Alvorada

1 Os Whritemore


PRÓLOGO

Numa família onde nascer menina é literalmente uma maldição, nasce a pequena Elodie.

Tão pequenininha, amada por sua mãe e rejeitada pelo pai.

Mesmo sabendo da sentença da filha, Ruby a amou e a protegeu do Imperador Jasper.

Mas o que há de tão amaldiçoado em nascer menina na família Whritemore?

Há muitas gerações, uma maldição recaiu sobre a família. Uma bruxa, traída pelo príncipe, jurou que toda menina que nascesse nessa linhagem morreria de causas naturais em seu vigésimo primeiro aniversário. Começando por um sono eterno, apenas uma coisa poderia quebrar a maldição daquela geração.

Mas como a alvorada que rompe a escuridão da noite mais sombria, Elodie surge aos poucos, agarrada à esperança de um dia comemorar seu vigésimo segundo aniversário.

...

Elodie nasceu em um império rico e próspero. O império de Jaspe. O segundo reino mais imponente de toda Silla, ficando atrás apenas de Aya, o império principal da linhagem real de todo o reino.

Jaspe é conhecida pelas suas pedras preciosas, frutas exóticas e flores que desabrocham o ano todo. Além das ervas medicinais que só se encontram nas montanhas de Jaspe. O império também produz tecidos reais únicos, com cores vibrantes e detalhes que só as mulheres de Jaspe sabem tecer.

Uma verdadeira primavera que, mesmo nos dias mais frios, ainda é bela de se ver.

A princesa foi reclusa até seu décimo segundo aniversário. Até que sua mãe, a Imperatriz Ruby, decidiu que não era bom que ela vivesse presa. Mesmo contra a vontade do Imperador Jasper, Elodie finalmente conheceu seu reino de verdade.

A verdade era que Jasper nunca ligou para a filha. Sua única filha. Quando ela nasceu, seu desgosto foi tamanho que ele se casou com uma segunda esposa, que lhe deu um herdeiro homem. Ruby, em sua solidão, se apegou a Elodie e a protegeu da fúria do marido.

Hoje, com seu vigésimo primeiro aniversário chegando, a jovem está mais inquieta do que nunca. E isso não está agradando o Imperador nem um pouco.

Jasper, acompanhado de seu conselheiro Ryus, vai até a sala onde Elodie está toda rasgada e suja de terra. O Imperador não está nada contente com o que acabou de saber.

— ELODIE! — grita seu pai, entrando na sala.

Ruby está logo atrás, aflita com o temperamento do Imperador.

Elodie não se encolhe, ela apenas permanece de cabeça baixa, respeitando a hierarquia.

— Imperador...

— Olha o seu estado! Isso é jeito de uma princesa se portar?

— Eu me descuidei e caí do cavalo. Foi só...

— NA MALDITA FLORESTA PROIBIDA! É uma floresta amaldiçoada e você decide se enfiar nela!

— Imperador, por favor, ela está machucada...

— Isso é culpa sua! — diz Jasper, apontando para Ruby.

— Não é culpa dela. A mamãe não sabia que eu ia lá.

Jasper ri, nervoso. Estava furioso com Elodie.

— Ah, então está resolvido. — Ele se aproxima de Elodie. — Sabe qual é a culpa da sua mãe? Ter me dado uma filha inútil.

Elodie aperta a barra do vestido com força.

— Pai...

— NÃO ME CHAME ASSIM!

— Senhor Jasper, tenha calma, por favor — diz Ryus, tentando intervir.

— Ryus, você providenciou o que mandei?

— Sim, Imperador.

— Elodie, a partir de hoje está proibida de sair do Palácio. Seu noivo chegará em breve.

Elodie fica surpresa, assim como sua mãe.

— Não. — Diz ela, levantando a cabeça.

— Não? Você vai fazer o que eu estou mandando. Vai ser útil para alguma coisa.

— POR QUE EU DEVERIA SER ÚTIL SE EU VOU MORRER!?

A confissão pega todos de surpresa. Jasper se enfurece ainda mais e desfere um tapa no rosto de Elodie. Ela sai correndo da sala e Ruby vai atrás dela.

— Prepare-a.

— Sim, Alteza.