Always
1 Always
Abby havia acabado de enterrar Reeves e ainda se sentia culpada pela morte do amigo. Ela sabia que ele faria qualquer coisa para que ela ficasse segura, mas não queria que ele acabasse morto a frente dela.
Parada perto do Big Ban, Abby saboreava um café diferente. Ela havia deixado para trás o NCIS depois de anos trabalhando com todos. Gibbs e ela estavam em desacordo profissional e ela precisava de um tempo.
Uma mulher ruiva caminhava a passos calmos na direção dela e se sentou à frente dela. Abby se endireitou porque quem estava a sua frente era nada menos que Jenny Shepard.
— Antes de qualquer coisa, eu preciso de um momento para explicar o porquê eu falsifiquei minha morte. – Jenny passou o dossiê. – Eu precisei falsificar minha própria morte para salvar não só Jethro, mas todos vocês. Vocês e ele estavam na mira da agencia por causa de Kort.
— Como sabia que eu iria perguntar isso? – Abby olhou para o documento sem saber. – Você escolheu morrer por nós?
— Eu não queria vocês presos. – Abby apenas assentiu, sabendo que a mulher ali na frente dela não teve outra opção. – Eu estou aqui porque eu tenho uma oferta para você, Abby.
— Oferta? – Abby viu o documento classificado a sua frente. – Oh.
— Tony e Ziva fazem parte de nossa equipe. – Jenny viu a confusão da técnica. – Ziva se sacrificou pela família dela.
— Ela está viva. – Abby sentiu a dor da morte de Ziva se afastar. – Como eu faria parte disso?
— Antes de qualquer coisa, é uma missão longe dos Estados Unidos. – Jenny começou. – É em solo brasileiro. Uma traficante de armas chamada Any. Ela vende armas para os inimigos dos EUA e já sequestrou uma de nossas agentes.
— Uma garota que vende armas. – Abby balançou os cabelos. – E o que eu preciso saber para fazer essa missão?
— Precisa saber que pode acabar tendo que sacrificar seu estilo e que apesar de qualquer coisa, se você for pega, os EUA vão te renegar. O que não quer dizer que eu vá.
Abby pegou o documento confidencial e decidiu aceitar a missão. Ela queria provar a todos que poderia ser alguém capaz de ir em busca de um terrorista sozinha e apertou a mão de Jenny.
— Você vai ter nome e todos os documentos falsos feitos por um dos nossos melhores especialistas em armas. – Jenny sorriu. – Vai precisar renunciar ao seu estilo e se transformar em alguém totalmente nova.
— Eu não me importo. – Abby se levantou depois de pagar o café. – Quando devo me apresentar?
— Em 72 horas no quartel general no prédio de cristais da rua 7. – Jenny passou um cartão. – Estamos usando aquele lugar como nosso esconderijo londrino. É só chegar e pedir pelo vaso olho de dragão.
— Obrigada. – Abby pegou o envelope e encontrou um cartão de crédito ilimitado pago por uma empresa de fachada.
Washington...
Nick Torres olhava para o laboratório incrivelmente diferente. Ele mal podia acreditar que Abby havia mesmo ido embora há quase uma semana. Assim como Reeves, ele perdeu dois amigos próximos.
— Torres, você quer fazer o favor de se mover? – Um irritado Gibbs entrou no laboratório. – Onde está....
— Abby? – Torres parecia chateado com algo. – Ela foi embora há uma semana.
Gibbs parou e olhou para ele, com arrependimento. Ele não havia percebido que não estava naquele laboratório há algum tempo e se ele fosse honesto consigo mesmo isso o fazia ficar mal.
— Desculpe. – Gibbs deixou Torres sozinho e tentou o celular de Abby, mas deu desconectado. – McGee, você já falou com Abby?
— Não. Ela mudou de número há quatro dias. – Tim mal conseguiu parar de digitar e parecia importante. – Mandarei um e-mail para ela. Talvez ela esteja tentando nos dar um tempo.
— Temos um caso. – Vance os fez olhar para ele com um bufo. – Eu quero todos lá.
— Certo. – Gibbs estava pensando sobre o comportamento de Vance nos últimos dias.
Ele parecia distante do time e longe de seus próprios sentimentos.
Abby começou sua missão como uma vendedora de armas para traficantes. Ela estava insegura, mas aos poucos ela se sentiu confiante para mostrar uma nova arma que ela mesma havia construído com a ajuda de um analista de armas.
Era superpotente e tinha um chip de localização instalado na arma que ela nunca revelava.
Apesar de todas as coisas, ela ainda não havia sido procurada pela traficante que estava em busca. Ela havia desembarcado em uma cidade pequena quando seu disfarce completou nove meses. Ela não tinha contato com seus amigos agentes, nem com Torres, que havia pedido que ela fosse sua namorada.
— Andrea? – Any se aproximou de Abby e usou seu codinome. – Meu nome é Any. Ouvi só coisas boas a seu respeito.
— Espero que sim. – Andrea/Abby respondeu. – E espero poder fazer negócios com você. Ouvi falar sobre você. Dizem que é uma chefe incrível.
— Bobagem, eu faço o meu melhor, sabe? – Any pediu um refrigerante para Abby e água com gás para ela. – O que você está achando do Brasil?
— Realmente eu achei muito melhor do que falam nos EUA. – Andrea/Abby comentou. – Eu estive aqui nessa cidade e já me apaixonei.
— Belo Horizonte é um lugar lindo mesmo. – Any revirou os olhos nos óculos escuros. – Apesar de eu não ser daqui eu acredito que todos os cantos do país são lindos.
— Eu achei que a gente tinha vindo aqui para falar sobre aquele outro assunto. – Abby decidiu focar o assunto.
— Só estava tentando puxar um assunto antes de falarmos sobre a Ogiva 1.100. – Any abriu o caderno. – Mas já que está interessada nas armas, eu não vejo problema.
— Eu tenho a arma que deseja. – Abby colocou a foto na mesa. – Só preciso de um mês para trazer para cá. Você sabe, há questões de pagamentos e de subornos.
— Gosto do jeito que você é direta, senhorita Andrews. – Any apertou a mão de Abby. – Eu iria sugerir o prazo, mas achei que você saberia sobre isso.
— Então nos vemos em um mês. – Abby deixou uma nota de real na mesa e saiu bar a fora.
Any observou a mulher entrar em seu carro e sorriu simpaticamente quando a mesma passou por ela.
Ela amassou o dinheiro, pagando com o próprio e indo em direção ao carro dela.
— Então? – Um homem no banco de trás perguntou. – Você tem confirmação sobre ela?
— Você não deveria chegar desse jeito. – Any guardou a arma no porta luvas. – Eu tenho a confirmação, senhor. Mas ainda tenho minhas dúvidas de o porquê deveríamos sequestrar ela ao invés de apenas matar.
— Eu não a quero morta. – O homem colocou os óculos de sol. – Preciso de respostas antes.
Any ligou o carro e deu o fora de lá também.
— Jenny, eu preciso de uma ogiva 1.100. – Abby entrou em contato pelo telefone seguro. – Talvez com uma carga mais leve e apenas um tiro por hora.
— Estou providenciando. – Jenny desligou o celular e entrou na sala segura. – Como estamos?
— Com medo é uma boa resposta? – Ziva perguntou. – Abby deveria ter apoio.
— Ela disse que queria sozinha. – Tony tentou tranquilizar a esposa. – Sabe que ela é um pouco teimosa.
— Mas Any não é a pessoa mais calma quando descobre que está sendo enganada. – Ziva estava claramente preocupada com a amiga. – E ela está com esse cara agora. Ele parece muito interessado em alguma coisa.
— Se Abby corre perigo, nós vamos descobrir. – Tony tranquilizou a esposa e recebeu um aceno positivo de Jenny.
— Se Abby for pega em um perigo maior, nós vamos ter que nos expor. – Jenny respirou fundo. – Vamos precisar chamar você sabe quem.
— Isso se ele não nós matar primeiro. – Tony respondeu. – Gibbs não vai gostar de ver a gente montando um time de ex membros.
— Ele vai querer ir em busca de Abby na mesma hora. – Jenny os lembrou. – E vocês sabem que Gibbs vai ficar de burro amarrado por um tempo antes de qualquer coisa.
— Só espero que Abby fique bem. – Ziva respondeu e olhou para os registros de traficantes presos.
Jenny se levantou e olhou pela janela. Se algo acontecesse a Abby, ela seria a primeira a ir em busca de Gibbs.
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