Always At Your Side
10 Parque de diversões - Parte final
Notas iniciais
Se quiserem posto o próximo ainda hoje...
Elena ainda abraçava o ursinho de pelúcia, enquanto sua outra mão se ocupava com a maçã do amor que, a cada mordida, insistia em grudar seu maxilar. Para Elena, a noite fora bastante divertida mesmo tendo a companhia mais inesperada de toda sua vida: Damon Salvatore. A noite no parque havia sido estranhamente bem sucedida, mesmo que ela e ele não trocassem palavras de interesse com relação à vida de cada um após o término da escola.
Elena caminhava a alguns centímetros de distância dele com a mente completamente longe de onde estava. Lembrou-se do momento silencioso na roda gigante e da cena dramática de Damon querendo entrar no carrossel sabendo perfeitamente que pessoa de sua estatura não poderia usufruir do brinquedo. Claro que, com todo o charme que ele tinha, acabou conseguindo fazendo a morena cair na gargalhada enquanto aguardava do lado de fora.
Aparentemente, ele não havia mudado nada. Continuava com o mesmo sorriso e as mesmas ironias, embora algo em seus olhos avisasse que algo havia errado. O tempo que passou com Damon dentro daquele parque fora o suficiente para fazê-la notar de que o moreno estava passando por algum problema. Mesmo com as atitudes positivas vindas do ex-colega de classe, a morena sentira a falta do brilho constante que emanava do garoto que sempre fora o centro das atenções.
– Você ainda mora no mesmo lugar?
Eles estavam diante do carro, quando Elena parou de chofre.
– Não! Eu me mudei faz alguns meses! — respondeu Elena, adentrando o automóvel e acomodando-se da melhor maneira possível. Era óbvio que estava evitando Damon, mas não sabia os motivos para isso.
– Nossa! — exclamou Damon, passando o cinto de segurança pelo corpo. — É longe da antiga casa?
– Nem tanto! Digamos que saí um pouco mais da loucura do centro. — Elena meneou a cabeça, ajeitando o ursinho no colo. — Não precisa me levar para casa, Damon. Posso ir de metrô.
Damon parou no exato momento em que iria ligar os motores. A fitou com o cenho enrugado, analisando-a como se fosse lhe dar uma sapatada ou algo parecido para fazê-la parar de dizer asneiras.
– Você acha mesmo que eu vou te deixar no metrô para chegar sozinha na sua casa? — Damon perguntou, apoiando as mãos no volante.
– Acho que moramos em sentidos opostos e não vejo problemas quanto a isso.
Damon riu.
– Sabe, Elena, você deveria entender como ninguém as regras do cavalheirismo. — ele virou-se na direção dela, juntando as mãos uma nas outras. Por alguns segundos, abaixara o olhar e notou como ela segurava o presente recém-dado por ele tomando todo o cuidado com a maçã do amor segura na mão livre. Por mais simples que tivesse sido o moreno ainda não acreditava que tinha feito aquilo. Parecia não ter lógica. E, para piorar sua autocrítica, o fato deles estarem se chamando pelo primeiro nome parecia tão distante e frio. Damon teria muito com o que se acostumar.
– E quais são as regras do cavalheirismo? — perguntou Elena, alteando uma sobrancelha e virando-se na direção dele. Depois de ter passado o que considerava longas horas ao lado do rapaz, a morena percebera que ele parecia mais animado e a neura de melancolia parecia ter se dissipado. Isso era um grande alívio.
– Eu te convidei para nos encontrarmos, certo? — por um momento, dizer que ‘'a havia chamado para sair'’, parecia muito forte e ele não queria presenciar Elena Gilbert fora de si como nos velhos tempos.
– E o que tem demais nisso?
– O que tem demais nisso?
Damon saíra do carro para o grande susto de Elena. Ela não poderia ter dito uma besteira. Ela não poderia ter estragado a noite com uma simples frase.
– O que foi? — perguntou ela fazendo o mesmo. Sentira suas pernas bambearem. Sentira o medo de ter magoado Damon pela primeira vez em sua vida.
– Elena Gilbert, o que tem demais em nos encontrarmos sendo que não podíamos nem ficar mais de sessenta segundos um do lado do outro? — perguntou ele, de maneira óbvia.
– Bom... Acho que seria um avanço não!
– Um grande avanço! — Damon sorrira. Aquele sorriso que Elena não recordava muito bem, mas que continuava sendo perfeito.
– Realmente! Eu não ter te empurrado da roda gigante é um grande avanço. — disse Elena, balançando a cabeça.
– E eu não ter envenenado sua maçã do amor, é uma grande trégua.
Elena olhou para a maçã do amor com certa desconfiança. Caminhou até o lixo e a jogou fora fazendo Damon boquiabrir-se.
– Isso que é confiança. Depois dessa, voltarei a te chamar de Gilbert. — berrou ele, vendo-a retornar com um singelo sorriso.
– Gilbert soa mais particular para nós dois. Acho que não combinamos como Damon e Elena.
– Se for pensar bem, realmente não combinamos. — Damon levou o dedo indicador até o canto da boca. — Eu estava pensando nisso agora pouco. Chamar-te de Elena é como se eu não te conhecesse mais. Gilbert é algo para a vida inteira.
– Você conhece uma parte de mim, Damon. Somente o lado Gilbert. A Elena você não conhece.
– E nem você conhece o Damon. — ele disse com a voz meio baixa, mas não se deixou abater. Talvez, o grande erro fosse ter deixado de conhecer Elena como ela realmente era antes de bancar o espertalhão querendo atrair a garota dos sonhos da pior maneira possível. Elena nunca fora fácil de lidar e este poderiam ser o momento em que poderia mudar a estratégia, mesmo estando louco para não se afundar em mais uma tentativa funesta de conquistar a morena.
– Você acha que esse nosso encontro tem algum fundamento? — perguntou Elena, desviando o olhar para o parque. Algumas luzes começavam a se apagar.
– Creio eu que sim! — respondeu Damon, com pouca convicção. Sua vida estava estranha demais para acreditar em alguma coisa.
Elena silenciou. Parecia que todo aquele clima pesado havia retornado entre os dois e, internamente, ela não queria isso. Queria conhecer Damon e deixar de tratá-lo como Salvatore. Ela acreditava que algumas coisas mudavam de uma hora para outra e, quem sabe, essa era a hora deles realmente conhecerem as pessoas que ambos haviam se transformado.
– Você pretende fazer alguma coisa amanhã? — perguntou Elena, não tendo certeza do que estava fazendo. Algo dentro dela pedia que prolongasse o bem estar entre Damon e ela temendo que um encontro como aquele jamais voltasse a acontecer.
– Eu sou um desocupado! Na verdade, eu tinha algumas malas para desfazer, mas acho que posso adiar. — respondeu Damon. — Vai me chamar para sair, Gilbert?
Elena riu com gosto.
– Em hipótese alguma faria isso. — ela sentira suas pernas cederem mais uma vez e resolvera entrar no carro, evitando outro embaraço.
– Ah! Você vai ter que se explicar comigo agora, mocinha! — Damon entrara no carro, sorrindo. — Por que recuou do convite que ia fazer?
– Eu não recuei Salvatore!
Damon caíra na gargalhada. Sabia que no fundo estava irritando Elena com sua atitude.
– Se você acabou de me chamar de Salvatore é por que aí tem coisa, Gilbert. — frisou ele com desdém.
– Não tem nada aqui não, tá? — disse ela, ficando emburrada.
– Ora! Se quiser me chamar para sair faça logo. — Damon cruzara os braços. — Tenho cara de quem vai para algum lugar?
Elena o fitou por alguns instantes. Sentira um calafrio percorrer sua espinha e ajeitou as madeixas vermelhas para disfarçar.
– Eu não ia te chamar para sair, seu metido. Só queria saber se estava desocupado.
– Vai me visitar?
– Na verdade, sinto falta do Tyler. Ele estará lá?
– Sim! Assim como Stefan e eu. Você terá o trio à sua disposição.
– Acho que isso não é uma boa ideia.
Os dois riram. Aos poucos, eles conseguiam quebrar a fina camada de gelo que fora criada durante os anos de escola até o momento do reencontro. O conforto de estar um na companhia do outro parecia ocupar-se em crescer dentro de cada um deles, mesmo que a arte de evitar o que sentiam fosse um mecanismo aparentemente inalterável.
– Bom... Nada de convites então?
Ela pegou o ursinho mais uma vez. Havia algo na voz de Damon que a fez sentir-se um pouco cabisbaixa. Ela queria chamá-lo para dar uma volta em algum lugar de NY, mas a coragem havia lhe escapado. A pergunta soou de maneira decepcionante da parte dele, fazendo-a se arrepender em não ter sido incisiva com o que queria.
– Nada de convites! — respondeu ela, com certo pesar. O observou pelo canto de olho e vira Damon pegar o volante completamente desolado.
– Certo! — exclamou ele, dando partida. — Explique o caminho até sua casa!
Ela não queria ir para casa. Na realidade, queria passar o resto da noite ao lado dele. Parecia algo injusto, mas ela não tinha muito que mudar. Só esperava que àquela noite não fosse à última em quem teria a companhia de Damon.
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Já passava das onze quando Tyler dera um salto do sofá. Caroline parecia um disco arranhado, pois simplesmente não parava de falar. O garoto sentia-se cansado e sua barriga parecia pesar bastante já que se abastecera de todo o estoque de doces que a namorada tinha em algum lugar perdido do seu quarto. Sentia-se melhor por estar bem com a garota que sorria debilmente na direção dele. Era nítido ver os olhos de Caroline brilhar e era claro que ela gostava da presença do futuro médico.
– Por que levantou? — perguntou Caroline, pega de surpresa. Estava tão à vontade que nem percebera a hora passar.
– Está tarde e eu preciso ir para casa. — respondeu Tyler, calmamente. Sentia seus olhos pesarem e suas costas doerem. Realmente era hora de ir.
– Ah! Não vai embora não! — Caroline levantou-se e o envolveu em seus braços. Adorava sentir o perfume suave de Tyler e sentir o corpo dele contra o seu.
– Eu preciso ir! Podemos marcar alguma coisa amanhã, o que acha? — sugeriu Tyler, dando um beijo no cocuruto da cabeça da morena logo em seguida.
– Seria perfeito! Já estou sentindo saudades de você. — disse Caroline, lhe dando um selinho rápido.
– Nossa! — Tyler sorrira. — Assim, você vai conseguir me prender aqui.
– Então estou com saudades e quero que fique. — Caroline o abraçou pela nuca e roçara seus lábios nos dele carinhosamente. — Fica mais, por favor!
– Você sabe que eu preciso descansar. Como vou dar conta de você e do hospital estando completamente acabado?
Caroline fizera um bico, parando pensativa.
– Para que dormir, Ty? As melhores coisas acontecem quando se está acordado.
Tyler riu.
– Mas adoro ter sonhos com você, entende? — disse ele, abraçando-a pela cintura. — Se você for pensar bem, nem serão muitas horas de distanciamento entre nós dois.
– Mas parece uma eternidade! — disse Caroline, emburrada. — Fica aqui! Meus tios nem vão ligar.
– Eles nem me viram ainda e, se for pensar bem, não estou pronto para aturar as piadinhas do seu primo.
Caroline sorrira daquele jeito que ela só sabia fazer. A maneira irresistível que prendia Tyler.
– Damon nem está aqui para saber! — Caroline afastara os cabelos do rosto, sorrindo.
– Mas ficará sabendo em breve! — Tyler lhe envolvera em um beijo rápido e carinhoso. — Eu ligo para você, pode ser?
– É para ligar ou chutarei a porta da sua casa. — disse Caroline, afastando-se dele com uma expressão falsa de braveza.
– Pode ficar tranquila! Ligarei no momento em que acordar! — disse Tyler, fazendo carinho em seu rosto e te dando um beijo na testa.
Ambos se despediram com um longo beijo. As sensações que a garota transmitia para seu corpo eram intensas demais, fazendo-o questionar se aquele relacionamento duraria para sempre. Poderia ser piegas da sua parte, mas ele não conseguia imaginar sua vida sem as peripécias de Caroline Forbes. Ao se afastar dela, sentira uma imensa vontade de ficar, mas o dever simplesmente falava mais alto.
–Amo você! — exclamou Caroline, apoiando uma das mãos na porta.
–Eu também amo você! — respondeu ele, lhe dando às costas.
Tyler caminhou tranquilamente em direção ao carro e seguira para casa.
Tyler, guiando o carro até a entrada da garagem. Ao olhar no retrovisor, espantou-se ao ver Damon buzinando logo atrás de dele. Logo partira para guardar o carro. Damon fora logo em seguida fazendo o mesmo.
– Perdido? — perguntou Tyler, quando já caminhava em direção à porta de casa.
– Entediado! — respondeu Damon, seguindo-o.
– Foi para onde?
– Saí com a Elena!
Tyler boquiabriu-se. Quase caindo duro no chão. Nunca imaginara que sua melhor amiga aceitaria sair com seu melhor amigo. Enquanto Damon espantou-se com a facilidade com que dera a resposta.
– Sério?
– Parece brincadeira, mas eu fiz o que você disse. — respondeu Damon, girando as chaves nos dedos.
– Com direito ao ursinho? — perguntou Tyler, interessado.
– Com direito ao ursinho. — respondeu Damon meio embaraçado.
– Você me parece cansado. Alimentou-se depois do exame?
Damon o fitou com a testa enrugada. Se soubesse que havia apenas um cachorro-quente e refrigerante na barriga dele, com certeza Tyler ficaria “doente” de preocupação.
– Sim! Jantei em um restaurante antes de ligar para a morena. — respondeu Damon, sorrindo da pior maneira possível. Era óbvio que não conseguira mentir. — Quando sai meu exame?
– Creio eu que até quarta. Eu te aviso!
– Certo! — Damon colocara as mãos em cada bolso. — Vamos entrar?
– Claro! E quero que me conte o que aconteceu entre Elena e você.
Damon poderia tentar fugir, mas o assunto daquela noite seria longo. Sua sorte era que Tyler não era que nem Stefan. Logo ele cairia no sono e ele poderia fazer uma retrospectiva mental daquele dia absolutamente perfeito.
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Dias depois...
O café fumegava e Elena não parecia muito interessada na caneca depositada sobre a mesa que ocupava em um pequeno pub. O tempo estava ensolarado e tudo indicava que o Outono havia chegado para ficar. Do outro lado da vidraça, ela ficou um bom tempo observando o movimento das pessoas apressadas.
A única coisa que assombrava sua mente era o sumiço de Damon. Desde a noite do parque de diversões, ele não dera sinal de vida. Elena até havia pensado em ligar, mas não queria bancar a lunática fechando o cerco em volta de um dos garotos que passou boa parte do seu tempo evitando. Mas algo lhe dizia que tinha algo de estranho e tentar ligar seria arriscado, porém lhe acalmaria.
O comportamento do novo Damon era de se espantar. Não forçou brincadeiras, parecia carismático embora abatido e estava gentil de uma maneira que ela nunca imaginou em toda sua vida. Os flashes daquela noite ainda faziam parte da sua mente antes de dormir. O ursinho que havia ganhado já tinha seu perfume cravado por estar sempre envolvida com ele onde quer que fosse. Por mais simples que tivesse sido Elena havia dado um valor surreal aquele momento compartilhado com Damon. Havia dado motiva a si mesma que tudo fazia sentido agora.
Resolvendo bebericar o café, Elena sentira o líquido lhe aquecer o corpo protegido por uma jaqueta apropriada para aquele tipo de clima. Seus olhos castanhos ainda fitavam o movimento lá fora, mas não estava mais concentrado o bastante no vai e vem das pessoas. Sua mente estava em Damon e ela queria que isso não voltasse mais acontecer. Como queria que Bonnie estivesse ali perto dela. Seria um tanto quanto reconfortante, mesmo ela sabendo que a amiga lhe daria a ideia de ligar para o moreno.
Ligar não seria uma má ideia se não lhe faltasse coragem. Suas mãos já começavam a suar só de pensar em tal ato. Mas estava preocupada e sentia um incômodo inconstante toda vez que olhava seu bendito celular e não via nenhuma mensagem recebida ou algo lhe indicando chamadas perdidas. Por mais que não tivesse passado tantos dias depois do encontro, ela estava sentindo uma grande necessidade de ouvir àquela voz. Estava sentindo falta da companhia que tivera da atenção. Fazia muito tempo que ela não se sentia segura perto de alguém. Só estranhava o fato de ter se sentido segura perante Damon Salvatore.
Calmamente, ela tirou o celular do bolso e o fitou em silêncio. Dera uma boa olhada para o pub e pensou em pedir algo para comer. Estava matando o tempo naquele lugar fazia umas duas horas desde que saíra do trabalho alegando mal-estar. Mesmo liberada, não estava com vontade de voltar para casa. Queria um tempo para si mesmo para colocar os pensamentos em ordem. Era algo que ela acreditava que conseguiria sozinha, mas estava sendo bastante complicado. Tinha planos de tentar reorganizar cada pedaço de sua vida sentada diante daquela vidraça com uma caneca pela metade de café.
Elena tinha sonhos como qualquer outra garota, mas sempre fora com calma para conseguir seus objetivos. Queria se estabilizar, entrar em uma ótima faculdade e ser uma garota bem sucedida. Queria construir uma linda família com o que seria o amor da sua vida. Imaginava que o homem que bagunçaria tudo passaria por qualquer porta, cruzando seus olhos com os dela e sorrindo amigavelmente e, ao pensar nisso, não deixou de sorrir novamente, sentindo-se extremamente tola. O homem que queria estava distante e a morena podia sentir isso de uma forma agonizante.
Foi assim que Damon voltara à sua mente. Apesar dos contratempos, ele não era uma pessoa ruim. Sempre se importara com seus amigos e sempre fora sensato em seus objetivos. Poderia ser meio relaxado, claro, mas nunca deixou de esbanjar confiança em todos os assuntos que eram do seu interesse. Damon era uma pessoa forte e era só ver onde ele havia chegado para ter certeza.
A falta de informações com relação a ele às vezes a chateava por razões que ela não entendia. Queria procurar Matt ou Tyler para conversar, mas sabia que sofreria um batalhão de perguntas do amigo. Por mais que o rapaz fosse compreensivo, não deixaria de dizer que o tiro havia saído pela culatra. Estar interessada na vida de Damon, não era garantia que seu interesse fosse, além disso. Pelo mesmo era assim que ela acreditava. O celular ainda estava sobre sua mão, quando Elena resolvera vasculhar as últimas chamadas recebidas. Acabou encontrando o número de Damon de primeira e sentira o coração palpitar mais forte. Se fosse bancar uma de covarde, seria melhor que saísse daquele pub sem pagar. Mas, como sempre fora decidida no que queria, não demorou a apertar o botão que agora direcionava a ligação para o celular do rapaz.
– Gilbert?
Ela gelou. A voz dele estava extremamente rouca e Elena pensou que ele estava resfriado.
– Er... Salvatore!
Damon estava sentado confortavelmente dentro da sala do escritório. Sentia-se cansado, mas mesmo assim comparecia ao trabalho para ocupar a mente.
– Você ligando! Acho que vai chover!
Ele não esperava que Elena fosse ligar. Pensou seriamente que a conversa deles seria limitada apenas aquele encontro no parque e nada mais. Stefan e Matt insistiram durante todo o Domingo para que ele telefonasse, mas a coragem lhe esvaiu. Por mais que tivesse passado o resto do final de semana pensando na garota, queria bancar o típico garoto normal que não dava bola para os fatos que aconteceram nos dias anteriores.
– Hmm... Só queria saber se está tudo bem. — disse Elena, puxando a caneca de café para junto de si. Descontrolada, começou a colocar mais açúcar no líquido que já estava frio.
– Momento de preocupação... — Damon remexeu-se na cadeira. Nem ele sabia se estava bem.
– Continua o mesmo irônico de sempre.
– Mas eu não te tratei com ironia.
– Tem certeza disso?
– Ora, Gilbert, você sabe como funciona nossas conversas.
– Então, na próxima vez, irei me lembrar de antes de resolver ligar para você.
– Por que ligou então?
– Já lhe disse o porquê.
– Eu estou bem, Gilbert.
Elena umedeceu os lábios com a língua. Sentia-se nervosa.
– Certo! Então foi só para isso que liguei.
– Está cobrando alguma satisfação pelo passeio no parque?
A morena rira com gosto. Estava demorando para o verdadeiro Damon ressurgir das cinzas.
– Se importar agora tem outro significado? — pergunto Elena secamente.
– Essa sua ligação está muito estranha, só isso.
– Certo! Não irei ligar mais! Tchau!
Damon ficou abobalhado. Elena havia desligado na sua cara sem deixá-lo retrucar. Inquieto, retornou a ligação e esperou que ela atendesse.
– Vamos retomar ok? — pediu Damon depois de ouvi-la do outro lado da linha. — Oi, Gilbert, tudo bem?
– Salvatore, não precisa fazer isso. — Elena abrira a bolsa e deixara algumas notas na mesa pagando pelo seu café. Sem demora, saíra do pub e se entregara a movimentação nova-iorquina. — Eu só queria saber se você está bem. Não estou te cobrando nada.
– Eu perguntei se você está bem. Poderia me responder.
– Eu estou bem, Salvatore!
– Ótimo! — Damon levantou-se e pegou seu casaco. — Eu também estou bem, Gilbert, só trabalhando bastante. Onde você está?
– Estou indo para casa!
O moreno erguera o olhar em direção ao relógio e vira os ponteiros marcarem duas horas.
– Pensei que estivesse no trabalho. – ele comentou, abrindo a porta da sua sala e saindo.
– Eu saí mais cedo! — respondeu Elena, calmamente.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não! Não aconteceu nada! — respondeu Elena, aguardando o sinal fechar.
– Tem certeza? Sua voz te denuncia.
Elena suspirou.
- Só ando meio preocupada, só isso.
– Para variar! — Damon sorrira e apertara o botão do elevador. Torceu para que as portas abrissem logo. — Você não se cansa de ficar sempre preocupada?
– É meu hobby predileto! — Elena disse, dando um meio sorriso. — Mas nada que não se resolva com café e chocolate.
– Hmm... Típica saída de mulheres. Depois reclamam que estão gordas.
– Nada que uma caminhada até o serviço todo dia não resolva.
– É... Por um lado você tem razão. — Damon entrara no elevador e apertou o botão que indicava o térreo. Ficou em silêncio até chegar ao andar, já que o celular começou a fazer ruídos que o atrapalhavam.
- .....
- O que disse? — voltou a dizer ele, assim que cruzara as portas da empresa de seu pai.
– Perguntei que horas você sai do serviço!
– Ah! Na verdade, não tenho horário, mas acabei de sair. Estava no elevador por isso o barulho.
– Entendi! — Elena virou a esquina e continuou caminhando em direção ao metrô. — Você está estudando?
– Na verdade, estou pensando em destrancar minha matrícula na faculdade. Minha mãe queria que eu fizesse isso hoje, mas sem chance. Estou exausto.
– Exausto de não fazer nada? — brincou Elena, fazendo-o rir.
– Sei lá o que é! Ultimamente tenho estado assim.
– Entendo! Nada que algumas horas de sono não resolvam.
– Com certeza! — Damon cruzara uma longa avenida e começou a caminhar no sentido oposto ao mesmo farol que Elena havia atravessado há alguns instantes. Andando calmamente, ele cruzara um pequeno espaço e passou a descer as escadas do metrô.
– Damon, eu vou ter que desligar agora.
– É... Eu também... E estou entrando no metrô e provavelmente a ligação vai cair...
– Você está no metrô? — perguntou Elena parando no meio do caminho.
– Estou descendo pelas escadas rolantes neste exato momento.
O celular permaneceu na orelha da morena que descera as escadas um tanto quanto afobada. Quando terminara de descer, não deixou de sorrir ao ver Damon na outra ponta do corredor.
– Que ironia não? — indagou Damon, já diante dela e desligando o celular.
– Talvez o destino queira que nos matemos hoje. — disse Elena encolhendo os ombros.
– Ou quem sabe, está dando uma chance para a gente finalmente se entender.
Elena sentira uma sensação completamente nova tomar conta do seu peito. Por mais que fosse estranha, ela sentia uma ponta de tristeza que surgira completamente do nada. Fitou Damon com ternura e segurou o mesmo sorriso na direção dele.
– Quer comer alguma coisa? — sugeriu Damon, percebendo que ela não falaria nada.
– Eu acabei de tomar café.
– Isso não é alimento! — disse Damon, rindo. — Eu pago!
– Não mesmo! Se eu for comer alguma coisa com você, dividimos a conta.
– E se eu não quiser? — Damon lhe lançou um olhar divertido.
– Você terá que ir comer alguma coisa sozinha.
– Pensando bem, acho legal dividir a conta. Nunca fiz isso antes.
– Então, eu vou com você.
Eles sorriram um na direção do outro e juntos saíram do metrô. Antes mesmo que pudesse se sentir reconfortada pela brisa fresca da tarde, a mesma vozinha voltou a alertar Elena. Ela ouvia uma voz no seu subconsciente que dizia que logo se apaixonaria pelo rapaz que estava radiante ao seu lado.
Continua...
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