Almost Gods Interativa
6 Capítulo 6: Welcome to training
Notas iniciais
ARCO E FLECHA – EROS
Na mansão do deus Bóreas o que mais havia eram portas, o que faria sentido caso fosse à casa de Jano. E elas escondiam diversas salas que precisaríamos anos e anos para descobrir os segredos de cada uma.
Encaminhando para uma destas (a porta que era de um cinza metálico com barras horizontais para abri-la e tinha um pequeno número em cima desta, parecendo uma porta de um ginásio de escola), estavam Alec, Luna e Skyler.
Na entrada estes se entreolharam e tomando a iniciativa após um longo suspiro que – claramente — indicava irritação Skyler entrou primeiro com o nariz empinado, foi seguida de perto por Luna que repetia a atitude da primeira com uma indiferença um pouco maior, por fim balançando a cabeça de um lado para o outro Alec foi último e a porta do centro de treinamentos fechou a suas costas.
Imediatamente este colocou a mão no bolso de sua calça e começou a girar o anel que escondia ali, a sala onde entrara era totalmente branca em exceção uma das paredes que era forrada de vidro com ladrilhos cinza refletivos no chão dando a impressão de um lugar maior. No centro desta três bonecos estáticos tinham mal pintados no peito um alvo e ao redor algumas cercas vivas assim como barris, caixotes e até baldes, que eles presumiram servirem como “cobertura” enfeitavam o lugar. Já no outro canto da sala havia outra porta que ficava escondida atrás de um divã de veludo vermelho.
Como em uníssono os três expiraram alto em um claro sinal de frustração. Além deles não havia mais ninguém ali!!
Luna em um claro sinal de rebeldia chutou um dos baldes e urrou com raiva:
– Nos mandaram aqui para o quê?? – Apontou ao seu redor. – Limpar a “pichação” feita nos bonecos?? – Argumentou tácita.
Após sua demonstração de raiva um silêncio seguiu que só foi quebrado quando um “TSC, TSC” começou e se tornou insistente. Os três – mesmo não cofiando um no outro – levaram a mão para as armas que tinham pensando ser um ataque.
– Creio eu que não deveriam tratar-me desta maneira. – Começou uma voz que poderia ser apenas descrita como bela. – Principalmente quando estou sentado aqui!! – A voz sem dono vinha do canto em que estava o divã.
– Eros?? – Perguntou Skyler excitante, lançando um olhar fixo pro canto.
– E quem mais seria? – Ironizou a voz, aos poucos o dono da voz foi aparecendo.
E dali um homem muito bonito se mostrou, os cabelos loiros que tinham cachos perfeitamente desenhados emolduravam um rosto andrógeno com olhos verdes brilhantes, os lábios fartos e rosados se crispavam mostrando dentes incrivelmente brancos, seu nariz fino e as bochechas magras ressaltavam a ironia que transbordava na sua voz bem como as sobrancelhas finas e claras. Ele vestia aquelas roupas de ginástica que deixavam em evidência os diversos músculos de seu corpo, mas apesar desta pré disposição a esportes ele continuava deitado no divã.
– O que um deus como você tem a ensinar para gente? – Alfinetou Alec no mesmo tom com uma pitada de nojo.
– Bem, muito mais do que você imagina. – O deus se levantou calmamente e de um bolso do shorts tirou um pequeno controle remoto. Apontou para a direção daquela parede de vidro e com um sorriso de flerte apontou para os três que o olhavam céticos. – Vejam e aprendam.
Após a sua eloquente frase o caos se instalou pela sala. Como em um filme futurista as luzes se apagaram e lasers começaram a brilhar pela sala formando homens e logo após um momento fazendo com que estes desaparecerem. Eros continuava no meio da sala olhando para as mãos como se nada reaumente importasse, a suas costas um homem holograma se formou e, diferentemente dos outros, não desapareceu. Avançou na direção do deus pelas costas, que não tinha nenhuma arma em vista, levantou o seu machado holográfico e com um soltar de mãos ele caiu... No chão. Em um piscar de olhos Eros havia adquirido seu próprio conjunto de arco e flechas e apontara para o coração do “homem” fazendo com que esse desaparecesse, mas seu machado não. Então um novo surgiu à direita desta vez com uma espada e virou o deus com um pontapé, este enquanto caía soltou uma nova flecha que fincou na cabeça do segundo oponente. O terceiro não se via em lugar algum, apenas novas flechas que encaminhavam para o deus em saraivadas. Eros com um olhar indiferente soltou apenas uma flecha que fez com que todos os laser acabassem.
As luzes se acenderam e no meio da sala estava o deus de joelho, ao seu lado ainda de pé estavam os bonecos. Só que desta vez uma coisa estava diferente, já que um tinha uma flecha no coração, o outro na cabeça e o terceiro no pescoço.
– Acho que isso foi uma boa demonstração, crianças. – Apontando para um armário no outro canto da sala disse. – Peguem suas armas.
ESTRATÉGIA – JANO
Após a primeira aula um tanto quanto conturbada, quase todos os semideuses apresentavam escoriações dos mais diferentes níveis. A próxima porta em que se encontraram era diferente das últimas, afinal esta parecia “normal”. E quando os seis semideuses que esperavam na porta entraram, perceberam que às vezes normal está intrinsecamente ligado com chato.
A sala não só parecia imensa como realmente era. E era o que chamaríamos de: biblioteca. Todas as paredes estavam recheadas e lotadas de livros com títulos impronunciáveis e outros nem tanto. No centro da sala havia três mesas, duas delas com três lugares cada e a última com apenas um banco giratório.
Neste mesmo banco estava sentado um deus que parecia estar em uma discussão ardente... Consigo mesmo. O deus era a personificação da diferença, não pelo fato de ter dois rostos. Tudo bem que um dos rostos mostrava ser de um senhor com a idade mais avançada, mas mesmo assim sábio enquanto o outro de uma criança com não mais de cinco anos de idade e com muito a se viver. Sem falar o fato de que que tudo isso estar junto em um corpo de um homem em plena maturidade.
– Devemos começar assim, por que é muito mais fácil!! Eles atingirão o destino mais rápido! – Argumentou enfaticamente o mais novo.
– Não!! O caminho mais fácil nem sempre é o mais correto e aquele que atingirá melhores resultados. – Contra atacou o outro.
– Sim, você está certo. – Concordou com manha o primeiro. – Mas você também deve concordar que toda essa teoria não os levaria a lugar nenhum.
– Mas essa teoria é necessária!! – Soltou um grito enfático o primeiro. Ambos pararam quando ouviram uma cadeira se arrastando tirando o fascínio de todos daquela cena. Nathan tentava – mas não conseguiu. – sentar sem fazer qualquer barulho e quando todos o fitaram ele os olhou com indiferença.
– Bem vejo que todos estão aqui. – Disso o mais velho. – Nós somos Jano, o deus das escolhas. – Fez uma pequena reverência em reconhecimento aos semideuses que estavam ali. – Pois bem, Rowan, Nathan, Skyler, Theodore, Katherine e John...
– Decidimos começarmos pela parte chata. – Revirou os olhos em contragosto. – Mas, primeiramente... – Seus olhos brilharam e o seu outro eu concordou com um aceno. – Devemos ver como vocês são como estrategistas. – Com um estalar dos dedos as mesas foram substituídas por três mesas pequenas com dois lugares cada. Sentados de frente para o outro estavam Katherine e Skyler, Rowan e Nathan, John e Theodore.
– Vocês sabem me dizer qual é o jogo mais estratégico que um dia já foi criado? – Disse o mais velho que sem ao menos fazer um pausa continuou. – Isso mesmo o XADREZ.
Ao dizer essa simples palavra um tabuleiro apareceu na frente das duplas, daqueles que você compraria em uma lojinha qualquer.
– Você deve estar pensando: Xadrez?? Essa porcaria? – Começou o mais novo. – Sim, essa PORCARIA!!! Mediremos o seu nível a partir das suas jogadas únicas ou pensadas. – Todos o fitaram com cara de paisagem ao qual ele respondeu enigmático. – Vocês verão!
– Agora, COMECEM!! – Disse com um piscar de dedos.
Sinceramente, os deuses deviam se preocupar e botar mais fé nos deuses “secundários”. Porque naquele momento algo extremamente diferente aconteceu.
Quando Jano estalou os dedos os Almost Gods não olhavam para o seu tabuleiro eles estavam em uma nova arena. Pareciam que estavam cada um em uma bancada e abaixo enfileirados estavam dezesseis pessoas vestidas das mais variadas maneiras que caracterizavam cada peça de um tabuleiro comum.
Através da Arena as meninas se fitaram e Katherine disse com uma voz poderosa.
– Peão de 6C. – E a partida começou para elas. Cinco minutos depois ambas jogaram o seu rei para o chão, desistindo. Ao voltarem para o mundo real em seu tabuleiro o que era capaz de se ver eram apenas duas peças movidas o jogo dentre elas foi totalmente mental. Com uma subjugando a outra a partir do receio de uma jogada errada e a outra manipulando para que as jogadas da sua oponente dessem errado, tudo como um jogo mental.
No extremo oposto Theodore se remexia na cadeira e John tinha um sorriso presunçoso na face. Em seu próprio mundo o primeiro se mostrava muito bom nas estratégias que criava e a cada nova jogada era uma peça a menos para Theo. Porém o que John não sabia era que Theo conseguia ler seus pensamentos e a cada nova jogada era uma nova estratégia que este último planejava. Excitante com um nervosismo inexistente ele disse:
–Cheque. – John o fitou cético e moveu uma peça errada do deixando o rei mais exposto, possibilitando que Theodore o matasse de duas maneiras. Trocando o sorriso de pânico por um de vitorioso ele disse saboreando cada uma das letras:
– Xeque-mate. – E a sua própria arena desmoronou ao seu redor.
Já Rowan e Nathan eram os que não sabiam exatamente o que estavam fazendo. Jogando peças ao relento e perdendo muitas oportunidades verdadeiras de ganho, mas tudo o que os guiava era a antipatia que sentiam um pelo o outro.
Todos na sala os fitavam interessados, mesmo que não fosse possível ouvir um pio. Suor saía da cabeça de ambos e os dois praguejavam assim que uma peça sua era tirada do campo. Em uma explosão de raiva Rowan jogou tudo ao chão.
– Ganhamos os dois. – Disse com um dar de ombros e uma olhada afiada do outro.
– Concordo.
– Já que terminamos. – Disse Jano ironicamente. – Vamos dizer o que vocês fizeram de errado.
FACAS E ADAGAS – KERA
A última porta do longo corredor era a mais estranha que se encontraria ali. Sua porta era feita de mogno negro com alguns detalhes prateados nada de estanho até aí, mas o fato estranho era dela estar toda furada como se bilhões de abelhas a tivessem picado.
Rowan que ainda estava com o orgulho ferido foi o último a entrar com certo atraso. Virou-se para fechar a porta e um pequeno vulto passou por sua orelha e um baque surdo fez com que fitasse a faca que estava a alguns centímetros da sua cabeça.
– Isso, querido, é para não chegar absurdamente atrasado em minha aula!! – Repreendeu uma moça que estava em pé, na frente dos demais.
Ela vestia aquelas roupas coladas de ginástica que faziam suas curvas serem ressaltadas, os longos cabelos pretos estavam presos em um rabo de cavalo alto e bagunçado, seus olhos azuis claríssimos brilhavam com uma chama de desafio e toda a perfeição da sua pele e feição deixava claro que se tratava de uma deusa apesar da tenra idade, como a deles.
Os olhos dele passeavam por seu corpo e para o rosto quando um novo baque soou do outro lado, ninguém a tinha visto se mexer!! Mas outra faca estava cravada na porta. Uma ótima explicação para tantos furos.
Enquanto ele caminhava para o lugar que estavam todos, ele absorveu o ambiente em que estavam. A sala ampla era feita só com paredes espelhadas em exceção naquela que ficava a porta, seu reflexo o olhava abismado do teto da parede dos fundos e ambas as laterais. Já o chão contrastava por ser branco, parecendo à neve que caía do lado de fora. Próxima à parede dos fundos havia um degrau sobressaindo e ali estava a deusa com um boneco que soltava palha por todos os lugares possíveis. A sua frente Skyler, Theo e Kath estavam lado a lado sentados, atrás destes Luna estava sentada enquanto Alec observava a todos inquiridor. Fazendo com que Rowan sentasse ao lado de Luna que o olhou com uma indiferença irritadiça.
– Muito bem, agora que ele chegou damos continuidade a nossa aula. – Disse a deusa sorrindo. Pegou uma adaga próximo ao chão e disse. – Como demonstrei com certa destreza as adagas são estas mais alongadas, com fio duplo e uma ponta afiada e ótimas para praticar pontaria. – abaixou-se e pegou uma faca. – Em comparação as facas tem apenas um fio, ponta afiada, mas elas são preferíveis em combate corpo a corpo. – Fez uma pausa então continuou. – Claro que se a única coisa que você tiver for uma faca é claro que você tentará jogar em um oponente e não está errado, caso você tenha a mesma destreza. – Jogou um kit lacrado para cada semideus ali. Apontando para Skyler e Rowan disse. – Os dois, aqui.
Os dois se posicionaram frente a frente com a deusa e os outros observaram só na expectativa: Rowan na frente do boneco.
– O que?? – Perguntou confuso.
– Na frente do boneco. Agora. – Ela apontou enquanto o empurrava. – Pegue a sua adaga Skyler e vocês prestem atenção!! – Ordenou. – Pois bem, pegue a faca primeiramente, isso mesmo. – Assentiu quando Skyler pegou a arma correta. – Vá em direção ao seu oponente. – Com um crispar de lábios. Mas não é Rowan e sim o boneco. – Apertou um botão em um controle e o show de pirotecnia iniciou novamente, infelizmente para Rowan o boneco ganhou vida e o agarrou sufocando o seu ar. – Avance com a faca apontada para o oponente. – com urgência disse. – Seu companheiro está ficando sem ar. Rápido!! – Skyler avançou e esquivou quando o boneco com um chute tentou tirar a faca da sua mão. – Isso mesmo!! – Elogiou Kera. – Mova-se de maneira a chegar próximo a ele e mesmo assim de uma maneira que você consiga se defender. – Ela fez avançou pelo lado em que o braço do boneco segurava em um aperto sufocante o pescoço de Rowan, e quando o boneco se virou para ataca-la ela se esquivou passando por baixo das pernas dele e ficando de costas para esse e com um golpe furioso estacou o boneco pelas costas. Este largou imediatamente Rowan que tossiu sem parar com o excesso de oxigênio. – Parabéns!! Menos de cinco minutos!! Superou as minhas expectativas. – Elogiou Kera chutando uma adaga para a menina. – Infelizmente isso é só o começo. – Disse enquanto o boneco vinha por trás da garota.
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