Notas iniciais
E se eu disser a vocês que esse é o último capítulo? Kkjkjk Mas o que importa é que eu finalmente consegui escrever alguma coisa aqui XD Acreditam que só agora eu descobri que Along The Way é uma música do Bad Religion? E pior, a música combina demais com a história kkjkjk Terminei de escrever esse capítulo agora, então perdoem os erros. Perdoem também a demora, mas o que importa é que eu não abandonei a fanfic ♥ Espero que gostem, boa leitura ♥

Peter abriu os olhos assustado ao ouvir resmungos ao seu lado. Olhou em volta no interior da tenda onde dormiam, até localizar o som vindo de Stark, que ainda dormia um sono visivelmente agitado.

O homem murmurava e se remexia levemente, seus olhos fechados girando inquietos e sua testa brilhando em suor.

Peter sentou-se, gemendo com a dor provocada em sua lateral machucada, e se aproximou com cuidado do homem, o balançando levemente com a mão, tentando acordá-lo.

― Senhor Stark ― chamou. ― Acorde, senhor Stark.

Assustado pelo súbito contato, o homem abriu os olhos alarmado, levando a mão ao cinto e pescando de lá uma faca antes de perceber que o rosto preocupado que pairava acima pertencia a Peter. Relaxou então, suspirando enquanto largava a faca e passava uma mão em seus olhos para espantar o sono.

― O senhor teve um pesadelo? ― Perguntou Peter, se afastando. ― Está tudo bem?

― Não tenho pesadelos ― murmurou o homem enquanto se sentava e guardava a faca em sua bainha. ― Foi só um sonho ruim.

― Sonhos ruins são chamados de pesadelos.

― Bem, tanto faz ― levantando-se, Tony se espreguiçou. ― Levante-se e acorde a princesa, temos que sair de uma vez, já perdemos muitos dias de viagem.

― Eu acho que ela já levantou ― Peter informou, olhando para o leito vazio da moça. ― Deve estar lá fora.

Levantando-se com cuidado por conta da dor, Peter seguiu Tony para fora da tenda, logo avistando Natasha terminando de apertar os arreios de um dos cavalos, tendo os outros dois selados para a cavalgada e o restante equipado com seus pertences.

― Comam antes de sairmos ― a mulher falou. ― Eu termino de aprontar os cavalos.

Peter assistiu em silêncio enquanto comia, não deixando de notar a falta de expressão habitual da garota. Ela não amanhecera com os olhos vermelhos ou inchados como no dia anterior, pelo contrário, em seu rosto tudo o que se podia ver era o vazio silencioso.

― Senhor Stark ― Peter chamou baixinho, se aproximando do homem. ― Não acha que a Nat está estranha hoje? Agindo como se nada tivesse acontecido?

― As pessoas lidam com a dor de formas diferentes, garoto ― o homem respondeu, olhando de soslaio a moça carregar os cavalos com o que levariam. ― Dê a ela um pouco de espaço, ela vai ficar bem.

Não demoraram em levantar acampamento e retomar a viajem, avançando tão rápido quanto conseguiam sem levar os animais à exaustão, e durante todo o dia foram poucos os momentos em que a conversa tomou o lugar do silêncio.

Enquanto Natasha guardava seu luto, Peter seguia o conselho de Tony em não a pressionar, mas não podia deixar de se preocupar com a garota que outrora tão cheia de vida agora estivesse parecendo a casca vazia de um ser.

Quando a tarde caiu e o sol dava sinais de desaparecer do céu, decidiram por estabelecer seu pernoite em uma clareira à beira de um riacho, onde foram soltos os cavalos para que saciassem sua sede à vontade.

― Vou juntar lenha para a fogueira ― declarou o Stark. ― Fiquem atentos a qualquer coisa, e gritem se precisarem.

Enquanto Peter iniciava o fogo com os gravetos que encontrara por ali, a princesa terminava de descarregar seus cavalos, sentando-se ao lado do garoto em seguida.

― Você e o Stark, hum.

Peter desviou o rosto corado para fora da vista da garota, não surpreso, entretanto, que ela tenha percebido.

― O que tem o Stark? ― Murmurou, não querendo admitir nada.

― Não tente me enganar, eu vi vocês dois ontem à noite.

Mesmo mortalmente envergonhado, Peter sentiu certa satisfação em ver a sombra de um sorriso no rosto de Natasha, pois era uma emoção que conhecia, e se uma coisa o faria admitir qualquer segredo à amiga, mesmo quando crianças, era o sorriso provocador de quem já sabia de tudo, somente aguardando a confissão.

― O que você quer que eu diga? ― Murmurou, adicionando mais gravetos ao fogo. ― Você viu o que você viu.

Natasha riu soprado empurrando levemente seu ombro contra o de Peter, não muito arrependida quando o garoto arfou de dor ao ter seus pontos repuxados.

― Não estou surpresa, se é o que você pensou ― ela falou, divertindo-se com as faces rubras do amigo. ― Só precisei olhar para vocês uma vez no castelo para perceber que se gostavam.

― O quê? Como pode ser tão óbvio?

― Vocês não são exatamente discretos ― a moça riu. ― Mas passariam despercebidos por um observador mais desatento. O que vai fazer quando você for embora? Quero dizer, você ainda quer voltar a ver sua família, certo?

Peter somente encarou o fogo pequeno por um instante, pensando no que evitara pensar por tantos dias desde que percebera seus sentimentos, dando-se conta de que não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer.

Abriu a boca então para falar, mas fora poupado de tal ato ao ver que Tony se aproximava com os braços cheios de lenha.

― Trouxe alguns cogumelos para um sopa ― falou largando sua carga ao lado do fogo. ― Caso queiram começar o jantar.

Não esperando por uma resposta, o homem afastou-se, sentindo-se subitamente mal com o que acabara por acidentalmente ouvir. Mesmo sabendo que estava sendo egoísta, ainda se sentia incomodado ao ser lembrado de que seu envolvimento com o garoto tinha prazo de validade, e logo voltaria a ser somente ele vivendo sua vida sozinho em sua cabana afastada da cidade.

Sentando-se à beira do riacho, Tony pegou um pano razoavelmente limpo, embebendo-o em água para que pudesse limpar seus machucados, preferindo se concentrar nas feridas físicas, sabendo que ao menos essas curariam em poucos dias.

Acostumado com o ardor dos cortes e contusões de seu último embate, a parte mais difícil de realizar do processo foi amarrar a bandagem de sua mão direita, ferida profundamente pela espada do inimigo.

― Quer ajuda? ― Peter ofereceu, aproximando-se após notar que o homem atrapalhava-se com a tira de pano. ― Deixa, eu amarro pro senhor.

― Como vai o seu ferimento? ― O homem perguntou, estendendo a mão para o garoto. ― Ainda dói?

― Só quando eu me mexo demais ― respondeu, sentando-se próximo ao Stark. ― Quanto tempo temos até chegarmos à cidade?

― Ansioso por se livrar de mim? ― Soltando uma risada amarga e sem humor, Tony desviou o olhar, recolhendo sua mão quando Peter terminou de apertar o nó. ― Com sorte chegaremos amanhã à tarde.

― Ei pombinhos ― Natasha chamou, interrompendo-os. ― A sopa está pronta.

Após um jantar silenciosamente tenso, o trio aprontou-se para a noite. Natasha dormiria enquanto os homens fariam o primeiro turno de vigia, devendo ser acordada para substituir Peter quando este se cansasse.

― É tão estranho estar tão perto de terminar a viajem ― Peter começou, acomodando-se ao lado de Tony, recostados contra uma árvore. ― Me parece que uma eternidade se passou desde que saímos.

― Vinte e seis dias ― o homem falou. ― Para ser exato.

― Sinto como se fosse mais ― adicionou Peter. ― O que fará com a sua parte da recompensa, senhor Stark?

― Expandirei a ferraria, eu acho ― respondeu Tony. ― Você usará o dinheiro para voltar para casa, presumo.

― Bem, sim, eu lhe disse antes ― Peter murmurou, não tão animado com a perspectiva quanto estava ao sair. ― Quero voltar a ver meus pais e irmãos. Se ainda estiverem vivos, é claro. Há anos não recebo qualquer notícia deles.

Mesmo que não gostasse de pensar no assunto, Tony não tinha como fugir ou adiar o inevitável, portanto esperava ao menos alguma explicação, algum motivo plausível para toda essa ânsia que Peter tinha em deixar o reino.

― Se a vida em Timur é tão ruim que vale a pena arriscar-se tanto saindo nessa jornada, por que veio para cá, afinal? ― Questionou, finalmente. ― Se com seus pais era tão bom, por que os deixar, primeiramente?

Peter encarou o homem por um momento, olhando-o como se tais palavras o tivessem ofendido pessoalmente.

― Eu não saí de casa por vontade própria, se é o que está a insinuar ― disse de maneira fria. ― Não tive escolha alguma quanto a isso, posso lhe garantir.

― Bom ― retomou Tony, confuso com a linguagem agressiva do jovem ―, esclareça-me então.

Peter respirou fundo, acalmando-se um pouco. Não era culpa de Tony presumir coisas que não condiziam com sua realidade, e por um momento recordou-se de que nem todos tinham o conhecimento do que se passara tantos anos antes.

― Eu não saí de casa porque quis ― começou, em um tom mais baixo. ― Eu estava sozinho no dia, sendo o responsável por manter o fogo aceso enquanto meus pais e irmãos trabalhavam no campo ― respirando fundo, Peter se forçou a reviver tais memórias, encarando qualquer lugar menos o homem ao seu lado. ― Alguns ladrões invadiram, era uma vila muito pequena. Eles esperaram todos saírem para suas tarefas para levarem o pouco que tinham de valor. E bem, vender uma criança como escravo é sempre lucrativo.

Peter ficou em silêncio por um tempo, deixando Tony à mercê de seus próprios pensamentos, recriminando-se por ter sido egoísta em achar que o jovem queria retornar à sua terra natal apenas por algum capricho.

― Eu sinto muito ― falou, por fim, passando um braço sobre os ombros alheios, acomodando-o. ― Me desculpe, eu não sabia.

― Tudo bem ― respondeu Peter, sentindo-se confortado com a proximidade. ― Pouca gente sabia. Os homens me levaram, e a algumas outras crianças também, por muitos vilarejos e reinos, vendendo e trocando tanto o que roubaram, quanto a nós. Quando chegamos a Timur, havia sobrado somente eu. Você deve saber que o comércio humano, sobretudo o de crianças, é proibido no reino, e portanto os homens foram finalmente detidos.

“A única coisa que me sobrou de tudo o que eles tiraram da minha família foi este punhal de prata do meu pai. E quando eu me vi sem saber para onde ir, os padres me acolheram e me criaram. Devo minha vida a eles, mas o seminário exige alguma vocação, então me tornei útil com a cartografia.”

― Eu me lembro vagamente de ouvir sobre um grupo escravista ter sido executado alguns anos atrás ― Tony falou, recordando-se. ― Não tinha ideia de que você era aquela criança.

― Provavelmente todos pensam que eu morri ― o garoto falou, triste. ― Eu tentei mandar notícias, mas minhas cartas nunca foram respondidas. Talvez sequer tenham chegado ao destino, a aldeia era muito pequena e a única pessoa que sabia ler era o velho padre da cidade, e um garoto cujo único pertence é uma herança de família não teria condições de pagar uma viajem tão longa.

― Agora eu entendo por que mesmo sem experiência alguma fora do castelo você se voluntariou para isso ― concluiu Tony. ― A recompensa oferecida é bem alta.

― Com o dinheiro eu vou finalmente poder voltar para casa.

Tony compreendeu, então, que não poderia competir com o sonho da infância roubada de Peter, e tudo o que lhe restava fazer era aproveitar o pouco tempo que tinham juntos, mesmo que cada momento a menos lhe fosse doloroso.

Apertando o garoto em seu abraço, embalou-o enquanto ele adormecia, permanecendo acordado por muito tempo depois disso.

O vigésimo sétimo dia da viajem amanheceu injustamente ensolarado, concluiu Tony enquanto recusava-se a se levantar. Peter estava adormecido entre seus braços, o rosto pressionado contra seu peito enquanto ressonava suavemente, e tudo em seu interior rugia contra a inevitável necessidade de seguir caminho. Tony olhou para o céu de folhas acima de suas cabeças antes de suspirar em derrota, virando-se para o garoto a fim de pressionar seus lábios contra sua testa.

― Acorde, garoto ― Tony chamou, passando a mão pelos cabelos castanhos bagunçados. ― O dever nos chama. Temos uma princesa para entregar hoje.

― Bom dia, senhor Stark ― murmurou, finalmente abrindo os olhos. ― Temos que sair tão cedo?

― O sol já nasceu, não é cedo ― soltando-se do jovem, Tony se levantou, vestindo sua pesada capa de viajem e recolhendo seu cobertor. ― Natasha já selou os cavalos de novo, pelo que vejo.

― Estava meio entediante ver vocês dois dormirem ― a jovem respondeu. ― Decidi adiantar o serviço.

Sabendo que este seria o último de seus dias entre a floresta, Peter deveria estar mais animado. Se tudo corresse bem, esta noite mesmo estaria de volta a sua cama no seminário, em vez de dormir no chão frio de folhas mortas. Amanhã ele poderia descansar seu traseiro dolorido de estar sobre uma sela durante dias. E no dia seguinte ele tentaria fingir que sentia falta de sua principal companhia do último mês.

Ele deveria estar feliz por enfim terminar o trabalho. Mas ele não estava. E mesmo que tendo passado tão silencioso quanto o anterior, o dia terminou frustrantemente rápido, com o grupo alcançando o fim da floresta no meio da tarde, e então os portões do castelo antes mesmo do sol se pôr.

― Não acredito que estou finalmente em casa ― Natasha comentou, olhando para as familiares construções. ― Já estava com saudade.

― Peter!

Chamando a atenção do grupo, um homem vestido com uma túnica aproximava-se com pressa, logo sendo reconhecido.

― Padre! ― Peter exclamou, saltando do cavalo para encontrar o homem. ― Estou de volta!

― Estou feliz em ver que está bem.

Puxando-o para um abraço, Peter contentou-se em rever seu amigo.

― Quero ouvir tudo sobre a viagem.

― Stark, vejo que está de volta ― Steve Rogers exclamou, aproximando-se após ser informado do regresso dos viajantes. ― Majestade, estou encantado em vê-la após tantos anos. O reino não é o mesmo sem a senhorita, se me permite dizer.

― Infelizmente para você eu voltei inteiro ― Tony respondeu, nauseado com a bajulação gratuita. ― Agora pegue sua princesa e me dê meu dinheiro.

― Quanta pressa, homem ― riu o Rogers. ― Me diga, como é estar de volta a civilização após tantos dias na floresta?

― Eu vou saber quando finalmente encontrar alguém civilizado.

― O ar fresco não te fez muito bem, eu vejo.

― Quase ser morto uma dúzia de vezes por semana faz isso com o homem ― Tony respondeu, amargo. ― Agora, o dinheiro, se não se incomoda.

Tony foi rápido em pegar a pesada bolsa de couro que lhe fora arremessada, prendendo-a firmemente ao cinto antes de dispensar um último e demorado olhar ao seu grupo de companheiros.

― Bem, tchau garoto ― falou para Peter, porque simplesmente não sabia o que fazer. ― Majestade.

Não havia planejado o que faria depois que chegassem, mas certamente a dor da despedida se faria presente.

― Vou querer o relatório da viajem, Stark ― Steve falou quando viu o homem se preparando para sair. ― Um relatório completo.

― Não sou um de seus homens ― Tony falou. ― Peça ao garoto, ele estava lá. Adeus.

― Senhor Stark! ― Peter chamou, mal notando que avançava rapidamente os passos que os separavam, parando somente ao se encontrar olhando para cima para que pudesse encará-lo em cima de seu cavalo, percebendo então que não sabia o que dizer. ― Adeus... Tony.

E se um nó se formou em sua garganta enquanto fazia a volta com o cavalo para fora da cidade, somente Tony poderia dizer, e se ao chegar em sua casa silenciosa e vazia ele percebesse que preferia o chão da floresta à sua cama solitária, nada poderia realmente fazer a respeito agora.

Notas finais
E então, o que acharam? Devo avisar que só falta o epílogo para finalizar, mas ainda não sei quando vou postar (até porque ainda nem escrevi kkjkjk). O Epílogo tem uma playlist bastante emocionante, então me digam em que plataformas vocês querem que eu a disponibilize para vocês ouvirem, caso queiram ouvir. Comentem o que acharam, e até o próximo o/ Link da música de mesmo nome da história kjkjkk: https://www.letras.mus.br/bad-religion/2973/traducao.html