Alone
8 Fuga
– Mas Jeff...fizemos um plano e nos arriscamos até aqui pra você dizer que agora teremos que mudar nossos objetivos?
– Os objetivos serão os mesmos, só serão efetuados de forma prática.
– Mas é se arriscar demais...
– A partir do momento em que se planeja uma fuga já é um risco imediato. Agora pare de me aborrecer com isso!
Suspirou dando-se por vencida.
– Tá, mas não será tão fácil entrar lá, e os vigias? O que pretende fazer pra passar despercebido?
– Os mataremos. — exprimiu calmamente.
– M-mataremos?
Mostrou-se confiante, antes de a responder.
– Algum problema? Pelo o que vejo a garotinha inocente não é capaz de cumprir com sua parte...é uma pena, por um momento ainda achei que nossa parceria viesse a me trazer um benefício. Estava errado...
Seu sarcasmo sobressaltava em cada palavra que saía por sua boca.
– Eu não estou voltando atrás, Jeff. Mas não acho justo matar inocentes pra ganho pessoal dessa maneira, mesmo eu que não sou um exemplo de generosidade sei disso.
– Escute sua pirralha, não seja tola! Se não quer matar por considera-los inocentes pense em quantas vezes eles foram subornados consequentemente para seus ganhos pessoais. Pense em quantos pacientes que realmente precisavam de tratamento conseguiram fugir apenas dando uma mixaria pra sustentar esses pobres inúteis. Não há ninguém inocente aqui, só não sei quanto tempo você terá que viver pra notar isso!
Ela não soube como reagir, quando costumava estar perto de Jeff criava vários ideais baseados nos atos do mesmo. Mas vê-lo se pronunciar de forma tão rude de fato a pegou de surpresa.
– Por que você diz isso...Jeff?
– Ora, não seja insolente! Me diga, já ouviu falar de minha reputação, estou certo?
– Bem...na época da escola eu ouvia muito falar no que lhe aconteceu, mas pensava que era uma lenda ou algo assim.
– Pois bem, deixarei claro pra você que muitas pessoas que conhecem minha história costumam me admirar, outras já querem que eu pague pelos meus crimes, mas sabe qual a diferença entre essas pessoas?
– Qual...?
– Nenhuma. Tratarei ambas da mesma maneira, não estou aqui pra ser gentil, eu sou um assassino e não um ídolo Pop. — ironizou — Eu não irei deixar de matar alguém por ela me admirar, tão pouco deixar de ferir alguém por ela sentir medo de mim. Não é esse meu desejo, não é por isso que procuro.
– Tudo bem...mas por que está me contando isso?
– Estou te avisando que não estou do seu lado, planejamos uma fuga, e iremos efetua-la. É só isso. Apesar de compartilharmos o mesmo entusiasmo, não estou propenso a te defender ou esperar sua boa vontade pra sair daqui. Quando formos fugir tenha em sua mente que não deverá confiar em mim, se falhar irei lhe eliminar mais rápido que qualquer outra vítima que tive em mãos. Saiba que eu não sou o mocinho, e se por um momento você pensou isso, devo repetir que não sou uma pessoa confiável, posso desfazer um acordo em segundos se me bem entender. Estamos entendidos?
Rachel apenas assistia a cena um tanto amedrontada.
– Estamos...
– Ótimo. Enfermeira, traga uma faca, ou melhor, duas! Se houver outras opções a tragam também, mas que sejam armas brancas, são bem mais sugestivas.
– T-tudo bem...
– Antes de ir, devo lhe passar as orientações.
– Diga...
– Após pegar os objetos que pedi na cozinha, acione o alarme de incêndio, provavelmente os quartos serão destrancados e os pacientes correrão desorientados. E é aí que sairemos na multidão, matando quem cruzar nossos caminhos até chegar no porão entrando na passagem.
"Você faz parecer fácil Jeff..."
– C-certo...
Ele a olhou desconfiado enquanto ela se afastava começando a agir.
– Jeff...não entendo, não deveríamos invadir o porão a noite? Por que mudou de ideia?
– Por que sua amiguinha quer nos passar a perna.
– O quê?!
– Vai me dizer que não reparou no nervosismo dela?
– Sim, ela está ansiosa mas...iremos fugir hoje, não é exatamente anormal ela se senti assim.
– Está errada, ela iria armar pra gente.
– Eu não estou entendendo! Onde quer chegar com essa conversa? Ela é minha amiga, me ajudou esse tempo inteiro!
– Não, ela não ajudou, só estava aqui garantindo que você não sairia. Se não quer acreditar o problema é seu, mas eu sou tão desleal quanto ela, sei o que estou afirmando.
Lauren não queria acreditar, nem ao menos permitir que aquela ideia passasse por sua cabeça. Rachel tinha sido a única a oferecer-lhe amparo depois de tal adversidade, imagina-la a traindo em um feitio tão repugnante era algo incapaz de aceitar.
Alguns minutos depois Rachel apareceu com uma mochila grande o suficiente pra carregar as peças e apto para não levantar suspeitas.
– Aqui está! Para o Jeff, já imaginei que fosse optar por um facão, e para a Lauren que não tem tanta experiencia peguei um machado prático.
O machado era preto com um designe moderno, sendo prático utiliza-lo. Sua forma tinha um tamanho mínimo, mas sua lâmina de aço tornava o acessório muito conveniente. O cabo emborrachado proporcionava uma pegada firme, causando um corte preciso dependendo da força emposta.
– Obrigada Rachel!
A loira sorriu, tentando passar confiança. Jeff olhava a arma encantado, como se fosse um artista preste a criar sua obra-prima. Aumentava seu sorriso de forma sombria, de certo modo mostrando seu contentamento.
Foram andando prestes a dar início ao que tanto esperavam. Já conseguiam avistar a entrada que levara ao porão, mas Jeff não tirava os olhos de Rachel, como se aguardasse uma ação de sua parte. Quando se deram conta, alguns enfermeiros e vigias estavam indo atrás deles, e foi quando Jeff demonstrou o ódio em seu olhar.
– Eu sabia! Você armou pra gente! — gritou Jeff.
Lauren ficou imóvel, tentando buscar outra explicação pro ocorrido.
– Rachel...isso é verdade?
A fitou sem responder, dando a entender que seu silêncio era confirmativo.
– Como pôde fazer isso? — falava revoltada.
Jeff se aproximou em passos lentos das pessoas que vinham em sua direção, pelo o que estava fazendo parecia que iria se entregar, mas Lauren não confiava nesse tipo de ação vindo dele. Escondeu sua faca atrás das costas, caminhando sem pressa. Ela entendeu o que ele faria, e saberia o que esperar dali em diante, mas no momento seu foco era outro: tirar satisfações com sua amiga. Voltou sua atenção à Rachel quando ouviu o alarme de incêndio sendo acionado, com o barulho em particular vindo de dentro do prédio com pessoas gritando e pedindo ajuda. Jeff saiu logo depois com manchas de sangue espalhados por seu corpo inteiro, tendo sua arma em mãos e um olhar que nunca havia visto antes. Os internos saíram pra fora correndo e causando alvoroço, cada um indo em uma direção. Rachel que assistia a cena incrédula começou a correr ao ter a imagem de Jeff com um sorriso psicótico. Lauren irritada correu atrás tentando alcança-la em meio ao tumulto. Pelo o que tinha visto a maioria dos vigias e enfermeiros tinham saído procurando por ajuda, nem mesmo eles tinham controle da situação.
Quando conseguiu alcançar Rachel pulou em cima dela pra evitar que fugisse, indo parar no chão. Segurou seus braços erguendo seu rosto pra olhar bem nos olhos da mulher, levando sua mão ao rosto da loira com toda a força que tinha.
– Por que fez isso? Me ajudou até aqui pra quê? Qual o sentido disso? Eu só quero entender como alguém pode ser tão cretina ao ponto de fingir tão bem!
– A única cretina aqui é você! — disse ficando por cima e retribuindo o tapa ardentemente.
– O que você ganha mentindo desse jeito?!
– Eu fui... — antes que pudesse responder foi atingida na cabeça por uma pedra grande.
Ao cair pro lado, Lauren teve a visão de Anastasia sorrindo pra ela. A mulher começou a atingir novamente a cabeça da loira, com mais força que antes. Tentou impedir que ela fizesse isso, mas não conseguia se concentrar com tudo aquilo acontecendo ao mesmo tempo. Com mais golpes ela teve o resultado que buscava, fazendo o crânio de Rachel ceder. Era uma imagem perturbadora, e todo o barulho em sua volta só fazia o cenário se tornar mais tenebroso. Ela queria ouvir o que Rachel tinha a dizer, queria entender o motivo pra fazer isso, pra ter escondido isso por tanto tempo. Mas agora era inútil.
Anastasia sorriu ainda mais ao terminar, olhando pra Lauren admirada. Se aproximou enquanto ela tentava recuar, a mulher tocava delicadamente os cabelos negros da jovem. Viu uma faca atravessar a testa fazendo o sangue manchar seu rosto, quando foi retirada lentamente fazendo a mulher cair em cima de si. Era Jeff. Ele parecia estar vivo, tendo o melhor dia de sua vida. A essa altura já tinha matado e ferido muitos internos que passaram por ali, nunca teve um ataque tão intenso.
– Jeff! Ela me salvou...ou pelo menos achou que tinha feito isso...por que a matou?!
– Não faz diferença pra mim! E ela só fez isso por achar que você é a filha dela.
– O quê?!
– Ela te protegeu por isso, achou que era a filha dela, que hoje teria aproximadamente a mesma idade que você!
– Eu entendo... — disse olhando pro corpo da mulher, sentindo-se culpada por esse fim.
– Anda, não temos tempo. Se me atrasar vou te deixar aqui!
Se levantou ainda com as pernas bambas, se apressando pra segui-lo até o porão. Correram tentando empurrar as pessoas que entravam na frente, até que uma das internas pulou em cima de Jeff quase o desequilibrando. Ela o abraçava e não parecia estar disposta a larga-lo tão cedo. A empurrou pro chão assim que pôde voltando a andar, sentindo-a agarrar suas pernas. Isso já tinha acabado com a paciência dele, claramente nenhuma pessoa normal ousaria fazer algo assim à ele. Era difícil saber o que ela pensava, ou pelo menos o que achava que estava fazendo. Lauren olhou pro uniforme que ela usava, lendo seu nome, Aleera. Parecia jovem, e apesar de ser desequilibrada, muito bela. Jeff chutou seu rosto fazendo-a cair pra trás, fincando a faca em sua boca.
Lauren tampou seus olhos, nunca imaginou que veria isso tudo no mesmo dia, ao mesmo tempo...
Ao se livrar do incomodo, voltaram a correr, chegando até a porta que levava ao porão. Entraram o mais rápido possível enquanto a polícia chegava ao local tentando dar conta de todos os pacientes. Era escuro, só havia uma única lâmpada velha iluminando o local, e ter a imagem de Jeff sob aquela escuridão a assustava ainda mais. Depois de procurar impacientemente, ele encontrou a passagem, afastando alguns móveis acumulados. Passaram correndo ainda mais, tendo em mente que apesar do cansaço que estavam sentindo, finalmente teriam realizado a tão desejada fuga.
Continua...
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