Aluno B
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Não, eu não sei dirigir. Nunca foi algo primordial na minha vida saber dirigir e esse lance de que carro te dá liberdade pra mim era grande besteira que vendedores de carros falam pros moleques que acabaram de tirar a carteira, mas até que eles tinham um pouco razão.
No começo foi bem difícil pegar o jeito mas depois de deixar o carro morrer umas quinhentas vezes eu comecei a dirigir um pouco melhor. Jeff ia do meu lado me ensinando e o Rob ia no banco de trás atrapalhando o máximo que ele podia e indicando o caminho do lugar que ele continuava não dizendo que lugar era.
"Estaciona aqui", falou Rob
Paramos em frente a uma casa no subúrbio, era uma viagem curta até lá. Como eu não sabia dirigir ela acabou sendo um pouco longa e turbulenta, finalizando com uma tentativa de baliza que quase me faz atropelar uma caixa de correio.
"Ok, Bran, daqui pra frente eu dirijo", disse Jeff, "Onde a gente tá?"
"Eu pensei em passar na casa de um amigo primeiro. Pra pegar umas coisas que a gente precisa" falou Rob pro Jeff enquanto saia do carro.
...
O amigo de Rob, Carlos, Tinha 23 anos e morava em uma casa no subúrbio. Por fora a casa era bem normal, mas por dentro ... também era normal se você desconsiderar o fato de que ela servia de de base pra um bando de nerds.
Acho que eram uns seis nerds no total. Três deles na sala de jantar ,com vários notebooks ligados, provavelmente programando alguma coisa. Dois na garagem fazendo sei lá o que (talvez algo ilegal no estado da Califórnia). E O Carlos estava na sala de estar sentado em uma poltrona jogando Overwatch como se não houvesse amanhã.
Entramos pela porta da frente seguindo o Rob até a sala.
"Me sigam e não olhem pros nerds" e foi andando rápido até chegar na sala
"E ai Carlos! Meu parceiro!"
"É bom ser importante", falou Carlos sem tirar os olhos do jogo.
"Sou eu. Rob..."
"É bom ser MUITO importante."
"Hum...", Rob engoliu a seco. "Meus amigos aqui precisam de identidades falsas."
"Identidades falsas? Não fazemos identidades falsas aqui"
"Tá certo, assim como vocês não vendem droga, não fazem dial-brake em celulares pra colocar aplicativos ilegais e nem hackeiam perfis de pessoas famosas pra fazer postagens sem noção, porque, afinal, tudo isso é ilegal, não é mesmo?" disse Rob calmamente.
"Ele disse drogas?" Sussurrou Bran para Jeff que mandou ele se calar.
"Tá bom! Tá bom!" Carlos largou o controle. "Eu vou fazer esse favor. Droga Rob, você realmente me tem na mão."
"Pensei que não houvesse dúvidas sobre isso", disse Rob enquanto se cumprimentavam.
"Esses aqui são Jeff e Bran" apontou Rob
"Ok espero que elas funcionem. Vocês não parecem nem um pouco terem 21. Me sigam."
Seguimos Carlos até a garagem onde dois nerds estavam mexendo no que pareciam peças velhas de computador.
"Larguem esse robô por uns segundos!", ordenou Carlos, "Preciso de duas cartas."
Os nerds se levantaram preguiçosamente e começaram a preparar as coisas para fazer as identidades. Carlos baixou uma tela azul que estava na parede e pegou uma câmera.
"Vão pra lá pra eu tirar as fotos"
Enquanto nossa identidades ficavam prontas mais coisas sobre o Carlos.
Pelo que me contaram, ele tinha ganhado um bom dinheiro com um aplicativo de vendas e acabou vendendo a empresa por um preço razoável. Depois, descobriu que o preço dela triplicou, mas ele parece não se importar. Hoje, ele meio que ajuda jovens desenvolvedores em troca de ações das empresas que são criadas, uma espécie de incubadora (acho que ele tirou essa ideia de uma série de TV), além, é claro, de fazer certos negócios ilegais. Ele fazia isso por que achava divertido, além de pagar as contas.
"Ok, cartas prontas", disse Carlos entregando duas carteiras de motorista pra mim e pro Jeff, "O que vocês vão fazer agora?"
"Eu tava pensando de a gente ir pro bar do Bernie", disse Rob. "A segurança lá é baixa, a maioria dos clientes é menos de idade."
"Pra quê a gente pegou essas identidades então?", perguntou Jeff irritado.
"Precaução oras!", respondeu Rob.
"Tá certo, eu vou ali pegar umas coisas e vou com vocês", disse Carlos saindo da garagem.
Como é possível prever eu não sou muito fã de estranhos então quando esse cara simplesmente disse que ia com a gente eu surtei um pouquinho.
"Ei Rob. Tudo bem esse cara ir com a gente?", perguntei preocupado.
"Relaxa cara. Pode não parecer mas ele é tão inofensivo quanto você" disse Rob rindo.
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