Always At Your Side

13 Convite de Bonnie


Notas iniciais
Espero que gostem......

Damon subira as escadas um tanto quanto tenso. Ainda tinha preso na mente a feição decepcionada de Elena Gilbert e isso o deixou bastante inquieto. Queria ter a oportunidade de pedir desculpas a ela, mas com certeza não conseguiria reunir toda a coragem que precisava. Questionou-se durante todo o caminho por ter sido tão estúpido e nada lisonjeiro com a morena. Ela com certeza não iria querer mais vê-lo e, intimamente, Damon torcia para que mais uma jogada do destino acontecesse entre eles.

Era quarta-feira quando ele saíra de casa cedo em direção ao hospital. Estava muito bem trajado, pois iria ao trabalho assim que soubesse do resultado do seu exame. Damon não parecia concentrado no assunto, mesmo que a voz de Tyler tivesse sido completamente incisiva do outro lado da linha. No fundo, ele queria acreditar que não tinha o que temer. Com certeza era falta de alguma vitamina idiota no sangue que seria recuperada com um belo prato de salada. Ele nunca havia ficado doente e sua mãe era muito grata por isso.

De fato, ele não sabia o que o levou a fazer o exame. Tinha dias que se sentia cansado demais e bastante sonolento. Por mais que dormisse cedo, parecia que não era o bastante, pois sempre despertava fadigado. Suas pernas costumavam doer quando caminhava por algumas horas e seu nível de concentração estava muito baixo para quem manjava de todos os assuntos com a inteligência de um sábio. Damon sabia que tinha algo errado e nada melhor do que saber para poder prevenir. Sua inteligência e seu feitio perspicaz não poderiam se esvair de seu cérebro já que essas duas características eram garantias para que se desse bem no ramo em que trabalhava.

Ao entrar no elevador, Damon passou a tamborilar os dedos nas paredes tentando não pensar no que o aguardava. Se fosse algo realmente grave, teria que aguentar o falatório maçante de seus pais pela falta de cuidados que ele vinha tendo consigo mesmo. Ele poderia argumentar claro, mas nada justificaria o fato dele estar doente. Por alguns segundos, ele imaginou sua mãe berrando e torceu para que não desse nada grave. Em um movimento automático, ele chegou a pegar o celular imaginando que Elena tivesse mandado alguma mensagem. Com certeza, ela estaria fazendo de tudo para esquecê-lo. Extremamente digno, concordou ele, ultrapassando as portas de metal e avistando Tyler não muito distante da recepção do andar superior. O lugar estava vazio e silencioso demais. Damon odiava todo aquele clima hospitalar e sempre dizia que passar tempo com sua avó era muito mais divertido.

Tyler não demorou muito para encontrá-lo e caminhou em sua direção com as mãos dentro do jaleco. Pela expressão do amigo, de certo Damon receberia uma grande bomba.

– Quantos dias tenho de vida? – perguntou Damon, em um tom brincalhão. Tyler não sorriu. – O que foi?

– Com essas coisas não se brinca, espertalhão. – retrucou Tyler, ainda de expressão fechada.
– E você queria que eu dissesse o quê? – Damon encolhera os ombros, fitando o amigo com certa superioridade. – Não venha pagar de esperto para cima de mim, o que eu tenho?
– Eu não sei! – respondeu Tyler, sem demora. – O doutor está te esperando, venha comigo.
– Quanta formalidade! – exclamou Damon, dando um empurrão de leve no amigo.

Eles caminharam por um longo corredor de paredes tão brancas que Damon sentira seu estômago revirar. Algumas enfermeiras passavam e cumprimentavam Tyler, fazendo-o debochar do amigo para quebrar aquele clima de silêncio total. Seus olhos perambulavam de um lado para o outro e, conforme avançavam, os ombros do rapaz ficavam tensos indicando que estava começando a ficar preocupado.

– Você está me levando para o inferno, Tyler? – perguntou Damon, desviando de uma maca que atrapalhara seu trajeto.
– Se acalme Damon! É logo aqui!

Era a última sala do corredor. Se ele soubesse, teria subido pela escada de emergência.

– Entre! Doutor Antony está à sua espera!
– Você não vai entrar? – perguntou Damon, alteando uma sobrancelha.
– Quando eu tiver minha sala e estiver formado, quem sabe eu não esteja à sua espera para puxar sua orelha. – disse Tyler, abrindo a porta e dando espaço para Damon passar. – Boa sorte!

Damon meneou a cabeça displicente e entrou na sala que parecia muito mais branca que as paredes do corredor. À sua frente, estava um senhor com a barba da mesma cor do seu jaleco: branco. Damon indagou-se qual seria a graça de passar a vida usando aquela cor completamente sem graça.

– Damon Salvatore?

Ele confirmou com um aceno de cabeça.

– Sente-se, por favor!

Puxando a cadeira de maneira desconfortável, Damon sentou-se apoiando as mãos sobre a mesa muito bem organizada do doutor Antony. Seus olhos ainda perambulavam curiosos de um lado para o outro e só parou quando o senhor à sua frente colocou um envelope ainda lacrado sobre a mesa.

– É normal vocês passarem esse clima de terror aos pacientes?

Antony sorriu acolhedor. Ele não parecia assustador. Parecia até jovial demais para sua idade.

– Na verdade, é o clima do hospital que já trazem os pacientes em pânico. – explicou Antony, colocando os óculos pequenos e analisando as três folhas diante de Damon
– Vocês deveriam ser agradáveis, ainda mais quando anunciam mortes.

Damon estava tentando se acalmar de alguma forma e a única maneira de fazer isso, ela falar mal dos médicos dos hospitais.

– Parece que vocês não sentem muito... — continuou Damon, ficando mais tenso do que já estava. Por que não dizer logo o que ele tem?
– Anemia! – disse Antony, cortando Damon. – Muito forte!
– Era exatamente sobre isso a que me referia, parece que vocês gostam de dar notícias ruins. – Damon coçou ligeiramente a testa, enquanto Antony ainda fitava os exames.
– Na verdade não gostamos, mas ganhamos para dar notícias como essas. –Antony abaixou as folhas e fitou Damon com censura. – O que vem comendo?

Bolacha, chocolate, cachorro quente, macarrão instantâneo, pizza...Damon não falaria isso ao doutor nem que pagassem milhões a ele para isso.

– Na verdade, venho comendo muito pouco! – explicou Damon, calmamente.
– Sente muito sono? Dores nas pernas? Fadiga?
– O tempo todo! – respondeu Damon, verdadeiro. Odiava se sentir daquele jeito e queria uma solução rápida.
– Hmm...

Antony puxou algumas folhas para si e passou a escrever nelas. Malditas sejam as letras dos médicos.

– Sr. Salvatore, você será submetido a novos exames e a uma dieta para sair dessa anemia. Ela já está muito forte e não queremos que seu quadro fique mais grave.
– Grave em que sentido? – perguntou Damon, calmamente.
– Leucemia é um dos principais problemas.

Damon sentira o estômago revirar mais uma vez. Ter leucemia sem antes ter se formado era algo extremamente absurdo. E era câncer. Damon não se via tendo câncer.

– Certo! – Damon parecia ter perdido o fio da meada. Parecia que uma tristeza o havia engolfado sem nenhuma piedade. – Que exames são esses?

O doutor explicou tudo com muita cautela para Damon que parecia distante demais para assimilar o que tinha que fazer. Ao término, ele só se tocou de que ainda estava no consultório quando Antony abrira a porta esperando-o sair.

– Se você cumprir essa dieta, não tem com que se preocupar.

– Pode deixar que irei cumpri-la, doutor. Eu moro com um aspirante a médico, não vai ser tão complicado.
– Aspirante? Quem seria o afortunado?
– Tyler!
– Oh! Meu ajudante favorito! Ele tem futuro!

Damon dera um meio sorriso, mas ele teve a certeza que lançara um completamente sem vontade.

– Eu também acho!
– Bom... Vemos-nos semana que vem, certo!
– Correto!

Ao sair da sala, Damon parou por alguns instantes com a cabeça apoiada na parede. Anemia? Isso só poderia ser brincadeira. Sua mãe o encheria até não poder mais e, com certeza, pediria para que ele voltasse para casa.

E, definitivamente, era algo que ele não queria.

– Algo de muito errado?

Damon erguera a cabeça na direção da voz e vira Tyler com a famosa expressão de preocupação. Seus olhos cor de âmbar brilhavam e aquilo era sinal de que não conseguiria mentir.

– Anemia!
– Eu desconfiava
– Então por que não me disse? – perguntou Damon, abobalhado.
– Você iria acreditar em mim? – perguntou Tyler, firmemente.
– Provável que não
– Ótimo – finalizou Tyler, começando a caminhar. Sem muita escolha, Damon passou a acompanhá-lo. – Você só vai precisar de vitaminas...
– Muitas delas – cortou Damon erguendo a receita que Jacob havia lhe passado.
– Logo você não vai ter mais isso. Nem se preocupe!

Damon sentira a mão de o amigo apertar com força seu ombro. Com toda certeza, Tyler ficaria atento para saber se ele cumpria a dieta. Somente assim, ele conseguiu seguir para o trabalho um pouco mais seguro, mas com uma coisa em mente: não dizer nada aos seus pais antes que fosse necessário.

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Elena já estava guardando suas coisas quando o celular tocou. Sua sorte é que nenhuma das outras garotas com quem trabalhava estava por perto garantindo um pouco mais de privacidade. O celular se agitava furiosamente sobre a mesa e a morena tentou ser o mais rápida que pode para atender a ligação a tempo. Sem pensar muito, pegou sua bolsa, trancou o armário e pegou o objeto que só faltava gritar o nome de Bonnie. Pelo horário em que a amiga estava ligando ela logo supôs que alguma bomba vinha por aí.

– Hey, Bonnie!
– EU VOU CASAR!

Um grito ensurdecedor fez com que Elena desse um salto de onde estava sentada. Ela demorou alguns segundos para dar uma resposta, pois Bonnie continuava a repetir eufórica que iria casar. Realmente, a notícia era uma bomba. Era quase um vulcão em erupção.

– Bonnie, calma! – pediu Elena, esticando a mão direita na direção do celular, como se estivesse falando com Bonnie em carne e osso.
– Aí! Desculpe Elena, mas estou tão feliz...

Ela pode ouvir barulho de salto do outro lado da linha. Bonnie realmente estava muito feliz.

– Quando Jeremy te pediu?
– Agora!
– E aposto que fugiu dele para me contar, certo?
– Você é um gênio. — respondeu Bonnie, rindo afoita. Estava vivendo seu sonho. O sonho de se ver casada com Jeremy. — Eu fui pega de surpresa, amiga. Eu estava aqui jogada assistindo TV quando ele chegou com um buquê de rosas lindo. Ele me pediu em casamento, Elena, eu não acredito nisso.

Nem Elena acreditou por alguns segundos, mas era óbvio que Bonnie e Jeremy terminariam casados, afinal, eles eram vistos como o casal perfeito desde a época de escola e nada conseguiu mudar essa isso.

– Parabéns, Bonnie! – Elena tentou introduzir o mesmo ânimo que a amiga, mas percebeu que seu esforço não tinha sido o suficiente. Seu ânimo não era dos melhores, desde que não ouvira mais falar de Damon.
– E você não sabe... – Bonnie parecia muito mais entusiasmada agora. – Já escolhemos os padrinhos.

Sinal de perigo. PensouElena enrugando a testa.

– Quem serão os padrinhos?
– Você promete que não vai ficar muito brava?
– Por que ficaria?
– Bom... Você sabe que Jeremy é amigo do Damon e...

Damon. Como sempre Damon. Será que ele não poderia sumir como fizera na última vez?

– Escolhemos Damon, Stefan, Lexi e você.

Parecia até que tinha sido combinado, matutou Elena movendo-se desconfortável na cadeira.

– Eu fico lisonjeada, mas...
– Eu não vou aceitar recusa Elena. Você é minha amiga e quero você lá no altar comigo. – Bonnie mais ordenou do que pediu. Ela queria Elena como sua madrinha e nada modificaria seu desejo.
– Bonnie, eu não me dou bem nem com Stefan e nem com o Damon. Você quer que eu estrague tudo?
– Ouvi dizer que Damon e você estão se dando bem. – disse Bonnie, incisiva.
– Boatos! – respondeu Elena, voltando a ficar em pé e pegando o restante das coisas.
– Elena, você sabe que não me engana. – Bonnie parecia mais calma. Na verdade, ela notou que a voz da amiga havia se tornado distante assim que ela dissera o nome de Damon. – O que houve?
– Não houve nada, Bonnie.
– Ele foi rude com você?
– Já disse que não houve nada. – insistiu Elena, alisando a testa nervosamente. – Bonnie, eu fico feliz que tenha me convidado para ser sua madrinha, mas não vai dar certo. Você sabe disso.
– Você nem quer tentar, Elena?

A voz chateada de Bonnie fez com que Elena fosse possuída por um sentimento completo de culpa. Não queria decepcionar a amiga, mas estar no mesmo ambiente que Damon não era o planejado. Ela queria ficar longe o bastante do rapaz que ainda lhe causava raiva.

– Olhe, teremos um jantar na sexta com os padrinhos. Queria que você viesse, pois acredito que pelo menos assim irá saber se vai dar certo ou não. – continuou Bonnie, depois da pausa longa que Elena dera. – Tentaria por mim?

Elena sabia que não tinha o que pensar, mas pensou. Ela não estava pronta para ver Damon. Não estava pronta para ter que olhar para aquele ogro insensível. Mas era sua amiga que precisava dela e não ele. Elena sabia que não poderia dar mancada com Bonnie. Não por culpa de Damon Salvatore.

– Estarei aí, Bonnie!

Elena ouvira o barulho de salto mais uma vez.

– Prometo que não vai se arrepender, Elena. – disse Bonnie, realmente muito agradecida.

E eu espero o mesmo, imaginou Elena, colocando a bolsa no ombro e rumando para a saída da pequena empresa.

– Que horas preciso estar aí? – perguntou Elena, sua voz saiu absurdamente interessada. Por mais que Elena estivesse com raiva do rapaz ela sabia que no fundo queria vê-lo.

– Sexta às 8 horas. – disse Bonnie com energia. – Pode usar qualquer traje, não tem problema.
– Tudo bem estarei aí lá pelas oito.
– Certo! – Bonnie sorriu contagiante. – Obrigada mesmo!
– Por nada, Bonnie!

Ao finalizar a ligação. Não seria nada interessante dividir a mesma mesa com Damon. O mesmo espaço. A pior parte era imaginar se ele seria o par dela na Igreja e isso já era bastante óbvio, pois Lexi era quem sempre se deu melhor com Stefan.

Por via das dúvidas, Elena preferiu não adiantar o sofrimento e seguiu para casa. Antes de pegar o metrô, passou na padaria próxima do serviço acabando por comprar doces de todos os tipos.

Esse seria a única maneira dela sobreviver à memória de Damon Salvatore.

Contnua ainda hoje...

Notas finais
Xoxo