Alone
11 Afronta - parte 2

– A-abaixa a arma... — gaguejava.
– Por que eu faria isso? Logo agora que está...tão divertido.
Foi à direção de Lauren tentando segurar com firmeza a faca, tentando acerta-la no rosto. Ela desviou dos ataques nada experientes, apoiando sua mão na barriga da garota e a empurrando na parede com força.
– Estou muito curiosa pra saber o que você fará agora...
O corpo magro e frágil tremia convulsivamente, procurando uma forma de escapar.
– Pelo o seu silêncio, posso dizer que não tem ideia do que fazer não é? — sorriu — Seja o que for que está pensando...não dará certo.
Olhou a jovem, tendo a leve impressão que já a conhecia de algum lugar.
– Estranho...acho que já nos conhecemos...qual o seu nome?
Inquieta, ela não se preocupou em responder.
– Responda. — protestou, irritada.
– Brianna...Brianna Meyer.
– Brianna...eu me lembro desse nome... — tentava se recordar — Brianna Meyer...é claro. Eu me lembro de você. — lançou um olhar irado — Você me trouxe muitos problemas na escola, não pense que me esqueci de tudo o que fez...
– Q-quem...quem é você?
– Logo saberá. — se afastou um pouco a encarando de frente.
A garota cobriu seus olhos erguendo seus braços na altura do rosto, só queria que acabasse rápido...que a dor não durasse muito tempo, e logo pegasse no sono. Mas não foi o que ela fez, ao invés de matá-la rapidamente, como viera fazendo com os outros que tentavam a impedir, Lauren resolveu levá-la até Jeff, como parte do combinado.
Segurou o braço da ruiva a puxando pelo corredor, encontrou uma sala qualquer e adentrou empurrando-a pra dentro, o que a fez cair de cara no chão. Olhou em volta procurando algo para amarra-la, não encontrou nada resistente, então optou por tirar uma tira de sua blusa amarrando seus pulsos pra trás.
– Se tentar fugir, irá se arrepender amargamente, entendeu? — disse tampando sua boca com outro pedaço de pano, tirando da própria roupa da garota.
Por precaução, saiu do local o trancando, levando a chave em seu bolso.
Poucos já tinham fugido, mas os que restavam eram o suficiente pra continuar de onde parou. Segurou a katana se aproximando de um grupo de aproximadamente 15 pessoas, posicionando seu corpo para o ataque. Alguns queriam enfrenta-la, tendo em mente que seria a única forma de sair vivos dada as circunstâncias. Alguns seguravam facas, entre outros objetos pontudos que servissem para ferir.
Entrou no meio deles, erguendo a katana e fitando o reflexo de alguns universitários atrás de si, seria útil pra saber a hora que viessem por trás ataca-la.
Sem mais delongas, acertou o peitoral de um garoto e se abaixou, evitando o ataque de quem estava por trás. Viu o garoto chegar com a faca na altura da cabeça, lançando-a para baixo, colocou sua katana na frente da faca bloqueando o ataque e chutou seu pé fazendo-o se desequilibrar, e cortou sua barriga. Jogou seu corpo pra trás, encostando as mãos no chão e se inclinando até ficar em pé novamente, realizando a famosa estrelinha. Essas técnicas simples, que até uma criança realiza, estavam sendo de muita utilidade pra desviar dos ataques e ganhar espaço pra atingi-los.
Avaliou um objeto pontudo sendo lançado em sua direção, se desviando e vendo ele atingir a testa do garoto que vira ataca-la por trás.
– Vocês facilitam meu trabalho. — ironizou.
Continuou atacando, com velocidade em seus movimentos. Seu corpo entrava em harmonia, seus braços e pernas sincronizavam-se a cada ação de deslocamento.
Cortou ao meio um dos poucos garotos que restara, se surpreendendo em como a força imposta na katana resultou naquele derramamento de sangue.
–
Respirou calmamente, fitando os três garotos que restaram.
– É...parece que só restamos nós quatro, não é mesmo?
Um deles começou a correr, fazendo os garotos o olharem com raiva, murmurando algo como "covarde".
– Nós três... — corrigiu, zombando.
Correu na direção dela, pulando por cima. Ela aproximou a katana do seu corpo direcionando-a para cima, e se jogou pra trás encostando no chão. O garoto, logo se arrependera da tolice que fez, sentindo seu corpo sendo transpassado pelo longo sabre que a garota tanto conduzia. Olhou o sangue dele por toda a curvatura da lâmina, o empurrando pro lado e tirando sua espada de dentro do corpo.
– Quer saber?! Já está perdendo a graça... — pegou sua arma atirando na cabeça do último que sobrara, saindo do local sem olhar pra trás.
Voltou pra sala onde deixara Brianna, vendo-a com a cabeça encostada em suas pernas, mergulhando em lágrimas. Se curvou, apoiando o joelho no chão, ficando na mesma altura da garota.
– Você não se lembra de mim, não é?
Ela mexeu sua cabeça negativamente.
– Mas eu me lembro de você... — sorriu cinicamente — Vamos dar um passeio agora, Brianna.
Seu olhar assustado aumentava, enquanto ela a observava de perto, vendo seu reflexo com o rosto sujo de sangue nos olhos grandes e azuis da jovem que antes teria muito o que viver.
A puxou, levantando-se. Foram até a porta saindo, Lauren segurava a arma em direção da garota que andava em sua frente, apavorada. Ao ouvir grande alvoroço vindo do lado de fora, achou melhor se apressar, mandando ela correr acompanhando seu ritmo.
Encontrou outros grupos de pessoas por onde passara, os eliminando sem muita dificuldade. A descarga de adrenalina percorria seu corpo, causando-a uma força descomunal. Já tinha perdido as contas de quantas pessoas matou, e nem poupava tempo tentando recontar, tão pouco se importava.
Entrou na saída de incêndio, descendo o mais rápido que podia. Brianna ao ver sua breve distração, colocou seu pé na frente fazendo Lauren cair na escada. Isso a enfureceu, apoiou seus braços no chão vendo suas armas caírem longe, enquanto a ruiva refazia o caminho tentando sair. Ela se levantou rápido, correndo até segurar o cabelo dela, jogando na escada, tal como fez com ela.
– Não é muito legal, não é? — falou vendo ela rolar na escada, mas logo segurou sua mão. Queria ela viva, e muito bem acordada pra ver e sentir o que estava prestes a fazer.
Ao chegar perto da saída, Brianna começou a se debater e tentar gritar, dificultando ainda mais sua finalidade.
– Você já tá me irritando. — tirou o pano da boca dela, contendo sua raiva.
– Socorro, alguém me ajuda?! — gritava, esperançosa.
– Ninguém virá te ajudar.
– Socorro. — continuava, a ignorando.
Suspirou, revirando os olhos. Viu a porta da saída sendo aberta, se assustando com quem poderia ser.
– Vejo que cumpriu com o combinado, nada mau... — a voz baixa e áspera invadiu o local, avistando a imagem de Jeff com uma blusa branca suja de sangue. — Sentiu saudades?
– Claro que sim. — retribuiu no mesmo tom sarcástico.
Ele soltou uma risada fraca. Brianna ao ter a visão completa de seu rosto, desesperou-se por completa, começando a berrar ainda mais.
– Que garota irritante. — olhou pra vítima.
– Sim, acho que não conseguirei aguentar isso por tanto tempo... — colocou as mãos em seus ouvidos — Jeff...como veio até aqui?
– Está tudo sendo noticiado na tv, não foi difícil deduzir que você seria a responsável. Por sorte, uma de minhas recentes vítimas possuía um carro e a universidade não ficava tão longe de onde eu estava.
– Veio me ajudar? — arqueou a sobrancelha.
– Não. Vim por conta da garota, ela será minha nova vítima agora, confesso que já estava ficando entediado.
– Tanto faz...
Ela voltou a gritar, esgotando a paciência de Lauren.
– Jeff, tem algo no carro que possa usar pra fechar a boca dessa garota?
– Tenho cola, agulha e linha. Qual vai querer?
– Pera aí, por que você leva essas coisas no carro?
– É um carro roubado, tem até uma echarpe lá dentro. — bufou — Vai querer ou não vai?
– Tá legal...vai logo.
Ele saiu rapidamente, um tanto empolgado.
– O que você...vai fazer? — perguntou, tremula.
– Não se preocupe, não irá doer. — sorriu.
– Aqui está. — disse Jeff entregando.
– Coloque a língua pra fora.
Ao invés de obedecer, fechou ainda mais sua boca.
– Ora, agora que precisamos de sua boca aberta, resolvestes fecha-la? — disse Jeff, rindo e puxando a língua dela pra fora.
Lauren pegou o frasco rígido de cola, segurando a agulha e linha na outra mão. Visualizou em sua mente o que poderia fazer, colocando os itens no chão.
– O que é? Já desistiu? — ironizava.
– Não, querido. — disse pegando uma faca pequena que costuma guardar entre sua meia.
– Você guarda sua faca aí?
– Para de me julgar. — ignorou.
Perfurou a língua da ruiva lentamente, fazendo movimentos circulares pra abertura se estender mais rápido. Pressionou a ponta da língua na parte externa de sua boca, e pegou a cola colocando o gel no buraco formado. Ao terminar, Jeff fechou a boca dela com força, fazendo a cola se juntar, e o sangue sair pra fora. Lauren pegou a agulha e linha e começou a costurar a boca, rindo a cada volta que a linha passava. As lágrimas descontroladas desciam, com aquela dor quase insuportável.
– Não quer gritar agora?
Tanto Lauren quanto Jeff estavam tendo ataques de risos, gargalhadas que iriam a assombrar pro resto de sua vida, que no momento se questionava se demoraria muito a chegar.
– Ok...temos que ir agora. — alertou Jeff, parando de rir e arrastando sua nova presa.
– Tudo bem. — disse pegando suas coisas.
Saíram apressadamente, indo até o carro, onde Jeff colocou a garota no porta-malas. Policiais estavam invadindo o local, sendo assim nem sequer notaram que eles haviam saído. Quando estavam prestes a sair, uma garota, aparentemente de 16 anos, apareceu encantada.
– Jeff? Jeff the killer? Eu sou sua maior fã. — disse o abraçando.
Jeff fez uma cara de antipático, não parecia ser a reação que ele gostasse de ver.
– Você é muito gostoso. — falou, olhando-o de cima à baixo.
"Ela tá falando do mesmo Jeff que eu tô vendo?"– pensava confusa, rindo da situação.
– Aqui vai um presentinho pra minha querida fã. — abriu seu sorriso.
Sem entender, ficou olhando pra ela como se fosse uma doente. Pegou sua faca e em um golpe só, cortou sua boca tal como a dele, apesar do corte não ser fundo. A chutou pra trás e foi até o veículo.
Entrou no carro, fechando a porta. Ele dirigiu o mais rápido que podia, mas logo voltou ao normal após se afastar do movimento.
– Sabe por que te procurei?
– Não...
– Hoje fui atrás do homem que me fez parar no manicômio, seu nome era Kurt Parker. A verdade, é que descobri que ele tinha vários nomes, obviamente, identidades falsas. E sabe qual o nome de uma delas?
– Qual?
– Adam Cresswell.
Arregalou os olhos.
– O quê?! Você deve ter se enganado Jeff...
– Não. Eu não erro nunca.
– Mas...não pode ser.
– Mas é, e encontra-lo será mais difícil do que pensei.
Isso a deixou chateada, de certo modo. Tudo estava indo tão bem...
– E sabe o que descobrimos hoje, Lauren?
– Que temos um inimigo em comum?
– Não, que eu sou gostoso.
Continua...
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