Already Fallen
9 Mestre e delinquente em parceria
Quando Daniel virou para trás, viu Luciana se levantar e ser escoltada para fora do pátio pelo de garotas mais neuróticas da escola. Elas tinham o costume de dizer que Daniel era de todas, por isso nao devia ser de ninguem, Gabi passou por maus bocados por conta disso, mas por algum motivo, foi deixada em paz (talvez elas tenham percebido que a relação de Daniel e Gabi nao era nada alem de beijos quentes na aula de ed.fisica).
Luciana saiu com um sorriso no rosto, que Daniel interpretou como sendo nervosismo e medo, ele sentiu como se uma corrente eletrica atravessasse seu corpo da cabeça aos pés. Ele precisava ajudá-la, precisava proteje-la, era seu dever.
Ele se levantou mas por influencia dos amigos sentou de novo. Tentou o maximo que pode, mas desviar seus pensamentos de Luciana mostrou ser uma tarefa impossivel. A imagem de Luciana sofrendo tomou sua mente com uma facilidade sobre-humana, por mais que fosse só imaginação, seu choro, seus gritos ecoavam na mente de Daniel, e ele sentia dor fisica em cada musculo, em cada célula. Era como se ele ja tivesse visto aquela cena um milhao de vezes, mas como isso era possivel?
Ela nao é ninguem para voce, voce mal a conhece, deixa isso pra la, isso acontece com todas as novatas, ele repetia para si, tentando nao se envolver. Nao é preciso dizer que seus esforços foram em vao. Quando deu por si, já estava de pé e se dirigia ao corredor para onde Luciana havia sido "sequestrada". Sentiu seu peito arder, sua cabeça latejava e seus olhos ardiam, supreendeu-se ao perceber que o terror o havia dominado.
Parou e se encostou na parede, ao lado da porta do clube de canto. Nao conseguia respirar e a dor em seu tornozelo se estendia agora à toda sua perna, impedindo-o de prosseguir. Sentou-se no chao, derrotado, e ficou ali por alguns minutos, curtindo o amargo sabor que o desespero deixava em sua boca, até uma voz masculina quebrar sua inércia:
-É serio? Voce pretende salvá`-la daqui?! Graande herói! — Daniel levantou os olhos e viu Cameron sentado a beira da janela aberta. Seu sorriso arrogante irritava Daniel, ele entao levantou a mão com um desenho de um sorriso desenhado nela, isso tirou Daniel do serio, ele tentou avançar no pescoço de Cameron, mas a dor nao permitiu. Cameron riu, pulou como um gato para dentro da escoola e encarou Daniel nos olhos, bem de perto, quase encostando seu nariz no de Daniel.
-Voce nao vai levantar? O grande Daniel, que sempre estaria lá, vai deixar sua princesinha sozinha? Que piada!
-VA SE FERRAR! — Dizendo isso, Daniel chutou o peito de Cameron que caiu para trás, soltando todo o ar dos pulmoes e caindo violentamente com os quadris no chao. Daniel se levantou tremendo de dor, e por mais que seu corpo desse todos os sinais, seu rosto nao possuia nenhum semblante de dor, exceto por uma ponta de angustia aparente no roxo acinzentado que seus olhos haviam adquirido.
-Que maal!, disse Cameron sorrindo e se levantando, Vamos garanhão — Ele levantou e seguiu pelo corredor em busca de Luciana, mas Daniel permaneceu pregado ao chao, a dor nao havia cessado, na verdade, havia se intensificado. Era impossivel prosseguir, e por mais que sentisse ódio em deixar Luciana nas maos de Cameron, nao podia deixar de sentir um certo alivio. Luciana receberia ajuda.
Ao perceber que Daniel nao se movia, Cameron voltou, tocou no ombro do menino e instantaneamente a dor passou, o corpo de Daniel parou de tremer e ele sorriu aliviado.
-Daniel, Luciana aguarda por voce. - O sorriso de Daniel dobrou de tamanho, a raiva se esvaiu, ele olhou para Cameron, tocou amigavelmente em seu ombro e disse:
-Sim, eu sei.
-Vamos!
Eles correram por toda a escola, por todas as salas, com professores ou nao. Ignoraram as advertencias por estarem fora da sala, por mais que aquilo fosse costume para Cameron, Daniel nao estava acostumado a perder aula, ele era o aluno exemplar, mas a situação era diferente.
Como nao encontraram Luciana dentro da escola, resolveram procurar por fora, sairam da escola pulando o muro como dois deliquentes, bem Cameron era um, e Daniel aprendia rapido. Descobriram um galpão abandonado atras da quadra da escola, ao se aproximarem ouviram uma mulher chorar e pedir perdao.
Se Daniel estivesse em seu estado normal, analitico e pratico, teria percebido tudo o que acontecera, mas estava tomado pelas emoções. Sem pensar correu e abriu as portas do galpão. Subitamente a tensao deixou seu corpo e relaxou seus musculos, em seguida veio a surpresa acompanhada pelo medo, deixando tudo tenso de novo. Atras dele somente o riso de Cameron. Em um instante, o olhar de Luciana.
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