Aluno B
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Vocês sabem o que é ironia dramática?
Eu sei que alguns de vocês já assistiram Desventuras em Série no Netflix, mas, para aqueles que ainda não, aqui vai uma breve explicação.
É como quando o Rob disse que o Carlos era tão inofensivo quanto eu e ele dá dois tiros em um bar.
Ou quando eu falei que era melhor ficar em casa e, pra variar, dessa vez eu tinha razão, ou pelo menos eu achava que tinha até aquele momento pelo menos...
Mas enfim, continuando…
BUM!
O carro freia bruscamente. Nós saímos do carro. Eles vão ajudar o cara e eu, bem... eu fiz o que achava que era a única coisa que poderia ser feita naquela hora.
"BLAAAAARGH!"
"Caramba Bran! Isso é hora pra vomitar?!", disse Rob.
"Pelo menos ele não fez isso no carro...", murmurou Jeff, "Ei cara! Você tá bem?"
Ele se levanta do chão meio cambaleante, mas, bem. Era só um garoto mais ou menos da nossa idade.
"Eu tô bem! Eu tô bem! Foi só um susto..." .
"Ah não! Será que dá pra gente atropelar ele de novo?", ironizou Rob.
"Fico feliz em te ver também Rob", disse o garoto tranquilamente.
"Vocês se conhecem?", perguntou Jeff.
"É uma longa história", respondeu Rob. E com “longa história”, na verdade, ele quis dizer que não queria falar sobre isso naquele momento.
"Edu, prazer. Eu sou amigo do Rob às vezes."
"Sei...", disse Jeff, apertando as mãos
Enquanto eles conversavam, eu continuava passando mal perto do carro.
"Ah droga!", exclamou Rob, “Me ajuda a colocar ele no carro."
"O que aconteceu com ele?", perguntou Edu.
"Ah você sabe: bar do Bernie… Primeira vez que bebe... O de sempre.", explicou Rob.
"É... já vi isso antes...", disse Edu com um sorriso irônico.
"Ah cala a boca! Enfim, o que você tava fazendo antes de ser atropelado?"
"Eu estava indo pra festa de uma amiga minha..."
"Quer que a gente te dê uma carona?"
"Ei, ei, ei, como assim?!" disse Jeff, "O carro é meu! Não vai oferecendo carona pra estranhos, ou eu tenho que te lembrar do que acabou de acontecer?"
"Cara, você atropelou ele. É o mínimo que você poderia fazer. E o Edu é realmente inofensivo. Vai por mim."
O Edu era realmente inofensivo, pelo menos ele não andava armado ou vendia drogas.
"O que acabou de acontecer?" perguntou Edu.
"Eu te conto no caminho...", disse Rob.
"Ei! Eu não concordei com isso!", insistiu Jeff.
"Você quer que eu dirija então?", respondeu Rob.
"Nem pensar... Eu dirijo"
...
"Sério que o Carlos fez isso?!"
"Acho que sim, não deu pra ver direito, na verdade, por causa da confusão e tal..."
Rob contou toda história pro Edu, ou, pelo menos, o que ele achava que era toda a história. Estavamos indo em direção a casa da amiga do Edu. Eu ia no banco da frente quase morrendo enquanto Rob e Edu iam no banco de trás conversando.
"A gente já tá indo pra casa?" disse pro Jeff, parecia mais um gemido.
"Ainda não parceiro, só mais uma parada e eu te deixo em casa"
"Casa? Ainda é cedo!" disse Edu
"Acho que já tivemos emoções de mais por uma noite...", respondeu Jeff, "E meu amigo aqui precisa dormir."
"O que ele precisa é de outro drink", disse Rob, "Vamo lá! Vai ser legal!"
"É, foi o que você disse hoje mais cedo, antes da gente ir parar em uma cena de crime."
"Caramba Jeff! Será que dá pra sair dessa! Eu quero compensar isso e não quero que a noite termine assim..."
"... Tá bom! Mas só UM drink!"
Uma coisa engraçada sobre o corpo humano.
Quando bebemos é trabalho do fígado lidar com o álcool e fazer ele ser útil pro nosso corpo, mas se bebermos muito em pouco tempo o fígado não consegue dar conta e o álcool acaba indo para outras partes do nosso corpo, e acaba chegando no cérebro, que é onde a "diversão" começa e nos tornamos seres humanos insuportáveis. Caso isso não dê certo o nosso corpo se livra do álcool fazendo a gente vomitar. Depois de vomitar, como eu havia feito alguns minutos mais cedo, começam a aparecer os sintomas da ressaca, porque mesmo que parte do álcool tenha ido embora, o nosso fígado continua trabalhando como se ainda tivessem litros e litros de álcool a serem consumidos, e, por incrível que pareça, beber mais (não muito, é claro) pode te livrar desses sintomas e fazer você se sentir melhor... até você parar de beber de novo.
Chegamos na festa.
Outra casa, em outro bairro, e eu acho que eu não preciso descrever a cena, acho que vocês já viram filmes o suficiente... Mas eu faço questão de descrever... brevemente.
Era uma casa simples mas grande o suficiente pra comportar o exército de adolescente que estava lá. Haviam pessoas de todos os tipos e todas tribos, esportistas, nerds, hippisters, punks, todos bebendo, dançando, se divertindo. Bem era uma festa, com tudo que uma festa poderia ter, ou quase tudo.
Comida, bebida e música alta tocando (Ride_21pilots.mp3). E eu sem saber o que eu estava fazendo ali, entrando apoiado nos ombros dos meus supostos amigos.
"Eduardo!", uma garota veio gritando em nossa direção, "Caramba, você demorou!"
"Longa história", respondeu, "Ok pessoas, essa é minha amiga Laura. E Laura, esses aqui são Rob, Jeff e o cara morrendo se chama Bran? É isso?"
"Tipo em Game of Thrones?" perguntou Laura.
"É só um apelido, ele gosta bastante dessa série" respondeu Jeff.
"Ah sei... Bem sintam-se em casa. Qualquer coisa me procurem, tá bem." disse Laura antes de voltar pro seu grupo de amigas.
"Certo, sigam-me rapazes!" disse Edu indicando o caminho para a cozinha
"Ok primeiro de tudo, vamos ajudar esse seu amigo semi-morto a voltar a vida" disse Edu
"Cara, você tem certeza que beber mais vai me ajuda?", gemi pra ele, "Eu não tô me sentindo muito bem"
"Confia em mim. Você nem estava bêbado pra valer", depois de dizer isso ele pegou uma garrafa de vodka e muitas outras coisas que estavam na geladeira e fez o drink mais estranho e colorido que eu já vi na minha vida.
"Eu chamo isso de 'explosão de morango'", disse Edu empurrando um copo cheio com o que quer que seja que ele tenha colocado ali dentro, "Pode beber, não se preocupe, quase não tem álcool ai."
"OK então..."
E depois do primeiro gole as coisas voltaram ao normal. Ele tinha razão eu estava me sentindo melhor. Até esquecemos o que tinha acontecido antes e voltamos a nos divertir e a interagir com as pessoas. Estava tudo indo muito bem, bem até demais, mas isso, é claro, não ia durar muito.
Estávamos conversando alegremente até que Jeff e Rob ficaram extremamente sérios, olhando fixamente para alguma coisa distantante.
"O que foi caras , parece até que vocês viram um fantasma..."
"Bruno?!", gritou uma voz inconfundível atrás de mim. A última voz que eu esperava, ou queria, ouvir naquele dia...
"Ah droga...", suspirei.
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