Along The Way
22 Capítulo XXI
Peter sentia-se amolecer sob o toque preciso e experiente das mãos de Tony, e sem perceber deixava escapar murmúrios de apreciação, deliciando-se com a sensação de relaxamento proporcionada. Seus olhos, fechados inconscientemente, piscaram algumas vezes lentamente antes de se abrirem, tendo como primeira visão o chão escuro da floresta, coberto de baixa vegetação e folhas mortas, para então subir devagar e avistar, enfim, a pequena plateia que os observava.
Foi inevitável a tensão sentida, pois o desconforto causado por ser assistido tão atentamente numa situação daquela foi maior que a sensação prazerosa que a massagem do Stark lhe causava.
Vendo o sorrisinho matreiro no rosto da princesa e o cenho franzido de Clint, Peter sentiu as faces avermelharem-se, e seu súbito tensionamento alertou Tony de que havia algo errado, despertando-o de seu momento deleitoso.
Seguindo o exemplo do garoto, Tony levantou seus olhos até os companheiros de viagem, e ao ver suas expressões, mesmo que um tanto ocultadas pela escuridão noturna, a conclusão do que fazia, e o que sentia ao fazê-lo, caiu sobre si. Tirou rapidamente as mãos do ombro de Peter, para então retornar ao seu lugar de descanso sobre a capa.
― Acho que já está bom ― murmurou um tanto sem jeito, enquanto se afastava ligeiro do mais novo. ― Boa noite.
Ambos os protagonistas se sentiam mortalmente envergonhados, e agradeciam silenciosamente o fato de nenhum dos outros companheiros comentar nada sobre terem mais uma vez se perdido um no outro.
Clint sentia-se um pouco confuso com a relação entre aqueles dois. Não sabia muita coisa sobre eles, mas o modo que se tratavam e interagiam era no mínimo para se questionar.
Já Natasha observava em um silêncio contemplativo, e graças a sua ótima capacidade de ler as entrelinhas, já tinha uma boa ideia do que se passava entre seus companheiros. Era uma observadora nata, atenta aos detalhes, e nem um, nem outro poderia lhe esconder os fatos, mesmo os negando até mesmo para si próprios.
A garota continuou com seu meio sorriso até ir se deitar para dormir, enquanto o Barton se encarregava de os vigiar.
Na manhã seguinte antes mesmo do sol raiar, o grupo já levantava acampamento, recolhendo as coisas e preparando os cavalos como de costume.
― Vamos sair mais cedo hoje ― Tony começou. ― Quero alcançar o rio antes da noite.
E não muito depois se puseram a trotar em seus cavalos pela floresta, mantendo a guarda alta, pois ainda havia o bandido a solta, mas mantendo um bom avanço de distância durante o dia.
Tony ainda sentia um resquício da vergonha da noite anterior em si, acentuado pela posição que se obrigava de estar com Peter, que era o único ali sem cavalo. Estar sentado às suas costas, sentindo seu corpo totalmente colado em si enquanto balançavam sobre a montaria constantemente, lhe lembrava de sua depravação da noite anterior. Não podia acreditar ou mesmo perdoar seu corpo por lhe trair de tal forma libidinosa, ficando excitado simplesmente por ouvir os sons que o garoto fazia, os quais eram totalmente sem conexão com o teor sexual. Censurava-se por ter se deixado levar por tão pouca coisa, culpando seu corpo necessitado de atos mais íntimos, que há muito era privado.
Tony foi o primeiro a desmontar quando pararam à tarde. Sentiu o ar morno bater contra seu corpo e olhou em volta, atento às extremidades do grande descampado que ladeava o grande rio Nadee.
Parados na margem oeste do rio, decidiram por montar o acampamento por ali, mesmo que ainda tivessem um tempo considerável de sol.
Peter desceu do cavalo em um pulo, esticando seus músculos rígidos ao chegar no chão, sentindo as juntas estalar e seus ombros doerem um pouco devido as atividades do dia anterior.
― Já que vamos ficar por aqui mesmo ― declarou Peter ―, vou voltar e buscar lenha. Alguém quer vir junto?
― Eu vou ― Clint disse rapidamente. ― Quero esticar um pouco as pernas.
E dito isso os dois se foram para dentro da floresta novamente, deixando para trás um Tony Stark contrariado ostentando na face uma expressão não muito amistosa.
― Vem, vamos cuidar dos cavalos ― Natasha falou, achando graça na postura do homem. ― Seu garoto está seguro com o Clint.
Mesmo que em dúvida quanto a frase da companheira de viagem, Tony a seguiu, livrando os animais das bolsas de pertences e selas, para então guiá-los ao longo do rio até encontrar uma beirada menos íngreme, uma vez que a margem daquele lado era um tanto mais alta em relação à oposta.
Natasha se divertia ao ver como o Stark ficara depois da saída de seus outros companheiros, pois já havia notado como o homem era territorial com o garoto, mesmo que grande parte das vezes nem se desse conta. Também não era novidade o quanto Clint o desagradava, e isso, por sua vez, ele sequer tentava disfarçar. Portanto vê-lo tentar uma aproximação com seu protegido lhe causava um desagrado impossível de disfarçar.
Não levou muito tempo para que Peter e Clint voltassem de sua busca por lenha, tiveram a sorte de encontrar uma árvore seca caída, de onde tiraram tudo o que precisaram.
Largando sua pilha de galhos e gravetos sobre a grama perto da borda da floresta, Peter olhou para o céu, calculando que ainda tinham, surpreendentemente, bastante tempo de sol, então virou-se para o Stark, que ainda sustentava um ar meio rabugento.
― Senhor Stark ― chamou, se aproximando de onde o homem estava a escovar um cavalo. ― Pode me emprestar seu arco para eu treinar?
Tony olhou para o mais jovem, então assentiu com a cabeça, e sem dizer nada tirou a aljava de flechas das costas e entregou a ele, apontando com o queixo na direção de onde deixara seu arco, junto com o restante de seus pertences.
Peter agradeceu e saiu contente, animado em retomar seu treinamento mesmo que ainda estivesse um pouco dolorido.
Se aproximou de uma árvore qualquer, raspando um círculo em sua madeira com o punhal, para então se afastar alguns passos. Tirou sua capa e casaco, ficando somente de calças e camisa, permitindo um movimentar mais fluido de seus braços. Largou também tudo o que tinha nos bolsos para que não o atrapalhasse, empilhando suas coisas próximo de onde Clint iniciava o fogo. Virou-se, por fim, para onde estabelecera seu alvo, começando a disparar uma flecha atrás da outra, se interrompendo somente para as buscar quando iam longe demais do alvo.
Para Clint, como o exímio arqueiro que era, assistir a performance totalmente sem técnica do mais novo era uma tortura. Podia apostar que ele não sabia muito bem o que estava fazendo, somente puxava a flecha junto da corda e os soltava a torto e a direito, torcendo para atingir o alvo que sequer mirava corretamente. Ele não era exatamente ruim, o que lhe faltava era uma instrução adequada, que, se dependesse do especialmente carrancudo Stark daquela tarde, ele provavelmente não teria.
― Não, não... ― Clint disse sem se aguentar, após ver como o garoto deixava a flecha sair trêmula do arco. ― Se continuar desse jeito, o máximo que vai conseguir é perder todas as flechas do Stark.
Peter olhou para ele com um questionamento implícito nos olhos, como se perguntasse silenciosamente o que fazia de errado.
― Aqui ― o Barton continuou. ― Vou mostrar como se faz.
Então com o próprio equipamento em mãos, ele se pôs ao lado do garoto, que lhe observava atentamente, e se posicionou como deveria ser, mantendo sua postura e sustentando o arco firmemente, sem nunca perder o contata visual com Peter, soltando a flecha que atingiu perfeitamente o centro do alvo.
― Pode me ensinar como faz, senhor Barton? ― Peter perguntou, um tanto tímido, mas verdadeiramente querendo aprender. ― O senhor é muito bom.
Clint deu de ombros, nem um pouco modesto sobre o fato, e pensou que não faria mal algum ajudá-lo com algumas dicas, ainda mais porque não tinha nada mais interessante para fazer naquela tarde.
― O que eu notei primeiro que você fazia de errado é que não deixa o braço estendido direito ― começou. ― E demora demais para soltar a corda, quando você já está trêmulo pela força exercida.
― Como assim?
― Se posicione e eu explico ― mandou, e Peter o fez. ― Deixe o braço totalmente esticado ― mostrou, ajeitando a postura com a mão. ― Alinhe seus pés, assim mesmo. Não deixe o corpo tão tenso quando puxar a corda. Agora pegue a flecha e a posicione ― instruiu. ― Isso, puxe até sua mão toda encostar no rosto ― falou e observou o garoto o fazer com dificuldade. ― Não tenha medo de puxar a corda, o arco não vai ceder em seu rosto!
― Mas é pesado de puxar bem, senhor Barton! ― Protestou, largando lentamente a corda até sua posição inicial.
― Não é preciso sustentar para sempre! Somente o necessário para estabelecer uma mira e manter a postura correta ― falou. ― Agora tente de novo.
Peter puxou a corda depois de respirar fundo, lutando contra sua resistência para alcançar seu rosto com a mão ao passo que tentava manter o braço esquerdo devidamente esticado, antes de começar a tremular a mão pela força que não estava conseguindo sustentar.
― Sua força está aqui ― Barton falou, usando um tom estranhamente paciente, passando uma das mãos pelas costas de Peter, sobre os músculos que deviam ser usados para puxar a corda ―, não no braço.
― Disso eu sei ― o garoto reclamou, sem conseguir se conter. ― O Senhor Stark me disse ontem!
― Então por que não o escuta? ― retrucou. ― Puxe de novo.
Enquanto Peter trazia a corda até sua bochecha, Clint ajustava sua postura com as mãos, mostrando onde alinhar e onde manter, a força que deveria exercer e quando finalmente soltar a flecha, que dessa vez manteve seu curso certo, mas não atingiu o alvo.
― Vou lhe ensinar um truque ― Clint começou, enquanto Peter ia até a árvore buscar a flecha. ― Quanto mais perto estiver do alvo, mais embaixo deve mirar, e quanto mais longe, mais acima. Se estiver a meia-distância, mire onde quer acertar.
Peter assentiu e continuou com suas lições, ouvindo e pondo em prático tudo o que Clint instruía.
Não longe dali, Tony observava a cena com um rosto ainda mais fechado. Seus olhos estreitos encimados pelo par de sobrancelhas franzidas jamais deixavam aqueles dois que treinavam com tanta intimidade, tentando inutilmente suprimir os ciúmes que tomava conta de si.
Quando terminara de cuidar dos cavalos, não muito depois de Peter tê-lo pedido o arco emprestado, o Stark se virou com o intuito de ir ajudar o mais novo em seu treinamento, como costumava fazer, mas qual não foi sua surpresa ao avistar Clint com a mão no braço dele ajeitando sua postura, para então acariciar suas costas com tanta propriedade que Tony sentiu seu sangue ferver. Cinco dias atrás o Barton não desperdiçava uma oportunidade sequer de ofender o garoto, mas agora passava a mão nele como se fosse a coisa mais natural do mundo, Tony pensava, enraivecido.
Conformado com a evidente falta de necessidade de sua ajuda, ele voltou para onde deixara sua coisas, sentando-se na grama e desembainhando sua espada, para então pegar sua pedra de amolar a fim de afiar a lâmina, somente para manter as mãos ocupadas com alguma coisa que não fosse querer apertar o pescoço do Barton.
― Em vez de ficar aí bufando, por que não vai até ele e diz como se sente? ― Natasha declarou de uma vez, sentando-se ao lado de Stark.
― Não sei do que você está falando ― respondeu sem se abalar, ainda deslizando a pedra pela lâmina já muito bem afiada.
― É claro que me refiro a você e Peter ― dessa vez ela conseguiu a atenção do homem, mesmo que por um instante. ― Não venha negar que há algo entre vocês.
― Com todo o respeito, majestade, mas você está louca.
― Não adianta tentar negar, Stark ― disse, um tanto risonha. ― Eu já reparei como você o olha, e como você está louco para estrangular o Clint ― falou, indicando com o queixo o homem mencionado, que, às costas de Peter, segurava seu braço com uma mão e o cotovelo com a outra. ― Eu já percebi tudo.
Tony balançou a cabeça e tentou ignorar, mesmo que suas entranhas se contorcessem em nervosismo por ter sido pego.
― Por que não diz logo a ele como se sente? ― Insistiu Natasha, empurrando levemente o braço de Tony com o cotovelo. ― Sempre existe uma chance de ser correspondido.
― Não há nada o que dizer ― murmurou, sentindo o coração martelar forte em seu peito.
― Vamos lá, Stark, não adiante negar nada para mim...
Tony finalmente abandonou sua espada ao seu lado, soltando um suspiro cansado, deixando seu olhar se perder a sua frente.
― Mesmo que eu o fizesse, mas não estou dizendo que sim... ― murmurou. ― Ele vai embora em poucos dias... De que adiantaria?
A princesa se manteve em silêncio, esperando que o homem continuasse.
― E mesmo que não fosse... ele está estudando para ser padre! Como competir com isso?
― Espera, padre? ― Ela questionou, verdadeiramente confusa.
― Sim! Por que mais ele estaria morando num seminário?
― Oh! Ele não te contou? ― Perguntou, franzindo o cenho.
― Contar o quê?
― Ah... ele não contou...
― O que teria para contar? ― Tony perguntou, mais confuso do que nunca. ― Me diga!
― Olha, Stark ― Natasha começou. ― Isso é coisa do Peter, se ele não disse, não sou eu que o farei... Deveria perguntar diretamente a ele... e aproveitar para dizer o que sente!
Tony balançou a cabeça em negação, frustrado por não obter algo sequer parecido com uma resposta concisa. Então olhou emburrado novamente para o alvo de seu mau humor do dia, que se encontrava surpreendentemente rindo de algo que Peter havia feito.
― Não adiante ficar aí com essa cara se não irá fazer nada! ― Natasha disse se levantando, então olhou para onde o par de espadas de madeira de Peter estavam, e teve uma ideia. ― Vamos, me ajude a treinar um pouco e desfaça essa cara de traseiro.
Pegou então uma das espadas e jogou a outra sobre o colo do Stark, que lhe olhou questionador.
― Não vou duelar com você ― falou. ― Você é uma princesa. Sabe o que fariam comigo em Timur se soubessem que cruzei espadas com você?
― Está com medo? ― Provocou. ― Ou acha que por ser uma mulher da realeza eu não consigo chutar sua bunda?
Tony deu-se por vencido. Se distrair um pouco seria bom.
― Eu não quero te machucar ― alertou.
― Eu não contaria com isso ― Natasha disse, segura de si.
Se levantou e segurou a espada, já entrando em posição de combate. Deixou que a princesa atacasse primeiro, ocupando a defesa, sem se esforçar muito.
― Vamos, não precisa pegar leve comigo.
E Tony percebeu que era verdade quando ela começou a o atacar com vontade e experiência, muito diferente do que ele achava que se ensinava a mulheres, ainda mais se tratando de uma filha de rei. Natasha tinha perícia, conhecia muito bem a arte de manejar uma espada, e sua desenvoltura na luta era exemplar, seu jogo de pés impecável e seus instintos eram melhores que de muitos mestres. E isso sem dúvidas impressionou tanto o Stark que em pouco tempo ele se via totalmente imerso na brincadeira deles, ao ponto de suar e ofegar com o esforço de atacar e defender com tudo o que tinha, pois sem nenhuma vergonha e com muito respeito a oponente, reconhecia que esta superava muito suas habilidades.
O sol já começava a dar indícios de estar baixando quando Clint se afastou de Peter, indo em direção ao fogo para colocar mais lenha.
― Acho melhor eu fazer o jantar ― começou o Barton, atraindo a atenção de Peter. ― Já que aqueles dois parecem bem ocupados.
O garoto então olhou para onde Clint indicava, se surpreendendo ao encontrar Tony e Nat engalfinhados em uma animada luta com suas espadas de treino. Os dois pareciam bem entretidos enquanto riam e se moviam ao ritmo do duelo, de uma maneira tão fluida que aparentemente se esqueciam do resto do mundo.
Sem saber por que, Peter se sentiu profundamente incomodado com Tony, pois devia ser ele ali a treinar com o homem, pois ele é quem precisava de aulas, e as espadas eram suas, afinal. Logo após esse pensamento, o garoto censurou-se por ser tão egoísta. Não era ele mesmo que há pouco treinava com outra pessoa que não Tony? Nada mais justo que o outro fizesse o mesmo. Mesmo que Peter não tivesse pedido a ajuda de Clint... E se Tony tivesse vindo até ele, aceitaria suas instruções de bom grado...
Subitamente o jovem Parker sentiu-se desanimar, e por alguns instantes apenas observou a interação que parecia fluir tão bem entre os dois, notando como aparentavam se entender enquanto duelavam.
Largou o arco e as flechas desanimadamente junto de seus casacos, e se dirigiu para onde Clint atiçava o fogo.
― Vou buscar água ― falou recolhendo a panela vazia.
Sem esperar qualquer resposta, o garoto andou até o rio, e teve de se esticar para conseguir alcançar a água com a panela por conta da margem excessivamente alta. Não havia passado por sua cabeça seguir mais adiante até onde o barranco baixava até o nível das correntezas, somente havia descido reto, mas contanto que alcançasse a água já estava bom.
A correnteza estava forte naquelas águas profundas, e rapidamente a panela se encheu. Peter então se levantou e içou o utensílio pesado, só tendo tempo de largá-lo no chão de qualquer jeito antes de escorregar na grama lisa que fez a terra da beirada sob seus pés ceder, resultando em sua queda para dentro d’água. Peter desesperou-se ao se encontrar rodeado de água, afundando rapidamente enquanto lutava para não ser levado pela correnteza, afinal, nunca aprendera a nadar.
Não longe dali Tony e a princesa continuavam com sua disputa amistosa, alheios aos outros.
― Se colocasse tanto empenho no Peter, quanto coloca na luta, há tempos já teria o que tanto quer ― Natasha alfinetou, dando um golpe final que desestabilizou o oponente o levando a perder a espada.
Ao ser lembrado do garoto, Tony olhou para onde ele estivera treinando, estranhando não o encontrar lá. Franziu o cenho e olhou em volta, preocupado ao não ter sinal do garoto.
― Ei! ― Gritou ao Barton. ― Onde está Peter?
― Ele foi buscar água ― e apontou em direção ao rio.
Tony desesperou-se ao ver somente a panela virada próxima a margem, e rapidamente correu até lá, desesperado ao ouvir o barulho inconfundível da água se agitando. Já mais próximo, pôde enfim ver o garoto lutando enquanto era arrastado pela correnteza.
― Peter!!
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