Alones
11 Hipnose
Notas iniciais
Savie se sentava numa mesa no canto. Tinha acabado de comer a tal torta com que tinha sonhado nas ultimas horas com Starrk. Agora brincava com o garfo, empurrando um mirtilo (Aka: Blueberry) pelo prato, rindo da forma que a frutinha rolava devagar. Se levantou e saiu dali, foi para o próprio quarto, se sentindo subitamente cansada.
Abriu a porta do aposento, que agora já possuia algumas prateleiras com livros, e uma penteadeira branca e dourada entalhada com motivos étnicos, Cortesia de Haruka. Se deitou na cama e agarrou um travesseiro, se deitando de forma relaxada. Aos poucos perdeu os sentidos que separavam o consciente do inconsciente.
Uma garota de longos cabelos loiros tocava um piano. Tinha as madeixas amarradas por um laço vermelho, e usava um vestido marfim, claramente de tecido nobre. As largas janelas da sala revelavam o outono europeu, França ou talvez Inglaterra.
As notas ecoavam pelo aposento suntuoso e criava uma serenidade melódica que poucas pessoas teriam o prazer de presenciar.
Terminou a partitura e sorriu, orgulhosa consigo mesma, e o mesmo foi demonstrado por um homem loiro, que se encontrava em uma escrivaninha, na qual existiam alguns tinteiros e canetas ponta-de-pena, sem mencionar a quantidade mais do que absurda de papéis e um sinete. Trajava um uniforme militar, nitidamente de alguém em comando, e um sabre que lhe pertencia estava recostada, junto com uma baioneta, na lateral do móvel de carvalho.
Ele sorria de forma tranquila, e bateu palmas por alguns segundos. Os cabelos eram em um tom intermediário entre o loiro e o castanho. Os olhos num azul tão profundo que nem ao menos pareciam ser reais. Se levantou, pousando a caneta em um apoio e caminhou até a garota, afagando a cabeça da mesma, que sorriu satisfeita.
Um dialogo se formou,que por alguma razão era totalmente inaudível, exceto por um trecho:
–... Já, Grimmjow?! — Foi vista então uma terceira pessoa entrando em cena. Um homem alto, moreno, com um olhar quase desinteressado. Quase. O mesmo cumprimentou o loiro, que retribuiu. Ambos iniciaram mais um diálogo, longe dos ouvidos da garota, que olhava para os dois de forma curiosa.
E outra palavra foi ouvida
–... Savie .... — Os dois se despediram, e o maior observou enquanto o loiro caminhava até a menina e a abraçava de modo carinhoso. Era nítido o parentesco dos dois. Algumas lágrimas se formaram nos olhos da garota, que foi consolada mais uma vez e recebeu do loiro um envelope, fechado com um sinete em cor azul.
O homem então se moveu de volta a escrivaninha e pegou o sabre, o posicionando na bainha de sua roupa, e pendurou a baioneta no ombro, olhando mais uma vez para a garota, e então saiu da sala. Pela janela foi visto um cavalo em disparada, com o garoto montado no mesmo. Iria para a cidade, resolver problemas com o regimento.
O homem moreno então olhou para a garota. Algumas palavras ditas, a mesma se levantou, os olhos arregalados em medo, e logo depois saiu correndo. Subiu uma escada, quase caindo devido ao volume do vestido, e empurrou uma grande porta de madeira. Aos tropeços foi até uma caixa, na qual 5 jogos de baralho escondiam uma pistola.
Se virou, o homem já a seguindo, com um sorriso psicopata no rosto. A garota tentou atirar, mas o tranco impulsionou o braço fraco da mesma para cima, fazendo o tiro acertar no teto. Tentou recarregar a arma, em vão, já que não tinha tempo e nem habilidade para por a pólvora no cano. Chorou de forma sôfrega ao sentir o homem a agarrando pelas vestes e a empurrando sobre a mesa escura, removendo de forma violenta as roupas da garota, que continuava a se debater e gritar, na esperança que algum funcionário estivesse por perto.
De algum modo arranjou uma força vinda do além, e chutou o homem para longe, correndo novamente para longe do quarto, e do agressor, que com rapidez se levantou e agarrou uma faca que mantinha na bota de montaria. Se pôs a perseguir a menina. Que agora se via encurralada no banheiro.
O homem se aproximou e falou algo, visivelmente irritado, e logo agarrou a garota pelos cabelos loiros, agora bagunçados, a levantando até a altura dos próprios olhos, de modo que os pés delicados, que eram envoltos por um sapato vermelho e trabalhado com renda, ficaram a uma distância de cerca de 15 centímetros do chão. Apontou a faca para o pescoço da garota, que agonizava, mas desceu um golpe certeiro no abdômen da jovem, e assim fez mais algumas vezes até que...
Savie acordou assustada, a respiração ofegante e os olhos marejados. Sentiu a dor daqueles golpes em si mesma. Não compreendia como poderia um sonho ser tão real. Como poderia Grimmjow estar nele? Loiro? Sacudiu a cabeça de leve e se levantou.
O travesseiro que antes abraçava agora jazia no chão, com marcas de unha. Teria agredido o travesseiro enquanto dormia? Com toda a certeza.
Foi até a penteadeira, olhando o próprio reflexo no espelho que continha uma frase em alguma língua morta na parte superior. Se lembrou do rosto da menina do sonho. Era idêntico. Apenas a cor das madeixas era diferente. Mesmo os olhos possuíam um tom roxo, aproximado do azul. Tocou no vidro gelado, como se hipnotizada. Aquilo era real. E aquilo tinha desbloqueado todo e qualquer problema dentro da mente da garota. Agora sabia bem quem era e se lembrava de tudo que poderia fazer
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Haruka havia acordado de péssimo humor. Ha algumas horas Cirucci havia causado uma perturbação profunda no estado de espírito da mulher de cabelos azuis. Odiava externar sentimentos reais.
Era manipuladora, falsa, havia aprendido a ser uma máscara, como poderia algo tão insignificante como um homem acabar com todo o treinamento que tinha a ponto de se meter em uma briga fútil com uma privaron?!
Acendeu um cigarro e o levou aos lábios com urgência. Tragou de forma profunda, e se olhou no espelho. Trajava apenas um sutiã preto, totalmente rendado de forma delicada, e uma calcinha de renda igualmente preta.
Se achava bonita, e os cabelos revoltos e a maquiagem permanente que fazia parte de sua antiga máscara apenas realçavam a aparência de femme fatale que tinha. Pousou os olhos na tatuagem que tinha no ombro direito.
Uma serpente. Sempre se sentia melhor ao olhar aquele animal que era tão semelhante a ela. Versátil, enganador, cauteloso, porém sensual. Era o símbolo do pecado e da mentira. Era igualmente símbolo da sabedoria e da medicina.
Sorriu para si mesma e removeu as peças que usava, indo em direção a fonte de água fria, sempre presente no ambiente, entrando na água cuidadosamente, com o intuito de manter o cigarro aceso.
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Depois de tomar um banho calmo e de se vestir, Savie rumou ao encontro de Starrk e Lilynette, e juntos foram passar o "precioso" tempo com os outros espadas. Porem, hoje Aizen e seus dois fiéis lacaios esperavam no centro do campo arenoso.
– Finalmente, todos aqui. — Dirigiu um olhar a Haruka, que soprava a fumaça branca para fora de seus pulmões — E como todos parecem ter falhado em analisar as habilidades de seus companheiros, nós teremos que forçar isso.
Gin manteve o sorriso, enquanto sussurrava algo para Aizen, que aprovou com a cabeça.
– E já que não temos voluntários... Cirucci, você vai começar. — A mulher sorriu com orgulho por ser a "escolhida" por Aizen para aquela situação. Mesmo não sabendo o que haveria. Saiu de perto de Nnoitra, que não parecia nem um pouco interessado, e se aproximou do shinigami, fazendo uma reverencia.
– Aizen-sama...
– Escolha um oponente. — Alguns murmúrios foram ouvidos dos fráccions, em curiosidade, e outros dos espadas, em uma recém-formada empolgação de subir um nível por derrotar um superior.
– A Sétima. Haruka. — Cirucci sorriu com escárnio, o que foi semelhante a expressão que Haruka fez ao lançar o cigarro negro no chão e se levantar, ja desembainhando a adaga, e tornando a mesma numa lança. Era mais habilidosa com armas de longo alcance.
Ambas trocaram um olhar de ódio. Logo cada uma estava em uma ponta da "arena", se segurando para não dar o primeiro bote. Os demais espadas olhavam com curiosidade, outros com indiferença. De um modo ou outro uma das duas mulheres iriam ocupar o posto de Espada.
Aizen agora se sentava entre Tousen e Gin, assistindo aquilo de forma relaxada. Era apenas mais um modo de mostrar poder. Sacrificava seus homens de forma gratuita apenas para demonstrar que suas vidas estavam em jogo.
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Cirucci tinha uma vantagem clara sobre Haruka. Com o longo alcance de sua arma, a mesma poderia a atacar de lugares distintos, e evitar a aproximação da mesma, que mantinha a defensiva. Não iria entregar as cartas tão cedo, mas se não o fizesse acabaria com algum ferimento desnecessário.
Com isso em mente saiu do alcance do disco da Privaron e apontou a lança em direção da mesma, formando um cero, de tamanho significativo e formado por uma reiatsu de cor azul. Bastou um disparo para Cirucci baixar a guarda para se desviar do mesmo e Haruka ter tempo de aparecer atrás da mulher, a arremessando ao chão com violência desnecessária.
Com rapidez mudou a própria arma para um machado, que mantinha a mesma cor dourada e a fita vermelha ao fim do cabo. Mirou a cabeça da outra, que se desviou com alguma facilidade e já se pôs de pé. Desejava aquela vaga entre os "amados" de Aizen e não iria a perder, ainda mais para a Espada. Com um comando rápido Cirucci invocou a própria Ressureicion, exibindo as asas com as infinitas penas, e imediatamente forçando Haruka a usar a força total, revelando os quatro braços e a pele de um azul claro, assim como quatro adagas curvas.
Apenas alguns golpes foram necessários até que Cirucci entrasse na defensiva e Haruka mergulhasse no transe que a tomava quando sua vida estava em jogo. Os olhos antes dourados agora eram completamente negros com a dilatação da pupila provocando uma visão ampla e periférica. Em poucos segundos ambas já lançavam as lâminas em direção da outra, causando cortes e alguns gemidos de dor, ou risos, no caso da sétima.
Seu alter-ego não era adepto a falta de sangue, e como tal revelou mais dois pares de braços, que se posicionaram de forma bizarra, como se algum tipo de ritual macabro houvesse iniciado com aquele sangue perdido. Em um único segundo Cirucci se viu no chão, com um corte profundo em um dos ombros e a transtornada Sétima em cima de si, já de volta a forma "humana", porém com os olhos ainda absortos dentro da situação, assim como a força aumentada que aquela forma lhe concedia.
– Tlaloc a fará pagar. — Um sorriso demoníaco tomou o rosto de Haruka quando a mesma imobilizou o braço ainda útil da Privaron, enquanto pronunciava as palavras em uma voz não-natural e posicionou a adaga no centro do peito da mulher. Pretendia arrancar-lhe o coração ali mesmo. Iria oferecer aquilo aos Deuses na esperança de os mesmos realizarem seu único pedido em troca de um pagamento de sangue. Quando perfurou a pele sentiu a mão sendo puxada para trás e retornou de imediato a sua própria consciência.
–Haruka-chan, chega... — Savie segurava a mão da mulher, que se levantou de cima de uma Cirucci desacordada e com um corte que escorria o sangue para fora de seu peito. Nada que não pudesse ser concertado.
Haruka meneou a cabeça, mas ainda desejava que seu outro lado a tivesse matado de uma vez. Ou seria o seu mesmo lado? A confusão era inevitável.
Aizen havia observado tudo com o sorriso sádico de sempre, da mesma forma que Nnoitra. Não iria dizer que uma luta sangrenta entre as duas não era algo um tanto quanto erótico para ele.
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Savie se sentava ao lado de uma Haruka cansada e ainda riscada de sangue, pensando como poderia aquilo tudo ter algum fundo de sanidade. Por um momento jurou que tudo aquilo era apenas a parte sinistra de um devaneio causado por Aizen. E era. Um devaneio real que tinha como objetivo matar alguém não tão forte entre os Espadas. E ela estava na lista.
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