Alucinação

2 Capítulo 1 - Amor a primeira vista?


Notas iniciais
Ei, muito feliz com os comentários que recebi do primeiro capítulo, vocês não sabem como eles me fizeram bem o/ Queria pedir desculpas por não postar antes, estive numa crise criativa bem forte, então, não queria postar qualquer coisa para vocês lerem. Agora vão começar os flashbacks, e eles se passam 3 anos antes do tempo atual, ou seja 2014 - 2011, só para não confundir. Esse capítulo está lindo, espero que vocês curtam. Nos falamos lá embaixo :)

Seus pés pareceram perder o equilíbrio por alguns segundos e ele tropeçou em um objeto no chão. Seus olhos se voltaram para o cartão no chão, e sem hesitar ele recolheu o objeto. O elegante cartão com letras douradas era uma das chaves de um quarto num elegante hotel não muito longe do restaurante. Quarto 257. Sua mente se volta para a lembrança de quando falou pessoalmente com ela pela primeira vez, nesse mesmo hotel. O jeito insolente que ela o tratou, seus lábios pronunciando repetidas vezes o quanto ele era um psicopata pervertido e as suas ameaças de chamar os seguranças quando ele insistia em conhecê-la melhor. Uma certeza se apossou dele e sua cabeça girou em um único pensamento “Aquela chave era de Sofia”. Seus olhos percorreram rapidamente a mesa em que sua namorada e os investidores japoneses estavam. Eles pareciam estar tendo um papo animado e ele se sentiu mais confiante para fazer uma aproximação até o bar.

– Ei amigo – ele chamou, fazendo o barman o encará-lo bruscamente – Preciso de uma caneta e um papel – o homem recolheu alguns copos e tacas de cima do balcão com agilidade e em poucos segundos lhe entregou um bloco de papel e uma caneta. Seus dedos agilmente escreveram um recado endereçado a Sofia. Talvez ela voltasse para buscar a echarpe e a chave, e ele queria ser a pessoa que entregaria para ela. Haviam tantas perguntas a serem feitas.

– Uma jovem deixou cair uma chave e uma echarpe – ele falou se explicando para o homem – Gostaria que você entregasse isso se ela voltar aqui para procurar – ele entregou o papel e uma nota de vinte dólares. O barman assentiu e guardou o dinheiro no bolso, bem como o bilhete.

– Pode deixar senhor, se a jovem em questão aparecer, entregarei seu bilhete – ele falou, e serviu um copo com um uísque conservador e de toque refinado. Ben olhou para o líquido cor de caramelo por alguns segundos. O barman, guardou a garrafa com cuidado e se virou para o jovem – Acho que o senhor está precisando de um drink, esse fica por conta da casa – ele falou, e saiu para servir outros clientes. Ben entornou o líquido de uma vez só, e tratou de esconder a echarpe e a chave em seu paletó antes de voltar para a mesa. Um sorriso forçado se formou em seus lábios assim que Meg perguntou se estava tudo bem. Ainda estava chocado demais para saber se estava tudo bem.

Loews Miami Beach Hotel. Quarta-feira. 22:00

Seus olhos percorreram o corredor assim que saiu do elevador, ainda não acreditando na facilidade com a qual ele havia passado pela portaria do hotel. Talvez fossem suas vestes e o seu jeito de se portar, sem falar que ele tinha uma chave do hotel. Deu um sorriso amargo para si mesmo, se fosse em outra época, seria escorraçado do Hotel sem sombra de dúvidas. Odiava a sociedade capitalista em que vivia, mas sabia que dependia disso para sobreviver. Caminhou até o quarto 257 e parou em frente a porta. Sua hesitação o fez pensar na loucura que estava fazendo, e nas milhares de loucuras que já tinha feito por ela. Claro que, naquela época, ele era um garoto impulsivo que gostava de arriscar e correr atrás do que queria, mas havia aprendido com o tempo, que, ser impulsivo demais era um caminho fácil para quebrar a cara e o coração. E agora estava ele aqui de novo, atrás da mesma mulher que tanto já havia o abandonado, uma porta separando ele dela, e aquilo era tão angustiante. Criou coragem e encachou o cartão, a porta fez um estralo e abriu, deixando um elegante quarto a mostra. Ele encostou a porta e ficou parado alguns segundos, o coração martelando em seu peito, antes de percorrer o quarto e suas demais dependências. Ela não estava ali, e isso o decepcionou um pouco, mas não havia sombra de dúvidas, ela estava hospedada ali naquela quarto, pode sentir o perfume dela assim que aproximou o travesseiro do seu nariz. Deitou na cama, sentindo o lençol fino de seda lhe tocando, imaginando que o mesmo havia tocado o corpo dela também. Ele sabia que isso era loucura, mas não conseguiria viajar sem antes conversar com ela. Precisava saber o porquê do seu sumiço sem explicação, quando ainda estavam tão apaixonados. Ele precisava saber da verdade, para seguir em frente, olhar em seus olhos e ver a constatação de que ela não o amava mais. Acabou adormecendo e imagens do dia que em que ele a viu pela primeira vez apareceram em sua mente, e como em um sonho bem real ele embarcou naquela viagem de novo, sentindo toda a excitação da primeira que havia a visto.

Subúrbio de Miami Beach. FlyBach Soluções Eletrônicas: Especializada em Consertos. Sexta-Feira. 15:00

O jovem sentou por alguns minutos em um dos sofás que ficava no fundo da loja, brincando com a nova aquisição da loja do pai, uma Orvile by Gibson, de 1970, acabamento black piano. Seus dedos passaram rapidamente pelas cerdas e ele sorriu, ouvindo o som reproduzido pela guitarra. Sempre preferiu violões, mas aquela guitarra era incrível, ele tinha que admitir. Ouviu o pai chamar seu nome, e levantou, meio a contragosto, com a guitarra em mãos. Desde que havia chegado de férias da faculdade de Comércio Exterior, da faculdade de Nova York, há alguns dias, ficava mais tempo na loja do pai, do que surfando na praia, ou praticando parkour, um esporte de salto de obstáculos pelo qual era completamente apaixonado. Observou a figura mais velha coçar a barbicha com alguns fios brancos do queixo, parecendo pensativa, olhando para o caixa da loja. Sabia que o pai estava preocupado com as contas, afinal quem conserta as coisas hoje em dia? Sem falar que viver em Miami estava se tornando cada vez mais caro, ao mesmo tempo que cada vez mais as coisas se tornavam substituíveis mediante a tanta tecnologia e facilidade de crédito, e esse cenário, para alguém que vive de consertos eletrônicos era algo desfavorável. Sabia que a loja que já havia sido do avô era a paixão do pai, mas temia que seu fim estivesse perto, por isso se dedicava tanto a faculdade. Queria poder ajudar o pai no futuro, caso ele precisasse.

– Ben, eu vou precisar efetuar uns pagamentos no banco, preciso que você fique aqui na loja. Se você puder dar uma olhada nessa câmera filmadora – o pai apontou para o parte traseira do balcão e ele pode ver uma câmera filmadora – A garota que a trouxe disse que ela está sem som.

– Ah, claro pai – ele respondeu distraído – Pode ir lá – ele continuou, indo até o balcão e parando em frente ao computador. Ouviu o pai se despedir, e a sineta da porta tocar, indicando que o mesmo havia partido. Seus olhos voltaram a encontrar a câmera, e, sem querer postergar o trabalho, ele a pegou e conectou cabos audiovisual da câmera nos televisores da loja. Gostava de ver vídeos de bebês risonhos e famílias reunidas em eventos especiais como casamentos e formaturas, e sabia que de certa forma era uma invasão de privacidade, mas a espontaneidade e alegria desses momentos o fazia lembrar de quando sua família era unida, e isso lhe causava uma sensação gostosa de nostalgia. Ligou a câmera e logo pode ver a imagem se formar na tela. Milhares de pixels formando a imagem mais linda que ele já havia visto. A imagem de uma garota loira com um belo rosto sorrindo, para ele, um sorriso irônico, mas que o deixou fascinado e perturbado ao mesmo tempo. Os olhos verdes dela pareceram encarar os dele, e ele sentiu que nada mais seria igual. Seus lábios rosados pronunciavam palavras que ele não conseguia ouvir, mas ele a queria ouvir falar, mais do que tudo. E rápido demais ele acabou. Repetiu o vídeo algumas vezes, se encantando cada vez mais pela imagem da garota desconhecida. Ele precisava encontra-la, e ao olhar a ficha cadastral, viu o nome Anita Toledo, seguido pelo telefone de contato. Anita, repetiu para si mesmo, se perguntando se esse era o nome dela. Sabia que era loucura o que estava prestes a fazer, mas precisava ver ela pessoalmente. Talvez fosse muito cedo para dizer, e ele se sentia estranho mediante a isso, mas, nesse momento a coisa mais importante era conhece-la. Não queria esperar, e sua impulsividade o fez ligar para o número no cartão. Uma, duas, três vezes. Sem sucesso, pegou um pedaço de papel e anotou o nome da garota nele. Sabia de alguém que poderia lhe ajudar a encontrar a misteriosa loira.

Notas finais
E aí, o que vocês acharam? Gostaram do "primeiro contato" do Ben e Sofia? O que será que o Ben vai fazer para encontrar a loira? Comentem e façam uma autora feliz :)