Notas iniciais
Adiantei um pouco o capítulo pq não tenho nada pra fazer e estava entediada kkkk mas não se acostumem ;) Tenham paciência com a evolução desses dois, eu gosto de fazer as coisas com calma, o amor vai sim acontecer, mas não é em 3 dias que eles vão cair de amores pelo outro :/

O céu já estava mudando de cor quando Peter acordou. Sentando-se sobre sua capa ele esticou-se e bocejou, depois esfregou os olhos e olhou ao redor. Tony ainda dormia, e como já estava amanhecendo, Peter achou que deveria o acordar para que se aprontassem para sair.

Se levantou então e sacudiu a sujeira da capa, passando a mão por seu cabelo também, tirando as folhas presas a ele, então andou até onde o homem dormia. Se agachou ao seu lado e lhe tocou suavemente no ombro, o balançando com cuidado.

— Senhor Stark — chamou. — Acorde, senhor Stark, já está amanhecendo.

Peter sacudiu o homem pelo ombro com um pouco mais de força, mas se arrependeu no segundo seguinte, quando se viu sendo empurrado contra o chão, com o Stark sobre si o encarando com um olhar sonolento e desorientado, mas também com um brilho assassino e perigoso em seus olhos.

Naquele momento Peter aprendeu que jamais deveria tentar acordar um homem armado se não quisesse terminar com uma faca no pescoço, como agora. Nem havia percebido quando o homem a havia sacado, e a rapidez do ato o surpreendeu.

— Calma, senhor Stark — falou meio trêmulo, mas tentando ao máximo não se mexer.

— Ah, é você — piscando algumas vezes, Tony olhou para o rosto assustado de Peter, e em fim percebeu o que fazia. — Nunca mais faça isso — falou entre dentes.

Soltando um longo bocejo, Tony saiu de cima do garoto e guardou novamente sua faca no cinto, para então recolher sua capa do chão. Olhou mais uma vez para Peter, que ainda se encontrava deitado de costas e visivelmente assustado, olhos arregalados e face pálida.

— Desculpa — disse num suspiro, estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar. — Todo cuidado é pouco quando se anda por aqui.

— O senhor tem bons reflexos — O jovem Parker disse, se recompondo, mas então franziu o cenho e passou a mão no pescoço: — Quase me degolou.

— Pois é, então não faça isso de novo, ou eu posso acabar não ficando no quase.

Peter franziu o cenho novamente, sem saber como analisar tal frase.

— Isso é uma ameaça? — Perguntou, descrente.

O Stark estava ameaçando cortar seu pescoço somente por tê-lo acordado?

— Claro que não — revirou os olhos. — É um aviso. Eu poderia ter te machucado por reflexo. Só… tente não me acordar de repente, está bem?

Peter assentiu, mas não falou mais nada. Ainda estava um pouco assustado, afinal era a primeira vez que tinha tido uma arma tão próxima de um ponto vital. A primeira vez em muito tempo, pelo menos. Pensar nisso fez um arrepio subir por sua espinha. Tentando ignorar os rumos de seus pensamentos, Peter foi até uma de suas bolsas e pegou um pedaço de pão para seu desjejum, e depois de comer, se adiantou para levar os cavalos beber água e também encher suas próprias bolsas de água.

Quando voltou, Tony já estava com tudo praticamente pronto para que saíssem, só faltava selar os cavalos.

— Garoto, você tem algum dinheiro com você? — Tony perguntou.

— Algumas moedas, por quê?

— Me dê aqui — pediu, e Peter estranhou, porém o fez. — Aqui, esconda essas aqui nas botas — Stark falou ao separar algumas moedas.

— Por quê?

— Hoje a gente vai estar no ponto mais próximo do norte, do nosso caminho — começou —, e se por acaso encontrarmos ladrões na floresta, se tivermos algum dinheiro para eles levarem, pode ser que não nos matem, e escondendo um pouco assim, não ficamos sem nada, entendeu?

— Acho que sim — Peter respondeu e guardou suas moedas nas botas, depois voltou a prender o restante em seu saquinho no cinto.

— Agora vamos preparar os cavalos.

Depois de uma breve escovada no pêlo dos animais, os dois colocavam a sela e tudo mais que ia preso nela, então montaram e partiram.

Peter particularmente não gostava muito de cavalgar, balançava muito e seu traseiro acabava todo dolorido no fim do dia, mas sabia que era infinitamente melhor do que ter de percorrer o caminho todo a pé, então se resignava apenas a aceitar a situação calado e fazer seu trabalho.

No fim do dia quando em fim pararam, Peter, pela primeira vez, conseguiu descer do cavalo de uma maneira digna, sem se desequilibrar ou quase cair, realizando finalmente um movimento fluido, como quando o Stark o fazia, e Peter se sentiu muito orgulhoso de si, estava progredindo afinal.

Porém mesmo com todo o progresso, infelizmente a dor em seu traseiro continuava a mesma, e pensando nisso Peter se perguntou por que as pessoas não faziam selas mais macias.

Assim que desceu do cavalo, o amarrou em uma árvore próxima, soltando suas coisas da sela e a tirando também, deixando tudo junto próximo a outra árvore.

— Para que lado fica mais próximo o rio, senhor Stark? — Perguntou, a fim de fazer o seu dever de todo dia enquanto ainda havia luz.

— Não vou deixar que vá sozinho hoje — Tony falou, com seriedade na voz. — Estamos muito perto do norte, é perigoso encontrar alguém por aqui.

Peter engoliu em seco e assentiu, então ambos pegaram seus respectivos cavalos e se puseram a caminhar à direita de seu caminho.

Fizeram o trajeto em silêncio, um pouco mais longo que nos dois dias anteriores, mas em poucos minutos estavam às margens do pequeno riacho. Se mantiveram em silêncio enquanto os animais saciavam sua sede, e logo eles voltavam para onde haviam estabelecido seu local de acampamento da noite.

— Aqui garoto — Tony falou, depois de prenderem bem os cavalos. — Vá acendendo o fogo, eu vou buscar lenha. Isso você sabe fazer, né? — Caçoou enquanto pegava sua pederneira do bolso e entregava ao menor.

— É claro que sei fazer fogo — murmurou com um bico. — Os padres sempre deixam comigo a função de acender as lareiras.

— Alguma coisa você tem que saber fazer. Não saia daqui, eu não vou longe, e qualquer coisa grite, e eu voltarei correndo.

— Tudo bem, senhor Stark, não irá acontecer nada — revirou os olhos, não entendendo toda a preocupação do mais velho.

Em três dias de viagem a coisa mais perigosa que havia visto fora uma aranha que grudara em seu rosto quando não viu sua teia e acabou por dar de cara nela, então não acreditava que agora estariam em um perigo maior.

Então Tony foi-se para o meio das árvores enquanto Peter juntava do chão algumas folhas e gravetinhos secos, os empilhando para em seguida criar faíscas com a pederneira de Tony. Depois de aceso o fogo, sentou-se próximo a ele e pegou suas anotações e rascunhos, ocupando-se de seu encargo original enquanto aguardava o retorno do homem mais velho.

Adicionou mais algumas informações ao rascunho do mapa, assim como o esboço do caminho percorrido até então, ladeado pelo riacho, sempre à direita de seu trajeto. Já estava terminando quando Tony voltou com os braços sustentando uma generosa pilha de madeira, a largando perto do fogo.

— Tudo bem enquanto eu estive fora?

— Sim, só passou uma turma de ladrões, mas eu dei dinheiro a eles, aí foram embora — Peter brincou enquanto fechava seu livro com suas anotações e guardava sua tinta e pena.

— Garoto, eu estou falando sério, quanto mais próximos estamos do norte nesses tempos de guerra, mais perigoso é — Tony falou com um tom duro na voz. — E isso só piora pra nós, já que estamos em uma missão em prol da paz entre os reinos.

— Eu só estava brincando… — murmurou baixo.

— Não vai achar que é brincadeira quando um nortenho estiver chutando sua bunda.

Tony então não disse mais nada, e Peter tampouco respondeu.

Enquanto Tony se ocupava com o preparo do jantar, Peter se pegou sem ter o que fazer. Não estava com ânimo para ler o livro que trouxera consigo, nem para treinar com seu punhal, e menos ainda para jogar conversa fora com o Stark. Antes de sair nessa missão, jamais imaginara que seria tão monótono. Cavalgar o dia todo, anotar pontos de referência, trabalhar no mapa ao final do dia, então ir dormir, somente para repetir esse processo todo no dia seguinte. Era realmente enfadonho. Olhou então para onde os cavalos estavam amarrados, pacificamente pastando uma moita de capim, então resolveu dar alguma atenção a eles.

Pegou em uma das bolsas uma escova, e pôs-se a escovar os pêlos dos animais. Podia não gostar muito de cavalgar, mas dos cavalos Peter gostava. Eram grandes e fortes animais, muito bonitos, e mereciam sua atenção após andarem o dia todo suportando peso e terreno acidentado, então nada mais justo que dedicar a eles algum tempo também.

— Não faça isso — Tony falou ao ver o garoto se abaixar enquanto escovava perto de uma das patas traseiras de seu cavalo —, ou vai acabar levando um coice.

— Ele é um cavalo bonzinho, não vai me dar um coice. — Peter falou, mas se levantou do mesmo jeito, então acariciou a cara do animal. — Não é garoto?

— Você sabe que é uma égua, certo?

Peter então franziu o cenho e se inclinou para olhar por sob o animal, constatando assim a ausência do… bem, constatando que realmente era uma égua.

— É uma boa garota, então — deu de ombros e continuou o que fazia.

Tony riu e balançou a cabeça, achando graça do jeito do garoto. Voltou então ao cozido que fazia, o qual não demorou muito a ficar pronto. Chamou o garoto e os dois jantaram, depois foram se deitar para dormir, já que a noite avançava e a lua estava alta e brilhante no céu.

— Hum, senhor Stark — Peter chamou.

Tony, que já estava indo apagar o fogo para que fossem dormir, parou em meio ao seu ato e olhou para o garoto, que parecia meio desconcertado, então suspirou, pensando que assim como na noite passada, o jovem o encheria de perguntas e não o deixaria dormir.

— O que foi? — Questionou um tanto impaciente.

— Eu preciso ir ali no mato — murmurou, torcendo os dedos das mãos nervosamente.

— Agora? — Perguntou incrédulo.

— Sim.

— Eu vou com você então — Tony falou em um tom derrotado. — Não quero que ande sozinho por aí a noite.

— Senhor Stark, certas coisas é preciso fazer sozinho — Peter murmurou um pouco envergonhado.

— Certo, mas não vá longe — avisou. — E tome cuidado.

Peter assentiu e pôs-se a caminhar por entre as árvores, tentando não se distanciar de onde Tony estava e tentando também não se perder no escuro. Andou um pouco até se dar por satisfeito com o local escolhido, então começou a soltar as pequenas amarras que prendiam suas calças, para então finalmente poder se aliviar.

Quando terminou de atender ao chamado da natureza, voltou a arrumar suas calças no lugar e se pôs rapidamente a caminhar em direção ao acampamento, ou ao menos onde ele achava que estava o acampamento.

Depois de caminhar alguns minutos Peter já estava quase entrando em desespero ao pensar que havia se perdido, mas eis que finalmente avistou o pequeno brilho de claridade provinda do fogo entre as árvores. Suspirando aliviado ele então caminhou em direção à luz, mas parou estático onde estava ao ouvir vozes estranhas.

— Onde está o outro? — A voz desconhecida disse.

— Não há mais ninguém — dessa vez reconheceu como sendo a voz de Stark.

— Está me achando com cara de idiota? Onde está o outro!?

Peter sentiu todo o seu corpo gelar, mas precisava saber o que exatamente estava acontecendo, então caminhou o mais silenciosamente que pode até ser capaz de ver, por entre as árvores, a silhueta de um homem juntamente com a de Stark, e mesmo no escuro era possível perceber que o estranho mantinha Tony imobilizado de costas para si, o ameaçando provavelmente com alguma arma no pescoço, mas Peter não tinha certeza, uma vez que os dois estavam virados para o lado oposto ao seu.

Estava realmente próximo aos dois agora, e era grato à escuridão noturna e às árvores próximas por tornarem mais fácil passar despercebido. Olhou ao redor e pode notar um segundo deconhecido caído no chão próximo ao outro extremo do pequeno espaço aberto em que acampavam, porém não saberia dizer se estava morto ou simplesmente desacordado, mas era fato que um generoso fio de sangue escorria de um ferimento no peito, o qual ainda havia uma flecha fincada.

Ignorando o homem caído, Peter voltou sua atenção aos outros dois, e percebeu que provavelmente o estranho estava procurando por si, já que questionava Tony sobre "o outro". O Stark estava tentando lhe proteger ao dizer que não havia mais ninguém, ou era impressão sua?

Sendo impressão ou não, Peter tinha que fazer alguma coisa, mas o quê? Não era bom em combates, e até tinha uma espada presa ao cinto, mas não sabia como a empunhar, então o que poderia fazer?

Foi levando a mão ao cinto que Peter lembrou-se da existência de seu punhal, então pensou: será que conseguiria acertar o homem? Os dois não estavam tão distantes de si, talvez tivesse uma chance, mas e se acabasse acertando Tony? Bem, isso ele não poderia prever, certo? E precisava fazer alguma coisa.

Foi pensando nisso que ele puxou o punhal da bainha e o segurou em sua mão, então fez o que tinha que fazer.

Notas finais
Gente eu senti falta de comentários no último capítulo, e gostaria de pedir que comentassem o que estão achando, pois do contrário dá a entender que vocês não estão gostando :/ e se for isso, qual o sentido de continuar? Comentem o que gostam, o que não, o que está bom e o que precisa melhorar, seria de grande ajuda e incentivo ♥ Obrigada aos que estão lendo e comentando, vocês fazem a minha semana bem mais feliz ♥