Already Home

7 Capítulo 7


Os dois só puderam conversar sobre tudo o que havia acontecido na manhã seguinte.

Blaine preparou o café da manhã e o levou na cama, o que provocou risos deliciosos em Kurt. Como ele pôde um dia achar hábitos como esse algo exagerado e desnecessário? Depois de um tempo afastado, ele notava como cada pequeno detalhe, por mais bobo que fosse, fazia falta pra ele.

– Parece delicioso! – Kurt agradeceu e puxou Blaine pra mais perto dele. Ficaram aninhados.

– Caprichei, afinal, já faz um tempo que não preparo o seu café da manhã – Ele sorriu e deu um beijo na têmpora de Kurt, que virou-se para olhá-lo de frente.

– Acha que já podemos conversar?

– WOW! – Blaine parecia ter se dado conta de toda a situação que os envolvia – Tudo bem, não vamos poder adiar a conversa por muito tempo, né? – No fundo, ele tinha medo de que uma nova conversa pudesse estragar o que eles tinham vivido durante as últimas horas.

– Eu queria começar te agradecendo, por não desistir do seu projeto e principalmente, de nós dois. Tudo aquilo que você disse ontem, na Rádio Kiss, teve um valor muito grande pra mim.

Blaine sorriu aliviado.

– Você ouviu o álbum?

– Vim ouvindo durante a viagem, mas eu só precisei de uma música pra decidir vir pra cá.

– E essa é uma mudança definitiva? – Blaine perguntou, esperançoso.

– Ainda não posso fazer isso. Ainda tenho compromissos em NYC e não posso largar a minha vida lá, preciso pensar.

– Tudo bem –Blaine relaxou – mas então, por que você veio?

– Eu vim lutar por nós! – Kurt sorriu, enquanto pensava na melhor forma de dizer tudo aquilo que estava sentindo – Prefiro pensar nas coisas com você ao meu lado. Vim acompanhar essa nova etapa da sua vida e te fazer um carinho de vez em quando – ele riu e continuou –Consegui uns dias de licença no trabalho, vou precisar continuar atualizando meus colegas com os assuntos da revista, mas posso fazer isso a distância por uns dias. Enquanto isso, vamos repensar a nossa situação e tentar encontrar uma solução diferente para o nosso problema. Tudo bem pra você?

– Tudo ótimo, vou adorar a sua companhia! – Blaine roubou um selinho rápido, porque Kurt precisava continuar a falar.

– Nunca tive tanta certeza do meu amor por você como no tempo que ficamos separados e senti que era a minha vez de te pegar de volta pra mim – Kurt sorriu, divertido e retribuiu o beijo que havia interrompido.

– Você sabe que eu fui sempre seu, não deixei de ser nem por um minuto durante esse tempo que ficamos separados.

Eles se amavam imensuravelmente.

(...)

– Como Los Angeles tem te tratado? Me conta tudo! – Kurt perguntou, enquanto andavam pelas ruas da cidade, numa manhã gostosa, ambos de óculos escuros e tomando sorvete.

– Bom, imagino que você tenha notado que a cidade é incrível. – Kurt concordou – Nunca tive dúvidas sobre isso, mas viver aqui é uma experiência única! Eu me adaptei muito bem a tudo: ao clima, às pessoas, às novas oportunidades que ganhei. Nem em Ohio as coisas pareciam acontecer tão magicamente quanto aqui. – Blaine deu de ombros e Kurt riu da constatação. Blaine sempre foi muito sortudo, ao menos em comparação à sua própria sorte – Mas hey, não ria, eu também precisei me esforçar pra que a magia durasse, tá bom? – Isso só fez Kurt rir mais – Se eu tivesse me abatido, eu poderia não ter nada disso hoje! Me considero muito sortudo por tudo o que aconteceu, mas acho que eu mereci! – Blaine piscou.

Kurt brincou levando as suas mãos ao rosto em sinal de inconformação.

– Só não destaco sua arrogância nesse momento porque eu sei que você não está mentindo as dizer que se esforçou para ver tudo acontecer – Kurt ficou de frente pra Blaine e levou as mãos a envolverem seu pescoço, num abraço distante – Você aproveitou as oportunidades direitinho e agora tem tudo pra estourar e ficar famoso e ai meu Deus eu tenho um noivo famoso! Como vou lidar com todos os holofotes, paparazzis e menininhas apaixonadas por você?

– Quer dizer então que eu sou seu noivo de novo?

– Você deixou de ser alguma vez?

– Não mesmo.

– Foi o que eu pensei.

– Podemos lidar com a fama mais tarde?

– Continuamos toda a conversa mais tarde! – Kurt se afastou, tomou a frente e saiu andando. Blaine vinha logo atrás e quando ele o alcançou, Kurt quis saber: – Quais são os seus compromissos de hoje?

Kuuuuuurt!

– O que foi? — Kurt indagou-se, ironicamente, percebendo que Blaine não queria saber de compromissos profissionais naquele dia — Você precisa continuar cumprindo a sua agenda, seja comigo aqui ou comigo em NYC, você agora é uma celebridade! — Blaine cedeu, aos poucos. — E enquanto isso, eu preciso voltar pra casa e encontrar um lugar para usar o computador, o telefone e cumprir os meus compromissos com a revista.

Blaine o pegou pela mão e voltaram para casa. Chegando lá, ele apresentou a Kurt o escritório.

Numa das pratileiras da estante havia uma pilha de revistas Vogue, que atraíram a atenção de Kurt quase no primeiro instante em que abriram a porta. Ele não perguntou, mas sabia que Blaine estava bem atento às tendências da moda no último ano.

*

E assim seguiu-se durante o resto do dia, Kurt cuidando de seus afazeres e Blaine cumprindo sua agenda de divulgação do álbum. Mais tarde, combinaram de se encontrar num barzinho, onde Blaine faria uma pequena apresentação à amigos e executivos da gravadora para comemorar o sucesso dos primeiros dias de lançamento do álbum.

Blaine apresentava Kurt a todos os presentes com um sorriso aberto estampado no rosto, Kurt acompanhou o ritmo do noivo, não foi fácil. Blaine era naturalmente ligado no 220w e acompanhar essa potência exigia de Kurt um esforço triplicado de sua real disposição.

Quando o casal se aproximou de June, ela trocou um olhar singelo com Blaine, como quem se comunica sem dizer uma única palavra. Os dois estavam radiantes. Kurt interpretou os olhares como um gesto de felicitação pela retomada do relacionamento. Ao abraçar Kurt, June discretamente comentou um “Você é um rapaz de sorte. E ele também é. Cuidem disso!”

Kurt nada fez além de agradecer pelo que ela havia proporcionado à Blaine e abraçá-la forte para recompensar as palavras ditas.

Chegaram em casa esgotados, Kurt estava com dor no maxilar de tanto sorrir para desconhecidos. Enquanto isso, Blaine só parecia estar mais completo do que nunca.

Os dias se passaram e Kurt foi aprendendo a dividir seu tempo entre conhecer os pontos turísticos e lugares mais legais da cidade ao lado de Blaine, continuar escrevendo seus ensaios, reportagens e textos para a revista e acompanhar o noivo a alguns muitos eventos profissionais. Ele já estava se acostumando a sorrir abertamente e seu maxilar não doía tanto quanto no primeiro dia.

Ele sentia que poderia se acostumar a viver em Los Angeles, mas sentia falta de sua rotina em NYC, seus amigos, seu espaço. Ele ainda não estava preparado para tomar uma decisão, mas agora ele conhecia melhor as vantagens e desvantagens de ambas as cidades.