Alta Fidelidade

2 Meu nada limpo passado


Notas iniciais
Olá pessoal! Espero que estejam gostando da história. Beijinhos! PS: Escutem a música, me inspirei nela.

Desempregada, endividada, moradora de um apartamento pequeno dividido com a melhor amiga testuda e com uma dieta pobre baseada em sorvete de morango e grandes quantidades de álcool. É assim a vida desta que vos fala.

E tudo isso graças a você, seu merdinha.

Ok, talvez não seja exatamente o único culpado do rumo fracassado da minha vida, mas você foi o ultimo a dar as caras por aqui, logo eu coloco a culpa em você. (Mesmo sabendo que isso tudo foi um processo longo e doloroso durante toda a minha vida amorosa, mas estou bêbada demais para fazer muito sentido, me desculpe, senhor certinho.)

Mas como disse o filósofo, você precisa conhecer o passado para compreender o futuro. Ou algo assim. Estou usando minha licença poética aqui.

Como todo filme de terror que se preze, minha vida começou bem normal. Do tipo de filme que você compra o ingresso, entra na sala e começa a assistir, mas com a leve sensação que entrou na sala errada pois tudo tá bonito demais, legal demais. Até estranhos acontecimentos surgirem na minha pacata vidinha. Sim, meus amigos. A famosa. A maravilhosa. A igualmente odiada: a puberdade. E tem coisa mais filme de terror que a puberdade? Se você conhece, me diga, amiga... pois eu não sei. E nem me venha falar “cartão recusado” ou “boleto atrasado”. Isso eu mato no peito, com a cara e a coragem e sigo em frente.

Mas, voltando à puberdade....

Nessa fase da vida, coisas idiotas começaram a ter perspectivas diferentes e os meninos que antes adoravam jogar coisas em você para te irritar e você odia-los, passa a ter um brilho diferente. Obviamente, os meninos da mesma idade continuavam idiotas, mas os ligeiramente mais velhos, esses sim... eram o santo graal. Minha primeira paixãozinha foi o Itachi. Ele tinha 18 anos e eu, 14.

Era algo puramente platônico, eu sei. Mas foi a primeira vez que achei atraente um cara de cabelos compridos. Aliás, foi a primeira vez que eu achei um cara atraente. Comecei tarde? Talvez. Mas conforme os capítulos seguirão, vocês verão que eu não perdi tempo.

Itachi era educado, gentil e eu queria dar meu primeiro beijo nele. Mas como eu logo fui compreender, a vida não sorri para mim e é óbvio que essa minha primeira experiência teria que ser desastrosa. Só fui dar um beijo em Itachi muito tempo depois, quando estava na faculdade e ele era meu professor. Opa, isso é mais pra frente.

Mas voltemos ao meu primeiro beijo. “My first Kiss was a little like this... and twist”

Todas as minhas amiguinhas já tinham tido a experiência delas e eu estava sobrando. Num meio competitivo que é a amizade feminina, óbvio que eu não queria ficar para trás e eu queria ganhar com honras esse desafio, ficando com a paixãozinha de todas as meninas da escola: Itachi Uchiha. Ele era do terceiro ano, fazia parte do time de vôlei e era uma delicinha.

Mas tinha um problema. Ele tinha namorada.

E a namorada dele era a coisa mais linda, eu não tinha a mínima chance dele olhar para mim com outros olhos, além dele me conhecer desde nova por sermos do mesmo bairro.

Mas eu era destemida. Eu tinha bolas. Eu iria dar um beijo em Itachi, nem que isso fosse a última coisa que eu faria.

Descobri que o Uchiha estaria atrás da escola por algum motivo e lá fui eu, toda trabalhada no gloss roll-on de tutti frutti com leves brilinhos e minha fiel escudeira Sakura à tiracolo. O problema era que minha fonte não havia entendido o Uchiha correto, me passando a localização do irmão mais novo, Sasuke.

Mas como eu não podia perder tempo e um Uchiha mais novo era melhor que Uchiha algum, fui pra guerra assim mesmo. É aquela história: se você não tem cão, caça com gato mesmo.

Estava o Sasuke junto com seus amigos, Chouji e Shino, assim como meu primo Naruto. Com toda minha coragem e de olhos fechados (pois eu não tinha tanta coragem assim, mas precisava fingir), agarrei a primeira coisa e colei meus lábios no outro.

Terminado o beijo, escuto um:

— Que delicia, parece sorvete de chiclete.

Abro o olho com medo do que poderia acontecer. Sasuke estava de olhos arregalados, 10 centímetros de distância de quem eu havia agarrado. Naruto estava agarrando a barriga de tanto rir. Shino estava segurando algo na mão, totalmente alheio ao meu pânico e adivinhe quem eu beijei?

Sim.

O gordinho comilão.

Aquele que estava mais interessado no sabor do meu gloss que parecia sorvete de chiclete do que no ato de beijar mesmo.

Como se não bastasse a loucura da situação, Shino mostra o que ele estava segurando.

— AAAAAAAAAAAAAH SAAAAAAAAAAAAAI FOOOOOOOOOOORA

Sim, eu sai correndo. E gritando.

Não necessariamente da barata, mas da situação.

Quando as pessoas começaram a olhar para mim, assustadas com minha loucura, gritei “barata”.

E foi assim, meus amigos, que eu dei meu primeiro beijo. Óbvio que fiz a Kátia cega e fingi que nada havia acontecido e três semanas depois, uma garota nova entrou na sala e ela era o par perfeito para o Choiji, sendo o primeiro casal a começar a namorar no grupo de amigos.

Eu deveria ter entendido naquele momento a minha missão de vida.

Eu era o caminho, a verdade e a vida.... dos outros encontrarem seus pares perfeitos.

Itachi se mudou de cidade para ir para a faculdade e com ele, minha paixãozinha de morenos de cabelos compridos se esvaiu, até Neji cruzar meu caminho. (mas isso é mais pra frente)

Então, para você entender bem direitinho: você não foi o único babaca na minha vida. Inclusive dá pra fazer uma lista dos maiores canalhas que cruzaram meu caminho e você nem estaria nesta lista.

Mas voltando...

Depois que o primeiro beijo rolou dessa forma desastrosa, eu queria fazer as coisas diferentes, queria focar nos estudos, queria ser a melhor aluna. E para isso, precisava vencer uma batalha: a matemática.

Por isso, meu pai contratou um professor particular para mim. Ótimo, não? Até eu me “apaixonar” por ele igual no filme “Meninas Malvadas” e ficar mais burra ainda, pois só conseguia pensar em quão bonito era o Iruka. Ele tinha a mesma idade que o Itachi e eu já estava nos meus 15 anos recém completos, me sentindo a mulher. Coitada. Mas depois que eu ganhei um beijo escondido como pagamento de uma promessa em tirar uma nota relativamente boa em uma prova (o que a gente faz pra conquistar nossos objetivos, não?) eu já não queria mais saber de professores ou de livros. Em bancos de trás de carros, a caminho de cinemas... não me importava. Eu queria era beijar... E olha, eu beijei mesmo. E era ótimo.

Durante meus 15 anos e os próximos que se seguiram, até aparecer o Deidara, foi uma sucessão de desastres amorosos que nem devem ser citados por aqui. E sempre a mesma regra se aplicava: me apaixonava perdidamente por algumas semanas, conseguia o que eu planejava, me frustrava, “terminávamos” e logo em poucos dias/semanas, ele desfilava com outra, com toda a felicidade do mundo.

Tô falando, eu tinha essa missão. Eu era uma espécie de casamenteira. À minha moda, é claro.

Com vontade de exorcizar meus demônios, dar adeus à marinheiros e soldados tatuados e babacas em geral, me mudei de cidade para cursar faculdade com minha melhor amiga testuda. A desgracinha de cabelo cor de rosa havia passado em medicina e eu, letras.

Não que esse era o meu objetivo de vida, mas como eu era apaixonada por literatura, decidi fazer Letras. Nem passava pela minha cabeça me tornar escritora, eu só queria ter uma livraria e sair da casa dos meus pais.

E foi entre os prédios de humanas que eu conheci Deidara.

Notas finais
E aí, o que estão achando? Cada capítulo terá uma musica inspiradora. Beijo!