Notas iniciais
Olaaar! Quanto tempo não é mesmo? Como diz o capítulo: ESTAVA COM SAUDADES! Então gente. Mais de um ano que não atualizou a história e fico muito mal por isso, mas vocês têm que entender que não é fácil escrever. No meio de faculdade, greve, falta de inspiração, falta de tempo, falta de motivação e escrevendo outras histórias, acabei deixando essa um pouco de lado. Eu sinto muito por isso, de verdade. Mas o que importa é que estou de volta e agora vai ficar mais fácil pra mim, pois é só reescrever os capítulos. Eu tive um travamento com esse capítulo por ser totalmente inédito, então ficou BEM mais difícil de escrever. Eu só tenho desculpas a pedir a vocês e agradecer a todos que ainda estão acompanhando a fanfic e que ainda não desistiram dela. Muito obrigada de verdade, vocês são fodas pra caralho ♥ Aproveitem o capítulo! Ghost Kisses ~Marceline

Capítulo 17: Estava com saudades

Thalia

Se eu dissesse que estava tudo bem depois de tudo o que aconteceu com relação à minha família, eu estaria mentindo. Fingir que estava levando aquilo numa boa estava acabando completamente comigo. O que eu mais precisava era chorar litros sem ser incomodada.

Desde que meu pai faleceu, eu venho tendo sonhos sobre sua morte. Sonhos que me faziam viver momentos que eu não passei. Momentos em que meu pai morre diante dos meus olhos e de mil forma diferentes. Sonhos que me deixam acordada pelo resto da noite, após eu acordar de supetão sufocando um grito.

Pior mesmo é quando todo mundo resolve morrer em meus sonhos. As meninas, meus amigos de infância, minha mãe, os meninos e principalmente Jason. Eu sinto um nó na garganta sempre que penso na possibilidade de Jason morrer nos meus braços. Podemos ter nos conhecido a pouco tempo, mas já sinto que temos uma ligação fraternal boa e estável.

Mais uma vez, acordei de um desse sonhos horrorosos.

Sentei-me na cama de supetão, a respiração ofegante e meus olhos arregalados tentando se adaptarem à escuridão do meu quarto. Meu coração martelava forte no meu peito, me fazendo ter uma sensação estranha, um pressentimento ruim. Senti o suor correndo pelas minhas costas, mãos, testas e peito e por um segundo imaginei que poderia ser sangue. Olhei minhas mãos desesperada, vendo apenas o brilho do suor em minhas palmas.

Nada de sangue.

Soltei um suspiro aliviado, apertando as mãos um pouco antes de secá-las no lençol da cama. Olhei para o rádio-relógio em cima da minha mesinha de cabeceira, marcando 2 horas da manhã. Ainda com o coração apertado, peguei meu celular e passei a lista de contatos até chegar na letra “J”.

Levei o celular ao meu ouvido, murmurando constantemente “atende, atende, atende”. Depois de alguns segundos, a ligação caiu na caixa postal. Meu coração disparou mais uma vez e eu liguei novamente, suspirando aliviada quando Jason atendeu no terceiro toque com a voz grogue.

— Alô?

— Jason, sou eu. – eu disse sentindo meu coração se aliviando.

— Oi, Thals – ele disse, parando alguns segundos – Aconteceu alguma coisa?

— Não, eu só... – parei, engolindo em seco. O que diabos eu estava pensando quando liguei para ele? Eu tive apenas um sonho ruim, nada teria acontecido à ele. – Eu...

— Você? – sua voz soava preocupada. – Thalia, está tudo bem?

— Eu posso ir ai?

Ficamos em silêncio por alguns segundos, provavelmente Jason estava estranhando minha atitude.

— Tudo bem – ele disse parecendo extremamente preocupado – Vou te esperar na porta.

— Okay, até daqui a pouco – eu disse desligando o telefone.

Não perdi meu tempo, peguei meu roupão de caveirinha, colocando-o sobre meu pijame preto, coloquei meu celular no bolso do roupão e peguei minhas chaves em cima da cômoda. Calcei meus chinelos e desci correndo para a sala.

Em poucos minutos eu estava quase em frente a casa dos Betas. A rua estava escura, exceto por alguns postes iluminando o local. Apertei meu roupão contra meu corpo e andei mais rápido, vendo Jason na porta da casa olhando para o céu.

Não consegui me controlar. Assim que o vi, sai correndo em sua direção e lhe abracei apertado, quase derrubando nós dois. Jason me segurou pela cintura, meio sem saber o que fazer diante do meu repentino abraço.

Não demorou muito para que meus sentimentos quebrassem e eu começasse a chorar. Apertei mais o corpo de Jason contra o meu, sentindo-me aliviada pelo meu irmão estar vivo.

— Meu Deus, Thalia – ele disse me abraçando de volta.

Sua voz denunciava que ele estava preocupado e alarmado, provavelmente não sabendo o que fazer com relação à essa situação toda. Então, ele me puxou mais para perto e foi me guiando até o andar de cima após fechar a porta com cuidado atrás de nós.

Não me separei dele em nenhum momento. Eu precisava do calor do corpo de Jason para me sentir melhor. Eu precisava do consolo dele para saber que estava tudo bem. Eu precisava do meu irmão mais do que nunca.

Chegamos ao quarto dele sem acordar ninguém. Eu tentava ao máximo silenciar os suspiros altos e os soluços que eu estava tendo por conta do choro, mas era bem difícil. Ele me sentou em sua cama e depois sentou-se ao meu lado, acariciando meus cabelos emaranhados enquanto me abraçava de lado.

Ele não disse mais nada. Apenas esperou que eu descontasse toda a carga emocional nas lágrimas, me abraçando mais forte toda vez que eu voltava a chorar quase desesperadamente.

Eu estava com medo. Essa era a verdade. Estava com medo de todo o meu mundo escorregar entre meus dedos e eu não poder fazer nada. Não queria perder ninguém igual eu tinha perdido o meu pai. Eu tinha medo de perder alguém que eu acabei de ganhar.

Jason se desvencilhou de mim e saiu do quarto sem dizer nada, voltando minutos depois com uma caneca de chocolate quente e um pacote de Doritos. Fiz o meu máximo para sorrir em agradecimento, mas tenho certeza que saiu mais uma careta.

Tomei o chocolate e comi alguns Doritos enquanto Jason se mantinha um pouco afastado de mim. Eu queria estar sentindo o calor de seu corpo, mas preferi deixar isso quieto, afinal, ele poderia achar que não somos íntimos para esse tipo de coisa.

Jason secou algumas lágrimas remanescentes da minha bochecha, pois o pior já tinha passado. Já estava bem mais calma, mesmo ainda precisando muito de um calor corporal masculino.

— Melhor? – ele perguntou colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha.

Olhei para Jason, que ainda mantinha sua expressão preocupada, reparando no quanto ele parecia com a nossa mãe, porém, tinha os olhos do nosso pai, igual a mim. Respirei fundo e soltei o ar devagar, assentindo.

— Quer me contar o que aconteceu ou prefere que deixemos isso para outra hora?

Meu primeiro pensamento foi falar que não era nada demais e para ele deixar isso de lado. Porém, me sentiria um pouco culpada se eu fizesse isso, afinal, ele acordou de madrugada para me receber, fez chocolate quente para mim e ainda me apoiou em silêncio quando eu mais precisava. Eu devia uma explicação a ele.

— Eu tive... – pausei, tomando mais coragem – Sonhei que todos vocês tinham morrido... Sonhei que tinha perdido tudo... – eu dizia baixo, olhando fixamente para baixo e segurando as lágrimas. Voltei meu olhar para Jason. – Eu não quero te perder.

Ele pareceu espantado de início, mas logo sua expressão se suavizou e ele me abraçou apertado de novo.

— Nada vai acontecer comigo, você não vai se livrar de mim tão fácil assim – ele disse beijando o topo da minha cabeça – Eu entendo que isso tudo seja uma loucura, mas eu estarei sempre ao seu lado, Thals.

Controlei-me muito para não chorar novamente. As palavras de Jason tinham aliviado meu coração. Mesmo que o medo fosse constante, eu sabia que podia ficar em paz se soubesse sempre que ele estaria bem. Eu faria de tudo para mantê-lo sempre ao meu lado.

Ficamos alguns minutos em silêncio, que não era nem um pouco ruim ou constrangedor. Era um silêncio que demonstrava que ele respeitava meu espaço e meus sentimentos.

— Jason, eu posso... – comecei, meio receosa, mas ele me interrompeu rapidamente.

— Sim, tudo bem – ele disse sorrindo para mim e se deitando na cama, puxando a coberta para que eu deitasse ao seu lado.

Tirei o roupão e coloquei-o em cima da cadeira de rodinha dele. Então voltei para a cama e me aconcheguei ao seu lado, abraçando-o pela cintura enquanto ele mexia nos meus cabelos.

Quando eu tinha algum pesadelo ou me sentia mal, James fazia o papel do irmão protetor e da figura masculina que eu sempre precisava. Mas agora eu tinha Jason para fazer isso por mim. Para me dar esse carinho que eu preciso de vez em quando.

— Obrigada – eu disse baixinho afundando meu rosto ainda mais em seu peito.

— Saiba sempre que estarei aqui, Thals – ele respondeu, me apertando ainda mais contra seu corpo.

E com o calor reconfortante do corpo de Jason, consegui dormir novamente sem mais nenhum sonho ruim.

Katherine

Depois de ter começado a treinar, voltei com minha rotina de acordar antes das aulas para poder correr sossegada. Como a escola estava me sugando um pouco, eu não tinha muito tempo para sair para passear com Plue, então eu acordava mais cedo e corria com ele, que ficava muito feliz com isso.

Além do mais, era bom correr numa rua deserta e com o céu ainda meio escuro. Eu conseguia ver o nascer do sol enquanto estava na rua, então era realmente muito agradável.

E também era bom para eu colocar os pensamentos em ordem.

Talvez eu deva confessar que aceitei namorar com o Will por pura carência? Bom, fazia muito tempo que eu não tinha um relacionamento desse nível (na verdade, ele basicamente nunca existiu).

Vejam bem, eu tenho sérios problemas de autoestima. Então para um cara querer namorar comigo sem eu ter feito basicamente nada, era uma vitória na vida. E ainda por cima eu estou com um pé atrás nessa história toda. Não me culpem por me sentir assim. Eu realmente odeio, mas é algo que eu definitivamente não consigo controlar.

Como não tínhamos aula hoje de manhã por causa dos preparativos para o baile, acordei um pouco mais tarde que o habitual. Mesmo sem aula, íamos ter que ir para a escola por causa da bosta da detenção, que preferimos cumprir agora do que deixar para depois. Tínhamos que estar lá na escola às 10h para cumprir 1 hora e meia de detenção.

Ninguém merece.

Com isso, acordei era quase 7h, me dando um tempo perfeito para passear com o Plue até a hora de me arrumar para a detenção. Levantei-me, coloquei uma roupa para aguentar o friozinho ameno da manhã e desci para comer alguma coisa. Abri a porta dos fundos para que Plue entrasse, já que ele preferia ficar ao ar livre de noite do que dentro de casa comigo. Enquanto isso, coloquei alguns pães de forma na torradeira e espremi algumas laranjas para fazer um suco.

Eu tinha me distraído tanto com a preparação do café e com o celular que não reparei que Plue não tinha entrado em casa. Franzi o cenho e olhei para a porta, vendo que estava tudo calmo e tranquilo, como se não tivesse nenhum cão louco de quase meio metro de altura. Plue tinha crescido absurdamente rápido, não dava nem para acreditar.

Larguei tudo em cima da bancada e sai para o quintal chamando seu nome.

— Plue! Cadê você garoto?

Quando vi que ele não estava na casinha dele, um desespero começou a subir dentro de mim. Contornei a piscina, procurando em cada cantinho que ele pudesse se meter, mas nada do bendito me aparecer. Eu estava entrando em pânico. Eu não podia perdê-lo.

Conferi se o portão de madeira ao lado da casa estava trancado, o que estava, então ele não poderia ter saído para a rua. Entrei novamente em casa e sai procurando em tudo quanto era canto, com a possibilidade de alguma das meninas ou de James terem acordado mais cedo e colocado ele para dentro.

— Plue! – minha voz ficava cada a vez mais fina por conta do desespero que eu sentia naquele momento. – Pelo amor de Deus, amigão, onde você tá?

Chequei em todos os cômodos do andar de baixo, não me importando se as meninas ou James acordariam. Eu estava terminando de checar na sala de estar quando Annabeth e Piper desceram com caras sonolentas perguntando o que estava acontecendo.

— O Plue sumiu – eu disse estalando as juntas dos dedos por conta do nervosismo – Vocês colocaram ele para dentro?

Elas se entreolharam confusas e depois voltaram os olhares para mim, franzindo o cenho.

— Não – disse Annie – Não acordei de madrugada.

— Também não.

Meu coração acelerou. Um calafrio subiu pela minha espinha e eu segurei para não chorar. Plue virou uma parte de mim que eu não podia perder dessa forma repentina e sem sentido.

— Pelo amor de Deus, me ajudem a procurá-lo. – eu disse franzindo o cenho em desespero.

As duas assentiram e fomos para o andar de cima, procurando em todos os cômodos. Plue era grande demais para se esconder como Happy poderia fazer, então eu estava realmente desesperada.

Acordamos James, contamos o que tinha acontecido e ele começou a nos ajudar a procurá-lo.

— Mírian! – gritei sacudindo-a com força.

Ela resmungou algumas coisas em japonês e acordou com um olhar de quem iria me matar, mas apressei-me em dizer que o Plue tinha sumido. Sua expressão se suavizou e ela levantou devagar.

— Ele não está na casinha?

— Eu não estaria desesperada procurando se estivesse – eu disse e depois de pensar uns segundos franzi o cenho – Onde está o Happy?

Então ela finalmente se tocou que seu gato branco não estava enroscado em suas pernas. Ela levantou de supetão e saiu da cama, olhando debaixo dela e em todos os cantos do quarto que ele poderia estar.

— Ele não costuma de esconder – ela disse franzindo o cenho – Tentou chamar o Plue com comida?

— Não

— Então vamos fazer isso – ela disse firme – Se eles não aparecerem, tem algo muito errado.

Descemos as escadas correndo, indo para a cozinha onde guardamos as rações dos dois. Logo, James, Annie e Piper desceram também, dizendo que não tinham achado o Plue e que Thalia também não estava em casa.

— Abduziram nossos animais, não é possível – eu disse, obviamente me referindo à Thalia também.

Pegamos as rações e começamos a sacudi-las gritando o nome deles. Fizemos isso por toda a casa e depois partimos para o quintal quando não deu resultado nenhum.

— PLUE! – gritei em plenos pulmões sacudindo a ração.

Foi então que eu ouvi um latido vindo da casa ao lado. A casa dos Betas. Uma raiva começou a subir no meu interior. Se eles tiverem mesmo feito isso, eles estariam muito fodidos. Eles não vão sair impunes por roubar meu cachorro.

Sai correndo para a porta da frente da casa, deixando as meninas e James confusos. Nem me importei com o fato de que poderia acordar Sid no processo, apenas cheguei na porta da casa deles e comecei a socá-la, esquecendo-me completamente de que tinha uma campainha ao lado. Sim, eu estava possessa de raiva.

— Me devolvam meu cachorro! – eu gritava.

Depois de alguns minutos, Percy atende a porta apenas de bermudas, com uma cara impagável de sono e o cabelo totalmente despenteado. Passei por ele sem ao menos dizer uma palavra, olhando para todos os cantos.

— Eu deveria estar surpreso? – perguntou Percy esfregando os olhos.

— Claro que não, vocês roubaram meu cachorro! Era de se esperar que eu venha aqui bater na sua casa atrás dele! – eu disse com raiva. – Onde ele está?

— O que? Mas...

— Não me venha com inocência, Perseu! – gritei.

— Mas o que está acontecendo aqui? – disse Sid saindo do seu quarto. – O que está fazendo uma hora dessas aqui, Kat?

— Os seus queridos desmiolados roubaram meu cachorro e provavelmente roubaram o gato da Mírian!

Nisso, Piper, Annie, James e Mírian apareceram na porta da casa dos Betas, ao mesmo tempo que Nico, Luke e Leo desciam as escadas com caras amassadas de sono.

— Você! – eu disse apontando para Nico e sai correndo em sua direção, derrubando o idiota com uma rasteira e prendendo-o no chão com meu corpo.

Nico me olhou com os olhos negros arregalados, totalmente desnorteado com o que acabou de acontecer.

— Eu só vou dizer uma vez – eu disse ameaçadoramente – Onde. Está. Meu. Cachorro?

Eu estava tão entretida em ameaçar Nico que nem notei de imediato que Mírian estava discutindo com Leo por ter pegado Happy. Nico pareceu confuso de início, provavelmente por causa do sono, mas logo sua expressão se tornou maléfica.

— Acho que Plue gosta mais de mim – ele disse sorrindo – Para ter vindo rapidinho quando eu o chamei.

— Eu sabia – disse em um tom baixo e ameaçador – Agora diga onde ele está antes que eu faça você engolir seu próprio punho.

Ele pareceu se divertir com o que eu disse, mas quando viu que minha expressão continuava séria, seu rosto foi tomado por receio.

— Você não está falando sério, está? – ele perguntou com os olhos arregalados.

Para provar meu ponto, imobilizei um dos seus braços com o pé e peguei o outro com as duas mãos, fechando sua mão com força e levando-a até sua boca.

— Okay, okay! Já entendi que você não está brincando – ele disse alarmado. Aliviei a força em seu braço, mas ainda sim não o soltei. – Eles estão na oficina do Leo lá fora!

— Porra, cara! – gritou Leo. – Não foi isso que a gente combinou!

— E eu ia lá saber que ela ia me ameaçar desse jeito?

Sai rapidamente de cima de Nico, indo para fora de casa, seguida de perto por Mírian. Vimos a pequena construção do outro lado da piscina, então corremos para lá, ouvindo os latidos de Plue.

Quando abri a porta com toda a força, vi de relance Plue e Happy. De relance por que uma gosma verde e azul caiu sobre nossas cabeças. Parecia ser tinta misturada com muita cola. Para completar, purpurina e lantejoulas caíram em cima de nossas cabeças também.

Para a sorte daqueles idiotas, Plue e Happy tinham se afastado, então não pingou em cima deles, apenas nas patinhas. Virei-me lentamente, vendo todo mundo do outro lado da piscina rindo, Nico e Leo tirando fotos.

Eu ainda vou matá-los. Guardem essas palavras.

Mírian

A única coisa que passava pela minha cabeça naquele momento era matar aqueles dois filhos da puta.

Olhei para Kat, mas antes mesmo que eu pudesse falar alguma coisa, ela saiu correndo na direção dos meninos, que notaram que uma louca estava indo atrás deles um pouco tarde.

Ela conseguiu se jogar em cima de Nico e quando eles foram ao chão, ela segurou a perna de Leo, que tentou fugir, mas acabou com a cara no chão.

É por isso que eu amo essa menina.

Corri até lá para ajudá-la, pegando Leo pela gola da camisa e o olhando de maneira mortal.

— Qual é o problema de vocês? – comecei com raiva, a gosma pingando para todo lado, inclusive em Leo. – Não tem como vocês deixarem a gente em paz por um segundo? Puta que pariu.

— É divertido ver vocês putinhas – Leo comentou dando de ombros com um sorrisinho sínico.

— Seu desgraçado... – disse entre dentes pronta pra dar um soco na cara dele.

Porém, entretanto, todavia... Fui brutalmente interrompida por um par de braços ao redor do meu corpo, me tirando de cima de Leo. Logo senti o cheiro característico de Jason, então comecei a me espernear para que ele me soltasse.

— Me solta! Eu vou acabar com esse infeliz! – eu gritava, mas meus braços estavam presos contra meu corpo, eu não tinha muito o que fazer.

— Calma ai, Coelhinha – ele disse suavemente no meu ouvido, mas aquilo só serviu para me deixar mais nervosa.

— Caralho, Jason! Me solta!

— Não, temos uma coisinha pra vocês.

Então ele começou a andar, levando o meu lindo serzinho para dentro da casa. Eu tentava de todas as formas fazer Jason me largar, mas obviamente fracassei lindamente. Ouvia a gritaria entre Kat e Nico ali perto e parei de me debater assim que ouvi o som de alguma coisa caindo dentro d’água.

Ou melhor, de alguéns.

Kat e Nico tinham rolado e caído dentro da piscina.

Virei meu rosto, tentando ver a cena que se passava atrás de mim e comecei a rir. O que posso fazer? Amigas são pra isso mesmo, rir da desgraça das outras.

Consegui ver alguns dos Betas e das meninas tentando ajudar os dois a saírem da piscina, o que foi desatenção suficiente da minha parte para Jason finalmente me levar para dentro da casa.

Não me perguntem o que aconteceu, só sei que em um segundo eu estava me debatendo e no outro eu estava em uma cadeira sendo amarrada. Jason tinha me colocado em um cômodo que provavelmente eu nunca tinha prestado atenção que existia naquele lugar, enquanto Percy colocava Leo em uma cadeira de frente para mim. Os dois nos amarraram, as pernas coladas uma na outra e as costas nas cadeiras em que estávamos. Ou seja, não tinha como não olhar para Leo.

Eu obviamente comecei a gritar, já que era a coisa mais sensata a se fazer naquele momento. Porém, sabia que não iria ser socorrida, pois as traíras piranhas e desgraçadas das minhas amigas ajudaram os infelizes a nos amarrar nas cadeiras.

Quando dei por mim, Nico e Kat estavam na mesma posição, ao nosso lado, ambos pingando a gosma verde e azul por causa da água. O cômodo era completamente fechado, sem janelas e com apenas uma porta. Ele era pequeno demais, fazendo com que minha perna relasse na molhada de Nico.

— Agora vocês vão ficar ai um tempinho pra aprenderem a se darem bem – disse Sid fechando a porta, nos deixando num completo escuro.

Ouvimos claramente a fechadura sendo trancada. E foi ai que eu simplesmente quis morrer.

— Não acredito que vou ter que ficar olhando pra sua cara feia – resmungou Kat para Nico.

— Ah tá, sei – ele debateu com desdém. – Tão feia que você é louca para beijar de novo.

— Cala sua boca!

Então, como era de se esperado, eles começaram a discutir.

Virei meu rosto para o infeliz do ser humano que estava a minha frente. Ele estava um pouco sujo com a gosma, não mais que eu, obviamente. Seus cachos estavam grudados com aquela coisa colorida e ele olhava distraidamente para a discussão de Kat e Nico.

Quis bater nele por ser tão gatinho.

Repreendi o pensamento sobre a suposta beleza de Leo. Ele tinha roubado meu gato. Ele merecia ser torturado por milhões de felinos, isso sim.

Respirei fundo, soltando o ar lentamente antes de começar a remexer minhas mãos atrás das costas.

As meninas deveriam ter realmente esquecido que eu era escoteira. Eu tinha aprendido a me virar numa situação dessas. Além do mais, os nós deles eram péssimos. Em alguns segundos, meu tronco estava livre, a corda caindo em meu colo. Abri um sorriso ao passo que os outros três me olharam surpresos.

— Realmente não contavam com a minha astúcia!

Leo

Okay, okay. Eu sei que vocês devem estar pensando que nós quebrando uma trégua que tínhamos feito com as Alphas. Mas qual é! Estava tudo tão perfeito que parecia que o mundo estava pedindo para que fizéssemos uma pegadinha com elas.

Mais uma né?

O tempo que as meninas ficaram lá na nossa casa foi perfeito para Nico fazer amizade com o cachorro de Kat. Eles se davam bem e Plue parecia gostar bastante dele. Assim como o gato de Mírian tinha se afeiçoado a minha pessoa.

Então não foi nem um pouco difícil tirá-los de dentro de casa. Talvez a parte mais difícil tenha sido invadir a casa sem que ninguém ouvisse para pegar Happy, mas como éramos especialistas em invasão domiciliar, nos saímos muito bem.

Luke talvez tenha dado uma ajudinhas nas fechaduras, mas nós que fizemos o trabalho pesado.

Enfim.

Deu perfeitamente certo e foi maravilhoso ver a cara das duas.

Porém a felicidade não durou muito tempo. Claro que não durou muito tempo, tínhamos pregado uma peça em duas psicopatas.

Agora estávamos ali, presos em um quartinho que existia naquela casa para acumular bagunça. Prefiro me abster da forma brutal que fui arrastado para dentro daquele cubículo por Thalia. Já é perda de dignidade suficiente ter sido amarrado.

Preferi não ficar olhando para Mírian por mais que o objetivo dos idiotas fosse nos fazer ficar de boas. Aquela garota era um completo mistério pra mim. Eu não conseguia distinguir o nível de importância que ela tinha na minha vida. Sim, fiquei putamente preocupado quando ela fugiu de casa pra fazer merda com o Stoll. Eu fico preocupado com ela. Com certeza é uma preocupação apenas de amigos.

Também adorava vê-la putinha. Era cômico, não podia negar uma coisa dessas.

Depois de toda aquela tensão, fiquei impressionado quando ela conseguiu desfazer as amarras que tinham feito no tronco dela. Talvez tivéssemos um modo de sairmos de lá sem precisar que os babacas viessem nos resgatar.

— Como você conseguiu isso? – perguntou Nico tão incrédulo quanto eu.

— Puff. Me respeita, meu amor. Eu não seria uma escoteira de verdade se não conseguisse sair dessa. – ela respondeu com um tom convencido.

— E mais uma vez suas habilidades vieram a calhar – riu Kat – Te amo, troço.

— Eu sei – Mírian sorriu dando de ombros.

Então ela começou a desamarrar suas próprias pernas. Logo estava livre e foi logo soltar Kat. Mas, claramente, elas não nos soltaram. Não sei nem porque fiquei surpreso.

— Ei, vocês não vão soltar a gente? – perguntei assim que vi as duas examinando a porta.

— Soltar os embustes que jogaram uma gosma na gente e roubaram nossos animais?— perguntou Mírian irônica – Tá de sacanagem, né?

— Estamos no mesmo barco agora, soltem a gente. – exigiu Nico.

Kat se aproximou dele com uma velocidade impressionante. Ela segurou nas costas da cadeira e falou alguma coisa pra ele baixinho, que não consegui ouvir. Então empurrou a cadeira, fazendo com que Nico caísse de costas, amarrado e tudo. Confesso que me segurei pra não rir da cara de desesperado dele.

Kat definitivamente não teve que se segurar. Nem Mírian.

— Estou odiando isso. Sempre trago algum grampo comigo – resmungou Mírian depois de um tempo, quando ela fez o favor de levantar Nico, deixando-o amarrado a cadeira ainda. – Ache alguma coisa fina e dura, Kat. Precisamos sair daqui. Temos detenção, infelizmente.

Eu tinha me esquecido completamente daquela merda daquela detenção. Então subitamente eu dei graças a Deus por estar amarrado àquela cadeira.

Não sei quanto tempo se passou, mas deu tempo suficiente para Kat e Nico secarem. Mírian e Kat reviraram o lugar inteiro atrás de algo que pudessem abrir a porta, mas claramente não tinham achado nada. Enquanto isso, Nico e eu, esporadicamente, tentávamos convencê-las a nos livrar das cordas. É, nada comovia aqueles corações psicopatas.

Por fim elas desistiram, sentando em suas cadeiras e cruzando os braços. Estávamos mesmo presos.

— Eu odeio vocês – resmungou Kat, mexendo no cabelo endurecido.

A coisa que tínhamos jogado nelas estava secando, já que era cola, fazendo com que o cabelo das duas endurecesse. Tinha secado completamente, deixando placas coloridas nos braços, pernas e rosto delas. Eu e Nico também estávamos um pouco sujos e aquilo tava começando a pinicar minha pele. Sentia o incômodo dela.

— Agora vai colocar a culpa na gente? – perguntei cínico.

Nesse momento dei graças a Deus que Mírian estava do lado de Kat, pois ela com certeza iria me matar se não tivesse sido segurada pela amiga.

— Cala a boca – brigou Mírian olhando pra mim – A culpa é de vocês sim, então vão se foder.

O cômodo ficou em silêncio, pois Nico e eu sabíamos que tínhamos pedido por aquilo. No final, nem sabia mesmo se tinha valido a pena fazer aquilo.

— Olhem. A gente sente muito – começou Nico. – De verdade. Então por favor, pelo menos nos desamarrem.

— Sentem muito? – Kat quase gritou – Vocês têm sorte que Plue e Happy não foram atingidos. Não sei qual o problema mental que vocês têm em fazer essas merda.

— Somos homens. Homens são idiotas – eu disse tentando amenizar.

— Ainda bem que sabem, mas mesmo assim, vocês merecem ficar ai amarrados. – resmungou Mírian.

Então mais uma onda de silêncio se instalou no ambiente.

— O objetivo deles era claramente fazer a gente se dar bem ou algo assim – eu disse finalmente quebrando o climão.

— Bem possível, não acha? – disse Mírian sarcástica.

— Nós não precisamos nos dar bem – prossegui, ignorando o sarcasmo dela. – Eles só precisam acreditar que nos perdoamos e estamos a todo amores.

As duas se olharam, parecendo pensar a respeito do que eu tinha acabado de falar. Elas cruzaram os braços ao mesmo tempo e olharam para mim, esperando que eu continuasse a falar.

— Bom, a primeira coisa a fazer – eu disse, tentando parecer convincente – É soltar a gente.

— Mas nem fodendo – resmungou Kat.

Eu sabia que ela não iria topar. Então olhei para Mírian, na esperança de ela falar alguma coisa a meu favor. Ela tinha os olhos estranhamente avermelhados semicerrados em minha direção, como se estivesse analisando os meus passo. Engoli em seco com aquele olhar.

— Tá bom – ela disse finalmente.

Olhei para Nico esperançoso.

— Mas Mírian...

— A desgraça tem razão – ela disse de maneira fria para Kat. – Eles só vão deixar a gente sair se a gente soltar eles. Isso faz parte do planinho deles, aposto. As meninas sabiam que eu iria me soltar e soltar você. Se eles virem que soltamos os panacas, vão ver que “estamos nos dando bem”.

— Prefiro ficar trancada – bufou Kat.

— Como quiser. – disse Mírian. Nunca tinha visto o quão fria ela podia ser – Eu só quero sair daqui e ver como Happy está.

Então ela se aproximou de Nico primeiro, desamarrando seu tronco rapidamente. Depois ela se voltou pra mim, me olhando com um olhar de quem iria me matar e fez o mesmo que tinha feito com Nico. Finalmente estava livre daquela merda.

Nós terminamos de nos desamarrar e a primeira coisa que fiz foi ir para a porta, batendo nela para que os outros nos soltassem. A voz de Kat logo se juntou a minha e depois de alguns minutos, pudemos ver a claridade do lado de fora do quartinho.

LIVRES!

— Confesso que achei que iria demorar mais – Sid nos saudou. – Estávamos fazendo apostas de quanto tempo duraria.

Então, piscando os olhos, vi que todo mundo passava uma nota de cinco dólares para Jason. Aquele filho da puta! Vou subordiná-lo pra dividir a grana comigo.

— A gente ia soltar vocês de qualquer jeito por causa da detenção – comentou Annie – Mas ninguém além de Jason achou que vocês fosse se resolver antes disso.

— É um dom – Jason deu de ombros sorrindo com a grana em mãos.

— Agora vão se arrumar – disse Thalia – Temos uma detenção pra enfrentar.

Então todos se dispersaram. Eu estava prestes a ir pro meu quarto quando sinto uma mão gelada segurando meu antebraço. Me virei pra ver quem era, me deparando com Mírian.

Ás vezes eu odiava o fato de ela ser mais alta que eu.

— Não pense que somos amiguinhos só porque eu soltei vocês – ela disse com raiva. – Vocês ainda vão me pagar pelo o que fizeram.

Então ela me largou, saindo da casa junto com as meninas.

Confesso que senti meu coração acelerando, ao passo que meu sangue virou gelo dentro das veias. Se eu tinha medo do que ela poderia fazer? Com toda a certeza.


Nico

Estávamos errados. Me arrependo. Não vai acontecer de novo.

Só isso que tenho a declarar.

Realmente não estava com paciência pra aquilo novamente. Não sei nem porque tinha topado fazer aquilo. Leo deveria ser um masoquista mesmo.

Enfim.

Cada um foi pro seu canto pra poder ser arrumar para a detenção. Confesso que não estava acreditando que estava indo pra escola só por causa daquela maldita. Aproveitei que os caras já tinham tomado banho pra poder tomar o meu também. Aquela coisa grudenta e já seca estavam por uma boa parte do meu corpo. Eu nem sabia se aquilo saia com sabão.

Assim que vi que a coisa saia com facilidade, risquei o nome de Leo da minha lista de pessoas que eu queria sufocar com um travesseiro. Tomei meu banho rápido, ouvindo os gritos de Percy de que a gente iria se atrasar e que ele não queria pegar mais um dia de detenção.

Como a gente iria e voltaria no mesmo momento, decidimos que íamos em um carro só. Claro, somos ecologicamente corretos. Então era óbvio que eles estavam apressando eu e Leo.

Sai do banheiro, correndo para o meu quarto e colocando uma roupa qualquer. Peguei as coisas que eu julguei serem necessárias e desci, vendo que a sala estava vazia. Então corri para o lado de fora, onde os idiotas estavam com o carro de Percy ligado e apenas me esperando.

Me entrei no banco de trás rapidamente e finalmente partimos. Eu nem lembrava quanto tempo a gente ficaria lá na escola, então já estava querendo morrer só de pensar que o tempo com certeza iria se arrastar por uma eternidade, como todas as outras foram.

Chegamos lá até que rápido e fomos os primeiros a chegar, vendo a professora de matemática do primeiro ano com um cara de poucos amigos por estar ali naquele momento.

— Sentem-se e fiquem em silêncio. – ela mandou e assim fizemos.

Não demorou muito para as Alphas chegarem. Logo notei que Mírian e Kat estavam com toucas para esconder os cabelos. É, talvez pra elas não tenha sido tão fácil tirar aquela gororoba. Kat, obviamente, me lançou um olhar mortal.

A professora repetiu a mesma coisa que tinha dito pra gente e elas se sentaram do outro lado da sala, bem distante da gente.

— Acho que chegou todo mundo. – disse a professora. – Eu tenho que ajudar na arrumação do baile. Então vocês fiquem calados, quietos que daqui a pouco eu volto pra liberar vocês.

Então ela saiu pela porta, deixando a gente e as Alphas sozinhos. Ficamos em silêncio, como sempre ficávamos em toda a detenção, exceto pelo fato de que, nas outras vezes, haviam outras pessoas e um professor para ficar de olho na gente.

Podíamos fazer o que quiséssemos. Mas eu sentia que o clima estavam bem pesado. As meninas não pareciam muito animadas. Os meninos também não pareciam que queriam alguma encrenca.

Claro, chega de tretas pelo amor de Deus.

Como eu estava no fundo, fiquei observando as pessoas que estavam ali. Eu gostava de fazer aquilo, era divertido.

Percy estava a minha frente, com a cabeça baixa e podia ouvir que ele estava ressonando baixinho. Estava dormindo e provavelmente estava babando a mesa inteira. Ao meu lado direito, Leo mexia em alguma coisa eletrônica que eu nunca iria saber o que era. Na frente de Leo, Jason mexia no celular entediado, enquanto Luke fazia o mesmo, mas não me parecia tão entendiado assim.

Passei meu olhar para o outro lado da sala.

Meus olhos logo caíram em Annabeth e Piper, as únicas que estavam tendo alguma interação ali. Elas conversavam baixinho, pareciam um pouco sérias ao conversar. Ao lado delas estava Mírian, que tinha tirado um bloquinho da bolsa e estava rabiscando alguma coisa enquanto batia os pés em um ritmo qualquer. Na frente dela, Thalia tentava montar um cubo mágico e parecia bastante frustrada. Finalmente, atrás de Annie e Piper, estava Kat, que olhava fixamente pra frente, mais precisamente para os pés de Mírian.

Eu conhecia perfeitamente aquele olhar. Era assim que alguém ficava quando estava concentrada em pegar o ritmo de alguma coisa. Não demorou muito para Kat conseguir, pois logo escutei o som de algo batendo na mesa.

Demorei uns segundos para identificar a música que Kat batucava. Abrindo um sorriso animado, comecei a batucar com ela, no mesmo ritmo. Ela me encarou por uns segundos, ainda sem parar de batucar e esbouçou um sorriso de lado sem os dentes.

I saw him dancing there by the record machine — murmurou Leo ao meu lado.

I knew he must have been about 17— cantarolou Thalia e Luke fez o som de guitarra com a boca, me fazendo rir.

The beat was going strong playing my favorite song — cantaram Annie e Piper, animadas.

And I could tell it wouldn't be long till he was with me — cantou Mírian.

Yeah with me — Percy e Jason fizeram o pequeno coro.

And I could tell it wouldn't be long till he was with me — prosseguiu Luke.

Yeah with me — cantei junto com Kat.

Então, para o refrão, todos cantaram juntos.

Singin' I love rock and roll

So put another dime in the jukebox baby

I love rock and roll

So come on take some time and dance with me”

Nossa sincronia era muito boa. Todo mundo começou a participar da produção improvisada de música aos poucos e pude ver que todos estavam se divertindo bastante com aquilo. E de fato era divertido.

Sempre que voltávamos para a escola, os instrumentos ficavam de lado. Tocávamos muito pouco por contas das aulas, estudos e matérias extracurriculares. Isso não sobrava tempo para praticarmos, principalmente juntos. Vez ou outra se escutava na casa algum instrumento, mas ele estava lá, sozinho, sem seus companheiros.

E eu podia ver, claramente, que para as meninas era a mesma coisa. Podia ver em todo mundo que a música fazia falta em nossas vidas.

He smiled so I got up and asked for his name — cantaram Thalia e Leo.

But that don't matter he said cuz it's all the same — prosseguiram Percy e Piper.

I said can I take ya home where we can be alone — cantou Kat e Luke fez os efeitos sonoros da guitarra.

And next we're moving on and he was with me — continuou Annabeth e Jason. — Yeah me

And next we're moving on and he was with me — eu e Mírian cantamos — Yeah me

Todos se prepararam pro refrão.

Singin' I love rock and roll

So put another dime in the jukebox baby

I love rock and roll

So come on take some time and dance with me”

Nossas vozes com as das meninas davam um toque a mais na música e percebi que combinavam muito bem. Tínhamos que fazer aquilo mais vezes. Eu estava me divertindo bastante enquanto batucava o ritmo da música, junto com Kat, para que ninguém se perdesse.

Quando terminamos a música, Mírian gritou, assustando todos nós:

— JOAN JETT RAINHA O RESTO NADINHA!

Ela tinha se empolgado bastante. Tinha se levantado da cadeira e tudo, jogando os braços pra cima como se tivesse torcendo para seu time de basquete favorito. Nós todos rimos, o climão que estava antes, totalmente dissipado.

— Isso foi muito maneiro — comentou Jason, bastante animado também.

— Sim! Foi sensacional — concordou Thalia — Estava com saudades da música.

Todos concordaram e um silêncio confortável caiu sobre nós, todos aproveitando a sensação boa que era aquilo que tínhamos acabado de fazer.

E no final, estávamos ali, numa sala de detenção, cantando e batucando de maneira improvisada. A música nos unia, Alphas e Betas, da mesma forma que unia várias pessoas ao redor do mundo.

E no final, estávamos ali, como amigos.

Notas finais
Como eu disse anteriormente, esse é um capítulo completamente inédito. Então, peço encarecidamente que me deem um feedback do que acharam do capítulo! Principalmente dos leitores da primeira versão da história. Sobre os comentários: eu vou respondê-los aos poucos, pois estou muito atolada. Não escrevo somente essa história e estou tentando ir aos poucos focando mais no livro que eu quero escrever e publicar, então fica complicado fazer tudo. Espero verdadeiramente que entendam. Muito obrigada a todos que não desistiram de mim (já adiantando os agradecimentos haha) e como recompensa, próxima semana já tem capítulo novo! PREVISÃO PRO PRÓXIMO CAPÍTULO: 25/08 Devo postar na semana seguinte a do dia 25 para recompensar ainda mais vocês. Depois voltará a programação normal de 15 em 15 dias. Nos vemos nos comentários seus lindos ♥ Ghost Kisses ~Marceline