Already A Part Of Him
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Quando terminarem de ler, me digam o que acharam por favor!
Esse capítulo é narrado pelo Ryan.
Such a lonely day
and its mine
the most lonely day of my life.
Eu não sei nem que dia é hoje ou se eu tinha que ir trabalhar, eu só sei que está nublado e chuvoso e que eu odeio dias assim. Nesses dias eu não posso sair e deitar na grama do parque sem fazer absolutamente nada o dia inteiro. Deitei no sofá e liguei a TV, deixando em qualquer canal idiota. Olhei pra cima e suspirei. ''Merda.''
Acabei adormecendo. Os pesadelos não me deixavam em paz. Tudo o que eu queria era acordar, mas não conseguia. Eu me debatia e gritava, esperando que alguém me salvasse, me tirasse dos sonhos perturbados e que dissesse que estava tudo bem, mesmo não estando.
De certa forma, isso aconteceu. O interfone tocou e eu consegui acordar e atender assustado. Era o porteiro do prédio, checando se eu estava bem porque um vizinho ligou reclamando do barulho. Disse que estava tudo bem, que era apenas e TV. Ele concordou e desligou. Imediatamente, o telefone tocou.
Atendi, meio irritado.
''Que foi?'' perguntei grosseiramente.
''Que gentileza a sua, sr. Ross.'' disse meu chefe, Nick Smith. ''Eu só gostaria de saber por que o senhor tem faltado e deixar-lhe ciente de que se não vier amanhã está demitido.''
''Foda-se, eu não vou amanhã. Estou demitido.'' e desliguei na cara dele.
Eu não gostava de Smith. Só aceitei o emprego de produtor e mixador de áudio para sua gravadora porque estava desesperado. Um garoto novo em Nova York, sem emprego, sem família ou amigos e sem dinheiro. Não tinha escolha. Foi lá que eu conheci Arthur e foi lá que ele me abandonou. Continuava lá apenas porque tinha esperanças que ele voltasse. Depois de um tempo, deixei de ser besta e cansei de produzir bandas falsas e vazias e parei de ir trabalhar.
Voltei para o sofá e deitei. Mudei de canal e começei a ler um livro qualquer, mas não prestava atenção em nada. Meus pensamentos voltavam-se para Arthur, o único que amei em minha vida e ao mesmo tempo, quem conseguir terminar de destruí-la.
Balancei a cabeça, tentando livrar-me desses pensamentos. Olhei para o céu, pela janela. Estava escuro, a lua e as estrelas já tinham tomado seu lugar no breu infinito.
A vontade de beber estava me matando, afinal fazia dias que eu não não saía de casa. Troquei meu pijama por um jeans rasgado e camisa preta e dirigi para algum barzinho qualquer da cidade. Achei um que parecia relativamente mais agradável. Entrei, pedi uma garrafa de vodca e bebi. Quando esta acabou, pedi outra e assim sucessivamente até estar bêbado demais para até mesmo lembrar-me de quem era. Agarrei a primeira garota que vi e levei-a para um motel. Passei umas duas horas com ela, de prazeres vazios e entorpecidos. Depois de passar o resto da noite vomitando voltei para meu apartamento no fim da madrugada e dormi até o fim da tarde.
E essa rotina fria e vazia se repetia todas as noites, nunca com a mesma garotam sempre procurando sentir algo além de tristeza e solidão.
Numa tarde qualquer, decidi arrumar um emprego, mesmo que fosse temporário, a fim de bancar minhas bebidas, cigarros e motéis.
Abri o guarda roupa e coloquei as roupas mais arrumadas que achei: jeans, all star e coletes pretos e uma camisa branca. As roupas estavam amassadas mas não liguei. Fui para a cozinha, tomei um gole de café e saí.
Passei a tarde inteira fora. Andei pela cidade toda e telefonei para todos os telefones dos anúncios de empresgos que via, mas minha expressão cansada, triste e desanimada não encorajava ninguém a me empregar. Voltei pra casa umas 7 horas da noite.
Não queria nem mesmo beber.
Logo depois de sair do elevador ouvi um barulho atrás de mim. Olhei e vi que era apenas um vizinho, um rapaz jovem e bonito, saindo de seu apartamento. O rapaz deu um sorriso meio forçado e disse boa noite. Apenas balancei a cabeça positivamente e entrei em meu próprio apartamento.
No dia seguinte, voltei a sair para procurar emprego, mais desanimado que nunca. Andei um pouco e comprei um sanduíche. Sentei num banco do parque e acabei perdendo a noção do tempo, até que começou a escurecer.
Decidi andar mais um pouco peça Avenida, só para passar o tempo. Depois de uns 15 minutos andando parei em frente a uma gravadora. Era uma construção que parecia ser pequena. Tinha as paredes vermelhas, uma porta simples bem envernizada e uma grande janela de vidro, escrito o nome e logo da gravadora. Embaixo disso, estava colada uma folha sulfite com os simples dizeres ''Contrata-se mixador de áudio''. Estava tudo escuro mas mesmo assim resolvi tocar a pequena campainha escondida do lado da porta. Uma luz acendeu-se lá dentro e um jovem abriu a porta. Fiquei surpreso, levantando as sombrancelhas e o jovem também.
O garoto que atendeu a porta era o seu vizinho, o mesmo que vi sair de seu apartamento na noite anterior.
''Sim?''
''Meu nome é Ryan Ross. Vim pelo anúncio.'' e apontei para a folha no vidro.
''Ah, claro. Entre.'' com um sorriso, deu espaço para Ryan entrar. ''Meu nome é Urie. Brendon Urie.'' e estendeu a mão. Apertei-a, dando de ombros.
Brendon guiou-me até uma sala no corredor. Prestei atenção no sala de espera bem arrumada, com dois sofás vermelhos e uma mesinha de centro com um bonito vaso preto e flores brancas.
A sala que entramos era pequena, mas aconchegante. Tinha um pequeno armário, uma poltrona e uma mesinha pequena ao seu lado, com um cinzeiro e revistas em cima. Do outro lado tinha uma mesa maior com um notebook aberto e ligado em cima, papéis bagunçados, lápis, canetas e algumas cadeiras.
''Lugar legal.'' disse, impressionado com o bom gosto do menino.
''Obrigado. Sente-se.'' ele apontou para duas cadeiras na frente da mesa maior. ''Então, sr. Ross, já trabalhou com mixagem?''
''Já. Saí do emprego há poucos dias e preciso de dinheiro.''
Começamos a conversar, primeiramente sobre trabalho e depois mudamos para muitos outros assuntos. Eu não conversava tão animadamente há muito tempo. Estranhei o sorriso largo e sincero que Brendon arrancou de mim e a risada verdadeira que dava com suas piadas sem graça.
''Nossa, é tarde!'' disse Brendon, olhando para o relógio de pulso. ''Quer carona?''
''Claro.'' Levantamo-nos juntos e fomos para o carro de Brendon, que estava estacionado em frente a gravadora.
Antes de ligar o carro, o garoto ligou o rádio. Estava tocando All You Need Is Love, dos Beatles. Começou a cantar junto e percebi que voz linda ele tinha.
O elevador parou e nos dois saímos de lá rindo.
''Bom... até amanhã, Ryan.'' o garoto olhou para os próprios pés, sorrindo timidamente.
''Até amanhã, Brendon.'' disse e dei um beijinho na bochecha do meu mais novo e único amigo, que ficou vermelho.
Cada um entrou em seu apartamento.
Estava totalmente sem sono ou vontade de sair. Fiquei pensando em Brendon. Era tão fácil conversar com ele, não precisava fingir nem usar a irônia pra se livrar dele, justamente porque não queria. Ele era doce e parecia estar magoado e passando por dificuldades também, dava pra perceber a tristeza dele se olhasse bem fundos em seus olhos.
Quem sabe, eu não precisasse de bebida, cigarros e garotas pra sentir alguma coisa, só precisava da amizade de Brendon.
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