser a única que não tinha mudado, juntamente com Stefan. Embora estivesse brincando também, Jeremy estava centrado demais no futuro com a morena que havia sentado e chamado o garçom.
– Certo hábitos não mudam. — comentou Damon, sentando-se também e dando atenção para qualquer ponto, menos para Elena.
– Pois deveria mudar. Daqui a pouco você terá sessenta anos nas costas e vai continuar a chamar a morena aqui de Gilbert? Socorro! — argumentou Bonnie, puxando a mão de Jeremy para que o mesmo se sentasse.
– Por que vocês só falam em idade? — perguntou Matt, abobalhado. — Eu continuo lindo e gostoso e quero continuar assim quando os sessenta chegar.
Todos riram, exceto Damon. Ele estava nervoso demais para compartilhar a brincadeira.
– Não vai sentar Elena? Não paga nada – disse Matt
Receosa, ela sentou-se ao lado de Damon. Deixou as mãos encolhidas e apoiadas nas pernas e evitava todas as maneiras olhar para o moreno que, de segundos em segundos, arriscava uma olhada de esguela para a garota.
– Onde está Tyler? — perguntou Jeremy, ajeitando-se na cadeira.
– Trabalhando! — respondeu Stefan, sem demora. — Está gostando da vida conturbada de doutor.
– Menos minha prima que está ficando doida da vida. — completou Damon, dando a primeira risada depois que Elena havia chegado.
– Como está minha amiga loira? E eles estão firmes mesmo? — perguntou Bonnie interessada.
– Eles estão bem e... Nós voltamos hoje e eles ainda estão juntos. — respondeu Damon, encolhendo os ombros. — Caroline gosta dele. Acho que vai ser difícil eles terminarem.
– Basta saber, apenas, se Tyler está disposto a tentar conciliar o dois. Sabemos perfeitamente que nosso amigo é uma lástima em relacionamentos. — afirmou Stefan rindo.
– Ele tem medo! Que mal há nisso?
Os olhos viraram-se na direção de Elena e ela xingou-se internamente por ter falado sem pensar.
– Nenhum! — Stefan coçara a testa e dera uma olhada rápida na direção de Damon. — Você sabe como Tyler funciona.
Algumas risadinhas foram ouvidas até todos concordarem em pedir alguma coisa para comer. Uma porção de fritas, hambúrguer e mais cervejas foram servidas e logo o assunto parecia ter ganhado maior desenvoltura.
– Você casou? Como assim?
Bonnie depositou seu copo sobre a mesa abobalhada. Stefan casado? Era algo excepcionalmente novo.
– Eu acho que estava bêbado. — respondeu Stefan rindo. — Digamos que Katherine Pierce não é a melhor pedida.
– Por quê? — perguntou Jeremy.
– Ela sempre foi uma boa pessoa... — comentou Elena de olhos arregalados.
– Ela é uma lunática. Por tudo ela berrava. — Stefan balançou a cabeça indignada. — Até que cansei e a traí.
Silêncio. Elena piscou duas vezes para ter certeza de que havia ouvido tudo o que Stefan havia dito. Bonnie parecia estar em transe, assim como Jeremy que dera um risinho abafado quando se tocara do que fora dito.
– E ela não te matou? — perguntou Jeremy.
– Bom... Você sabe né? Mulher traída fica mais louca e...
– Seja honesto logo de uma vez, Stefan. — Damon entrou na conversa, depois de ter praticamente devorado sua porção de fritas. — Ela quase cortou o Stefan Júnior fora.
Todos da mesa caíram na gargalhada. O fato de Stefan ser um grande canalha, pelo visto, não havia mudado em nada e era engraçado notar que, de todos, ele era o único que permanecia fiel ao que sempre fora. Bonnie e Jeremy só pensavam no relacionamento deles, Matt vivia infiltrado em seu escritório ou bebendo em algum botequim, Tyler estava infiltrado demais no trabalho, Damon estava absurdamente sério e Elena se achava uma pessoa sem rumo. Pelo menos alguém deveria quebrar aquela alteração psicológica do grupo que sempre fora assunto onde passava.
Já passava das dez horas quando finalizaram outro assunto. Relembraram algumas cenas da época da escola, mas nada foi prolongado só pelas feições de Damon e Elena. Ambos pareciam de saco cheio. Elena não via a hora de ir embora, pois se sentia extremamente sufocada. Damon não participara ativamente de nenhum assunto em comum permanecendo quieto comendo e bebendo o que lhe convinha. Consultando o relógio, Bonnie dera início à sessão de despedidas.
– Precisamos ir. Amanhã é terça ainda. — disse a morena colocando-se em pé. — Mas, antes de qualquer coisa, façamos um brinde para Elena Gilbert e seu novo emprego.
Stefan, Matt e Jeremy assoviaram e ergueram seus copos. Damon fizera o mesmo sem estardalhaço. Sorrira na direção dela e recebera o gesto automaticamente.
– Agora podemos ir! — confirmou Jeremy, passando um braço pelo ombro de Bonnie.
– Devemos marcar outro encontro desses. – disse Matt, tirando a carteira do bolso e pedindo a conta.
– Com absoluta certeza, mas Tyler tem que estar junto. — disse Jeremy animado.
– Lexi e Katherine também.
Stefan fuzilou Bonnie ao ouvir o nome de Katherine.
– Se Katherine vier, avise-me, pois venho de armadura.
– Certo! — Bonnie dera um beijo na bochecha de Jeremy. — Vamos, Elena?
– Na verdade, eu prefiro caminhar. — respondeu Elena, calmamente.
– Caminhar? Uma hora dessas? Nem pensar! — afirmou Damon instantaneamente. Elena ruborizou um pouco, mas fizera de tudo para se comportar da maneira mais natural possível.
– Bonnie e Jeremy precisam de privacidade. — disse Elena, tendo certeza que seu argumento não fora forte o bastante.
– Concordo plenamente, por isso você vai com Damon. É mais seguro.
Damon e Elena encararam Stefan. Ele sorria na direção deles como se tivesse dito algo extremamente normal.
– Disse algo errado? — perguntou ele, cruzando os braços.
– Sabe, devo concordar com Stefan. — Bonnie enrugou a testa, falsamente preocupada. — Damon, poderia dar uma carona para a Elena?
O moreno já estava em pé quando a pergunta fora lançada. Alisou os cabelos por alguns instantes e mirou Elena com certo receio.
– Precisa de carona? — perguntou ele, simplesmente.
– Er...- Elena buscou o olhar de Bonnie, mas ela estava ocupada demais beijando Jeremy. — Por que não!
Damon balançou a cabeça aceitando a resposta e despediu-se de Jeremy e Bonnie que logo rumaram em direção a Mercedes. Stefan e Matt permaneceram onde estavam observando os dois que mal se olhavam na face.
– Quer ir conosco? — perguntou Damon, esperançoso.
– Na verdade, irei encontrar Andie. Ela deve estar sentindo minha falta. Irei matar as saudades. — afirmou Stefan dando um meio sorriso.
– Certo! Vemos-nos daqui a pouco então.
– Tchau, Elena! — disse Stefan, lhe dando um beijo na face.
– Até logo.
– Tchau, Lena – disse Matt e também lhe deu um beijo na face.
Matt e Stefan permaneceram onde estavam observando Damon e Elena se afastarem. Ambos mantinham uma distância muito grande um do outro e não se falaram durante o percurso.
– Cara... O Damon vai te matar! – disse Matt
– Ahh deixa disso. – disse Stefan – Eu sempre soube que ele não deixou de gostar de Elena. E mesmo que ela não a assuma também gosta. E eu sei que eles vão ficar juntos.
Ao entrarem no carro, Damon ligou o rádio baixo como se estivesse acionando um mecanismo de defesa contra a morena.
Aquele silêncio estava incomodando-a, pois sempre adorou conversar. Claro que isso não incluía uma conversa com Damon, mas sentia que ele estava distante demais. Em um momento como aquele, o máximo que ele faria era lançar suas famosas piadinhas, mas nada disso ele fez. Conforme conseguia, a morena dava algumas olhadas para o moreno que estava concentrado demais na direção. Elena não sabia o que sentira naquele momento, mas parecia que estava absorvendo uma tristeza que Damon carregava dentro dele. Ela se sentiu mal ao ver que seu semblante era meio triste. E queria muito saber o por que.
– Vire à esquerda! — disse ela, mecanicamente.
Ele apenas balançou a cabeça. Não perguntou como ela estava e o que faria no dia seguinte. Damon queria manter aquele distanciamento como se achasse extremamente seguro. O fato de ter gostado anos seguidos de Elena o fazia lembrar-se do tempo que perdera se chateando com as atitudes dela. Ele era ciente que também nunca fora agradável, mas jamais soubera como agir diante de uma pessoa que gostava. Seus pensamentos estavam começando a dar um nó quando ouvira a voz dela chamá-lo a realidade. Ela o olhava e era visível uma ponta de preocupação vinda dela.
– Errei? — fora a primeira coisa que passou por sua mente.
– Não! — Elena balançou a cabeça desnorteada. — Na verdade eu queria saber por que está tão quieto.
– Hum... Incomoda?
– Bastante! — Elena balançou a cabeça. — Parece que te fiz alguma coisa.
Fez muitas coisas, pensou ele consultando o retrovisor antes de fazer uma curva. Dera um suspiro rasgante e se dera conta que não fugiria das garras da situação até deixar Elena segura em casa. Elena assustou-se com o suspiro de Damon e teve a certeza que fez algo. Mais o quê? Ela pensou.
– Não... Você não me fez nada. — respondeu Damon, dando uma rápida olhada para ela.
– Poderia parar de dirigir então? — perguntou ela, não tendo muita noção do que estava fazendo.
– Como? — Damon indagou confuso.
– Prometo que são por meros cinco minutos. — disse Elena, meio aflita e ansiosa.
– Certo!
Damon estacionou sem entender nada do que estava acontecendo. Provavelmente, Elena resolvera caminhar até o resto do caminho, mas ela não demonstrava que iria fazer isso, pois nem levara a mão em direção ao cinto de segurança para removê-lo.
– O que deseja Gilbert? — perguntou ele, virando-se para Elena.
– Elena, por favor!
Ele enrugou a testa. Será que foi o efeito da cerveja?
– Ok, Elena! — corrigiu Damon, pigarreando logo em seguida. — O que houve?
– Fale-me sobre você.
Ela estava ficando louca, só poderia ser isso. Damon dera um risinho abafado, e isso era somente a prova do quanto estava nervoso com a situação.
– Estou falando sério. — disse Elena com veemência.
– Eu sei! Você sempre fala sério. — respondeu ele, balançando a cabeça.
– Então, fale-me de você. — pediu ela, mais uma vez.
– O que quer saber de mim? Você já sabe praticamente tudo.
– Como foram seus últimos anos fora daqui. Só isso que eu quero saber. — Elena encolhera os ombros. Não sabia se estava fazendo a coisa certa.
Nem ele sabia ao certo. Mudou-se com Stefan sem pensar nas consequências e, a única coisa que o fizera voltar, fora o emprego que seu pai havia oferecido dentro da empresa da família. Damon sentia-se deslocado demais. Era como se tivesse dormido todo aquele tempo e acordado somente ali, diante de Elena. Não havia conquistado muita coisa, exceto um nome. Mas isso não era garantia de nada, pois continuava desconfortável consigo mesmo de maneira inexplicável.
– Bom... Vi Stefan se casar... Arranjei um emprego temporário... Enfim... Não foram tantas coisas. — Damon enrugou a testa, forçando-se a se lembrar de se tivera feito mais alguma coisa.
– Você gostou?
– Por que está agindo assim, Elena?
– Porque estou diante de outro Damon. — respondeu ela, inclinando um pouco a cabeça para estudá-lo melhor. — Você parece triste.
– Estou cansado!
– Só isso?
– Sim, só isso.
– Certo...
Elena resolvera fitar o vidro e tentar reconhecer o bairro que estaria. De longe, podiam-se ver as folhas das árvores serem sacudidas pelo vento com bravura. A jovem pensou se aquilo não seria o primeiro indício do outono que esperava ansiosamente.
– Você mudou bastante, para ser sincera. — ela quebrou o silêncio mais uma vez. — A única coisa que me lembra do Damon que você era foi sua queda no lixo.
– Parece que sinto o cheiro da banana até agora. — brincou ele, rindo.
– Foi bastante engraçado. Eu poderia imaginar qualquer pessoa menos você todo espatifado em cima de mim.
– Foi um grande reencontro, não acha? — perguntou ele, buscando os olhos castanhos da garota.
– Melhor do que você gritar meu nome no meio da rua como sempre fazia.
– Acho que me esqueci disso. Farei assim que puder.
– Eu te matarei se isso se tornar realidade.
– Espero que me mate de beijinhos, Gilbert.
Ela abaixou a cabeça sorrindo para si mesma. Aquele sim era o Damon que ela conhecia, mesmo não gostando da brincadeira. Espantou-se por ter agido tão naturalmente perante aquela situação que já havia deixado seus cabelos muitas vezes em pé.
– Desculpe se estou sendo um babaca, mas... Eu não estou conseguindo agir perto de você. — explicou Damon, apoiando as mãos no volante.
– Por quê?
– Hmm... Não sei. Acho que me agarrei ao fato de que as pessoas simplesmente mudam.
– Stefan não mudou.
– Ele é a exceção.
– Você gostou de mudar?
Damon dera um suspiro. Não era propenso a mudanças.
– Eu não mudei tanto assim, Elena. Apenas...
– Se fechou! — completou ela.
Ambos se encararam em silêncio. Damon sabia que Elena não estava completamente errada, mas só considerava sua mudança com o simples fato de não ser tão brincalhão como antes.
– Estou mais sério, eu acho. — disse ele coçando a testa.
– E fechado!
– Não estou fechado.
– É só olhar para você, Damon. — Elena enrugou a testa. — Te fizeram alguma coisa?
– Não! Não fizeram nada! — respondeu Damon sem demora. — Eu acho que só preciso me acostumar com o clima nova-iorquino mais uma vez.
– Vai demorar muito?
– Por quê?
– Porque tem lugares lindos para você ver. Novos parques, coisas desse tipo.
– Está me convidando para sair, Elena?
Elena sorriu ao ouvir aquilo. Sem aviso, retirou o cinto de segurança e abrira a porta do carro. Sentira a brisa de encontro com sua face e cerrou os olhos por um momento. Damon a observava incógnito de tudo o que ela poderia fazer. Perdido, saíra do carro e fora de encontro a ela.
– Você não respondeu minha pergunta. — Damon colocou suas mãos em cada bolso da calça, ansioso.
A morena abrira os olhos e espantou-se ao vê-lo diante dela.
– Na verdade, estou tentando trazer certo Damon Salvatore de volta. Você o conhece?
– Já ouvi falar. — Damon sorriu. — Não é o padeiro?
– Hmm... É o leiteiro.
– Acho que sei quem é.
– Será que ele toparia sair no final de semana?
– Você realmente está fazendo isso? Nunca mais deixo você beber cerveja.
Elena gargalhou.
– Isto não tem nada a ver com a cerveja.
– Então com o quê!
– Metas!
– Que metas?
Ela levou uma de suas mãos na direção do ombro de Damon e dera um suave apertão.
– Acho que temos lacunas a serem preenchidos, Damon, e nada mais certo do que resolvermos isso agora. Você não me parece bem e acho que você precisa espairecer antes de se enfiar dentro uma sala de escritório com seu pai.
– Agradeço pela preocupação, mas não é necessário. Nunca precisamos disso.
Elena esgueirou-se em direção ao banco do carro e pegara sua bolsa. Jogou-a no ombro e abraçara o próprio corpo para se proteger do vento frio.
– Talvez eu ache que precise. — respondeu ela, avançando na direção dele e lhe dando um beijo na testa. — Você tem meu número. Acho que sabe o que deve fazer.
Damon permaneceu onde estava completamente chocado. Viu Elena se afastando, mas não teve forças em fazer absolutamente nada. Simplesmente, fechou a porta do lado passageiro e voltou ao carro dirigindo diretamente para sua casa.
Continua...
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