Altos e Baixos
13 Capítulo 14
Notas iniciais
Acordei bem cedo no outro dia, minha cabeça latejava e mal conseguia abrir os olhos. Levantei, tomei banho e parei para me olhar no espelho. Minha situação não era das melhores, e nem de longe lembrava como eu realmente era. Se alguém me olhasse diria que envelheci uns dez anos. Meus olhos estavam inchados e vermelhos, os cabelos emaranhados e meu nariz tão rubro quanto um tomate.
Sai do quarto e fui comer alguma coisa, acho que a consequência de ter ficado três dias sem comer chegou agora. Minha barriga roncava com força.
Enquanto comia, reparei que a casa estava arrumada, parece que Daymian realmente cuidou de tudo.
Daymian,
Lembrar-se de meu irmão me faz lembrar-se daquele bilhete, será que ele encontrou Lucas? Será que conseguirá trazê-lo de volta?
Essas perguntas rondavam minha mente e faziam meus olhos lacrimejarem. Enxuguei as lágrimas que teimavam querendo cair e fui ver meus filhos, que por incrível que pareça, já estavam acordados e olha que eram seis da manhã.
- Papai?
- Oi Clarisse, já ta acordada minha princesa? E você também campeão?
- Papai Joseph é você? – perguntou Daniel
- Sim sou eu filho.
- Por que o senhor sumiu?
- Problemas de adulto minha pequena, papai só estava um pouco triste só isso. Seu tio cuidou bem de vocês?
- Sim, o tio Daymian brincou de astronauta comigo. – disse Dan sorrindo.
- É mesmo? – falei com um pequeno sorriso.
- Eu fiquei com medo.
- Medo de que Clarisse?
- Medo que tivesse nos abandonado, como a nossa mãe fez.
Aquelas palavras, mesmo ditas por aquele projeto de gente, me atingiram com tal força que me fez perder o eixo. Ela tinha razão, eu ,mesmo por um curto tempo os tinha abandonado. Não importa o quanto estava triste, eu tinha que ser forte e cuidar deles, não é só mais eu e Lucas, nós temos dois filhos agora. Dois filhos lindos, a quem eu prometi encher de carinho, amor e alegria.
- Escuta aqui mocinha, e você também rapaz! Podem ir a si acostumando com esse cara aqui, pois eu nunca vou abandoná-los entendeu? Agora vem dar um abraço nesse pai irresponsável de vocês.
Eles então vieram e me abraçaram.
- Papai o que é isso? – perguntou Clarisse – É uma coisa boa?
- Anh...não.
- Então eu não te acho ires, irres, ... isso o que você falou.
- Eu também não. – disse Dan.
- Nem eu. – disse uma voz atrás de mim que me fez paralisar.
- Pai! – gritou os dois correndo para os braços do homem atrás de mim.
- Oi meus filhos, como estão vocês?
- Pai, porque você sumiu? Você também tava triste como o papai?
-Sim...minha filha.
- Crianças, por que nós não vamos pro banheiro para escovar esses dentinhos hein? Vamos, se não ninguém vai comer cereal. – disse a voz de Daymian ao fundo.
- Joseph? – chamou ele.
Só então aceitei me mover, levantei da onde estava e o encarei com os olhos repletos de lágrimas.
- Sim – respondi com a voz fraca.
- Acho... que precisamos... conversar.
- R-realmente.
- Eu..vou tomar um banho e depois...
- Sim, é- é depois, eu eu vou te esperar no quarto.
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Cinco minutos passaram e nada de Lucas sair do banheiro, meus nervos estavam à flor da pele e eu já não me aguentava de tanta aflição. Várias perguntas rondavam a minha cabeça e eu já não sabia o que fazer, minha vontade era de arrombar a porta daquele banheiro e fazer Lucas responder a todas as minhas perguntas, e principalmente me deixar explicar o que houve naquela noite. Maldita noite em que aquele infeliz apareceu. Só de lembrar me dá raiva. E enquanto eu me encontrava nessa crise de pensamentos Lucas saiu do banheiro enrolado numa toalha, se sentou perto de mim e ficou me olhando por um tempo.
- Me diga... o que realmente aconteceu naquela noite?
- Eu vou te contar tudo amor, mas quero que saiba que eu sempre fui fiel.
- Ok.
- O nome daquele cara é Jefferson, Jefferson Scarlet eu o conheci numa fila da padaria há uns dias atrás, nesse mesmo dia ele deu em cima de mim, mas eu logo descartei, o problema é que depois disso ele não parou mais. Ele ligava aqui pra casa, estava em tudo quanto é local, até mesmo aqui na rua ele já veio pra tentar alguma coisa.
- E porque você nunca me disse nada?
- Eu achei que conseguia me livrar dele sozinho.
- E aquela noite?
- Eu fiquei tão surpreso e indignado quanto você. Eu nunca ia imaginar que aquele infeliz ia fazer aquilo num lugar publico! E por favor, meu amor, pense um pouco. Por que eu iria te trair? Eu gosto de você desde a minha oitava série, tudo bem que houve um período de turbulência no nosso relacionamento, mas céus, nós estamos juntos há 10 anos. E em todo esse tempo eu não duvidei jamais desse sentimento. Eu te amo Lucas, e só de pensar em te perder de novo assim o meu peito geme em uma dor dilacerante.
Após desse discurso nós dois estávamos em lágrimas, eu o encarava sem saber o que fazer ou que dizer mais, e Lucas por sua vez, fitava o chão numa mistura de confusão, dor e saudade.
- Promete, que da próxima vez, vai me contar? – perguntou ele finalmente fitando meus olhos – Promete que não vai deixar nenhum idiota encostar em você de novo além de mim?
- Prometo meu amor, por favor, me desculpa.
- Eu te amo.
Disse ele enquanto envolvia o meu corpo em seus braços, para logo depois levantar meu queixo à altura dos teus lábios e selá-los como um só. Ficamos ali por minutos, apenas pressionando nossos lábios, como se fizéssemos uma promessa um para o outro de que jamais iríamos nos separar como daquela vez.
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