Notas iniciais
Agora que a história começa de verdade :D Espero que estejam gostando ♥ Boa leitura ;)

Peter sentia-se inquieto. A todo instante ficava a alternar seu olhar entre o céu escuro e as ruas da frente dos portões do castelo. Apertava as rédeas do cavalo entre os dedos e vez ou outra acariciava o pêlo do animal.

A manhã estava silenciosa como um túmulo, e a única coisa que conseguia pensar era que ele estava atrasado.

Bem, não necessariamente atrasado, já que a partida havia sido acertada para o amanhecer, e o sol ainda não havia dado seu ar da graça, mas ele estava demorando.

Quando o céu começou a mudar de cor e Peter a perder a esperança de que o homem apareceria, ouviu ao longe o barulho inconfundível de cascos trotando sobre o chão de terra batida, e soube imediatamente que era ele.

Sentiu seu estômago revirar em ansiedade e apertou novamente as rédeas, a ponto das meia-luas de suas unhas ficarem marcadas superficialmente no couro.

Estava realmente muito nervoso com a perspectiva de sair do castelo, onde viveu desde muito novo, e mais nervoso ainda com o fato de que dali a pouco tempo estaria viajando por dentro da floresta durante dias, tendo somente um homem desconhecido como companhia.

Homem o qual acabava de chegar.

Puxando as rédeas de seu cavalo, Tony parou bem a frente do pequeno grupo de três homens que o aguardava em frente aos portões fechados. Deu uma boa olhada nos três, reservando alguns segundos a mais para estudar o rosto do mais jovem deles, parado ao lado de um belo cavalo branco de aparência forte e que estava carregado com provisões, assim como o seu próprio.

— Tudo pronto? — Perguntou Stark, a ninguém em específico.

— Aqui, Tony — disse Steve Rogers, o conselheiro real, aproximando-se e lhe estendendo um pergaminho dobrado e selado com a marca do rei. — Entregue isso ao rei em mãos, única e exclusivamente ao rei.

O Stark assentiu e guardou o papel em uma das bolsas sobre o cavalo, e enquanto isso, Peter percebeu o padre que o acompanha se aproximar.

— Tudo certo, Peter? — O homem perguntou baixinho.

— Sim, padre — o garoto respondeu no mesmo tom. — Só estou um pouco nervoso.

— Ficarás bem — garantiu. — Lembre-se de tudo o que lhe ensinei, agora monte em seu cavalo, o Stark não ficará o esperando.

Peter assentiu e fez o que lhe foi mandado. Com alguma dificuldade ele pôs o primeiro pé no estribo e segurou firme na sela, se impulsionando para cima, sentindo-se muito orgulhoso de si mesmo ao final por ter sentado do lado certo e não ter caído nem se desequilibrado. Sorriu para si mesmo e voltou seu olhar para o Stark, que lhe observava em silêncio.

— Obrigado por tudo, padre — Peter falou. — Espero voltar logo.

— Voltando inteiro já está de bom tamanho — respondeu risonho. — Tome cuidado, garoto, e que Deus os acompanhe.

Peter assentiu em resposta e sentiu seu peito apertar diante a perspectiva de deixar pela primeira vez o lugar onde cresceu, e ainda mais tendo como destino um caminho famoso pela inseguridade. Apertou as rédeas nas mãos e fez o cavalo começar a andar, seguindo o de Stark em direção à saída da cidade.

Os dois então seguiram longos minutos em completo silêncio, este sendo cortado apenas pelo som ritmado dos cascos dos cavalos, e este silêncio todo estava deixando o jovem desconfortável.

— Hum, Anthony Stark, não é? — Se pronunciou inseguro, em uma tentativa de quebrar a tensão entre eles. — Eu sou Peter. Peter Parker.

— Eu sei — respondeu sem emoção.

— O senhor me conhece? — Questionou um tanto confuso.

— Não, perguntei ao Rogers.

Peter assentiu em entendimento e pensou em mais alguma coisa para dizer, mas nada lhe veio a mente, então se permitiu ficar em silêncio e apenas observar o homem que cavalgava a sua frente.

Tony usava uma pesada capa de viagem, a cabeça coberta por seu capuz e ostentando nas costas um arco e sua aljava de flechas totalmente cheia. De trás, Peter podia ver também a ponta de uma espada em sua bainha fazer volume sob suas roupas, e teve certeza de que o Stark escondia muito mais armas em outras partes do corpo, e isso o fez se lembrar de sua própria espada, a qual vergonhosamente mal sabia empunhar.

O garoto então balançou a cabeça e pediu silenciosamente a Deus que não se encontrasse em nenhuma situação durante seu caminho em que se visse obrigado a usar quaisquer armas.

~•~•~•~•~•~

— Vamos parar por hoje — Peter ouviu Tony falar a certa altura, e quase verbalizou um agradecimento por isso. — Ainda temos algum tempo de sol, mas é preciso procurar lenha para a fogueira.

Em silêncio, o garoto viu Tony parar com seu cavalo na pequena clareira em que se encontravam, e com um movimento rápido, descer do animal. Copiando seu gesto, Peter também parou, mas não teve tanta facilidade assim para desmontar, porém contentou-se em não cair de cara no chão, pois isso seria deveras vergonhoso.

Sentia suas pernas bambas e seu traseiro dolorido após cavalgar o dia todo, coisa que nem de longe estava acostumado, e observou Tony prender seu cavalo a uma árvore, começando então a soltar as bolsas presas ao animal. Peter tomou as rédeas de seu próprio cavalo em mãos e o guiou até onde o homem estava, copiando seu ato de o prender à árvore enquanto assistia atentamente o modo como Stark soltava as amarras e fivelas, liberando o cavalo cansado do peso extra.

Um pouco desajeitado, o jovem soltou suas coisas de sua própria montaria, um pouco temeroso de que talvez no dia seguinte não soubesse como as prender novamente, uma vez que nunca foi bom com esse tipo de animal e nem tinha prática na área, e quem o preparara para si esta manhã fora o cavalariço do castelo. Decidiu que essa seria uma preocupação para outra hora, e somente dedicou sua atenção ao que fazia.

Ao terminar de livrar o animal do peso de seus pertences e provisões, Peter pegou seu livro de anotações, tinta e pena, e foi procurar algum lugar iluminado para se sentar.

— O que está fazendo? — Stark perguntou ao ver o garoto se acomodar encostado em uma árvore. — Temos que juntar lenha para a fogueira, dar alguma água aos cavalos e cozinhar o jantar.

— Eu tenho que terminar essas anotações enquanto há luz — Peter respondeu. — Tenho que fazer um mapa, não lhe contaram isso?

— Faça isso depois. Agora levanta daí — disse em um tom duro antes de empurrar para Peter uma panela grande e funda. — Leve os cavalos para beber água e traga essa panela cheia.

— Mas onde eu encontro água? — Questionou confuso aceitando a panela e guardando seus outros itens nos bolsos.

— Aqui — tomou o menor pelo ombro e o guiou até uma pequena trilha. — É só seguir reto sem se desviar do caminho, tem um pequeno rio ao final.

Peter olhou a trilha e tudo o que pode ver a frente era a mesma coisa que vira durante o dia todo: árvores e densa vegetação. Sentiu um certo receio em adentrar a mata escura e desconhecida totalmente sozinho, e isso deve ter transparecido em seu rosto, pois Tony soltou um longo suspiro e disse:

— Não tem perigo nenhum, garoto, mal entramos na floresta, o máximo que pode acontecer é alguma cobra lhe morder.

Isso era pra o deixar mais tranquilo? Pois não funcionou. O medo que sentia não foi o suficiente para o livrar da tarefa, entretanto, então sem tardar o garoto caminhava pela trilha medindo cada passo que dava, em uma mão levava a panela enquanto que com a outra segurava as cordas que prendiam os cavalos.

Seu coração dava um salto a cada mínimo barulho que ouvia, e quase tinha um ataque quando algum inseto voava em sua direção, sua mente a todo instante trabalhando em imaginar todo tipo de situação, desde ser morto por uma cobra até encontrar algum ladrão na trilha.

— Ah, graças a Deus — falou suspirando aliviado quando finalmente encontrou o rio mencionado por Tony.

Deixou que os cavalos saciassem sua sede a vontade enquanto enchia com água sua panela, e aproveitou para adicionar aquela trilha às suas anotações para o mapa em que trabalhava.

Assim que os animais se deram por satisfeitos, Peter os guiou de volta a trilha em direção à clareira, não menos temeroso em encontrar algum perigo em seu caminho, muito pelo contrário, com a luz do dia diminuindo e a floresta ao seu redor gradualmente caindo no breu, mais se intensificava seu receio em andar sozinho. Foi com atenção redobrada que retornou por onde viera, se permitindo relaxar somente quando se viu na companhia de Tony que alimentava um pequeno fogo com alguns gravetos.

— Aposto que se borrou todo sozinho no mato — caçoou ao ver o garoto parecendo meio pálido sair da trilha. — Me diga, criança, é a primeira vez que sai debaixo da batina do padre?

— É- quero dizer, eu não vivo debaixo da batina do padre — murmurou com um bico enquanto amarrava os cavalos de volta na árvore, sentindo as faces vermelhas. — E eu não sou criança.

Tony riu do jeito do garoto, era óbvio que ele estava assustado e que nunca antes havia estado em um ambiente assim, deduziu isso devido as expressões temerosas e ao mesmo tempo fascinadas que ele ostentava em seu rosto enquanto viajavam, achou graça disso na mesma medida em que dava razão ao medo dele, só um tolo não ficaria temeroso em cruzar aquela floresta.

— A mim parece uma criança — provocou. — Agora, criança, me dê essa panela.

Com a expressão emburrada, Peter fez o que lhe foi pedido, e assistiu o homem ajeitar o recipiente de ferro em um suporte de madeira que fizera sobre o fogo.

— Será que agora posso retomar minhas anotações? — Questionou emburrado procurando um lugar próximo ao fogo, a fim de aproveitar a claridade provinda deste, uma vez que o sol já estava quase totalmente posto.

— À vontade… depois que descascar essas batatas.

Tony sorriu com escárnio enquanto jogava duas batatas para o jovem, que as deixou cair em seu colo, e as encarou, tentando ignorar o incômodo que sentia por não poder fazer seu trabalho. Olhou então para a expressão de zombaria no rosto de seu companheiro e suspirou: seria uma longa viagem.

Notas finais
A viagem mal começou e o Peter já está com medo kkkkk tadinho, essa missão promete ;) Espero que tenham gostado ♥ comentem o que acharam :D