Notas iniciais
Erza Knightwalker x Mystogan

Folhas mortas foram pisadas com força desnecessária, acabando por desmancharem-se. Não que a dona da pisada se importasse.

A ex-general de Edolas andava a passos firmes, com seu rosto duro e tenso de sempre. A luta com sua forma da Terra mudara radicalmente seus hábitos e jeitos, mas não todos. Mudar totalmente seria impossível para qualquer humano, como ela.

Em suma, a mulher de cabelos agora mais crescidos, já que passaram-se dois anos desde sua fádica aparada, controlava soluços. Estranho de sua parte, sendo que sempre fora reservada e fria. Sendo assim, qualquer trajeto de "humanidade" podia passar despercebido por sua atitude rotineira.

Deixando de lado essas observações, voltaremos ao fato: Erza chorava. Tentava parar, mas era inútil. O aperto em seu peito e garganta, a necessidade de sair correndo, para um lugar sozinha, eram fortes demais para serem ignorados. Não podia mudar o que estava a sentir, e então, desistiu de controlar seu acesso de tristeza e deixou-se levar.

Correu para debaixo de uma árvore, e enterrou seu rosto agora molhado de lágrimas em suas pernas.

O causador de todo aquele ataque? O mesmo rosto de o motivo igual da outra Erza. Mystogan. Ou melhor. Jellal.

Não que o agora Rei fosse mau com sua pessoa, porque não foi. Não prendeu-a, entendeu seus motivos. Mesmo que matara vários "magos" da Fairy Tail, ele não condenou-a. Talvez por sua aparência igual à da mulher tão boa que convivera por durante muitos anos. Atitude infantil, sei, mas fazer o que. Ele se acostumou com aquela feição.

O fato de Erza estar tão depressiva é que Rei Jellal lhe dera uma dura. A mulher, agora comandante (em escalão mais baixo do que antes) do exército, esquecera de dar ordens diretas para seus subordinados, o que causou uma revolta dos habitantes ainda aflitos de Edolas, pela escassez (nula) de magia. Uma grande mancada, ela sabia, mas... Era humana! Errava. E muito.

Sim, era infantil ela estar chorando por isso. Muito. Ela sabia disso, ah como sabia. Mas como eu falei antes, não conseguia se controlar. Não era acostumada à palavras duras. Não gostava disso.

Agora, saindo dessas divagações, tenho que afirmar que ela começou a chorar ainda mais quando começou a chover. Pleno inverno, grandes pancadas. Estava sozinha, embaixo de uma árvore, chorando que nem tola. E ainda chovia, friamente.

Ah, eu mereço, ela pensou.

Talvez por seus pensamentos raivosos, ela não ouviu passos abafados pelas folhas que antes maltratara e pela chuva. Então, tanto foi seu espanto quando o homem se pôs na sua frente, que ela não pode controlar um grito.

Jellal, ou Rei Jellal, riu-se pela cena.

Erza corou, não pode evitar. Isso fez um sorrisos surgiu no rosto do outro, que se apoiou nos calcanhares e riu.

- Saía daí Erza, vai pegar um resfriado.

Erza murmurou, irritada e com vergonha.

- ... E pare de chorar.

Certo, ele não devia ter feito isso. Tal foi a revolta, a vergonha da mulher diante da percepção do homem que o que apenas ela fez foi lhe dar um soco, no meio do olho, para extravasar sua ira.

Jellal caiu no chão, com seu olho inchando.

E a mulher caiu na real.

- Ah! Desculpa senhor, desculpa mesmo...

Gaguejava. Jellal levantou-se, e para sua surpresa, riu.

- Tudo bem. Eu mereci.

Erza, ainda corada, engoliu suas desculpas e cruzou os braços, tentando parecer séria.

Percebendo a tentativa de parecer mais "adulta", depois de todo aquele escândalo, Jellal se aproximou da mulher e a abraçou. Não preciso explicar o motivo, pois nem mesmo eu sei. Ele apenas sentiu necessidade desse ato.

Erza, em contrapartida, ficou mais vermelha do que nunca, e não conseguiu retribuir. Percebendo isso, Jellal se afastou, mas apoiou suas palmas nos ombros da mulher. Ele sorria magnificamente, o que a fez perder-se em seu sorriso.

Ficou com cara de boba. Mas isso não importa.

Então, o homem se afastou. Antes de ir, porém, disse suas últimas palavras:

- Não fique braba por eu te dar sermão, senhorita Erza Knightwalker. Francamente, uma mulher tão dura, está parecendo um bebê.

E saiu antes de carregar qualquer arranhão, tamanha a raiva que a mulher ficou com aquela frase.

Mas, quando sozinha, Erza limpou as lágrimas agora secas do rosto, e sentiu-se feliz por estar naquela chuva fria. Não que fosse por causa da chuva, nem porque percebeu o quão infantil estava sendo, mas porque, pela primeira vez, ela sentiu-se bem por ser resignada.

O frio não importava. Ela, agora, naquele inverno, sentia-se estranhamente quente.