Already Home

8 Capítulo 8


Kurt estava confuso, e lhe restava pouco mais de uma semana para enfim decidir de vez o destino deles como casal.

O que ele já sabia é que independente do arranjo de cidades escolhido: juntos em NYC, juntos em LA ou ainda separados, eles estariam juntos! Não havia mais a possibilidade de um novo rompimento ou separação depois de tanto tempo desperdiçado.

Foi num desses últimos dias de estadia em Los Angeles que o destino enviou um sinal e Kurt tomou a sua decisão.

*

Kurt já havia se livrado dos afazeres do dia e aguardava Blaine voltar para casa fazendo sua série de exercícios. Enquanto isso a televisão estava ligada num programa de videoclipes, Kurt adorava se exercitar assistindo esses programas, era um de seus prazeres culposos.

Ele estava lá há cerca de vinte minutos, no meio de uma série de abdominais quando a programação começou a exibir um videoclipe de uma música que ele ainda não se cansaria de ouvir nunca.

You say love is what you put into it
You say that I'm losing my Will
Don't you know that you're all that I think about?
You make up a half of the whole

Kurt abandonou a sequência de exercícios para prestar atenção naquele filme de três minutos, mais uma vez. Na tela, a pessoa que ele mais amava, cantando, performando e despontando no universo da música com uma canção dedicada à ele.

Parecia um conto de fadas moderno. Ele não podia esconder o orgulho que sentia.

You say that it's hard to commit to it
You say that it's hard standing still

Mas por que ainda era tão difícil se comprometer de uma vez, afinal? Por que era tão difícil tomar uma decisão? Nesse momento, Blaine adentrou a sala e se aproximou devagar de um Kurt paralisado prestando atenção em tudo ao redor menos na televisão, ou sequer, na presença dele. Blaine abriu a boca e ao invés de chamá-lo ou alertá-lo, ele cantou:

Just know that I'm already home.
Just know that I'm already home.

O mundo de Kurt finalmente girou. Ele já estava em casa. Ele ia ficar em Los Angeles!

*

Kurt precisava decidir como e quando daria a notícia para Blaine.

Ele queria tornar a revelação um grande ato romântico, mais uma vez, era a vez dele.

Os anos de convivência com Blaine tinham aflorado o lado romântico de Kurt. É claro que na maioria das vezes, ele era surpreendido por Blaine, que tornava os seus esforços, meros pequenos gestos, diante das serenatas, performances, surpresas e agrados. Logo ele, que sempre se considerou um romântico incurável, foi se envolver com um romântico incurável que nem a ponto de considerar-se romântico chegava. Kurt não tinha do que reclamar, porém.

Por essas e outras, chegara a hora de Kurt surpreender Blaine.

O plano era simples, ele não queria se expôr muito, tampouco se conter demais, então, reservou aquele mesmo espaço que conheceu nos seus primeiro dia em Los Angeles, onde Blaine comemorou o sucesso do lançamento de seu álbum. Naquele espaço, ele reuniria amigos, representantes da gravadora, June, em suma, todos aqueles que estiveram presentes nesse último mês e que tranformaram Los Angeles num espaço agradável, facilitando a sua escolha final.

Kurt tomou o cuidado de não vazar informações no bar também, para o ato ser uma surpresa também para todos os presentes. Ele faria uma declaração de amor.

Na noite escolhida, as pessoas convidadas estavam chegando aos poucos, pedindo explicações sem as receber. Em anos de experiência com performances ao vivo, ele nunca estivera tão nervoso como agora.

O momento aproximava-se e ele tinha o discurso automático grafado em sua mente. Era tudo aquilo que estivera pensando durante os últimos dias e agora, já com a decisão tomada, tudo parecia natural.

Ele não diria uma palavra que não partisse direto de seu coração.