Almost Easy For My Little Duck
2 Welcome to the family
Notas iniciais
Espero que gostem.
-Você tem certeza do que vai fazer? – Daniel me perguntou, pela décima vez apenas hoje.
-Ta surdo porra? – falei irritada e ele me olhou feio.
-Ok Mel, não vou falar mais nada, a vida é sua mesmo! – ele terminou de fechar a mala.
-Que vida? – sussurrei baixinho, por sorte, ele não ouviu. Ou se ouviu, fingiu que não o fez.
-Mas agora sou eu quem pergunto Dan, você tem certeza de que quer me acompanhar? – o olhei preocupada e ele sorriu.
-Para de frescura mulher! Até parece que você não sabe que eu quero tanto essa viagem como você! Fora que eu nunca deixaria você viajar sozinha! – revirou os olhos.
-Eu já sou emancipada! – falei e ele riu.
-Eu sei, já fui eu mesmo quem falsificou a assinatura do seu pai, lembra? – perguntou e eu ri.
-É, você tem razão. – ele também riu – Mas Dan, e a sua...
-Você sabe muito bem que eu quero que a minha família se exploda! – fechou a cara.
-Certo, não está mais aqui quem falou! – levantei minhas mãos em rendimento.
-É bem mesmo! Agora vamos que o taxi já chegou. – falou, pegando a minha mala e a dele, levando-as para o carro. Eu peguei nossas mochilas e fiz o mesmo, fechando a casa ao sair.
-Eu vou sentir falta daqui. – murmurei quando entramos no carro, olhando para minha antiga casa, eu tinha boas lembranças dali.
-Eu sei Mel, mas não se esqueça de que nada é para sempre! – me abraçou e eu sorri.
-Aeroporto, por favor. – pedi e o motorista começou a andar.
Em menos de quinze minutos, chegamos ao aeroporto e fizemos o check-in.
-Moça, você ainda é menor, preciso da autorização de seus pais. – a recepcionista veio me encher o saco.
-Olha, eu já te entreguei a minha identidade e a minha emancipação, pra que você quer mais alguma assinatura? – perguntei, mas antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, uma senhora de idade começou a reclamar pela demora, dizendo que ia processar o aeroporto, então a mulher me liberou.
-Foi quase. – murmurei pro Dan.
-Quase? Queridinha, quem você acha que pagou a velha? – olhei pra ele e sorrir.
-Você é demais! – lhe dei um beijo estalado na bochecha e ele riu.
-Eu sei! – sorriu convencido.
Logo ouvimos a chamada para o nosso vôo e entramos no avião, eu fiquei no meio, Dan na janela e uma moça de uns 30 anos do meu outro lado.
-Nossa, o vôo está atrasado, já são 10:30! – falei olhando meu relógio, era pro avião sair 10:00.
-Tanto faz Mel, eu vou dormir, ok? – Dan disse, bocejando.
-Ok, Dan, quando agente chegar eu te chamo.
-Ta! – ele disse e se virou.
Eu me acomodei e quando ia ligando meu Ipod, a mulher ao meu lado, fala.
-É seu irmão? – apontou para o Dan, eu neguei com a cabeça.
-Ah, namorado? – perguntou e eu neguei de novo.
-Não, é meu amigo, por quê? – perguntei e ela sorriu.
-Nada, é que vocês parecem bem íntimos, eu poderia jurar que são irmãos, apesar da aparência.
-Nós nos conhecemos há muitos anos. – falei sorrindo, me lembrando da época.
-Preserve sempre essa amizade, pois os amigos, são a melhor coisa que podemos ter. – falou sorrindo e logo depois voltou sua atenção para a revista que estava lendo, eu dei de ombros e comecei a ouvir musica.
Daniel e eu éramos amigos há 5 anos, nos conhecemos na verdade, em um site do Avenged Sevenfold, quando eu estava em uma época muito difícil de minha vida, por acaso, ele passava por uma situação semelhante e nos aproximamos bastante, desde então, nunca nos desgrudamos.
Dan é 6 anos mais velho que eu, ele tem 22 e eu tenho 16, mas é como se ele tivesse a minha idade. E antes que você se pergunte, nós nunca ficamos, por um simples fato: ele é gay. E foi exatamente por isso que a família dele o deserdou, por sorte, ele herdou uma herança gorda da avó dele e vive bem.
Comigo as coisas já são um pouquinho mais complicadas. Pra começar, vou me apresentar, sou Melanie Sullivan Haymer, nunca fui uma garota popular pois minha aparência é completamente normal, cabelos lisos meio ondulados até metade de minhas costas, completamente pretos, pele branca normal, altura mediana e etc. a única coisa que faz diferença é meu olho, que foi a única coisa que herdei de meu pai, meus olhos são de um azul profundo e bem vivo. Quando eu falo a única coisa, excluo a herança, ok?
Agora vamos para minha história de vida, como você já deve ter percebido, meu nome tem Sullivan, e antes que você vá pensar merda, eu NÃO sou filha de James Sullivan, e sim, prima de primeiro grau, mas como ele sempre foi mais velho que eu e meu padrinho, eu o chama de tio Jimmy.
O pai dele, era irmão de meu pai e meu pai o tratava como um segundo filho (na verdade, como primeiro, já que ele nasceu 13 anos na minha frente. Minha mãe (que por acaso, é irmã da mãe do tio Jimmy) nunca gostou de seu sobrinho, pois sempre o achou levado demais.
Até aí, a história está linda. Mas quando eu tinha 5 anos de idade, meu pai morreu de câncer de próstata e meu mundo desabou pela primeira vez, minha mãe ficou ainda pior do que eu, entrou em depressão e tentou se matar, por sorte, eu não vi. Mas tio Jimmy chegou e me tirou dali, me levando pra sua casa, eu fiquei morando com ele por 1 ano, e quando eu falo ele, incluo todos os que moravam naquela casa também, ou seja, Zacky, Johnny, Syn e Matt.
Sem exagero nenhum, digo que minha vida foi perfeita durante essa época. Mas tudo que é bom acaba, logo que minhas aulas iam recomeçar, minha mãe chega e me tira da minha casa, pois eu também fazia parte daquela família de tatuados. Mas ela simplesmente me tirou e disse que nós íamos nos mudar de Long Beach, indo para Washington D.C., pelo menos ela deixou que os meninos me vissem quando quisessem (mas tinham que ligar antes) e que tio Jimmy me pegassem nas férias.
Mas isso apenas nos dois anos seguintes.
No terceiro ano, ela só deixava eu passar três semanas com tio Jimmy e apenas uma visita por mês pra cada um. E foi daí pra pior.
Pelo menos no meu aniversário pelo menos, todos vinham.
Quando eu fiz 12 anos foi que o pesadelo realmente começou, foi no dia 28 de dezembro de 2009 que eu conheci o real sentido da palavra tristeza. Nesse dia, meu mundo desabou pela segunda vez, e desde então, vem desmoronando cada vez mais.
Pra completar, minha mãe me proibiu de ir ao enterro da pessoa que eu mais amava no mundo, a pessoa que sempre me entendeu, sempre me apoiou, da pessoa que era a minha luz, minha alegria.
Como se ele soubesse, veio uma semana me ver, minha mãe, pra variar, disse que ele não podia sair comigo, mas eu simplesmente saí correndo pros braços dele, que saiu correndo comigo e entrou no carro, que Matt acelerou na hora.
Bom, isso foi há 5 anos atrás, eu entrei em depressão, tentei me matar, tive TOC, gastrite, entrei pro Fã Clube Oficial do A7x e finalmente me reencontrei, conheci o Dan, virei fã de carteirinha e bom, nesse exato momento, nós estamos indo nos encontrar com mais algumas pessoas do Fã Clube.
Há 4 meses, eu fugi de casa e voltei para a casa que me pai alugava aqui em Washington, estava completamente abandonada, Dan veio morar comigo, até hoje, que é o dia de irmos para Orlando. Quando meu pai morreu, deixou toda a herança pra mim, já que minha mãe sempre teve seu próprio dinheiro, graças a emancipação falsificada que Dan fez pra mim, consegui pegar uma boa grana do banco, por sorte, ainda tem bem coisa lá dentro.
Daqui a uma semana, o Avenged entra em turnê, a primeira turnê sem tio Jimmy, e como eu e Dan não somos burros nem nada, garantimos desde o ano passado nossas vagas no ônibus do Fã Clube, que partiria hoje a noite de Orlando, por isso, nós estamos indo para lá.
-Mel... – Ouvi a voz de Dan e me virei.
-Que?
-Nós já estamos a quanto tempo no avião? – disse fazendo careta, ele odiava viajar por muito tempo.
-Não esquenta, daqui a 20 minutos no máximo nós chegamos. – falei e ele assentiu, pegando um dos meu fones e colocando em seu ouvido. Estava tocando Famous Last Words, do My Chemical Romance, uma banda que nós dois somos muitos fãs.
Depois de uns 20 minutos, chegamos. Reparei que a moça do nosso lado não parava de olhar para o Dan, e ele não parava de olhar para um carinha do outro lado do corredor, é a vida!
Eu até que entendo a moça, o Dan é um gato. Típico garoto americano, loiro, relativamente musculoso (como o Synyster), cabelos mais ou menos longos, olhos verdes e sorriso de bebê. Muitas mulheres dariam tudo e mais um pouco pra ficar com ele, pena que ele não pensa assim.
As vezes, quando nós saímos, algumas garotas me olham com raiva e até me xingam, o idiota só faz rir da minha cara e ainda me abraçava, fazendo elas quase me matarem com o olhar.
Descemos do avião e pegamos nossas mochilas.
-Eles falaram que estariam aqui. – falei, olhando ao redor.
-Eu sei, mas aparentemente, não estou vendo ninguém. – falou o obvio, mas logo uma garota baixinha e loira, com os cabelos curtos e espetados veio em nossa direção, saltitando.
-Vocês são Melanie e Daniel?
-Sim. – respondemos.
-Que lindos! Venham, eu sou Lizzie, uma das representantes do Fã Clube. – disse sorrindo, saltitando para fora do aeroporto, nós a seguimos (o que mais poderíamos fazer?)
Quando chegamos ao estacionamento, quase caí pra trás, eu sabia exatamente de quem era aquele ônibus, vendo minha expressão, Lizzie falou.
-Parece mesmo o verdadeiro, não? – ela se referia ao primeiro ônibus de turnê do A7x.
-E não é? – perguntei espantada, ela sorriu.
-Não, ele é completamente diferente por dentro, entrem. – abriu a porta e nós entramos, meu queixo quase caiu novamente, aquilo por dentro era um luxo só, e muito grande!
-Quantas pessoas cabem aqui? – perguntei.
-Cinquenta, mas obviamente, só vão ter 20, contando conosco. – se referiu aos “monitores”.
-È muito grande! – Dan disse.
Eu sei, os quartos são todos no segundo andar, tem 7 no total, mas disponíveis pra vocês, apenas 4, então se apressem.
-São individuais? – perguntei.
-Não, duas pessoas pra cada quarto,e antes que vocês perguntem, meninos e meninas podem ficar no mesmo quarto, mas nós vamos falar disso depois, eu tenho que voltar pro aeroporto. – falou, antes de desaparecer.
-Que foda! – eu e Dan dissemos ao mesmo tempo e subimos, depois olharíamos a parte debaixo.
Os quartos, eram na verdade, pequenas cabines com uma beliche, uma mesinha e um armário de duas partes, não era muito pequeno, mas também não era grande.
Eu fiquei com a cama de cima e Dan (contrariado), ficou embaixo de mim.
Arrumamos nossas coisas rapidamente (na verdade, apenas colocamos tudo de qualquer jeito no armário, e o pior, tudo misturado, ninguém sabia onde as minhas coisas começavam ou onde as dele terminavam).
-Oi gente! Nossa, que bagunça. – Lizzie entrou no quarto – Eu vim entregar a chave de vocês e perguntar se já esvaziaram as malas, mas acho que não é preciso. – olhou para as duas malas gigantes no chão e o armário transbordando roupas. EDUUU!! – deu um grito e Edu apareceu. Ele também era um monitor, pelo que eu sabia, ele, a irmã dele e a Lizzie fundaram o Fã Clube, mas ele era o mais afastados.
-Que foi? – perguntou mal humorado. Ele era alto, caucasiano, cabelos negros e curtos, mas não tanto, olhos castanhos e bem bonito.
-As malas. – ela apontou para as malas.
-Ah. – ele pegou as duas.
-Quer ajuda? – Dan se ofereceu, Eduardo nem lhe olhou.
-Não. – e saiu do quarto.
-Não liguem pra esse aí, até onde eu sei, a única coisa que ele gosta é ouvir musica, qualquer outra coisa, é entediante pra ele. – Ela sorriu – Bom, é melhor a gente descer, a reunião já deve estar começando. – nós descemos.
A primeira coisa que notei foi que era uma “sala” lá embaixo, pelo menos, a primeira parte. Tinha uma Tv, DVD, rádio, algumas guitarras, amplificadores, uma mesinha de centro, tapete, Cds e vários puffs, que já estavam quase completos, nos sentamos uma ruiva se levantou.
-Boa noite a todos! – ah, esqueci de falar que pelo fuso horário, são 7:15pm.
-Boa noite, todos responderam.
-Meu nome é Meg, sou uma das monitoras de vocês, essa é Lizzie e esse é o Edu. – apontou para cada um.
-Eduardo. – Eduardo a corrigiu, Meg e Lizzie reviraram os olhos.
-Certo, Eduardo! – ela disse sarcástica.
-E é bom vocês prestarem atenção por que isso é importante! – Lizzie falou, olhando para umas garotas que conversavam, elas pararam.
-Bom, queria dizer que fico muito feliz de vocês todos estarem aqui, quero dizer, menos o Luíz e o Rodrigo, que são nossos motoristas. Quero apresentar a vocês, Rebecca, ou simplesmente Becca, que vai ser nossa chefe de cozinha. – todos fizeram barulho de animação e Becca sorriu – E vocês, 7 meninos e 7 meninas, vão se conhecer ao longo do tempo, já que passaremos os 10 meses de turnê juntos. – ela sorriu e se sentou, quem se levantou foi Lizzie.
-Bom, eu vou nos apresentar. Edu é irmão de Meg e nós somos primos, começamos com o Fã Clube antes mesmo da banda lançar o primeiro CD. Além disso, fomos o primeiro Fã Clube a ser reconhecido pelos próprios membros da banda, já fomos a maioria dos shows, até aos privados. Temos permissão a tudo e acesso a tudo, vindo diretamente dos membros da banda. Éramos nós que estávamos nos primeiros shows deles, nas primeiras turnês, nas primeiras sessões de autógrafos e entrevistas, infelizmente, presenciamos o funeral de Jimmy, fomos nós quem pudemos ver seu corpo sendo cremado. E somos nós que vamos acompanhar passo a passo dessa turnê! – todos aplaudiram e meus olhos encheram de lágrimas, até eles estiveram no enterro de meu querido tio e eu aqui, na merda.
Meg voltou a se levantar.
-Bom, como meu querido maninho achou que ficar mudo seria a melhor opção, eu tenho que falar a parte dele, eu vou fazer um verdadeiro discurso, mas peço que prestem atenção, pois vai ser importante. – falou sorrindo simpática.
-Pra começar, quero que vocês se sintam em casa, pois essa vai ser a nossa casa por 10 meses, nós não vamos parar em hotéis, vai ser sempre aqui que vamos dormir, a não ser nos dias de limpeza do ônibus. Como nós estamos longe do ponto de partida da banda, vamos passar 8 dias viajando até a Califórnia, onde vai ser o primeiro show. Quero deixar claro que quando a banda sair do país, nós vamos pegar um avião e em todos os países que sabemos que a tour vai passar, nós temos uma cópia idêntica desse ônibus. Vou explicar direito o formato do ônibus pra quem não entendeu: Aqui em baixo, temos ela sala/projeto de escritório/sala de TV/ sala de música. Passando essa “parede” aqui, temos a cozinha, que é bem ampla, mas nem por isso todos vão poder comer nela ao mesmo tempo e logo depois, temos um espaço “calmo”, pra quem quiser ler, meditar ou coisa do tipo, e por ultimo, temos quatro banheiros, 2 femininos e dois masculinos. E em cima temos apenas os quartos e mais dois banheiros. Na frente, é a parte dos motoristas e a parte da frente em cima, são os nossos quartos, qualquer coisa, apenas nos procurem lá. Quanto à divisão de quartos, vocês podem trocar se preferir, e meninos podem ficar com meninas. Nós entendemos que ficar 10 meses sem sexo é difícil, portanto, ao fazê-lo, sejam cuidadosos, é a única coisa que nós pedimos, e sejam discretos também. Se nós passarmos por algum corredor e ouvirmos algum casal gritando de prazer, daremos um aviso. Com 5 deles pelo mesmo motivo, o casal vai ser convidado a se retirar, nós não queremos que o ônibus se torne um ônibus de orgia.
Se essa era a parte do Eduardo, entendo porque ele preferiu não falar.
-Vocês devem estar se perguntando porque estamos sendo tão liberais, a verdade, é que não somos hipócritas para proibirmos meninos e meninas, se sabemos que casais gays também fazem sexo, por isso, só pedimos que sejam discretos, entenderam? – perguntou e todos assentimos.
-Gostei dela! – Dan sussurrou em meu ouvido.
-Eu também, bem simpática! – respondi.
-Bom gente, por hoje é só, vamos ter outra reunião dessa semana daqui a 9 dias, um dia antes do primeiro show.
O pessoal foi se retirando e nós também fomos pro quarto, aproveitei que entre a cama e a “parede” tinha uma mini prateleira de vidro, bem pequena mesmo.
Praticamente rezando pra que aquilo não caísse, coloquei meu netbook ali, algumas fotos do meu pai e minhas com o Dan, meu celular e a carteirinha do Fã Clube.
-Se essa merda cair em cima da minha cabeça, eu te mato. – Dan ameaçou e eu revirei os olhos.
-Cala a boca. – murmurei, deitando na cama, um segundo depois, deram duas batidinhas e entraram, era o Eduardo.
-O café da manhã é das 7:00 ás 9:00, se passarem disso, vão ter que esperar o almoço, que é servido de 12:00 ás 14:00, o lanche é as 17:00, e o jantar é das 19:00 ás 22:00, sendo que poderão pegar comida na geladeira na hora que quiserem. – disse e saiu, gentil, não?
Olhei pela janela e vi a paisagem correndo, nós estávamos em estrada, ou seja, só tinha árvores e árvores. Olhei no relógio e vi que eram 7 e meia, eu não estava com fome, no avião serviram muita coisa.
Deitei e fiquei olhando as árvores, me lembrando de uma época em que tudo era mais fácil, em que eu ia passar as férias com minha banda favorita e nós viajávamos, não em turnê, mas pra passear mesmo. Das brincadeiras, das musicas que eles acabavam criando naquele clima mesmo...
FLASHBACK ON
-Syn! Olha isso! – falei pegando a guitarra dele e tocando o solo de Seize the Day, mesmo aos 9 anos, eu já sabia tocar, graças ao rapaz que me assistia. Syn foi o que mais me incentivou a aprender, durante o ano, eu tinha aulas particulares com um professor e treinava pra caramba em minha guitarra, nas férias eu fazia questão de mostrar tudo o que aprendia para o Syn.
-Muito bom Mels! Você melhorou muito! – me elogiou e me deu um beijo na bochecha – Agora olha essa que eu to pensando em mostrar pros garotos, você vai ser a primeira a ouvir!
Ele pegou a guitarra e começou o riff de uma musica, que mais tarde se tornaria o inicio de Sidewinder, não estava completo, mas estava foda!
-Então? O que você acha? – perguntou me olhando, tenho certeza de que meus olhos estavam brilhando, era sempre assim quando ele me amostrava uma musica nova.
-Tá ótimo Syn! Muito bom mesmo! Me ensina a tocar? – perguntei indo para o seu lado.
-Claro, toma essa aqui! – ele me deu a guitarra que estava em sua mão e logo voltou com outra.
Nesse dia ele me ensinou a tocar essa e, conforme ia me ensinando, ia tendo novas ideias para a musica, no final da tarde, já estava terminada e eu sabia tocar a musica completa, até a parte do solo, que era mais complicada.
-Mels, eu te amo! Você é minha musa, pequena! – falou me pegando em seus braços e me rodando, eu só ria feliz.
-Vamos mostrar para os outros? – perguntei e ele assentiu, nós fomos até a sala, onde todos os quatro estavam reunidos, me sentei no colo de tio Jimmy e fiquei observando Syn.
-Gente, vocês nem sabem. – falou sorrindo e se sentando ao lado de Matt – Minha musa acabou de me ajudar a compor uma musica! – falou olhando pra mim e eu revirei os olhos.
-Mas eu nem fiz nada! – falei e ele riu.
-Por isso é uma musa! É essencial para a inspiração! Agora fica caladinha que eu vou mostrar a musica! – lhe mostrei a língua e cruzei os braços, todos riram, inclusive eu mesma com meu ataque de criancice.
Ele começou a tocar e logo eu senti que tio Jimmy já tinha pensado na parte da bateria, já que ele não parava de bater o pé e mexer as mãos. Zacky foi rapidamente lá dentro e voltou com um violão, passou a acompanhar o Syn, ficou realmente legal.
FLASHBACK OFF
Voltei à realidade ao senti Dan me sacudir levemente.
-Mel! Mel, você está bem? ? – perguntou e eu assenti.
-Estou sim, por quê?
-Você estava chorando... – comentou e eu passei a mão pelos meus olhos, eles estavam molhados.
-Merda! – murmurei secando as lágrimas.
-Desculpe... – Dan voltou a sua cama.
-Não! Não foi com você Dan, é comigo mesma. Eu não devia chorar pelo que já passou... – falei e ele sorriu fracamente.
-Será mesmo? Quero dizer, chorar é bom, te ajuda a superar.
-Será mesmo? – repeti sua pergunta – Eu já chorei tanto pelo mesmo assunto, pelo mesmo motivo, mas chorar não vai mudar nada, não mudou. – falei amargamente.
-Quem sabe um dia? Pode não voltar a ser o que era antes, mas vai melhorar. – falou numa tentativa de me animar.
-Eu sinceramente espero que você esteja certo. – comentei pegando o meu celular.
-Você sabe que eu sempre estou! – sorriu convencido e eu revirei os olhos — Quer ouvir musica? – perguntou pegando seu Ipod com duas caixinhas de som.
-Só não coloca Avenged, por favor. – pedi e ele assentiu, sabia que quando eu ficava melancólica por causa deles, ouvir A7x só me fazia piorar.
Depois da primeira musica, eu me toquei que conhecia a banda.
-Isso é My Chemical Romance? – perguntei, incrédula por não ter reconhecido antes.
-Sim, o novo álbum deles, baixei ontem.
-Seu safado! Como não me falou antes? – perguntei e ele riu.
-Eu me esqueci.
-Viado! – xinguei e ele só voltou a rir.
-Você sabe que pra mim isso não é xingamento, e sim, um fato! – falou e eu revirei os olhos.
Fiquei ouvindo a voz de Gerard, eu conheci eles em uma festa que fui com o Matt e o Zacky. Na verdade, só conheci o Gerard e o Frank, eles não se desgrudam.
Depois de umas 4 musicas, Meg apareceu.
-O jantar já está sendo servido, é melhor vocês irem logo. – Ela disse e saiu.
-Você está com fome? – Dan perguntou.
-Não, mas vai lá, eu sei que você ta. – falei e ele sorriu.
-Tudo bem, mas vou trazer uma maçã pra você. – falou e saiu.
A próxima semana foi tranquila, nós já conhecíamos todos do ônibus e descobrimos que como sempre, existem putas enjoadas no grupo, as daqui não eram diferentes de nenhuma, eram 4: Juliana, Beatriz, Carol e Luana.
O resto do pessoal era bem legal.
Nós ficamos muito amigas dos “monitores”, menos do Eduardo, que aparentemente não era amigo de ninguém. Ele só falava com a irmã e Lizzie, e ao que parece, apenas o necessário. Um dia desses, Dan perguntou por que ele era assim para a Meg e ela disse que ele sempre foi assim, desde criança, não é muito sociável, mas no fundo, é uma pessoa maravilhosa, ele só tem medo de confiar nas pessoas.
Duas pessoas bem legais, são Samantha e Samira, duas gêmeas germânicas super legais, que estão bem empolgadas para o show, o que não é surpresa, já que todos estão mais do que ansiosos para o primeiro show, que se eu não me engano, vai ser no sábado.
Na quinta-feira, nós fomos convocados para outra reunião, eram 7 horas da noite e alguns já tinham até jantado, menos eu, o Dan, a Samantha e a Sabrina.
-Bom, acredito que todos já sabem que daqui a dois dias vai ser o show, não? – Lizzie começou e todos concordamos animados.
-Ótimo, então para não deixar nada em cima da hora, nós queremos dar alguns avisos – Meg disse e olhou para o Eduardo, esse olhou pra gente mal humorado e se levantou com um papel nas mãos.
-Antes de sairmos do ônibus, vamos dar, além das pulseirinhas, que são os seus ingressos, uma faixa colorida que brilha no escuro, cada um vai ter uma com o seu nome e o nome do Fã Clube. Nós vamos ficar na área vip – ele levantou os olhos do papel – pra quem não sabe, é a área mais perto do palco, com mais privilégios. E logo depois do show, vai ter uma sessão de autógrafos, que serão permitidos algumas pessoas irem, ou seja, no máximo 9, nada mais que isso. Serão 4 meninas e 4 meninos, que serão sorteados agora. E a nona pessoa, é um de nós. – ele terminou de falar e se sentou, nessa hora, Lizzie se levantou com duas caixas, uma azul e uma rosa.
-Por favor, não se preocupe, nós vamos em muitas sessões de autógrafos, essa é só a primeira! – garantiu e começou a tirar um papelzinho de uma caixa azul.
-Eric Quiller! – ela falou e um tio do meu lado saiu pulando feliz.
- Luana Puane! – ela tirou outro papel, do pote rosa. Uma das putas deu um grito de felicidade.
- Carlos Nyon! – anunciou e um garoto todo de preto com uma franja até o queixo fez o sinal de rock in roll com a mão.
- Samatha Rawver – Sam sorriu.
- Michael Walliver!
- Sabrina Rawver! – as duas comemoraram
-Agora o ultimo garoto! – ela anunciou e colocou a mão no pote – Jack Spider! – um garoto baixinho com os cabelos espetados para o alto falou “yes!”
-E a ultima garota! – eu rezava para não ser o meu nome o escolhido — Caroline Travel!
Depois que a seleção acabou, nós fomos dispensados, apenas o 8 ficaram lá. No caminho para o quarto, Dan foi reclamando da injustiça que era a seleção e tal. Eu sinceramente não me importava, a ultima coisa que eu queria era ser a escolhida, eu ainda não estava preparada psicologicamente para rever os meninos, ainda mais sem o tio Jimmy, era demais para mim.
-Vamos comer! – anunciei lhe cortando, ele me fuzilou com os olhos, mas mesmo assim me acompanhou, sem deixar de tagarelar, é claro. Peguei um pedaço de bolo de morango e coca, Dan pegou a mesma coisa, mas acrescentou um pedaço de torta de limão.
Voltamos pro nosso quarto e eu deitei na minha cama.
-Hey Mel, posso te perguntar uma coisa? – Dan puxou assunto e eu fiquei curiosa, ele nunca perguntava se podia perguntar alguma coisa, ia logo perguntando.
-Claro. – falei e ele subiu na minha cama, me fazendo sentar com as pernas cruzadas e ficando na minha frente, do mesmo jeito.
-Sabe, tem uma coisa que você nunca me falou e eu sempre respeitei, mas agora, eu acho que seria bom você falar, não é? – pelo seu tom de voz, percebi do que se tratava.
-Não Dan! Eu to bem. – falei lhe cortando.
-Não Mel, eu te conheço, você não está bem! E mais, você precisa contar pra alguém, você passou por muitas perdas...
-Eu sei, ok? Mas é difícil!
-Eu sei que difícil minha linda, mas você não pode ficar com isso só pra si. – me abraçou e eu deixei uma pequena lágrima escorrer.
-Sobre o que você quer saber? Meu pai ou... ou tio Jimmy?
-Não sei querida, o que dói mais? – perguntou acariciando meus cabelos,
-Tio Jimmy... – murmurei baixinho – Pra falar a verdade, eu tenho poucas lembranças de meu pai. – confessei.
-Eu sei, ele se foi muito cedo. – falou e eu sorri levemente.
-Sim, tanto ele quanto tio Jimmy, duas pessoas jovens com muito amor para dar...
“Mas já que você quer saber, vamos lá, é melhor eu falar logo, pois ao que parece, logo, logo teremos fortes emoções. – me referi ao show, que estava próximo – Sim, tio Jimmy sempre esteve presente em minha vida, desde que eu nasci, depois ele se tornou meu padrinho e sempre me levava pra tomar sorvete e coisas do tipo, minha memória não é tão boa. Quando eu tinha 5 anos, meu pai faleceu e bem, você sabe, minha mãe pirou, quebrou quase toda a nossa casa em Long Beach e evitava olhar em meus olhos, que eram iguais tanto do tio Jimmy, quanto de papai.
Minha família, vendo toda a situação, pediu pra tomar conta de mim, tio Jimmy na verdade, foi o primeiro a se oferecer, e como ele tinha dinheiro e vivia bem, minha mãe deixou eu ficar algum tempo com ele. Logo que cheguei na casa, conheci todos os meninos, no começo, eu não me dava muito bem com o Jojo, nós brigávamos muito, mas depois, paramos. Com Matt, tio Jimmy e Zacky eu sempre brincava de tudo, nós corríamos e saímos pro parque. Mas com Syn, eu sempre ficava quando não queria pular ou coisa do tipo, ou seja, eu ficava com ele quando queria paz, nós sempre conversávamos muito e quando eu fiquei um pouco maior, ele me ensinou a tocar guitarra. Na verdade, tio Jimmy queria que eu aprendesse a tocar bateria e me levou pro estúdio junto com eles, mas na terceira tentativa frustrada, eu desistir, me sentei numa cadeira e passei a observar o Syn, e bom, foi amor a primeira vista. Quando vi ele tocando o solo de Sweet Child o’ Mine, do Guns n Roses, eu quase piro, dei um pulo e disse que queria aprender a tocar aquilo. Syn ficou muito orgulhoso e fez questão de me ensinar a tocar. Pra cada musica que eu aprendia, ele me dava um sorvete, foi uma época simplesmente demais! – sorri igual uma retardada.
-Mas e depois?
-Bom, esse primeiro ano que eu passei com eles foi perfeito, todo dia eles iam me pegar na escola e me deixar, mas claro, sempre discretos. Zacky vivia repetindo que não era pra eu falar pra ninguém sobre eles e Matt me explicava que era pra afastar pessoas falsas, interesseiras. Fora que se a mídia descobrisse, não iam me deixar em paz. Eu sempre assistia a maioria dos shows, mas tudo no backstage, é claro. Pena que um dia isso acabou. – suspirei – No ano seguinte, minha mãe ligou para tio Jimmy, dizendo que me queria de volta o mais rápido o possível, pra não contrariar, no próximo mês eles me levaram com todas as minhas malas de volta pra casa de minha mãe, que a essa altura, eu já não considerava minha. Descobri também que minha mãe tinha se mudado pra Washington, ou seja, lá ia eu ter que ir pra outra cidade desconhecida.
“Todo dia eu ligava para os meninos e conversava demoradamente com cada um deles, mas com o tempo e o trabalho deles, as conversas passaram a ser mais rápidas. Nas férias, eu fui passar os dois meses com eles e foram ótimos, Zacky se queimou tentando fazer batata frita e Syn ficou com a garganta inflamada de tanto tomar sorvete junto comigo, eu fiquei legal. Mas as férias acabaram e eu voltei pra casa. No próximo ano, foi exatamente a mesma coisa, mas aí, minha mãe arranjou um namorado religioso que odiava rock, resultado: meu tempo com os meninos se reduziu para apenas um mês. Depois, 15 dias, depois, uma semana e por fim, eles só podiam me ver quando viessem aqui e apenas um por vez. No meu aniversário, poderiam vir todos, contanto que ficassem apenas por uma hora. E por aí foi, até chegar dia 25 de Dezembro, eu estava em casa quando a campainha tocou, para a minha total surpresa, era tio Jimmy. “Sua mãe está aí?” perguntou e eu neguei, ela e meu padrasto tinham ido fazer compras “Ótimo! Pois nós vamos sair!” – falou e literalmente me carregou dali, me botando no carro, onde estavam o Syn e Jojo, Zacky e Matt estavam no hotel. Fomos ao hotel e passamos o dia ali, conversando e matando a saudade, a única parte estranha foi na despedida, tio Jimmy me olhou nos olhos e disse “Minha patinha, quero que você preste muita atenção no que eu vou dizer” “Claro tio Jimmy” respondi feliz “Eu te amo!” falou e eu sorri, abraçando-o “Eu também te amo muitão titio” “Eu sei meu amor, mas eu temo que depois de hoje, vá demorar um certo tempo pra nós nos reencontrarmos” “Por que? Você vai viajar?” perguntei curiosa “Mais ou menos” respondeu sorrindo triste “Mas e os meninos?” perguntei “Ah, eles vão ficar, acho que vão ficar tristes” confessou “Mas por que? O senhor não vai contar pra eles?” “Não posso meu amor, mas eu espero que você me entenda” “Claro que sim tio, mas o senhor vai voltar, não vai? Promete?” ele sorriu “Eu prometo que nós vamos nos ver de novo” falou e eu sorri, na hora, nem notei que ele não prometeu voltar “Cuide bem dos meninos quando eu não estiver por perto, tudo bem?” perguntou e eu assenti “Claro, vocês são a minha única família, não abandonaria nenhum de vocês” ele sorriu orgulhoso da minha resposta “Que bom patinha, agora eu tenho que ir, fica bem, ok?” “Ok tio, eu te amo” falei pela ultima vez “Eu também, nunca se esqueça disso patinha” me deu um beijo na testa e saiu. – terminei de contar, eu estava chorando como não choro a um tempão, eu nunca tinha falado isso pra ninguém, nem mesmo pro Syn.
-Isso foi em 2009. – Dan afirmou, mas eu respondi.
-Sim, apenas alguns dias antes dele morrer. – disse soluçando.
-Não fica assim Mel – disse, fazendo carinho em meu cabelo, eu respirei fundo e terminei de contar.
-A partir desse dia, minha mãe disse que eu nunca mais ia falar com nenhum deles, que todos eram uma má influencia e blá blá blá. Quando liguei a TV naquele dia e soube da noticia, eu só faltei me matar, corri pra minha mãe, implorando pra ela me deixar ia ao velório, mas ela só riu e disse que tinha sido bem feito e que morreu tarde, a partir desse dia, eu comecei a nutri um ódio profundo pela minha mãe por aquele cara que ela chama de marido, pois isso tudo é culpa dele. Descobri que Matt tinha tentado ligar pra casa, mas ela inventou uma mentira qualquer e tirou o telefone da tomada e ainda por cima, escondeu meu carregador, ou seja, eu estava incomunicável. Até minha internet, eu só fui recuperar 5 meses depois da morte dele, não fui mais a escola, só ficava trancada o dia todo no quarto. Claro que eu tentei fugir, mas até seguranças tinham ali, foi um verdadeiro inferno!
-Nossa Mel, você deve ter ficado acabada. – falou.
-Acabada é pouco, eu era uma morta viva e tinha total consciência disso, tanto, que tentei me matar – falei e ele arregalou os olhos – E foi quando eu decidi entrar na internet pela ultima vez pra saber algumas noticias deles, pra variar, não tinha nada, mas eu te conheci e o resto você sabe.
-Agora entendo porque você nunca me disse isso, desculpe te fazer relembrar daquela época horrível. – falou e eu sorri sem humor.
-Agora não é uma questão de querer, eu precisa desabafar e você estava aqui. Sabe, em certos momentos, eu tenho certeza de que foi o tio Jimmy que me fez entrar naquele fórum pra falar com você, foi ele quem te colocou na minha vida, sem mais – falei o abraçando.
-Que isso menina, eu que te agradeço, você é um anjo na minha vida. – Disse chorando também.
Alguém bateu na porta.
-Interrompo? – Lizzie perguntou.
-Imagina. – respondemos, limpando o rosto e rindo de nossa própria cara.
-Ah, é que está tão chato lá fora, vim aqui conversar. – falou e nós sorrimos.
-Claro, entra aí. – Dan falou e ela entrou, praticamente varamos a noite conversando.
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