Always At Your Side
26 Hospital
Notas iniciais
Obrigada pelos comentários...
Boa leitura...
Damon foi levado ao hospital ainda desacordado. Seu pai e Elisabeth seguiram desesperados atrás da ambulância enquanto Elena, Tyler, Matt, Rebekah, Caroline e Stefan tentavam se recuperar do choque do lado de fora da mansão dos Salvatore. Tyler e Caroline trocavam um olhar cúmplice de segundo a segundo. Saber do que estava realmente acontecendo com seu melhor amigo, deixou Tyler um tanto quanto desligado, entrando totalmente no clima fantasmagórico que emanava de Stefan. O silêncio parecia ser a única opção, ainda mais quando eles estavam ao redor de uma Elena desesperada e de olhos inchados de tanto que havia chorado.
– Acho melhor irmos. — disse Stefan; de repente. Dera um longo suspiro ao perceber que o barulho da sirene havia cessado. — Elena, Tyler pode te dar uma carona.
– Tudo bem.
Matt levou Rebekah para casa. Mais logo ele visitaria seu melhor amigo. Os outros três se entreolharam mais uma vez. Elena estava pálida e de lábios contraídos. A cena de Damon se debatendo naquele chão ainda estava fresco em sua mente como se acontecesse o tempo todo. A todo custo, ela tentava afastar o pensamento, mas era como se presenciasse a cena mais uma vez, toda vez que fechava os olhos.
– Vamos, Elena. — disse Caroline, passando uma mão pelo ombro dela, caminhando em direção ao carro de Tyler.
– Eu vou de moto. A gente se encontra por lá. — disse Stefan, alisando os cabelos rapidamente, esperando que as duas garotas se afastassem o suficiente para que não fosse ouvido. — Você está bem, Tyler?
Tyler deu uma olhada para trás a fim de verificar se Elena estava longe do alcance de suas palavras.
– Estou chocado, Stefan. — Tyler meneou a cabeça negativamente. — E ainda não acredito que Damon não tenha contado nada a Elena sobre sua verdadeira situação. Você tem ideia do quanto ela vai sofrer em dobro pelo que está acontecendo?
Stefan sabia perfeitamente o que poderia acontecer assim que seu melhor amigo resolvesse contar a verdade. Seus pais fariam de tudo para tê-lo em casa mais uma vez Elena, muito provavelmente, ficaria sem falar com ele por dias, talvez semanas. Era uma situação complicada, mas ele admitia para si mesmo estar mais aliviado por não ser mais o único, a saber, do seu segredo.
– Sei sim, Tyler, mas não podemos fazer nada com relação a isso. Iremos esperar Damon contar a ela. — disse Stefan, de maneira veemente, como se estivesse fazendo um pedido para Tyler já que ele era o melhor amigo de Elena.
– Eu poderia conversar com ela, mas definitivamente, não quero me meter. — Tyler alisou a testa, colocando as mãos nos bolsos logo em seguida. — Já foi o bastante vê-la se debulhar em lágrimas ao ver Damon daquele jeito. Não acho digno que ela receba uma bomba dessas, ainda mais pela minha ou sua boca. Não seria justo e só acabaríamos de uma vez com o dia dela.
Stefan olhou para o céu por alguns instantes. Não havia estrelas, mas sim nuvens. O tempo estava pesado e o vento do inverno estava cortante. A probabilidade de começar a nevar nas próximas semanas era evidente, já que o Natal estava ficando cada vez mais próximo.
– Vamos fingir que não sabemos de nada até chegarmos ao hospital. Se tivermos sorte, algum médico vai deixar escapar ou até mesmo Dam se manifeste e acabamos logo com esse mistério. — Tyler dera o primeiro passo em direção ao carro. — Te encontro lá.
– Beleza. — confirmou Stefan, já caminhando em direção a sua moto.
Ao entrar no carro, Tyler se deparou com uma Elena praticamente afundada no banco traseiro do seu carro. Caroline estava no banco do passageiro praticamente imóvel, como se respirar fosse difícil demais dentro daquele ambiente. Ela estava chocada e completamente distante.
Sem demora, ele partiu rumo ao hospital e agradeceu intimamente pela falta de trânsito. O percurso todo foi entregue a um silêncio mortal acompanhado algumas vezes por algumas fungadas de nariz de Elena. Ela não estava disposta a conversar e o casal a frente agradecia e muito por isso.
Ao chegarem ao hospital, perceberam que não havia tanta agitação na entrada de emergência. Damon provavelmente já estava seguro dentro de um quarto, sendo bem tratado e visado pelos pais que pareciam mais abatidos do que a namorada.
Calmamente, Tyler desligou o motor e fizera uma pausa. Não estava sentindo coragem de entrar naquele hospital, não naquele momento. Se fosse a trabalho, com certeza estaria todo animado, mas só de imaginar que poderia verificar o bem estar do amigo, rodeado de remédios e enfermeiras malucas, fez seu estômago dar uma reviravolta incômoda.
– Você está bem? — perguntou Caroline, virando o rosto e observando o namorado. Ele parecia ter perdido a cor, o que não era novidade para qualquer pessoa que havia presenciado o ataque repentino de Damon.
– Estou sim. — Tyler tirou o cinto de segurança, ajeitando-se no banco para tentar alcançar o ombro de Elena. — Chegamos Lena.
Ela dera um sobressalto, tirando os cabelos dos olhos. Elena não se dera conta de que havia cochilado no pequeno trajeto e, por mais incrível que parecesse, teve alguns sonhos nem um pouco agradáveis.
– Certo. — ela abriu a porta do carro, sentindo o vento nova-iorquino ir de encontro ao seu rosto. Parecia que havia levado um tapa, pois a rajada de vento a impulsionou um pouco para trás.
Caroline fizera o mesmo, parando no mesmo instante ao perceber que Tyler não estava muito disposto a sair do carro. Ele segurava o volante com firmeza, como se tivesse sido congelado naquela posição.
– Tyler, se você quiser vir depois, eu fico com a Elena. — disse a jovem, voltando para dentro do carro e apoiando a mão sobre o ombro do namorado. — Você não precisa ficar. Volte amanhã.
– Eu preciso entrar. É meu amigo que está lá dentro.
Caroline dera um suspiro, lançando um olhar rápido no estacionamento quase vazio do hospital. Logo conseguiu encontrar a moto de Stefan estacionado próximo a entrada de emergência.
– Você não me parece pronto para entrar. — disse ela, lhe dando um beijo na face. — Eu vou entrar com a Elena. Fique aqui. Quando se sentir melhor para entrar, faça isso. Estou com o celular quase precise de alguma coisa.
Tyler ergueu o rosto, colando seus lábios aos dela carinhosamente. Uma emoção sem explicação tomou conta do rapaz que parecia incapaz de soltá-la.
– Vá com a Elena. — sussurrou ele, fazendo carinho em seu rosto. — Eu... Eu vou dar um tempo aqui. Minha cabeça está a mil por hora.
– Tudo bem. — Caroline concordou com um aceno breve de cabeça. — Fique tranquilo, vai ficar tudo bem.
– Assim que você chegar, me dê um toque. Preciso ao menos saber se ele está bem.
Caroline concordou, dando-lhe mais um beijo no rosto. Lentamente, saiu do automóvel, indo de encontro a Elena, que estava parada diante da entrada de emergência, como se estivesse pensando se deveria entrar ou não no local.
– Tyler vai vir depois. – Caroline parou ao seu lado, erguendo a cabeça para olhar melhor o prédio. Havia várias luzes acessas e, assim como Elena, imaginava em qual daqueles quartos Damon estava.
– Por quê? — perguntou ela com a voz rouca, ainda observando o prédio e suas diversas luzes.
– Ele não se sente muito bem. — respondeu ela, prontamente, abaixando a cabeça para olhar para a garota.
– Hmm...
Elena silenciou. Ainda olhava para as janelas como se alguma resposta repentina fosse surgir dali. Na verdade, estava adiando sua entrada com medo de que algo pior houvesse acontecido com seu namorado. Tudo parecia tão real e ao mesmo tempo tão surreal que era impossível acreditar que aquilo tudo estava acontecendo. Damon estava muito bem há alguns dias atrás, por que de repente ele piorou daquela maneira?
– Acho melhor entrarmos. — retomou ela, puxando seu casaco mais para perto de seu corpo, passando a caminhar até a entrada do hospital.
O corredor estava vazio. Parecia que aquela noite no hospital era uma noite dos anjos. Sem acidentes e sem pacientes graves. Havia alguns residentes e atendentes conversando no meio do corredor, mantendo o tom de voz baixo, para não atrapalhar os poucos pacientes que aguardavam atendimento. Elena olhou de um lado para o outro, como se esperasse encontrar Damon deitado em uma daquelas camas, pronto para voltar para casa.
– Temos que ir até a recepção. Entramos pelo lugar errado. Não sei como não deram um berro na gente. — Caroline pegou o braço de Elena com delicadeza e a guiou ao outro extremo do hospital. Lá, estavam dois residentes entediados sem ter o que fazer. — Com licença. Estou à procura de um paciente que provavelmente acabou de dar entrada no hospital. O nome dele é Damon Salvatore.
Elena apoiou os cotovelos no balcão, observando um rapaz forte, de cabeça raspada, vasculhar o sistema à procura do nome do seu namorado. Só de imaginar como ele estaria, sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
– Quinto andar. Quarto 409.
Caroline agradeceu e voltou a segurar o braço de Elena, guiando-a até o elevador. Aguardaram emudecidas, como se uma barreira impedisse um possível diálogo entre as duas. Ao entrarem no elevador e se verem no quinto andar, demoraram alguns segundos para procurar o quarto em que Damon estava como se estivessem sendo guiada a forca.
– Se você quiser ficar com Tyler, não tem problema.
Caroline deu um meio sorriso.
– Ele é meu primo. Irei com você. Tyler logo estará aqui conosco. Não se preocupe.
Elena alisou a testa por alguns segundos e passou a procurar o quarto em que Damon estava juntamente com Caroline. Ao encontrarem a figura de Stefan, sentado em uma cadeira, ela logo presumiu que o quarto ao lado fosse dele.
– Pensei que tivessem se perdido. — Stefan ergueu a cabeça, bebericando o que parecia um copo de café. — Servidas?
As duas menearam a cabeça negativamente.
– Damon está acordado. Perguntou de você, Elena. Avisei que estava a caminho.
Elena sentiu um embrulho dentro do estômago e tentou pensar em qualquer outra coisa que não lembrasse o episódio que vivenciou há algumas horas atrás.
– Tem algum problema se eu entrar? — Elena caminhou até a porta, se esticando na ponta dos pés. Podia ver Damon deitado, sozinho, apenas supervisionado por uma enfermeira.
– Elisabeth e Stevan deram uma saída. Foram comprar alguma coisa diferente para ele comer. — Stefan sabia perfeitamente que Damon estava ganhando tempo. Com a saída dos pais, poderia convencer qualquer médico a dizer que ele estava bem e tendo a visita de Elena depois, seu segredo não correria tanto risco como parecia. — Aproveite enquanto sua sogra não volta.
Elena dera um sorriso enviesado ao ouvir a palavra “sogra”. Elisabeth poderia ser qualquer coisa com relação a ela, menos suasogra. Agora entendia completamente onde sua tia queria chegar quando sempre dizia que a mãe de seu tio era um inferno na terra.
– Vou aproveitar enquanto ela não chega. Se ela me ver lá dentro, com certeza irá me expulsar.
– Não acredito que ela faça isso. — interveio Caroline, de braços cruzados. — Ela é muito fina para te expulsar sem nenhum pingo de educação.
– Parece que você esqueceu como ela me tratou no almoço essa tarde, Caroline. Se a Sra. Salvatore pudesse, me apunhalava com uma faca.
Caroline meneou a cabeça negativamente enquanto Stefan sorria por detrás do copo de plástico.
– Fique tranquila, Elena. Elisabeth está sob supervisão do marido. Ela não faz muita coisa quando Stevan está presente.
Elena tentava se convencer de que não haveria grande escândalo ao abrir a porta do quarto em que Damon estava. Só de imaginar uma possível briga com Elisabeth dentro daquele hospital, sentiu os dentes rangerem de fúria reprimida, pois sabia que não seria tão categórica como havia sido no almoço.
– Só me dê alguns toques na porta se ela avançar, ok?
Stefan meneou a cabeça positivamente, observando Elena entrar no quarto. Quando a porta se fechou, Stefan apoiou a cabeça na parede, fazendo Caroline sentar-se ao seu lado.
– Onde está Tyler? — perguntou Stefan.
– Lá fora em crise existencial. — disse Caroline, afastando a franja dos olhos. — Se ele não aparecer aqui em 15 minutos, irei buscá-lo pela orelha.
Stefan sorriu com o comentário se recostando melhor na cadeira. Ficou imaginando o que deveria estar acontecendo lá dentro do quarto e em quais mentiras Damon estava se enrolando para evitar que Elena soubesse de sua doença e não se preocupasse como ele e Tyler.
Elena entrou no quarto a passos lentos que foram logo percebidos por Damon. A coloração de seu rosto havia voltado e seus lindos olhos azuis não estavam tão fundos como estava durante a tarde. Ele parecia mais carismático e a morena imaginou que isso fosse efeito dos medicamentos que com certeza ele havia tomado.
– Pensei que não chegaria nunca. — disse Damon, com a voz rouca. Procurou o olhar da namorada que estava distante demais. Começou a ficar mais preocupado.
– Eu esperei até ter certeza de que seus pais estivessem chegado e ficado um pouco com você. — Elena puxou a cadeira que estava perto da janela para mais perto da cama de Damon. Automaticamente, segurou sua mão e notou que ele estava à base de soro. — Não queria mais complicações com sua mãe.
Damon meneou a cabeça positivamente, erguendo a mão que Elena segurava com dificuldade, colocando-a sobre seu tórax.
– Não quero que esquente com a minha mãe. Ela sempre foi dessa maneira. Ela é incapaz de mudar. — explicou ele, fazendo carinho na mão da garota. Parecia uma eternidade que não sentia sua presença.
– Eu sinto muito por ter ficado irritada, Damon, mas ela me tirou do sério.
– Eu sei disso, pois ela me tira do sério todos os dias. — ele tentou sorrir, mas parecia que seu corpo inteiro doía ao fazer o gesto simples. — Não quero que se sinta culpada por ter discutido com ela. Você não será nem a primeira e nem a última.
Elena meneou a cabeça positivamente, apertando um pouco a mão de Damon. Com um golpe certeiro de realidade, lembrou-se dos motivos que a levaram até o hospital e sentiu o mesmo embrulho dentro do estômago de outrora.
– Dam... Você está bem? — ela perguntou, sentindo um nó na garganta. Sentia que a qualquer momento voltaria a chorar.
– Eu estou melhor. — respondeu ele, dando um suspiro. Esconder a verdade de Elena, era o mesmo que torturar alguém com faca de ponta cega. Machucava demais, mas só de olhar em seus olhos e ver como ela já se sentia por ele estar naquela cama, honestamente sabia que não compensava adiantar algo que estava tentando contornar.
– Você estava com muita febre, Damon. — Elena disse com a voz trêmula. Lentamente, ergueu-se da cadeira e sentou-se na beirada da cama, dando um beijo na testa do namorado. Sua temperatura estava normal e isso a deixou aliviada. — Você deveria ter me dito que estava se sentindo mal, pois assim teria convencido seus pais a adiarem aquele almoço estúpido.
– Eu não queria preocupar você. Era só uma febre, jamais imaginaria que fosse piorar. — Damon deu de ombros, cerrando os olhos por alguns segundos, ao sentir os lábios de Elena tocar sua testa.
– Só uma febre? — Elena enrugou a testa, encarando-o friamente. — Só uma febre, Damon, você tem certeza disso?
Os olhos de Elena brilharam como duas fendas no escuro. Ela estava chateada, se sentindo impotente por não tê-lo ajudado como gostaria. E a falta de comprometimento da parte dele naquele dia — não só naquele, como nos demais — a sufocava aos poucos a deixando com vontade de acertar uns tapas em Damon para ver se ele se tocava de uma vez por todas que ela estava ali para o que fosse preciso.
– Não foi apenas uma febre. — corrigiu ele, rapidamente. Não queria vê-la surtando, pois era a última coisa que precisava assistir.
– Eu vi você se debatendo no chão feito um maluco. — Elena se aproximou do namorado com extrema violência, segurando a ponta do lençol que o cobria. — Eu vi você saindo de si naquele chão e você me diz que foi apenas uma febre? Tenha dó, Damon.
A ira de Elena com a situação parecia aflorar a mil por hora. Damon não sabia como lidar com aquilo, pois não se lembrava de nada do que havia acontecido. Sabia que uma convulsão lhe ocorreu, mas depois que apagou nada do episódio aflorava em sua mente.
– Elena, eu quero que tenha calma. Isso acontece com a maioria das pessoas que sofrem de febre muito alta. Foi um descuido da minha parte e não vai se repetir.
A morena levantou-se, indo até a janela. Observou os outros prédios pouco iluminados buscando se acalmar. Brigar com Damon dentro daquele quarto não ajudaria em nada se Elisabeth cruzasse repentinamente aquela porta.
– Eu não quero debater esse assunto, Damon. Eu só quero que você não esconda nada de mim. — ela se virou, de braços cruzados. — Não quero saber do que acontece com você quando o vejo espatifado no chão. Eu passo todos os dias com você, isso é injusto.
Damon sentiu seus pulmões arderem conforme respirava. Com um olhar sereno, encarou-a.
– Vem cá. — pediu ele, carinhosamente. — Senta aqui.
Relutante, Elena fez o que lhe fora pedido, tentando evitar o olhar do namorado.
– Olha para mim. — ele manteve o mesmo tom de voz, pois sabia que Elena estava furiosa. Duas pessoas estressadas dentro de um quarto não era a melhor coisa para se começar uma conversa pacífica.
– Damon...
– Olha para mim.
Ela o encarou.
– Eu sinto muito e isso não vai se repetir. — ele não sabia o que estava dizendo. Ainda existia um segredo que ela nem sonhava e isso poderia colocar a relação dos dois a perder. Sabia que Elena não gostava de ser enganada, mas prometeu a si mesmo que assim que saísse daquele hospital, contaria a verdade a ela.
Calmamente, retomou o que dizia:
– Qualquer mal estar que eu sentir, até mesmo péssimo humor, você ficará sabendo. Eu prometo.
– Dam... — Elena colocou uma mão em seu rosto. Era como se nunca o tivesse tocado em toda sua vida. Aquele incidente parecia ter criado uma ponte entre os dois. Não havia nada melhor naquela noite do que estar ao lado dele, mesmo balançada com o que aconteceu. -... Eu só quero ver você bem. Não quero ter que ver você se debatendo, ou chateado, ou mal humorado, o que for. Eu não quero você fora de si. — a voz dela soava baixa, como se tivesse medo de machucar Damon. — Eu amo você e te ver em péssimo estado me faz eu me sentir péssima. Eu não vou conseguir te manter em pé se você não confiar em mim.
Damon tocou os lábios de Elena com ternura. Sentiu um pouco de energia percorrer suas veias, como se o toque daquele beijo revitalizasse todas as partes de seu corpo. Estava apaixonado, como jamais esteve e a cada dia que passava se via mais afundado naquele sentimento. Era impossível se ver sem Elena e esperava intimamente que ela sentisse o mesmo.
– Eu também a amo, Elena — ele alisou seu rosto com carinho, enquanto ela cerrava os olhos. — Nós vamos ficar bem, eu prometo.
– Promete mesmo? — perguntou ela, com a testa enrugada.
– Você tem minha palavra.
Ela sentiu seu sistema nervoso se acalmar aos poucos. Sua adrenalina começou a baixar, fazendo-a perceber que estava faminta. Resolveu não comer nada, até que a mãe de Damon voltasse para visitá-lo.
– Ótimo. — disse ela, por fim, sendo puxada por Damon para ficar ao seu lado na cama. — Como te trataram? Deram-te remédios? Disseram alguma coisa?
– Tenha calma mulher, uma coisa de cada vez. — Damon riu, fazendo Elena apoiar sua cabeça em seu ombro, permitindo que ele sentisse o perfume de seus cabelos.
– Eu tenho o direito de saber, mocinho. Nada de segredos.
– Nada de segredos. — ele se moveu desconfortável na cama, fazendo Elena se ajeitar melhor. — Eu não tenho muito que declarar, pois quando eu acordei só estava recebendo soro na veia. Meus pais ficaram esperando eu acordar antes de saírem para comer alguma coisa e me comprar algo decente para comer.
– O que você quer dizer com algo decente, Damon? — Elena ergueu um pouco a cabeça, para encará-lo. Percebeu como ele ficou sem graça por alguns instantes.
– Pedi Mc Donald's.
Elena levantou-se bruscamente e quase caiu da cama. Damon a segurou com dificuldade, rindo.
– Mc Donald's, Damon? — indagou Elena, enfezada. — Você está de brincadeira com a minha cara.
– Eu queria algo melhor para comer.
– E desde quando esse lanche das trevas é melhor? Damon... — Elena fizera um gesto muito estranho. Ergueram as mãos lado a lado da sua cabeça, como se fossem puxar os próprios cabelos. — Você precisa de algo saudável, esqueceu-se da anemia, mocinho?
– É só uma vez. Essa semana eu não comi nenhuma besteira. Tomei todas as vitaminas e segui a dieta. É final de semana e eu tenho esse direito.
– Vou ter uma conversa super séria com seu médico, fato. — Elena voltou a se acomodar nos braços de Damon. Era o melhor lugar para se estar naquele momento.
– Não precisa fazer isso. — Damon sentiu o corpo gelar com aquele comentário. Do jeito que Elena era, ele deveria tomar cuidado para que ela não desse uma de louca e invadisse a sala do seu médico.
– Tudo bem. Mas se você continuar comendo porcaria, irei te amarrar na cama.
– Hmm... Estou gostando da ideia. — Damon levou a mão ao queixo, falsamente pensativo. — E vai fazer o que comigo depois de me amarrar? Encher-me de beijinhos? Abraços? –sorriu malicioso.
– Vou te encher de pancadas, Sr. Salvatore.
Damon gargalhou alto, apertando-há um pouco mais em direção ao seu peito.
– Assim vou ficar todo roxo. Isso é injusto.
– Como se eu me importasse.
– Como você se importasse? — repetiu ele, fazendo Elena erguer a cabeça mais uma vez para observá-lo. — Agora está querendo bancar a difícil?
Elena riu, lhe dando um beijo no queixo.
– Esse sempre foi meu charme e você nunca resistiu a ele.
– É... Isso é bem verdade. — concordou ele, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Elena. — Posso te falar uma coisa?
– Pode sim.
– Você me faz a pessoa mais feliz do mundo. — ele fizera uma pausa, refletindo. — Eu sei que é cedo para dizer isso, mas é como eu me sinto quando você está perto de mim. Eu me sinto completo. Sinto-me feliz. Como se nada fosse me atingir.
Os olhos de Elena marejaram por alguns instantes, fazendo-a fungar o nariz. Ele sorriu, trazendo-a para um beijo lento e carinhoso, cheio de saudades. A mão de Damon que pousava sobre o rosto de Elena, fez o restante do corpo da jovem ficar quente, como se o inverno em NY não existisse.
Cada investida dos lábios de Damon parecia preenche-la com calma e paixão fazendo seu coração bater forte, como se fosse sair pela garganta. Suas mãos apoiavam-se no rapaz com um pouco de dificuldade, mas era o suficiente para saber que ele estava ali, do seu lado, e que de fato ele existia.
Ao se separarem, se observaram em silêncio. Havia um desejo contido naquele olhar, indecifrável. Elena queria passar o resto de sua vida daquela maneira, sem se importar com o que viria depois.
O mesmo pensava Damon, ao tocar seus lábios mais uma vez.
Os braços do rapaz enlaçou Elena com destreza. Os corpos estavam grudados e os perfumes se misturavam. O calor que emanava de ambos os corpos se transferiam, criando um ambiente aquecido e seguro. As mãos de ambos se entrelaçaram e era como se um choque houvesse ocorrido, agitando a respiração dos dois que intensificavam o beijo à medida que recuperavam fôlego.
Quando finalmente terminaram o beijo, eles suspiraram em uníssono, ainda de mãos dadas, sentindo a respiração descompassada um do outro.
– Você também me faz a pessoa mais feliz do mundo, Damon. — Elena disse, assim que sentiu capacidade para voltar a falar. — E eu sou, talvez, a última pessoa que você esperava ouvir isso. Quando eu o vi no chão, daquele jeito, era como se uma parte de mim estivesse sendo torturada daquela maneira, pois machucava. Machucava demais. Era como se alguém não me permitisse respirar, fazendo meus pulmões queimarem pela falta de ar.
Ela fizera uma pausa, afundando o rosto nos braços de Damon. Seu perfume, de alguma maneira, a acalmava.
– Eu não quero vê-lo naquele estado, Damon. Nunca mais. — ela retomou, ainda mantendo a mesma posição.
– Você não irá me ver naquele estado. Nunca mais. — sussurrou ele, alisando seus cabelos carinhosamente.
– Eu acredito em você. — disse ela, por fim, erguendo a cabeça. — E você vai ficar bom longo.
Um sorriso foi a única coisa que ele conseguiu oferecer. Por mais que sentisse culpa, não quebraria o momento dizendo sua possível tragédia. Como ainda deveria passar por uma consulta final antes de receber alta, era uma situação propícia para ele contar a verdade.
Damon se moveu literalmente incomodado quando seus pais ressurgiram no quarto. Elisabeth não gostou nem um pouco de ver Elena deitada ao lado de seu filho, praticamente agarrada ao seu pescoço e nem a morena ficou feliz em ser surpreendida daquele jeito, planejando mil maneiras de matar Stefan mentalmente.
– Trouxemos o que queria. — disse Stevan, segurando o "jantar" do filho.
– Obrigado. — agradeceu ele, permitindo que Elena voltasse a ocupar a cadeira.
– Como se sente? — perguntou Elisabeth, agindo como se Elena não existisse.
– Estou bem melhor. — respondeu Damon, atraído pelo cheiro das batatas-fritas. Seu estômago roncou furiosamente, como se um dragão vivesse dentro dele.
– Ótimo. — disse Elisabeth, sorrindo e dando atenção a presença de Elena. — Acho que Damon precisa descansar, não acha Elena?
– Claro.
Elena levantou-se no mesmo instante, dando um beijo na testa do namorado.
– Seu pai vai ficar com você hoje, Damon. — avisou sua mãe, deixando-o aliviado.
– Sem problemas. — Damon segurou a mão de Elena antes que ela saísse. — Se eu receber alta, eu te ligo.
– Não tem problema. Se você continuar aqui, eu veio durante a tarde.
Damon meneou a cabeça positivamente, satisfeito.
– Se cuide, ok? — pediu Elena, soltando sua mão.
– Irei me cuidar. — garantiu, vendo a namorada cruzar a porta com sua mãe nos calcanhares.
Ao saírem Elena fizera menção em reencontrar Caroline e Stefan, quando fora impedida por Elisabeth. Ela parecia muito mais maléfica do que ela lembrava e isso a fez ficar desconcentrada.
– Por sua culpa, Damon está naquela cama.
– Eu não vou me sentir culpada por algo que eu não fiz. — retrucou Elena, sentindo as mãos suarem. Não sabia o quanto seria capaz de se segurar para não começar uma briga fatal com a mãe de Damon.
– Acho bom que se sinta culpada. Meu filho está cego de amores por você e não entende que sua presença lhe faz muito mal.
– Ele parecia muito feliz quando cheguei. Só ficou realmente abalado quando a Sra. chegou.
Elisabeth dera um sorriso afetado, encarando a garota com desgosto.
– Irei proibir suas visitas. — avisou a mulher, girando um de seus anéis no dedo. — Não quero você perto de Damon.
Elena queria mata-la. Queria enfiar suas unhas por todo o rosto dela e chutá-la escada abaixo. Isso parecia cruel demais a se pensar, mas ela não estava nem ligando. Queria que Elisabeth sentisse muita dor. Tanta dor que fosse incapaz de sair de sua cama.
– Proíba. Quanto mais proibir, mais a situação ficará interessante. Proíba o quanto quiser. Sempre darei um jeito de entrar. Nem você e nem ninguém me impedirá. — Elena dera dois passos na direção de Elisabeth. — A Sra. deveria parar de ser patética e reconhecer que eu gosto muito do seu filho ao invés de ficar criando muro para melhorar seu ego podre. Damon está feliz. Ele a ama. E eu seria incapaz de fazer esse sentimento mudar. Dentro daquele quarto está o homem que eu me importo e que amo muito. Se isso não é o suficiente para deixá-la feliz ou simpatizar comigo nem que seja um pouco, eu não posso fazer nada. Eu não vou forçar a barra para tentar te agradar. Se você não me suporta, foda-se não quero nem saber, mas vai chegar o dia em que você me pedirá desculpas por tudo isso.
Elisabeth ficou sem fala por alguns segundos. Tentou retomar o assunto, mas não havia muito que dizer. Deixou que Elena desse-lhe as costas e cruzasse o corredor, caminhando a passos firmes, indo de encontro a Caroline que a aguardava quase impaciente.
– Desculpe a demora.
– Sem problema. E como está meu primo?
- Bem agora.
- Ótimo. Fico mais aliviada.
– Onde está Tyler?
– Ele não subiu. — Caroline dera um suspiro cansado.
– Tudo bem. — Elena meneou a cabeça positivamente. — Vamos andando. Quem sabe eu consiga falar com ele.
- Eu queria ver o Damon.
- Impossível. A minha sogrinha maldita não quer ninguém lá. Disse que o Dam tem que descansar.
Caroline riu. Caminharam até o elevador e aguardaram. Elena queria se ver longe da mãe de Damon antes que se lembrasse da ideia de cravar as unhas em seu rosto.
– Stefan já foi? — perguntou Elena, assim que entraram no elevador.
– Lexi ligou para ele. Acredito que ele foi encontrá-la em algum lugar.
– Stefan como sempre um galinha.
– Você acha que ele e Lexi ficam de vez em quando?
– Acredito que sim. — respondeu, caminhando em direção à saída, assim que as portas do elevador se abriram.
Mal cruzaram o espaço quando encontraram Tyler conversando com um senhor de idade que vestia o mesmo jaleco de muitos médicos do andar em que elas acabaram de sair. Quando ele notou a presença das duas, calou-se, despedindo-se rapidamente, como se temesse alguma coisa.
– Por que não subiu?
– Porque o doutor me chamou para conversar. — disse Tyler, colocando as mãos nos bolsos. — Como Damon está?
– Melhor. Se continuar assim, acho que ele recebe alta logo. — respondeu Elena, com veemência.
– Maravilha. — Tyler estava impregnado de falsa felicidade que fora rastreado rapidamente por Elena e Caroline.
– Você está bem? — perguntou Elena, sabendo que havia algo errado.
– Estou bem. — Tyler consultou o relógio e não se surpreendeu ao ver que já passava das nove horas. — Quer uma carona para casa, Lena?
– Na verdade eu... — Elena fizera uma pausa, ficando envergonhada. -... Eu quero ficar na sua casa. Se não for problema.
– Não tem problema nenhum. Só vai aturar nossa bagunça e um Stefan provavelmente bêbado de madrugada.
– Não tem problema. Amanhã é Domingo e eu não queria ir para casa. Aturar Meredith a essa altura do campeonato, não é algo muito interessante.
Tyler sorriu, divertido.
– Certo. — Tyler pegou a mão de Caroline, fazendo-a ficar próxima dele. — Bem que você poderia ir também, assim faria companhia para Elena.
– Não sei Tyler.
– Por que não? Eu posso dormir muito bem no sofá e você na minha cama. Elena vai ficar no quarto de Damon.
– Vá também. A gente aproveita e conversa.
– Tudo bem então. — concordou Caroline.
– Perfeito. Vamos nessa então.
Elena seguiu Tyler e Caroline em direção ao estacionamento. Havia esquecido totalmente como estava frio nas ruas nova-iorquinas e não se espantou em nada ao ver os primeiros flocos de neve banhar as ruas.
Antes de entrar no carro, erguera seu olhar mais uma vez em direção ao prédio, observando as poucas luzes que restavam acessas. Era como se voltasse a se sentir vazia, deixando uma boa parte de si mesma dentro daquele prédio com Damon. Esperava que ele saísse logo daquele lugar, pois não estava conseguindo lidar com sua melancolia.
A única coisa que resolveria, era dormir. Já imaginava o quanto abraçaria o travesseiro do namorado, a fim de sentir seu perfume, a fim de se sentir segura, pois era sua única solução naquela noite nevoeira e depressiva.
Continua...
Notas finais
Bjuss
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