Alone
24 Lembrança
Notas iniciais

Batia na porta em sua segunda tentativa de chamar a atenção do homem em seu escritório.
— Entre. — Disse ele, calmamente.
Girando a maçaneta, a mulher adentrou a sala com um olhar de curiosidade lançado pelo local. Analisou os cabelos castanhos do homem, seguidamente seus olhos cor de mel em uma pele pálida e amarelada. Segurava um jornal, e tinha na ponta do nariz um óculos que acabara de ajeitar em seu rosto.
Percebendo sua presença, o homem ergueu seu rosto sorrindo levemente. Dobrou o jornal colocando-o sobre a mesa, onde apoiou seus braços após retirar seus óculos de leitura.
— Aproxime-se, Rachel.
A loira suspirou, aproximando-se em quatro passos largos e apoiando as mãos sobre a cadeira de couro que ficava frente à mesa, ainda de pé.
— Sente-se. — Ele sugeriu.
— Não. Mesmo assim obrigada, Adam.
— Rachel... — Disse em tom reprovador. — Sou seu pai, não há porquê tanta formalidade. Além de que nós dois sabemos que esse nome não me pertence.
— Desculpa Ada... — Ao ver que estava prestes a cometer o mesmo erro, corrigiu: — Desculpa, pai.
— Agora sim. — Sorriu abertamente. — E então? Como posso ajudá-la, minha querida?
— Pai... Estou aqui para conversar sobre a Lauren...
Insatisfeito, se desfez de qualquer simpatia que aparentava ter:
— Pensei que esse assunto já tivesse sido encerrado, Rachel. — Falou ajeitando-se na poltrona, com as mãos espalmadas no encosto confortavelmente.
— Pai, nesses últimos meses ela tem sofrido muito... — Lamentava a garota. — Eu sei que posso dar um fim à isso, basta que o senhor me permita. Eu não gosto de vê-la sofrer, apesar de tudo você mais do que ninguém sabe que criamos uma amizade, não há como passar por cima disso agora.
Ele tomou um olhar de tristeza.
— Rachel... — Sussurrou, e em seguida um sorriso tomou conta de seu rosto, soltando de seus lábios as seguintes palavras: — Sabes que não sou um homem que volta atrás, e tudo o que faço é com a melhor das intenções. Veja bem, minha querida, Lauren está passando por um desafio que a propus. Assim como você também há de passar pelo seu. Esse sentimentalismo não a levará à nada, Rachel. O que vale aqui é prevalecer meus interesses. Os meus e de todo a minha organização que levei anos para fundar e manter fixa. Foi muito sangue e suor para conquistar o que tenho hoje, e não estou disposto a desfazer-me de todos os meus bens por conta de uma amizade passageira que conquistou com Lauren.
— Pai... O que isso tem a ver com Lauren? Por que ela? Eu simplesmente...
— Rachel. — Interrompeu com a voz dura e firme. — Tenho minhas razões para querer que isso aconteça especificamente com Lauren. Não cabe a você questionar minhas decisões. Apenas faça o que lhe foi ordenado.
— Mas e quanto a Jeffrey?
— Jeffrey terá o que merece, e disso já conversamos.
— Lamento, pai. Mas não sou capaz de fazer isso. — Falou decidida, erguendo o rosto.
O homem parou, pensativo. Fechou os olhos cruzando os dedos brevemente, pegando no telefone ao seu lado e dando uma ordem em alemão para um de seus homens. Rachel, em seu devido lugar, foi tomada pela preocupação e curiosidade, aguardando o telefone ser levado ao gancho.
Após respirar fundo, ele comentou: — É lamentável que eu tenha que recorrer à isso...
Do que ele falava, Rachel não tinha noção, mas poucos minutos depois a porta de madeira foi escancarada brutalmente. Dois homens, igualmente altos e musculosos, carregavam uma senhora de idade, de cabelos loiros com fios grisalhos, dona de olhos castanhos e tristonhos. E como característica principal, a mãe que Rachel não via há treze sofridos anos.
— Mãe! — A loira exclamou, com os olhos lacrimejando tentando abraçar a mulher. Mas sendo barrada por um dos homens grosseiros. Apesar de ambas estarem sendo seguradas de modo bruto, conseguiam sorrir apenas ao ver uma a outra depois de tantos anos.
— Minha menininha... Está tão crescida... — A mulher falava, vendo o rosto da filha e tentando, apesar da distância, tocá-lo. — Eu sempre te amei de todo o meu coração. Rachel... Olhe para você... — Sorria abertamente, algo que nem se lembrava ser capaz de fazer, escorrendo lágrimas por sua face envelhecida. — Me desculpe ter te deixado tão cedo, meu bem...
— Tudo bem mãe... Não foi sua culpa!
Adam fez um sinal para que os homens a soltassem, e assim que o fizeram, ambas correram em um abraço apertado. A mulher beijava a testa de sua filha sem parar, mexendo em seu cabelo e olhando seu rosto de perto, tentando reconhecer algum traço de quando ela era menor e estava em seus braços. Rachel estava claramente emocionada em ver a mãe, pareceu até mesmo ignorar tudo à sua volta por essa razão, tentando recuperar o tempo que passaram longe uma da outra.
— Como está minha irmã? — Perguntou ela, referindo-se a Ariel, sua irmã mais velha que não via há anos, assim como sua mãe.
— Ela está com os outros. — Abriu um sorriso sofrido, que era o máximo que tinha a oferecer. A mulher foi vendida como escrava à Adam, sendo levada juntamente com sua filha da Albânia, sua terra, e trazida para os Estados Unidos. Vendida por uma mixaria, passando seus dias sendo torturada, prestando serviços obrigatórios, e até mesmo sendo abusada por seu senhor. Que por sinal, resultou em sua filha mais nova, Rachel. — Como você está, meu amor?
— Estou bem... — Suspirava a cada frase completa, como se estivesse segurando tudo o que realmente queria dizer em sua garganta, completamente presa.
— Alda, minha amada! — dizia Adam, aproximando-se das duas. — Há quanto tempo, não? — sorriu. — Senti sua falta. E sei que Rachel certamente também sentiu, não é mesmo, minha filha?
Rachel permaneceu calada, enquanto a mãe tentava tranquilizá-la, com as mãos feridas sob seus ombros.
— Agora... — voltou a dizer — Tenho algo pendente... Acho melhor resolvermos entre nós...
Ele tirou um revólver do bolso de seu terno amarrotado, colocando na boca da mulher. Rachel congelou, assim como sua mãe tremeu da cabeça aos pés, olhando em desespero para a filha.
— NÃO! AFASTE-SE DELA! — A menina começou a gritar, e os comparsas de Adam seguraram-a pelos braços evitando que fizesse alguma loucura. — POR FAVOR! NÃO!
— Sabe Alda... Nunca a perdoarei por ter me traído de modo tão asqueroso... Assim como o fruto de sua traição não sairá livre disso. — Falava, passando a mão esquerda pelo rosto da mulher que chorava silenciosamente. Adam sempre foi visto como lunático. Lunático e paranoico. O homem chegou à um ponto de delírio onde acredita que a mulher a sua frente o traiu, resultando em Ariel, que havia nascido bem antes dele a conhecer. Adam de uns anos para cá havia piorado, e mais do que nunca a organização cedia a cada um de seus caprichos. — Veja, Rachel. Veja o que devemos fazer diante da traição, do pecado...
O disparo da arma foi rápido e firme, e a mulher atirada pela boca, logo caiu no chão. Rachel havia soltado um grito no mesmo instante em que a mãe caiu morta, enquanto o homem soprou a fumaça que saía pela arma guardando-a em seguida. Ele encarou com nojo a mulher no chão, ela já não tinha mais nada a oferecê-lo, esse fim chegaria uma hora ou outra. Para ele, ela não passava de um lixo.
— Levem-na. — Ordenou, e os dois homens soltaram a menina e levaram o peso morto para fora. Elegantemente, ele direcionava-se até a poltrona novamente, sentando-se e encarando Rachel que tremia ajoelhada no chão, derramando lágrimas entre soluços, completamente em choque.
— Por quê...? — Ela gaguejava, com a voz trêmula. Ainda em prantos, sua dor podia ser ouvida há quilômetros. — Por quê, pai?
— É preciso sentir isso para ser um bom líder, Rachel. — Respondeu no mesmo instante. — Anda, levante-se. Erga a cabeça, siga em frente. Isso apenas serviu para mostrá-la que qualquer dificuldade serve como incentivo. — Observou-a levantando lentamente, com um olhar assustado e banhado em lágrimas. — Agora, se não quiser que eu faça sua irmãzinha irritante ser estuprada por cada um de meus homens até perder o movimento de suas pernas e deixá-la morta no chão sujo de meus porões, sugiro que passe a obedecer-me.
A loira, com o rosto baixo e com a expressão de pouca felicidade, maneou a cabeça em concordância, como um animal de estimação após ser castigado; reprimido e obediente.
— Ótimo. — Ele sorriu, rindo entre os dentes. — Pois continue com o que pedi, mantenha Lauren dentro do manicômio até minha segunda ordem. Deixe-a sofrer as consequências, passar pelas mais piores situações. É preciso que ela aprenda a ter pulso firme, para enfim poder juntar-se à mim. Não quero que Lauren cometa o mesmo erro que a mãe.
Jeff estava irritado, isso estava longe de ser um bom sinal. Acertava o rosto de Liu com socos e chutes, e o mesmo cuspia sangue assim quando Jeff dava uma folga para recuperar seu fôlego. Era como se faíscas saíssem dos olhos fervorosos do rapaz, e o irmão já fraco tentava sem muito sucesso empurrá-lo para trás.
Liu estava perdendo muito sangue, Jeff aplicava nele todos os golpes que já havia aprendido. Não há como dizer quantas mágoas ambos carregavam para resultar em uma briga tão feia, mas se passasse mais um minuto sequer, Liu acabaria morto e Jeff devidamente ferido.
— JEFF, DÁ PRA PARAR? — Lauren berrou, segurando seu pulso assim que preparou o punho para acertar novamente o rosto de Liu, segurando firmemente com as duas mãos para garantir que ele não efetuasse o ataque. — O que aconteceu? — Perguntou calmamente.
Ele ainda estava se recompondo, sua respiração ainda era acelerada e o suor descia por todo seu pescoço, assim como sua testa que banhou algumas mechas de seu cabelo devida à transpiração.
— Vamos embora. — Disse firmemente, com o mesmo ar ríspido em seu rosto. Ríspido e exaustivo, apesar de tudo Jeff ainda tinha suas necessidades humanas, haviam seus limites, ele apenas recusava-se a admitir isso.
— Mas e o Liu? — Perguntou educadamente, ajudando o rapaz a se levantar, o que não agradou em nada seu irmão.
— É melhor você ir, Lauren. — Liu falou, mexendo em seu nariz que chegou a ficar torto de tanto que foi espancado.
— Sim, é melhor você ir! Porque se continuarmos aqui, certamente meu querido irmão fará questão de foder com nossas vidas ainda mais! — Exclamava Jeff, e Lauren entre os dois não sabia o que pensar. Ao todo, nunca se sentiu tão confusa.
— Mas...
— Vamos logo.
Ela não pareceu gostar muito da ideia de deixar Liu ferido e exposto ao chão. Cuidadosamente, ajudou-o a se apoiar na árvore mais próxima.
Ele sorriu de modo bem sutil. — Obrigado, Lauren.
Jeff rolou os olhos puxando a garota pelos braços e afastando-a do irmão. Sim, talvez estivesse enciumado. Não pela garota estar conversando com seu irmão, mas por ele tentar tirá-la de seu alcance. O paranoico assassino não suportava que uma de suas armas fossem tiradas de si, assim como nada que o pertencesse. Embora Lauren não fosse um objeto, o que bem ele sabe, atualmente é sua parceira, sendo assim um instrumento de auxílio ao seu alcance. Pouco importa se Liu tiver interesse nela futuramente, mas que seja quando sua parceria chegar ao fim, até lá deveria manter distância.
— O que há de errado com você, Jeff? — Debateu-se irritada.
— Não fique tão assanhada para cima de meu irmão, não sabe o quanto está sendo babaca por isso. Liu não é nosso aliado, seja lá qual história ele te contou para fazê-la acreditar que seja um príncipe montado em um cavalo branco, a realidade é outra.
— Mas... Jeff? Desde que você chegou não me deu uma única explicação, só soube apontar o que fiz de errado, ou o que seu irmão fez. O Liu não saiu de meu lado o tempo inteiro, não vejo o que ele possa ter feito que o irritou tanto. Então ao menos me diga o que viu por lá!
— Não vi nada. — Respondeu brevemente, com o cenho fechado.
— Jeff! — Parou de andar, furiosa. Ele encarou-a do canto dos olhos, tão furioso quanto ela. — Não vou ir à lugar algum até me explicar o que... — Em um ato inesperado, ele segurou suas pernas jogando seu corpo contra as costas, carregando-a brutalmente. — EI! — Tentava sair, debatendo-se em vão. — O que pensa que está fazendo?!
— Te carregando.
— Pois trate de me largar!
— Negativo. Apenas fique quieta. Acredite ou não, isso é em prol a nossa segurança.
— Como se você ligasse para minha segurança! — Continuava tentando fazer com que Jeff a largasse. Sem sucesso. Ele além de teimoso, era forte, mesmo sendo tão magro.
— Eu disse nossa segurança. Aprenda a interpretar minhas frases.
Ela bufou longamente. — Pode pelo menos me dizer o que viu lá?
— Já disse, não vi nada.
— Por que estava tão irritado com Liu? Responda!
Jeff ainda estava estressado demais para ter uma conversa civilizada. Sendo assim, Lauren tentava puxar assunto dentro de suas limitações. Afinal, no momento atual estava completamente vulnerável.
— Estava não, eu estou irritado com Liu. — Dizia, soltando o ar pela boca enquanto andava abruptamente, carregando-a. — O que Liu te contou?
— Que trabalhou na polícia enquanto estava à sua procura. E foi exatamente por lá que soube que fui acusada por assassinatos quando minha família foi morta. — suspirando, completou: — Resumidamente, ele tentou me procurar mas foi tempo depois de termos fugido, após o incêndio no hospital psiquiátrico.
— É, ele encontrou uma desculpa convincente. — Ironizou Jeff. — Mas não é exatamente assim. Ele realmente se juntou ao lado de Adam em seus projetos ilegais, tudo para encontrar-me e assim vingar a morte de nossos pais. Por uma razão inexplicável, todos que cruzam meu caminho tem esse desejo não-natural em efetuar vinganças, algo que você tem em comum. O que quero dizer é que Liu pretendia entregá-la para Adam.
— Espera um minuto: Então você me "salvou"? — Perguntou, tanto surpresa quanto assustada.
— Eu me salvei. — corrigiu. — O buraco é bem mais em baixo. O que querem fazer à mim não é nada comparado ao que desejam fazer com você. Se bem que me refiro de modo geral, sendo que na verdade isso se foca mais em Adam. Se algo acontecer com você agora não tem como eu chegar até ele.
— Não estou entendendo nada...
— E não é pra entender. — Colocou-a no chão brutalmente, encarando com empatia. — Infelizmente vou ter que garantir sua segurança, para assim, garantir a minha. Ótimo! Mais um peso morto...
— Você fala, fala... E não diz nada! Dá pra me contar o que está acontecendo?
— Não sei como você reagirá a isso, e como ainda não posso matá-la, melhor eu ter cuidado. Afinal, posso ser um assassino, mas para isso exige muita astúcia. — Falou — Agora faça o favor de acompanhar-me até o carro em silêncio, está certo? Eu disse que não a mataria, mas torturar ainda é uma ótima opção, e garanto que será ainda pior. Apenas entre naquele carro e cale a boca, deu pra me entender?
Achou que Jeff tinha se acalmado, mas foi apenas fachada. Obviamente, acabaria por interrogá-lo quando chegassem até o hotel que se hospedariam. Ele tinha um dom de explicar mil coisas e ainda assim deixar o indivíduo confuso. Tudo o que restara é manter a paciência para tentar convencê-lo a falar.
— Essa conversa ainda não acabou, Woods. — Disse encarando com o rosto erguido, antes de passar pela frente dele e tomar seu rumo.
Ao chegarem ao hotel — que acabou demorando mais que o espero pois o rapaz custou encontrar seu veículo — Woods foi o primeiro a direcionar-se até o quarto, chutando a porta e assim abrindo-a ao cômodo.
Lauren que o seguia mantinha certa distância, entrando em seguida e encostando a porta, na qual mantinha-se por perto sem deixar de encará-lo.
Jeff se desfez de sua blusa, e estando apenas com a fina camisa colada ao seu corpo, a jovem notou que suas costas estavam completamente feridas, pois seu sangue manchava e deixava o pano colado contra ele tal como seu suor. Isso não foi obra de Liu, nem teria como ser...
— Jeff, o que é isso? — Perguntou espantada, aproximando e tentando tocar a área ferida.
Intrigado com sua reação, ele abriu sem humor um sorriso de lado, retirando a camisa para mostrar seus ferimentos. Os traços de sua tatuagem foram tomados por cortes, cada rabisco, cada pequena linha... Foram todos contornados por uma navalha ou faca qualquer. Por ironia, a imagem da tatuagem não foi afetada, apenas recriada em cortes corporais. Provavelmente, tão permanentes quanto a tinta que ele havia usado para a pintura corporal. Como... Se tivesse sido castigado por tê-la a feito.
— Jeff... — Viu as cicatrizes recentes ainda em sangramento.
Algo muito fino e afiado foi utilizado para fazer isso, e imaginou que a dor tivesse sido insuportável, mesmo em momento algum Jeff tendo reclamado. Mesmo ele, que parecia ter prazer em sentir dor, teria um desconforto e tanto com aquilo.
— Espere um instante... — Correu para encontrar entre as gavetas perto do banheiro um vidro com álcool e alguns algodões. Ele observava curiosamente suas ações, e quando aproximou-se das costas dele, ele reclamou por um bom tempo até conseguir convencê-lo de limpar suas feridas. — Agora entendo porquê estava tão descontrolado... Além de ter descobrido algo desconcertante, ainda estava com feridas físicas, o que resultou em um estresse sem igual...
— Sabe, tive uma conversa interessante com Adam... — Comentou enquanto ela continuava a limpar as feridas, com um sorriso de lado. Não parecia incomodado, apenas em feridas um pouco mais profundas ele cerrava levemente os dentes pela ardência. Mas no geral, ele aguentava facilmente qualquer situação em que sentisse dor.
— Você o encontrou? — Por que ele não disse isso antes? Jeff e suas manias estranhas...
— Sim. Liu teve uma grande contribuição para que esse encontro ocorresse, obviamente. Meu irmão me odeia de corpo e alma.
— E você não pode tirar razão dele, não acha? — Disse com as sobrancelhas erguidas, terminando minimamente de cuidar de suas costas.
Jeff moveu os ombros e logo cobriu-se com a blusa, sem vesti-la por completo. — Ele é um tolo.
— Não é bem assim, Jeff. — sentou-se na beirada da cama, com as mãos sobre o colo. — Você sabe que causou um dano muito grande na vida de Liu... E também sabe que assim como ele, você faria o que fosse preciso para dar o troco em alguém, até mesmo juntar-se ao Adam. Infelizmente, é um mal que muitos humanos possuem: o orgulho.
— Está defendendo ele agora? — Indagou, nada satisfeito.
— Você sabe que é a verdade.
— Dane-se a verdade. Eu fui para encontrar torturados, e o torturado foi eu.
Ela sorriu, ironizando: — Um dia da caça outro do caçador...
— Eu não ficaria tão contente se fosse você. Não está em uma posição nada boa, Lauren Cresswell. Não tem noção do que aquele homem quer com você.
— Ele é só um lunático. Seja lá o que for que ele te falou, não passou de palavras.
— Normalmente, eu acreditaria nisso. Mas não, não é bem assim. — Falou com o olhar mais estreito e raivoso.
— O que ele pode me fazer de tão mal? — Riu baixo — Quem está planejando destruí-lo somos nós, não é mesmo? Não há mais nada nesse mundo que consiga me surpreender.
— Lauren, você sabe que não te contarei nada do que ouvi daquele imundo, não é? Portanto, nossa conversa morreu naquele lugar. Liu cavou seu próprio túmulo juntando-se a ele para me destruir, e o que ele fez também morrerá junto, pra mim pouco importa.
— Isso é óbvio, não é Jeff? — Resmungou, parecendo entediada.
— Ele não é seu tio, Lauren. — A garota abria a boca para respondê-lo com um "Disso eu já sei", mas Jeff por sua vez completou antes que ela tivesse essa oportunidade: — Ele é seu pai.
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