Notas iniciais
Espero que gostem...
Boa leitura...
Próximo capitulo é hot...

Elena ficou deitada esperando até que Josh chegasse. Bonnie permaneceu ao seu lado, tentando fazê-la falar qualquer palavra que fosse, mas era completamente impossível. A morena ainda deixava algumas lágrimas escorrerem por seu rosto enquanto permanecia encolhida como se tentasse amenizar alguma dor profunda. Por mais que estivesse com a melhor amiga, ela se sentia a pessoa mais sozinha do mundo naquele momento.

A ideia de chamar Josh para vir buscá-la não foi uma das melhores. Ele com certeza iria fazer inúmeras perguntas e ela não iria responder nenhuma delas. O que acontecia entre Damon e ela não era da conta dele e, se ele soubesse pelo menos metade do que acontecia, com certeza tentaria boicotar o namoro dos dois sem nenhum esforço.

Torceu para que ele tivesse algum programa de final de Domingo para fazer e fosse impedido de vir até a casa de Bonnie. Ela se sentia um tremendo lixo e sabia que sua aparência denunciava isso. Seus olhos estavam inchados e seu nariz vermelho de tanto que fungava, mas mesmo assim ela sabia que Josh tocaria aquela campainha e tentaria sugar tudo o que acontecia na sua vida e que a magoava tanto.

Cerrou os olhos por alguns segundos para tentar esquecer o que estava acontecendo na sua vida. Descobriu que o silêncio a fazia se lembrar de ainda mais das coisas e acreditou que provavelmente estaria em um começo de loucura. Nada parecia aliviar aquele buraco. Nem pensar em Damon ajudava amenizar sua dor como antes.

Seus olhos se abriram ao ouvir a campainha. Ouviu os passos de Bonnie em sua direção, sabendo perfeitamente que ela estava checando seu estado de humor. Seu corpo permaneceu imóvel enquanto ela encarava a amiga tentando lhe dizer apenas com o olhar que estava tudo bem.

– Se ele encher o saco eu chuto a traseira dele, beleza?

Ela sorriu e meneou a cabeça positivamente. Bonnie saiu do quarta apressada e não demorou nem três minutos para trazer Josh para dentro do local onde Elena ainda estava deitada.

– Ela está bem? — ele sussurrou, achando que Elena estava dormindo.

– Dor de cabeça. — respondeu Bonnie, olhando de Josh para Elena. Estava pensando se seria uma boa ideia deixar os dois sozinhos.

– Vou conversar com ela. — disse Josh, indo até Elena e sentando-se na ponta da cama. Surpreendeu-se ao ver os olhos da jovem ir de encontro aos seus, totalmente inchados. — Como se sente?

A porta se fechou, anunciando que Bonnie havia saído. Elena sentiu um tremor repentino só de imaginar o que Josh poderia fazer com a ausência da amiga.

– Estou com dor de cabeça. — respondeu Elena, movendo-se na cama.

– Você e Bonnie precisam aprender a mentir melhor. — disse ele, sorrindo.

– Não estou mentindo.

– Okey! — ele meneou a cabeça, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Elena. Era como se o gesto fosse uma novidade para ele, pois há muito tempo não a tocava como naquele momento. — Quer conversar? Eu sei muito bem que você não tem apenas uma dor de cabeça imaginária.

Elena sentou-se, puxando uma das almofadas de Bonnie para junto de seu corpo. Iria evitar qualquer tipo de contato com Josh ou qualquer oportunidade que lhe desse a entender que ela estava disposta a apagar Damon de sua vida.

– Não quero conversar, Josh. — disse Elena tentando não ser ríspida. — Se dependesse de mim, você não estaria aqui agora.

– Você não precisa me tratar desse jeito, Elena. Você sabe disso.

Josh mantinha-se impassível. Por mais que a morena o tratasse como se nunca fossem amigos ou namorados ele tentava ao máximo mostrar a ela que ainda poderia ser um dos dois. Bastava apenas manter-se calmo e compreensivo, algo que com certeza Damon não seria em nenhum momento.

– É a única maneira que eu tenho para repelir você, Josh.

– Uau! — ele exclamou, sorrindo. — Minha lembrança é tão ruim assim?

Elena o fitou com um sentimento de trégua. Não iria alfinetá-lo, pois ele jamais havia lhe dado tantas mancadas como Damon, mesmo quando eles ainda eram amigos. O que ela precisava, apenas, era deixar claro de que Josh e Elena não era mais possível existir naquele planeta.

– Não, Josh. Não se ofenda. — disse ela seguido de um suspiro. Agora conseguia sentir uma fina dor de cabeça. Resultado de ter passado quase uma hora chorando.

– Como não me ofender se é o que você vem fazendo desde que voltei a New York? — perguntou Josh, enrugando a testa. — Eu sei que você está com Damon, mas acho meio feio tentar me cortar da sua vida dessa maneira. Antes de sermos namorados, éramos amigos. Acredito que isso não seja tão ruim assim, não é?

Elena afastou os cabelos dos ombros sentindo uma enorme vontade de prendê-los.

– Não é ruim, Josh, só não sei como voltar a ser sua amiga já que faz muito tempo que não nos vemos.

– Para começo de conversa, foi você quem me cortou da sua vida. Não respondeu nenhum e-mail e não atendeu nenhum dos meus telefonemas. Eu tentei Elena. Eu só não sei em que ponto eu errei para você terminar comigo. — Josh parecia magoado naquele momento e seu rosto expressava isso. Não conseguia entender porque Elena terminou o relacionamento dos dois.

– Eu não quero conversar sobre o que aconteceu entre nós dois Josh.

– Só me responda uma única coisa e prometo não tocar nesse assunto até que você queira conversar sobre ele.

Elena respirou fundo sabendo que coisa boa não viria.

– Tudo bem. Pode perguntar.

– Você decidiu terminar comigo por que estava apaixonada pelo Damon?

Ela boquiabriu-se, estupefata.

– Não, Josh. — ela meneou a cabeça rapidamente, como se tentasse afastar aquela ideia da cabeça dele. — Damon nem existia na minha vida. Ele só foi reaparecer meses depois.

– E ele conseguiu te fisgar muito rápido para o meu gosto. — disse ele, visivelmente desgostoso, prosseguindo: — E eu tenho a leve impressão de que ele é o motivo de você estar desse jeito.

Elena não disse nada. Permaneceu imóvel, encarando-o.

– Damon não é de confiança, Elena. Eu sempre te disse isso quando ele tentava separar nós dois. Bonnie e eu nunca acreditamos que ele fosse cego de amor por você. Talvez gostasse bastante, mas não daquela forma exagerada.

Voltar o assunto para Damon não era a melhor pedida para fechar a noite. Elena demonstrou seu desconforto, mas parecia que Josh fizera questão em ignorar aquilo.

– Damon sempre foi honesto comigo e isso nunca mudou mesmo com nosso relacionamento. Ele é uma ótima pessoa, Josh. Ele só agia daquele jeito por ciúmes.

– Ele é um infantil e você é demais para ele. — disse Josh com veemência. -Damon não sabe te tratar como você merece. Não adianta omitir para mim, Elena, pois eu sei que aquele idiota está te machucando.

E, de fato, estava e ela não poderia negar. O que parecia ser uma mentira omitida por Damon estava surtando sua mente a ponto de explodir. Se tivesse forças, sairia da casa de Bonnie e iria atrás dele, mas ainda optava pela lei do adiamento.

– Ele não está me machucando. — retrucou Elena, com amargura na voz.

– Não?

– Não! — negou ela colocando-se em pé. — Damon é maravilhoso comigo, mesmo você não acreditando. E você dizer que eu fui fisgada rápido é uma calúnia.

– Vai me dizer que sempre gostou dele e não sabia? — Josh levantou-se e parou diante dela.

– Mais ou menos isso.

– Isso é uma piada. Seu namoro com Damon é uma piada. Ele vai acabar com você.

– Josh, cala a boca. — Elena virou-se até a mesa de Bonnie pegando suas coisas. Escutou os passos de Josh atrás de si e não se surpreendeu ao sentir a mão dele em seu ombro e hesitou. Sabia que não poderia virar o corpo, pois iria de encontro a ele e seria difícil recuar com uma mesa as suas costas como empecilho.

– Elena, eu só quero que você conte comigo.

– Se você continuar falando mal do Damon, não irei contar nunca com você.

– Tudo bem. Farei um máximo de esforço para falar bem dele, o que acha?

– É uma boa ideia.

Elena aguardou até que ele soltasse seu ombro, mas ele não parecia muito disposto a fazer isso. Sabendo que correria risco, virou-se, se livrando da mão dele, fitando-o com firmeza.

– Eu não quero que fale mal dele da mesma forma que não irei aceitar que ele fale mal de você. — começou Elena, tentando manter a voz firme. Josh estava a centímetros de distância e ela não queria nem imaginar o que ele seria capaz de fazer se ela falhasse no seu mecanismo de defesa. — Damon é meu namorado e eu quero que respeite isso. Ele me faz feliz e me completa, algo que eu não sentia há muito tempo.

– Isso quer dizer que eu a fazia se sentir vazia?

– Josh, não distorça o que eu digo. — pediu ela, erguendo a mão. — Você me fez feliz e completa no seu tempo, mas o sentimento acabou. Agora estou com Damon e é a vez dele de me trazer coisas boas. Não quero que você pise na bola e tente fazer minha cabeça contra ele. Se Damon está me machucando ou não é algo que devo resolver com ele e não com você.

– Você está insatisfeita, Elena. Está nos seus olhos. — Josh meneou a cabeça negativamente. Tinha consciência de que Elena estava perdendo seu tempo e, quando ela visse isso, estaria de braços abertos para acudi-la. — Damon é uma criança.

– Você está agindo como uma criança me dizendo essas coisas. — Elena conseguiu sair de perto de Amos indo até a porta. Queria ir para sua casa. Queria o conforto de sua cama.

– Estou agindo como aquele cara que costumava proteger você. — defendeu-se Josh, simplesmente. Queria muito abraçá-la, mas sabia que estava fora do alcance. — Não vou aceitar que Damon te machuque. Se eu descobrir que ele fez isso, eu mesmo vou dar uma surra nele.

Elena ficou ereta diante da porta. Ela não duvidava de Josh, pois o conhecia bastante para saber que quando ele afirmava um plano futuro, ele realmente trabalhava para que aquilo acontecesse. Se ele pudesse ler sua mente, com toda certeza, Josh a largaria ali mesmo e iria ao encontro de Damon para parti-lo ao meio.

– Não se preocupe. Ele não está me machucando. — ela disse com um pouco de dificuldade que Josh não deixou de notar.

– Ótimo! — exclamou ele, por fim, amenizando a expressão séria de seu rosto. — Acho melhor eu te levar para casa logo antes que sua tia chame a polícia.

– Ela está muito brava? — perguntou Elena desviando o assunto e já imaginando o quanto sua tia estaria pau da vida com ela.

– Bote brava nisso. — Josh caminhou até a porta abrindo-a. Não se espantou ao ver Bonnie dar um sobressalto, como se os esperasse ali por acidente.

– Fiquei de guarda com medo que se matassem.

Elena e Josh se entreolharam. Sabiam que Bonnie estava ouvindo por detrás da porta.

– Estamos vivos. Estranhamente vivos. — disse Josh, rindo.

– Já vão?

– Tenho que ir antes que minha tia coloque um anúncio de desaparecimento e dê recompensa para alguém.

– Acharia digno se isso acontecesse. Com certeza ficaria rico.

– Nada disso. Eu a encontrei primeiro, beleza? — brincou Bonnie, se sentindo aliviada ao ver a amiga com um semblante melhor.

Os três riram baixo. Elena sentia-se um pouco mais relaxada. Parecia que a nuvem negra sob sua cabeça havia se dissipado, pois se sentia mais leve.

– Obrigada por ter me recebido, Bonnie. — disse Elena, abraçando a amiga.

– Você sabe que essa é minha obrigação né? — Bonnie sorriu, afastando-se dela. — E não se esqueça de que essa semana tem ensaio.

– Não irei esquecer.

– Opa! Ensaio do quê?

– Er... Bem... Eu vou me casar Josh.

Josh arregalou os olhos, surpreso.

– Como assim? — Josh a abraçou apertado por instinto, desacreditado. — Parabéns. Aposto que é com Jeremy, certo?

– Certíssimo.

– Uau! Como o tempo passa.

Bonnie sorriu na direção de Josh enquanto Elena fazia questão de ficar afastada dos dois.

– Irei te mandar o convite, prometo.

– Acho digno não me esquecer. — brincou ele, tirando a chave do carro do bolso. — Vamos nessa, Elena.

Elena se despediu mais uma vez da amiga antes de entrar no carro de Josh. O mesmo fez o rapaz sentindo-se infinitamente contente em continuar dividindo o mesmo espaço com a ex-namorada.

O percurso foi em silêncio para desapontamento de Josh. Elena não parecia disposta a conversar e ele deduziu que ela estivesse cansada. Gentilmente, lhe cedeu seu casaco, fazendo-a ficar mais aquecida.

Quando chegaram ao destino, Elena estava adormecida deixando Josh na dúvida se deveria acordá-la ou não. Pensou por alguns segundos e deduziu que ela não ficaria nada contente em saber que fora carregada em seus braços até chegarem à porta de sua casa. Não queria ser um homem morto no dia seguinte, então, preferiu acordá-la.

Movendo-se lentamente, ela voltou a si. Sentia-se cansada e percebeu que não dormia direito há dias, talvez semanas. A rotina de Damon havia se tornado basicamente a sua, tirando as horas de trabalho em que ficava preso em um escritório que a fazia ter sérias dores de cabeça. Era uma pena que o final de semana havia acabado. Isso só a fazia perceber que passaria mais uma semana agindo feito um zumbi.

– Chegamos.

A voz de Josh a fez voltar a realidade. Girou o pescoço e pôde ver sua casa com poucas luzes acessas. Com certeza seus tios estariam na sala, aguardando-a, prontos para lhe dar uma tremenda bronca enquanto Meredith se divertia em ouvi-los no andar de cima. Era difícil voltar para aquela realidade, já que com Damon, o mundo parecia não ter problemas.

Ao saírem do carro, permaneceram em silêncio. Subiram os poucos degraus e, sempre que passava por ali, Elena lembrava que Damon havia a beijado pela primeira vez naquele pequeno espaço fazendo sua vida sentimental mudar completamente.

Subitamente, começou a sentir saudades. Todo aquele sentimento de que estava sendo enganada se dissipou por alguns segundos até ela cruzar a porta de entrada e dar de cara com Damon sentado na sala, conversando animadamente com seus pais.

A feição dele mudou no mesmo instante ao ver Josh surgir no ambiente, fazendo-a perceber que seu segredo minúsculo havia se tornado um motivo para uma boa briga quando ela e Damon estivessem a sós.

– Boa noite! — disse Josh educadamente. A tia de Elena levantou-se para cumprimentá-lo, fazendo Elena perceber o quanto Damon estava confuso.

– Quer comer alguma coisa? Fiz um bolo maravilhoso.

Josh encarou Damon por alguns segundos. Se não fosse por Elena, até arriscaria ficar, mas não queria comprar uma briga. Preferiu negar o convite e partir para sua casa antes que arrancasse a cabeça do atual namorado da garota que parecia em pânico ao seu lado.

– É uma pena, Josh. Espero que apareça mais vezes aqui em casa.

Sua tia não estava ajudando, reconheceu Elena. Vê-la agir de maneira dócil com seu ex-namorado só aumentava ainda a ruga que havia se formado na testa de Damon que parecia ignorá-la por completo.

– Com certeza. Basta me convidar. — Josh sorriu, virando-se para Elena. — Se precisar de alguma coisa, me avise.

Elena conseguiu menear a cabeça com muito esforço enquanto sua tia se ocupava em levar Josh até a porta. Para sua sorte, seu tio não estava na sala o que a fez ser mais rápida em ir até Damon e tentar arrastá-lo para outro lugar.

– O que ele estava fazendo aqui?

Era óbvio que essa seria a primeira pergunta de Damon enquanto subiam as escadas rumo ao quarto de Elena. Quando ela fechou a porta e acendeu a luz, encarou o namorado que parecia realmente descontente.

– Eu te fiz uma pergunta!

Elena sentou-se na cama esperando que Damon fizesse o mesmo, mas ele permaneceu em pé com a mesma ruga de outrora no meio da testa.

– Josh é amigo da família, caso você não se lembre.

– Ele foi seu namorado há muito tempo atrás. Isso não justifica ele aparecer do nada aqui. — Damon estava enciumado, mas tentou disfarçar com uma ponta de irritação. — Vocês saíram juntos?

– Não. Eu estava na casa de Bonnie e ela pediu para que ele me buscasse.

– Ele? — Damon parou de chofre, totalmente chocado. — Por que não eu?

– Porque você estava no hospital.

Porque eu estava no hospital. Essa é ótima.

Ele deu de ombros e sentou-se do lado dela.

– O que mais ele fez no meu lugar? — ele virou o rosto para Elena com um sorriso desdenhoso nos lábios.

– Não pense desse jeito, Damon. Ele só me trouxe nada mais. — respondeu Elena com firmeza. Não queria começar uma discussão com o namorado. Não dentro de sua casa.

– Eu não entendo as razões que te motivaram a ligar para ele. — Damon estava confuso, pois há muito tempo não ouvia nada referente a Josh.

– Tem uma coisa que eu preciso te dizer. — Elena virou o corpo na direção do namorado, fazendo-o ficar ainda mais confuso.

– O que Josh fez? — perguntou ele, incisivo.

Elena juntou as mãos, buscando coragem para dizer o que com certeza o deixaria furioso.

– Lembra quando você perguntou sobre ex-namorados e eu disse que o meu ex estava fora do país?

Damon alteou a sobrancelha, pensativo e logo lhe veio a lembrança do dia que estava deitado junto com Elena naquela mesma cama discutindo sobre assuntos que nem ele lembrava direito.

– Lembro sim. O quê que tem? — Damon a encarou.

– Ele era o ex fora do país. — respondeu ela, já se preparando para ouvir algum grito vindo da parte de Damon.

– Como é? — ele meneou a cabeça, confuso. Aquilo só poderia ser alguma piada de péssimo gosto.

– É isso mesmo que você acabou de ouvir, Damon. — Elena suspirou, sentindo suas mãos suarem. — Josh é o ex-namorado que estava fora do país. Eu não tive outros namorados além dele e, claro, você.

Damon estava chocado com o que acabara de ouvir. Josh Smith havia saído do país ainda namorando com Elena? Isso só o fazia deduzir que o relacionamento durou muito mais do que ele esperava, já que os dois tinham alguns anos de diferença.

– Por que você não me disse na hora que mencionei? — Damon estava desapontado e Elena esperava por aquilo.

– Porque eu sabia que você não ia com a cara de Josh e achei irrelevante. Ele voltou para NY recentemente, não faz nem um mês.

– E você ficou se encontrando com ele sem me dizer nada? — perguntou Damon, levantando-se. Estava realmente nervoso e não conseguia olhar para Elena.

– Eu o encontrei pela primeira vez na farmácia, no dia em que fui comprar seus remédios e...

– Um encontro acidental. Que bonito, não?

Elena começou a sentir o mesmo nervosismo, mas preferiu controlá-lo para não dar motivo para início de uma briga.

– E... — ela aumentou um pouco a voz. -... E ele me deu o telefone dele e pediu para a gente se encontrar em um pub para colocar a conversa em dia.

– Hmm... Enquanto eu estava onde?

– Damon, não faça isso.

– Eu estava onde, Elena?

Ela emudeceu os lábios com a língua, sentindo as mãos tremerem.

– Você estava no hospital. — ela respondeu, sentindo o buraco dentro de si aumentar alguns centímetros.

– Enquanto você estava se divertindo com seu ex. Que maravilha. — Damon riu sarcástico, virando-se para ela. — Quando pretendia me contar? Quando eu pegasse no flagrante como agora?

– É impressão minha ou você está me julgando por algo que eu não fiz?

Damon alisou a testa ainda rindo.

– Você quem tem que me dizer não eu.

– Depois do pub eu não o vi mais. Só hoje. Eu não estava bem e Bonnie pediu para que ele me trouxesse.

– Bonnie realmente sabe ser uma amiga fiel.

– Damon, pare de dizer besteiras.

– Eu não estou dizendo besteira alguma. Você estava se encontrando com Josh pelas minhas costas. Você acha isso interessante?

Elena levantou e cruzou os braços. Seus lábios estavam rígidos, como se ela fizesse um grande esforço para não gritar.

– Se você quer mesmo chegar a esse ponto, então vamos Damon — ela dera dois passos a frente. — O que você entende de punhalada pelas costas hein?

Damon a olhou, desentendido.

– Eu nunca te apunhalei pelas costas. Nunca fiz isso com ninguém.

– Tem certeza disso?

Ele a encarou. A nuvem que estava sob sua cabeça havia voltado com força total, pois a vontade de explodir em lágrimas a possuiu de uma maneira estrondosa.

– É impressão minha ou você está me julgando por algo que eu não fiz? — disse Damon, repetindo a mesma frase que Elena dissera há alguns minutos antes.

– Você quem tem que me dizer não eu.

– Esse joguinho não está dando certo.

– Vou esclarecer para você então. — Elena descruzou os braços, fechando os punhos. — Você me julga como se eu tivesse me divertido muito com Josh, mas isso não chega nem perto do que você vem escondendo de mim.

– E o que eu estou escondendo de você, Elena? — perguntou ele, desentendido.

– Olhe bem nos meus olhos e diga que você está só com anemia.

Damon hesitou o olhar fazendo Elena cobrir o rosto com as mãos.

– Você que vem me apunhalando pelas costas, Damon. — disse ela, depois de ter se recuperado de uma súbita vontade de chorar.

– Elena, eu ia te contar.

– Ia me contar quando? Quando você estivesse internado infinitamente em um hospital? — as bochechas de Elena começaram a ficar vermelhas. Como se ela fosse explodir. — Aquele seu ataque na casa dos seus pais não foi só um ataque por causa de febre coisa nenhuma, Damon. Você está com leucemia e não me contou. Que tipo de namorado é você?

Ele engoliu em seco, perguntando-se se Tyler não havia cumprido sua palavra.

– Quem te contou?

– Marie.

Foi uma surpresa muito grande que o fez cambalear um pouco para trás.

– Todo aquele discurso de ser honesto e de me deixar ajudar você não passava de palavras vazias. — Elena o encarava com extremo desprezo. Era como se ele estivesse infectado, como se ele voltasse a ser o Damon que ela odiava no ensino médio.

– Eu ia te contar a verdade, mas eu fui impedido. Eu ia te contar no dia que você me visitou, mas eu esperava que não fosse mais precisar mais do hospital, pois eu me sentia melhor. — Damon a encarava, com medo de dizer alguma besteira fora de hora. — Eu soube que eu piorei um pouco mais e que vou ter que ir todos os dias ao hospital. Como mentiria pra você já que era só uma anemia, certo?

– Não sei. Você me enganou o tempo todo. O que custaria você fazer isso mais uma vez? Você tem seus amigos para te encobrirem. De certo, todos eles sabem, estou errada?

Damon meneou a cabeça positivamente, sentindo-se sufocado.

– Obrigada por confiar em mim, Damon. Obrigada mesmo. — ela lhe deu as costas caminhando até a janela de seu quarto. As lágrimas escorriam em silêncio enquanto ela observava os primeiros flocos de neve ir de encontro com o vidro.

– Elena, eu sinto muito. De verdade.

– É muito tarde para você sentir muito, Damon. — disse ela, secamente.

– Desculpe por ter te tratado mal por causa do Josh e...

– Isso não conserta as coisas. — ela deslizou as costas de sua mão por seu rosto a fim de secar as lágrimas.

– Elena, não faça isso comigo.

Ela se virou, se deparando com o namorado completamente desolado. Queria sentir pena ou algo do tipo, mas estava fria. Trincada como um gelo.

– Você começou isso, Damon. Eu lhe disse dezenas de vezes que eu estaria aqui por você, mas não ganhei um voto de confiança. Como sempre você preferiu Stefan e Tyler e não a mim. Eu sei que ainda sou a peça recente em sua vida, mas eu não mereço isso, Damon. Eu simplesmente não mereço. — ela caminhou até ele, fitando-o. — Quem estava no hospital todos os dias por você era eu e não Stefan ou Tyler. Nem mesmo seus pais estavam lá. Será que custava muito você ser honesto comigo? Eu não sou feita de açúcar.

– Eu queria te proteger, Elena. Eu queria ficar melhor para você. — Damon endireitou-se, mantendo a voz firme. — Eu não queria que a melhor coisa que aconteceu em minha vida estragasse por causa disso. Eu queria ser bom para você e estar bom para fazer isso.

– Você estragou tudo, Damon.

– Eu sei disso. Eu não queria fazer isso, mas era difícil. Eu não suportaria ver você sofrendo como no dia em que tive aquele ataque e você ficou desesperada. Eu prometi a mim mesmo que ficaria melhor e te contaria a verdade.

– Não foi exatamente o que aconteceu certo? — disse ela com desdém.

– Nenhum segredo fica guardado para sempre.

– É! E você é a prova disso.

Elena desviou o olhar da direção dele, sentindo o ar esvair de seus pulmões com dificuldade.

– Acho melhor você ir.

– Elena...

– Eu não quero ver você, Damon.

Aquelas palavras fez Damon sentir seu corpo inteiro ser repartido ao meio. Elena estava fria, intocável. Aquilo o assustava, pois sabia que se passasse por aquela porta a história que eles tinham ficaria entregue a um passado completamente distante.

– Eu não quero que as coisas fiquem desse jeito, Elena. — ele se aproximou dela, apoiando suas mãos sobre seu rosto. — Me perdoa. Eu não queria te machucar desse jeito. Eu queria te proteger. Eu fui egoísta, eu sei, mas não foi intencional. Elena me perdoa, por favor.

Ela tentou ignorá-lo, mas era impossível. Seu coração batia muito forte, principalmente ao sentir o toque das mãos quentes de Damon sobre seu rosto. Elena não queria que ele fosse embora, mas era a única maneira que conseguia imaginar sua dor se dissipando.

– Eu acho melhor a gente dar um tempo, Damon.

– Me peça qualquer coisa menos isso. — disse ele, com firmeza.

– É só um tempo.

– Não!

– Damon, não torne as coisas mais difíceis.

– Olhe bem para minha cara. Veja bem. — Damon apontou para si mesmo. — Acha mesmo que vou te deixar de bandeja para Josh Smith? Veja-me morto, mas não desistente.

Ela o empurrou com certo impulso, furioso.

– Nunca mais fale isso, Damon Salvatore.

– Ora! Como se câncer não fosse o bastante para saber que a pessoa assinou seu atestado de óbito.

Elena não sabia o que havia acontecido com ela. Simplesmente acertou um tapa no rosto de Damon que a fez se arrepender mortalmente segundos depois.

– Eu acho que mereci isso. — disse ele, sentindo o rosto arder.

– Damon, eu...

– Tudo bem. — ele ergueu a cabeça, colocando as mãos nos bolsos. Seus olhos estavam sombrios.

– Damon, desculpe. Eu não quero que fale isso nunca mais.

– Eu vou embora, Elena.

– Espera.

Ele parou de andar com a mão na maçaneta. Virou-se lentamente, como se quisesse torturá-la mais um pouco.

– Ainda vai querer o tempo? Eu posso te dar, mas pode ser um pouco tarde se quiser voltar atrás.

– Damon, eu estou chateada. Eu tenho direito de estar chateada.

– Eu sei disso e respeito. — disse ele, dando de ombros. — Mas eu não vou te dar o tempo que você quer. Eu me recuso.

– Esqueça isso de tempo. — ela meneou a cabeça positivamente. — Eu só preciso de espaço para me recompor. Você me quebrou, Damon.

Damon caminhou até ela, a envolvendo em seus braços.

– Eu sinto muito, de verdade. Eu não queria fazer isso.

– Eu sei disso... Eu sei disso... — ela suspirou, apoiando sua cabeça no ombro do rapaz.

– Você precisa descansar. Amanhã você vai acordar cedo. — ele se afastou, lhe dando um beijo na testa.

– Tudo bem.

Ela meneou a cabeça positivamente, sentindo o buraco no seu peito arder como se estivesse em brasa.

– Eu amo você. — ele sussurrou, lhe dando um rápido beijo nos lábios.

– Eu também amo você. — ela respondeu, engolindo mais uma onda de lágrimas. — A que horas você vai ao hospital amanhã?

– Não se preocupe com isso, okey?

– Mas Damon...

– Não se preocupe com isso.

A porta fora aberta por Damon que a fechou sem olhar para trás. Enquanto descia as escadas, Elena pôde ouvir os passos e a voz dele se despedindo de sua tia com uma falsa animação.

Sem pestanejar, caminhou até a janela e o viu sendo engolido pela escuridão, completamente solitário.

Aquela cena era de partir o coração, mas ela decidiu que era melhor ele seguir daquele jeito enquanto ela tentava reparar os danos que ele havia feito dentro dela.

Continua...

Notas finais
xoxo