Already Fallen
7 A casa do mestre
Notas iniciais
–Se quiser, pode ir, mas não crie muitas espectativas ta meu bem? Goldensmith é faculdade de renome, e as chances de passar são...
–Eu já entendi mãe, não sou tão esperta quanto Frederick- eu disse impaciente.
–EU NÃO DISSE ISSO LUCIANA! Que mania essa e você se comparar com seu imão! Além do mais, de que vale uma faculdade de artes? Quando se formar será o que? Uma inútil com certeza, essa profissão não lhe dará bons empregos e- eu a interrompi.
–EU VOU PAGAR COM A MINHA MESADA OK? Tchau! To indo pra aula particular!
–COMO ASSIM? O COMBINADO ERA DAS AULAS SEREM AQUI LUCIANA!-
Ela gritava mas já não poderia surtir efeito, visto eu que já havia tomado a biscicleta e pedalava com a maior velocidade que uma biscicleta permitia.
A culpa não era minha, Daniel realmente não poderia vir até minha casa, o médico havia ordenado repouso absoluto em razao de seu pé o qual apenas piorei ao fazer curativo ou tentar qualquer outra coisa.
Bati na porta da casa, um tanto receosa, uma senhora de cabelos loiros atendeu, não pude deixar de notar a cor de seus olhos, eram de um azul marinho misterioso e sedutor, quando falou percebi a semelhança entre a voz de Daniel e ela, com um toque de mãe, um sorriso preencheu meu rosto naturalmente.
–Você deve ser Luciana, entre querida, Daniel está a sua espera no segundo andar. –
–obrigada senhora...-
–Grigori. Mas pode me chamar de Aurora, sou mãe de Daniel, muito prazer. Agora suba ele ainda espera, ultima porta a esquerda, mais tarde levo suco e biscoito. – dirigi-me escada acima observando a decoraçao, moderna e muito bonita, tudo em seu perfeito lugar exceto por uma fralda de pano jogada no sofá e alguns brinquedos ao redor, o que me fez especular se Daniel havia irmãos.
Minha resposta viria logo a seguir, quando abri a porta do quarto e lá estavam três crianças sujas de lama rindo e se jogando em cima de Daniel, o qual se encontrava deitado na cama com o pé enfaixado, rindo frenéticamente como as crianças. A cena era estonteante, contudo assim que as crianças me viram as bricandeiras cessaram e tudo ficou quieto por meio segundo e jurei ter visto Daniel corar neste intervalo de tempo, mas antes que pudesse sequer pensar a respeito senti o baque das crianças ao esbarrarem bruscamente em mim ao correr quarto à fora.
–Elas são... um tanto selvagens não? –
– É... eu sei, elas são como três cachorrinhos ficam simplismente loucas quando temos visitas. Acho que podemos contar isso como parte da minha vingança. – Daniel riu, e fitou-me com aquela expressao que somente ele, e aparentemente eu, éramos capazes de reproduzir. Sua sombrancelha esquerda levemente acima da direita, e seu meio sorriso, fizeram meu coraçao palpitar. Fiquei furiosa por conta disto.
–Vingança? Como assim? se vingar de que afinal?! – Ele riu de minha atitude e apontou para o pé enfaixado, soltei um gemido de cansaço e deitei-me no sofá do lado oposto do quarto e completamente sujo de lama enquanto ouvia Aurora gritar com os trigêmeos.
–Quantos anos eles tem? – perguntei sem pensar.
–Quatro e meio, fazem 5 em outubro,no Halloween para ser exato. – sorri com a ironia do destino.
–Quando você faz aniversário? – perguntei.
–Na pascoa. – respondeu ele sem rodeios, notei que ele raramente detalhava alguma coisa e dizia somente o necessario ou o que lhe era conveniente. Uma caracteristica irritante eu diria.
Prestes a formular uma nova pergunta Daniel me interrompeu no meio da minha linha de raciocinio.
–Você não veio aqui para saber da data de aniversário de cada membro da familia não é? Então, pra que precisa dessas aulas? – ele indagou.
–Quero ir para a faculdade claro, pretendo entrar para Goldensmith! – eu disse um tanto energética, e Daniel baixou a cabeça tentando abafar um riso. Por fim disse
–Certo, certo, então quais sãos as matérias que caem na prova de seleçao? – perguntou cruzando os braços.
–Prova de seleçao? – eu disse intrigada, Daniel levantou a sombrancelha esquerda e deu sua melhor risada de escárnio e enquanto um meio sorriso se formava em seu rosto deixou escapar bem baixinho, mas não baixo o suficiente.
–o que esperar de uma inútil-
Suas palavras foram fortes e grosseiras, mas o tom no que foi dito, fora tão doce e suave que fez-me corar instantaneamente.
Fale com o autor