Always.
1 Chapter 01.
Azul, rosa, branco e alguns tons de marrom de uma árvore. São as cores que eu vejo todos os dias — ou pelo menos, quase todos. Eu gosto de ficar observando as árvores enquanto eu vou para a escola; assim como gosto de observar os pássaros. Para ser sincera, eu gosto de observar muita coisa; até as pessoas. Mas algumas acham isso assustador e ficam com medo, então eu tento ignorar esse quase-hábito.
Kyo Mikotohara. Só de você ler esse nome, você não sabe afirmar se o dono dele é homem ou mulher; e eu sempre usei isso como uma vantagem. Sim, eu sou uma mulher — nem tão mulher. Eu não tenho pênis, mas.. eu me visto e ajo como um garoto.Mas tudo isso não é para chamar a atenção e sim porquê.. eu me sinto melhor assim. Eu acho, pelo menos.
Estudante da Escola Estadual de Ensino Médio (e provavelmente fundamental, porque tem várias crianças lá) Shinohara, sou da sala 4-3. Felizmente, minhas duas e únicas amigas são da mesma sala, então eu acho que está tudo bem.
— Kyo-chan, está tudo bem? — Reiko perguntou preocupada, enquanto se aproximava de mim lentamente. — C'mon, baby!
— Pelo visto, as aulas de Inglês estão fazendo efeito. — Comentei enquanto botava as minhas mãos no bolso do meu uniforme e olhava para frente.
— Você não quer falar, é isso? — Haruna se aproximou também, fazendo biquinho de criança. E não é atoa que ela é conhecida como "Representante Chantagem Emocional".
— Eu estou bem. Se eu não estivesse.. — Um dos meus maiores problemas é frases. Como assim? — eu inicio frases que eu acredito que vão ter um final épico, que as pessoas que escutaram vão falar isso de geração em geração pros filhos mas não. Eu apenas perco as palavras. — Está tão.. visível assim que eu não estou bem?
— Uh-huh. — Haruna e Reiko falaram ao mesmo tempo.
Reiko Miyamomia e Haruna Kenosekai são minhas únicas amigas, e elas são melhores amigas. Praticamente irmãs, vivem grudadas.. e se elas nunca tivessem virado minhas amigas ou conversado comigo, eu não acho que sobreviveria.
Eu gosto de ficar sozinha. Não de me sentir sozinha, é diferente; é bom ficar na paz e na tranquilidade, mas o sentimento que não há ninguém para ficar ao seu lado nos momentos difíceis ou quando precisa de alguém não é bom.
E eu comprovo isso.
— Só não gosto de lembrar do meu passado. — Após um momento hesitando e lembrando de algumas coisas antigas, me lembrei de Miyamomia e Kenosekai, que me olhavam preocupadas.— Mas não precisa.
— Não precisa o quê? — Reiko perguntou, fazendo seus famosos olhinhos-de-cachorrinho-abandonado. Tudo com "inho" no final porque combina com Reiko.
— Vocês ficarem preocupadas. — Respondi, enquanto ajeitava meu cachecol no meu pescoço. — Eu estou bem, é sério.
— Não convenceu muito.. — Cara, a voz de Haruna era a de uma criança extremamente fofa e meiga triste porque a mãe não quis comprar o brinquedo que ela queria. Partiu meu coração.
Outra coisa que eu quero comentar, é que amo e odeio o sobrenome de Reiko. Eu amo porque é bonitinho, e odeio porque é difícil de escrever. Haruna é a representante da classe, então não acho que seja muito necessário falar dela por enquanto.
Haruna e Reiko ficaram conversando sobre coisas que elas conversam há mais de dois anos e eu fiquei rindo quando elas me metiam no assunto. Elas podem ter seus defeitos, mas não deixo que ninguém as ofenda.
Chegamos em frente ao grande edifício que eu vejo praticamente todos os dias, inclusive nos sábados; e que eu vejo há mais de dois anos também. Está um pouco frio, e mesmo assim, os uniformes femininos tem saia; mas a blusa é.. de manga comprida, algo assim.
— Woh, HaruHaru-san, Kyo-kun-chan.. — Reiko sussurrou para nós enquanto caminhávamos em direção ao Edifício.
— O que foi, Reik-— Tentei perguntar para Reiko para entender o que houve. Fui interrompido.
— Há um aluno novo na nossa sala.. — E Reiko falava como se isso fosse uma grande novidade. — É um ga-ti-nho! Faz o tipo da..
— Kyo! — Um dos meus colegas bate no meu ombro de leve e eu rapidamente me viro, sem esbanjar surpresa ou susto.
— Haruto. — Levanto as duas sobrancelhas. — Oi.
— Hahaha! Você é tão previsível. — Ele gargalha. Boatos que ele é o garoto que Haruna gosta.— O que vai fazer hoje de noite?
— .. Uh, meus deveres de casa? — E era isso que eu deveria fazer? Arqueei uma sobrancelha.
— Hahaha! Você é tão certo, Kyo. Hoje a noite eu e os garotos vamos sair por aí, quer ir junto? — Haruto era um dos meus amigos também. Talvez o único homem. Eu não citei isso. Desculpa.
— Por mim..
— Ótimo! As sete e meia no KanoTai Sushi, certo? — Haruto já sabia a resposta, então foi logo dando o endereço. — Na aula eu te passo o endereço! — Ele sussurra.— Ah, oi Reiko-san e Harucchi. — Ele abana e ri para as duas.
Reiko ri animadamente como sempre e abana para Haruto.
Haruna fica toda vermelha, tremendo e fazendo cospobre de pimentão.
Haruto ri.
Reiko ri.
Capiroto ri.
Eu rio sem querer.
Haruna fica mais vermelha ainda.
— O-oi Ha-ha-ruto..kun.. — Haruna acaba com a brincadeira dando oi para Haruto.
Em segundos, ele se junta com os seus colegas que também são meus colegas e que daqui algumas horas provavelmente vão ser meus amigos. Reiko está tendo um ataque de risos devido a timidez de Haruna. E eu não consigo conter o riso.
— K-Kyo! Até você? — Ela faz seus famosos.. você-sabe-o-nome e meu coração se regenera dessa vez.
— Desculpa, Haru. O sinal está prestes a tocar, vamos? — Eu hesito antes de falar sobre o sinal e tento disfarçar uma risada. Haruna infla suas bochechas com ar e em seguida mostra sua língua.
— Haruharu. — Reiko sussurra para Haruna, sendo que eu consigo ouvir. Estou do lado das duas, né. — Sua boca está muito vazia.. quer que a língua do Haruto-kun faça companhia para a sua? — Ela fala com um tom malicioso que faz Haruna dar um grito de vergonha, ficar vermelha, chamar a atenção de metade da população estudantil daquele local e bater de leve em Reiko.
— Idiota, vamos. — Ela finge estar brava.
Haruna não vê para onde está olhando e dá de cara em um dos armários, caindo no chão.
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