Alvorada
15 Alvorada sem fim
Notas iniciais
EPÍLOGO
Jaspe estava toda enfeitada, o povo estava em festa, havia sete dias desde o casamento de Elodie e Haru.
Jasper foi destituído e preso em uma ilha onde ficam os inimigos de Silla, fora do reino. Um lugar esquecido por todos.
Jaspe continuava fértil, mas Elodie não poderia ficar.
Haru e Elodie estavam na sala imperial, conversando enquanto esperavam duas pessoas importantes.
— Eu não queria que houvesse condições para você vir morar comigo no Palácio de Aya.
Elodie sorriu segurando a mão de Haru, aquele sorriso doce sempre o desarmava.
— Tudo bem. Como sua esposa e agora princesa de Aya, eu teria mesmo que ir para o Palácio. Não foi grande coisa.
— Mas não poder gerar filhos nas terras de Jaspe... isso é triste, você viveu aqui a sua vida toda...
— E eu morreria aqui. A condição de Morgana foi razoável. A terra está manchada com o sangue dela e dos Whritemore.
Haru pegou a mão esquerda de Elodie e olhou para a marca mais escura em forma de Carvalho no pulso dela. Marcada como se fosse um lembrete. Elodie olhou em seus olhos vendo a preocupação nos olhos dele.
— Ser uma guardiã não significa lutar, Haru. Essa marca só garante que a minha linhagem protegerá as terras de Jaspe.
Haru a olhou com seriedade.
— Você nunca vai usar isso em Aya. Por isso é um segredo, não vou deixar ninguém sugar a sua vitalidade em troca de colheita.
Elodie sorriu. Ela segurou seu rosto e o beijou.
— Eu sei que irá me proteger — sussurrou ela contra a boca dele.
O rosto de Haru suavizou um pouco. Ele olhou novamente para a marca no pulso dela.
— Eu não vou ter que me preocupar em ficar acordado enquanto você cavalga até aqui no meio da noite né?
Elodie riu. Ele a olhou.
— Não. Mas eu posso te manter acordado por outro motivo.
Haru sorriu e a puxou para outro beijo, dessa vez mais demorado.
— Eu te amo — disse ele contra os lábios dela.
— Então o príncipe se apaixonou.
— Eu me rendo. Você me conquistou.
O coração de Elodie se encheu de alegria. Ela não esperava ter a dádiva de encontrar alguém que a amasse do jeito que ela é. Mas encontrou.
Um barulho de passos chamou a atenção dos dois, eles se ajeitaram e esperaram Ryus e Ruby se aproximarem.
Ryus ainda se movia com dificuldade por causa do ferimento.
— Vossa Alteza, Princesa — disse Ryus se curvando.
Ruby também se curvou.
— Vocês não precisam de tanta formalidade — disse Haru.
— Tio, eu fico muito feliz que esteja bem.
Ryus sorriu.
— Eu também fico aliviado de tudo isso ter acabado.
— Agora, por que pediu uma audiência? — perguntou Haru.
— Você não precisa pedir uma audiência, tio, pode me encontrar pessoalmente para conversar.
Ryus se colocou em um joelho, mesmo sabendo que não era necessário. Mesmo fazendo seu ferimento doer.
— Eu gostaria de fazer um pedido à princesa.
— Tio...
— Eu quero pedir a mão da Imperatriz, Ruby, sua mãe, em casamento.
Elodie sorriu. Ela olhou para Haru que apenas a deixou resolver, pois ele já sabia sobre esse assunto. Ela fingiu seriedade.
— Conselheiro, como sabe, a minha mãe ainda é a Imperatriz de Jaspe. Sendo assim, o casamento dela precisa ser político, não pessoal.
Ryus e Ruby encararam Elodie com extrema surpresa.
— Mas eu pensei...
— Eu não vou quebrar essa tradição. Minha mãe se casará com o governador de Jaspe.
Ryus olhou para Ruby, os dois com um misto de surpresa e tristeza nos olhos.
Então Ryus se deu conta. Não havia um governador em Jaspe.
Elodie pegou o cetro, um novo que foi feito de carvalho, com uma bola de ouro na ponta. Ela foi até Ryus que ainda estava de joelhos, ele não se moveu. A jovem colocou o cetro no ombro esquerdo de Ryus e falou alto.
— Eu, Elodie Whritemore, princesa de Aya, Imperatriz de Jaspe, nomeio você, Ryus Rômulo, Governador de Jaspe. E como governador, precisa se casar então, eu declaro Ruby Nubia como sua noiva. Este é o meu decreto.
Os guardas que estavam na porta bateram continência, Elodie se afastou e devolveu o cetro à mesa.
Ryus não conteve a emoção, ainda sobre um joelho ele chorou de alegria, não apenas por ter sido nomeado governador, mas por poder se casar com a mulher que ama.
Ruby abraçou Elodie forte.
— Obrigada, minha filha.
— Mãe, você merece ser feliz.
Elodie olhou para Ryus.
— Não vai me dar um abraço?
Ryus se levantou e a abraçou. Ele a olhou e segurou suas mãos.
— Você é a filha que eu não tive, Elodie. E eu sinto muito orgulho de você.
— Todos nós sentimos — disse Ruby.
Elodie sorriu.
— Agora a alvorada de Jaspe não se apagará. Ela não terá fim — disse Haru admirando a cena.
Elodie foi para os braços de Haru encostando a cabeça em seu peito.
— Não terá.
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