Alone Together

1 Starting At The End


Notas iniciais
Olá! Como vocês estão? Essa ideia me surgiu após ler A Coroa e seu epílogo extra e meio que também logo depois de ouvir a música Alone Together do Fall Out Boy... Ah, e se tem alguém aqui que acompanha "Perfect", realmente, me desculpe pela falta de atualização! Desde que li A Coroa ando meio sem criatividade para continuá-la... Boa Leitura! Espero que gostem (:

This is the road to ruin
And we're starting at the end

— Alone Together — Fall Out Boy

Era um dia de trabalho como qualquer outro. Estava conferindo os toques finais em questão de arquitetura em um orfanato em que Eadlyn tinha me indicado como arquiteto chefe. Eu estava feliz naquele momento. Tudo estava em seu devido lugar, minha carreira ia de vento a poupa, tinha uma esposa que me amava e um filho esperto e saudável. Mal sabia eu como tudo aquilo iria mudar em questão de horas.

— Bom saber que eu nunca erro quando te indico pra alguma coisa — ouvi a voz de Eadlyn atrás de mim — Isto está incrível. Sem tirar nem por. Obrigada, significa muito pra mim.

— Obrigado, Eady... E você sabe que eu faria qualquer coisa por você. É a minha melhor amiga.

— Sabe que eu também faria qualquer coisa por você, não é?

— Sim, você até me expulsou do palácio para provar isso.

Ela riu, abrindo um belo sorriso e agarrando minhas mãos.

— Você nunca vai esquecer isso não é? Mas você sabe que também é o meu melhor amigo, uma das pessoas em quem eu mais confio.

— Sou o seu melhor amigo? Mesmo? Pensei que Ahren e Neena me superassem nesse título.

— Ahren está a um oceano de distância, ainda continua sendo minha outra metade, mas não é o mesmo de ter ele aqui, não posso abraçá-lo, por exemplo. Você eu posso. Quanto à Neena, bem você é minha versão masculina dela.

— Se é assim, é uma honra enorme ser seu melhor amigo, Majestade.

— Também é uma honra ser a melhor amiga do melhor arquiteto do país, acredite — Disse, arrancando-me um sorriso.

— Mas mudando de assunto, como estão as coisas lá no palácio? Erik virá para o jantar hoje ou será apenas você?

— Está tudo em perfeita harmonia. As meninas estão crescendo espertas e saudáveis e pelo o que eu vi hoje antes de sair, pode-se dizer o mesmo de Alex, ele está cada vez mais parecido com você, exceto pelos olhos cinza tempestade, isso veio da Alice.

Era verdade, Alexander, meu filho, era uma pequena cópia minha, tendo inclusive meu jeito de ser, mas herdou uma das coisas que eu mais amava em Alice, seus olhos cinzas, os quais se destacam em meio aos seus cabelos negros como a noite.

— Sim, Alice e eu decidimos deixar ele com a Josie e o Kaden lá no palácio antes dela pegar o avião.

— O que na verdade é uma ótima ideia, as meninas o adoram. É incrível como ele e Lynx conseguem se entender tão bem tendo apenas dois anos e Kettur, bem, ela o acha a coisa mais fofa do mundo...

— Ele também as adora. São praticamente as melhores amigas dele.

— Sugeri para a Alice vir junto com o Eikko, evita o desgaste do aeroporto.

— Obrigado, Eady — agradeci.

— Não precisa agradecer, ela é sua esposa. Faz parte da família também, além do mais, eles vão chegar mais rápido. Eikko me ligou a uma meia hora avisando que já estavam embarcando.

— Que bom, então logo eles estarão por aqui.

— Sim, mas enquanto isso, eu gostaria muito de conhecer esse lugar, tendo ninguém mais ninguém menos do que o arquiteto chefe como guia...

— Seria uma honra — respondi, estendendo o braço para que ela o segurasse.

Levei-a para todos os lugares, mesmo que alguns dos cômodos estivessem bagunçados devido à festa de inauguração que aconteceria em poucas horas. Mostrei a cozinha, a sala de estar, a sala de brinquedos, a sala de jantar, os diversos quartos, o jardim, até os banheiros e o porão e ao sótão, os quais fiz questão de deixar bem iluminado, um lugar como aquele não precisaria de espaços escuros ou que provocassem medo, vez que a maioria daquelas crianças já teriam passados sombrios, não precisariam de mais uma dose de escuridão em seu presente.

No caminho conversamos sobre diversas coisas, como nossa infância, nossos pais, irmãos, filhos e casamento. Estávamos rindo de uma péssima piada que resolvi contar, já no caminho de volta para o escritório em que havíamos nos encontrado, quando fomos interrompidos por um dos rapazes que cuidavam da decoração do evento. Ele parecia desesperado, e sem saber o que fazer quando nos viu, apesar de aparentemente estar à nossa procura.

— James, o que aconteceu?

— Majestade, Senhor Woodwork, é melhor verem isso.

James nos guiou a passos apressados até a sala de estar, onde havia uma televisão. O rapaz, então, pegou o controle remoto e a ligou.

Destroços de um dos aviões da família real foram encontrados a poucas milhas do aeroporto principal de Bankston. Segundo informações, a aeronave realizou uma tentativa falha de comunicação com a equipe do aeroporto, conseguindo contato por poucos minutos.

As equipes de resgate já estão no local a procura de sobreviventes. De acordo com nossas fontes, o avião trazia não apenas o Príncipe Consorte Erik Koskinen, mas também Alice Woodwork, esposa do ex-selecionado, arquiteto e amigo próximo da família real, Kile Woodwork, para a inauguração do mais novo orfanato da capital da província. Infelizmente, o corpo de nenhum dos dois foi encontrado até o presente momento.

Estaremos à espera de mais informações. Obrigada.

Eu estava em choque, assustado e sem saber o que fazer, após algum tempo, consegui reunir forçar e olhar para Eadlyn. Ela se encontrava no mesmo estado, as mãos envolviam os lábios enquanto ela lutava para segurar as lágrimas que estavam prestes a cair.

— Eady — Comecei, com a voz embriagada — Precisamos ir para lá.

A rainha somente mirou-me, ainda com os olhos cheios de lágrimas.

— James, acho seguro afirmar que nossa presença está cancelada ao evento de hoje — Disse, na voz mais firme que consegui.

— Sim Senhor — ele respondeu já saindo do local.

Estendi o braço para minha amiga, a qual o agarrou com as mãos trêmulas, e assim seguimos para o carro que estava à minha disposição.

Abri a porta do passageiro para ela e segui para o lado do motorista. Percorremos o curto caminho até onde o avião havia sido encontrado em silêncio, o qual intensificava ainda mais a tensão do ocorrido.

Era possível ver o caos quando chegamos. Ainda dentro do carro, Eadlyn e eu nos entreolhamos por uma última vez, como se estivéssemos tentando, de alguma forma, encontrar forças um no outro.

Descemos do veículo e partimos a procura de alguma autoridade que pudesse nos informar o estado de toda aquela situação.

Não demorou muito até que, na verdade, alguém nos encontrasse.

— Majestade, Sr. Woodwork. Sei por que estão aqui. Sigam-me, por favor.

E foi o que discretamente fizemos, cortando caminho para não dar de cara com a imprensa que por ali se espalhava.

O homem nos guiou até uma espécie de barraca, onde se podia ver cinco corpos em cima de macas, cobertos com panos brancos. Andamos até duas determinadas macas, que se encontravam separadas por alguns metros das outras três.

— Sentimos muito. Já os encontramos assim. Todos os cinco passageiros morreram na hora por conta da explosão aérea da turbina. Não pudemos fazer nada para salvá-los.

Naquele momento eu sabia. Sabia que, tanto para mim quanto minha melhor amiga, o mundo havia desabado.

Eu perdera minha Alice, a garota misteriosa de cabelos negros e olhos cinza que havia me intrigado desde o primeiro ano da faculdade, a mãe do meu filho, e também perdera um dos meus melhores amigos, um dos caras em quem eu mais poderia confiar.

Eadlyn perdera o homem de sua vida, aquele por quem literalmente quebrou todo o propósito da Seleção, aquele que conquistou seu coração sem ao menos ter a intenção de fazê-lo, o pai de suas filhas, e perdera uma amiga, porque por mais que Alice não fosse Neena ou Josie, eu sabia que elas eram próximas, principalmente após o nascimento de Alex e Lynx.

Eady quase desabou em meus braços quando os lençóis foram retirados. Eles estavam praticamente irreconhecíveis, queimaduras graves se espalhavam por todas as partes dos corpos, porém ainda era possível de reconhecer seus rostos.

Abracei minha amiga com toda a força que tinha naquele momento, sentindo seus braços fracos fazerem o mesmo, sem nos importar com quem quer que fosse que tivesse nos assistindo. Creio que queríamos mostrar que estaríamos sempre ali pelo outro, acontecesse o que acontecesse.

— As famílias dos outros três, já foram informadas? — Perguntou a rainha, com a voz mais estável que conseguia.

— Ainda não, Majestade.

— Então o faça o mais breve que puder. E também entre em contato com o palácio e providencie o envio dos corpos de volta para Angeles o quando antes... E peça também para que comecem a organizar o funeral do Príncipe e da Senhora Woodwork para amanhã, diga que foi a pedido da rainha.

— Sim, Majestade. Irei providenciar isso agora mesmo.

Assim que o rapaz se retirou, eu olhei para a Eadlyn.

— Eady, não é necessário se preocupar com o velório da Alice. Eu posso dar um jeito nisso.

— E você por acaso está em condições, Kile? Porque eu com certeza não estou para fazer o mesmo pelo meu marido. Além do mais, Alice é minha amiga e faz parte da família. Por que seria diferente agora?

— Obrigado, Eady — Disse, segurando sua mão com um sorriso triste.

Ficamos ali por mais alguns minutos esperando o rapaz voltar e confirmar se já estava tudo em ordem e seguimos para o carro.

— Está hospedada no mesmo hotel que eu?

— Sim.

Ao chegarmos no hotel e depois de, com sucesso, escapar da mídia, acompanhei-a até o seu quarto.

— É aqui que eu te deixo, se precisar de algo estarei no andar de baixo — Eu estava prestes a sair quando ela segurou minha mão.

— Na verdade... Kile, você poderia ficar por mais um tempo? Não quero ficar sozinha... E você também parece que não...

Era verdade. Não tinha certeza se ficar sozinho era uma boa opção.

— Tudo bem, eu fico — respondi, encostando a porta atrás de mim.

Encaramo-nos por um momento, sem saber o que fazer a seguir.

— Deixa sair, Eady. Sei que está se segurando para não desabar desde quando vimos na televisão. Não precisa ser forte comigo. Estarei aqui por você.

— Só se você também deixar. Não seria justo. Está sofrendo tanto quanto eu. Posso ver em seus olhos. Estamos juntos nessa, Kile. Eu também vou estar aqui por você.

Aquilo foi tudo o que precisamos para que nos abraçássemos e chorássemos como duas crianças. Duas crianças com uma dor imensa no coração, sem ao menos ter ideia se algum dia ela iria embora.

— K-Kile m-me d-desculpa — Pronunciou Eadlyn em meio ao choro — S-se eu não tivesse insistido para q-que Alice f-fosse com o E-Eik-ko a-ao menos ela estaria vi-viva, v-vo-cê ainda teria uma esposa e A-Alex ainda teria uma m-mãe.

— Eadlyn, não. Pare — Falei, segurando seu rosto em minhas mãos — Em nenhum momento pense que a morte dela foi sua culpa. Não foi. Você só tentou a-ajudar. N-Não teria como você s-saber que aquela turbina iria explodir. Não foi culpa sua.

Eu nos guiei até o sofá mais próximo e me sentei, esperando que ela se sentasse ao meu lado, mas o que ela fez me surpreendeu. Eadlyn se sentou em meu colo e abraçou-me novamente pelo pescoço, o que fez com que eu a envolvesse pela cintura.

— Como vamos explicar isso para as crianças, Kile?

— Não tenho a menor ideia. Alex e Lynx têm apenas dois anos, será difícil assimilarem algo assim tão rápido. Kettur, porém...

— Ela deve estar arrasada. Não tenho ideia de como ela irá lidar com isso. Se a conheço bem, deve estar bancar a forte pelos dois menores.

— O que não me surpreende. Ela tem muito de você.

— Eu só espero que espero que eles estejam bem.

— Eu também...

— Kile, o que acontece agora? Eu me sinto completamente perdida... – Pronunciou após mais alguns minutos de silêncio.

— Nós voltamos para casa, damos ao Erik e à Alice um enterro digno e criamos nossos filhos. Quanto ao que vai aparecer no meio do caminho, eu também tenho nenhuma pista... Eu, por exemplo, acho que terei me mudar. A mera lembrança daquele apartamento me faz pensar nela. Não que isso seja uma coisa ruim, mas...

— Acha que te impediria de seguir em frente... Sabe, você poderia voltar para o palácio... Nem que fosse provisoriamente... Lá tem as meninas, creio que seria bom tanto para o Alex quanto para Lynx e a Kettur, além de você não precisar se incomodar em se deslocar para deixá-lo com alguém a cada vez que precisar sair...

— Espera... A mesma pessoa que me baniu por um ano do palácio oito anos atrás está me convidando a voltar? — Perguntei, tentando aliviar o clima.

— Sim, seu idiota, eu estou — Respondeu com um pequeno sorriso e um tapa no braço — Além de ter algumas vantagens para você, acho que será bom pra mim também ter você por perto.

— Por que?

— Pela mesma razão que você quer sair do seu apartamento, e diferente de você, eu não posso sair do castelo. Fora que quando chegarmos lá todos farão o bom e velho discurso do...

— "Sinto muito", "vai ficar tudo bem", "logo você supera"... Não sei o que é pior, passar por isso ou ficar sozinho.

— Exato. E você sabe tanto quanto eu que, querendo ou não, vão acabar fazendo isso. Eu não quero passar por isso sozinha, Kile. Com a Seleção e os anos aprendi que não sou autossuficiente. Preciso de alguém que me entenda e que faça por mim o que você fez hoje... Por favor, não me deixe passar por isso sozinha se eu tenho você...

Segurei a mão dela e entrelacei nossos dedos.

— Há poucos momentos eu disse que estaria aqui por você e eu também me lembro de ter dito hoje mais cedo que faria qualquer coisa por você. Não pretendo descumprir o que eu disse.

— Obrigada, Kile — Agradeceu, apertando novamente os braços ao redor do meu pescoço.

— Eu que tenho que agradecer, Eady. Quando posso voltar para lá?

— Quando quiser.

— Desse jeito, irei para lá o mais rápido possível... Obrigada, Eadlyn. Mesmo, você não precisava fazer isso.

— E a parte do “você é o meu melhor amigo?”... — Disse ela, fazendo-nos sorrir o máximo que conseguíamos, enquanto ela recostava a cabeça em meu ombro — Estamos juntos nessa pra valer, não é?

E então, sorrindo, eu respondi:

— Sempre.

Notas finais
"Smile, você se sentiu uma pessoa horrível por fazer isso?" Sim, um pouco... Então galera, eu estava pensando... Isso aqui pode ser uma one shot e assim eu deixo o caminho livre para vocês imaginarem o final que desejarem, ou eu posso continuar e dar um final para ela (adianto a vocês de antemão que sou lenta para escrever kkk). Vocês decidem!Só me avisem nos comentários, okay? See you (;
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.