Alter:Ergo

1 Prologo: Navegue nas águas deste céu.


Notas iniciais
Este é um prologo bem curtinho. Um capitulo sera adicionado está noite.

Ele correu pela enorme praça aos brandos.

A roupa quase rasgada, o corpo ensanguentado, não o impediam de correr como nunca o fizera.

Por favor....Por favor....

Os transeuntes como sempre pareciam congelados naquela realidade. Onde os céus queimavam para ambos. Todos com o olhar baixo, seguindo em direção ao nada. Com seus rostos apagados. Como se fossem feitos de areia, se desfaziam sobre o próprio corpo.

As memorias se chocavam em sua mente. Pareciam flutuar em um lago profundo e turvo.

Como pudera? A culpa era sua. E agora todos morreriam por isso. Ela o faria por ele. Ela sempre pode morrer por ele.

Como ele pode fazer aquilo?

Ele olhou para cima, e viu.

A proa estava apontada para o solo, como uma munição gigantesca. O gigantesco navio parecia uma cria dos próprios céus vermelhos. Haviam milhões de linhas, que brilhavam um profundo vermelho, enroladas ao seu redor.

Para mover algo tão grande ela teria de estar conectada ao objeto.

Anne estava ali.

E mesmo que não estivesse, assim que ele saltasse para fora de Igar, ela estaria condenada. Os emissários de luz, a despedaçariam, com suas enormes foices de puro prata.

Ele já sentia sua mente latejar, as palavras de Ta-dizaum, ecoaram em sua mente.

Este lugar, é o recanto dos mortos. E se você passa muito tempo em suas posses, se torna um destes, perdidos no tempo.

Não importa. E continuou a correr em direção ao prédio.

Ele precisava tentar, não haveria tempo de subir ao topo de maneira convencional.

Teria de catalisar. Ser um morto, e então renascer ao mundo dos vivos.

Blake respirou fundo.

Mais fundo, precisava mergulhar mais fundo, naquele mundo dos mortos. Desejou.

E sentiu aquele ar ilusório vibrar.

Tenho de mergulhar mais fundo.

Sentiu as imagens que pareciam solidas, liquefazerem.

Isso é uma ilusão, não existe luz aqui.

A luz desapareceu de sua mente.

Apenas o tempo, existe.

O liquido de matéria, concreto, aço, e vidro, se tornaram partículas, se dissolvendo no ar. Abaixo dele se formava a profunda escuridão, a ausência total de realidade.

As partículas negras, brancas, e brilhantes, surgiram do ar, rodopiando ao seu redor em enorme velocidade. E com um estrondo, como o de um trovão, alçou voo em direção a ela.

Ele subiu rente a superfície reflexiva do prédio. Olhou para o vidro, e como sempre, a visão dos enormes chifres negros, fez seu estomago revirar. Não poderia manter aquilo por mais que alguns poucos segundos, por mais que a motivação fosse insuperável, a mente e o corpo estavam definhando. Mas nada disso importava agora.

Blake passou zumbindo pela proa, quase se chocando com a ponta proeminente. Sua força finalmente oscilou, ele se jogou com força contra o convés de madeira lisa, o som oco de seus ossos se chocando o fizeram gritar. Sem nenhum apoio possível, ou atrito, deslizou em enorme velocidade, tentou se dobrar como se buscasse atingir uma posição fetal, em vão. Seu medo se concretizou, quando atingiu a parede maciça do passadiço, sendo amortecido com seu lado aberto, o sangue jorrou, de onde antes só havia uma mancha escura. Uma de suas costelas pendeu para fora, como uma piada cruel dos deuses.

Ele se arrastou até a porta aberta, com lagrimas cristalinas se misturando ao sangue quente. Quando jogou a cabeça para dentro da escuridão.

Tudo que viu, foi um enorme emaranhado reluzente.

Os enormes fios vermelhos pareciam se enraizar na madeira e metal.

Anne estava ali.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.