Notas iniciais
Sabe aquela frasezinha: antes tarde do que nunca?! Não sei por que, mas algo me diz que ela se encaixa perfeitamente aqui. *apanha*
Foi super mau a demora, mas sou uma pessoa que não suporta ficar sem fazer nada a tarde, e acabo superlotando meu dia.
Sem mais delongas, aqui está mais um capítulo.
Espero que gostem.

Quem será o próximo que irei desmascarar? Tem que ser um bem difícil. Grace não foi lá um desafio. Quero alguém mais esperto, alguém com quem eu não poderei cometer nenhum deslize. Preciso de um desafio, pois não conseguirei ser o melhor, sem prender os melhores.

“O desaparecimento de pessoas de ambos os sexos e idades diferentes continua. Os detetives encarregados pelo caso da Srª Norison, a ultima a desaparecer, afirma que o caso não tem ligação com os outros. Conversamos com cada detetive responsável pelos diversos casos de desaparecimentos, e a maioria confirma a afirmação de Thomas : ‘Cada caso, é um caso a parte, sem ligação nenhuma.’”

Li e reli essa e inúmeras outras reportagens sobre os sumiços quase o mesmo número de vezes que li cada livro do melhor detetive já criado: Sherlock Holmes. E, lendo as reportagens e as entrevistas com familiares e amigos das vítimas, eram poucos os casos que poderiam ter alguma ligação. Por isso, acabamos sem um novo serial killer.

O problema é que eu sabia que todos esses sumiços, bom, pelo menos os que começaram há 10 anos, tem em comum o culpado.

Como?

Simples. Por causa da total ausência de evidências!

Todos os casos, bom, na verdade, todos os casos que foram parar na mídia, tinham uma coisa em comum. Em todos os seqüestros, o criminoso não deixara nenhuma evidência ou rastro relevante e, em pouquíssimos, deixou falsas evidências, levando inocentes para trás das grades.

Peguei o jornal que relava o mais recente feito de meu mais novo perseguido:

“Skaitistas encontram membros humanos em sacos de lixo pretos ao lado da pista de skate. Legistas anunciaram que os braços, pernas, troncos e dedos encontrados pertencem a cinco pessoas diferentes:

-Adam Sellimam: jornalista de 30 anos, nas horas vagas praticava tênis e nadava aos domingos no clube AquaParck. Desapareceu há dois anos e meio, quando acompanhava a campanha eleitoral. Sem testemunhas ou pistas. Não era casado.

-Jennyfer Droos: ginasta de apenas 18 anos. Estava começando a se destacar no esporte, quando foi seqüestrada no final do ano passado. Ia para a festa de formatura de sua turma quando desapareceu. Peter Green, seu acompanhante e namorado, foi encontrado morto em um banco da praça próxima a escola. As únicas digitais encontradas no corpo do morto foram as da própria Jennyfer. A polícia acreditava que ela tinha matado o namorado e fugido para não ser processada.

-Dennis Cooper: estudante de engenharia. Estava acompanhando a construção de um prédio quando desapareceu. Os colegas de trabalho afirmam que não viram nada, nem nenhum suspeito. Dennis foi seqüestrado a dez meses e tinha 23 anos. Era casado com Dayana Cooper. Não tinha filhos.

-Anna e Marjore Amorim: gêmeas de 35 anos. Anna era professora do primário da escolinha West e Marjore era promotora pública. Estavam na festa de casamento do primo Fernando Amorim com Luíza Carter, quando desapareceram a mais ou menos um ano e meio. Policiais suspeitam de uma quadrilha, já que ambas as mulheres sabiam bastante de lutas e defesa pessoal. Nenhum familiar viu nada de suspeito.”

Outra coisa em comum era que todas as vítimas apareciam, depois de certo período, desmembradas.

Um sorriso maroto se estampou em meu rosto.

Achei meu próximo desafio!

-- Sammy! Para de rir pro nada, está me deixando preocupado! – Leo falou em um tom mais elevado, para chamar minha atenção – Tem algo fedendo a queimado e eu espero, realmente, que não seja o almoço.

Só depois que Leo reclamou do cheiro que eu fui me lembrar o que eu realmente estava fazendo na cozinha, antes mesmo de me distrair com os jornais.

Dei uma olhada na panela a minha frente. Sem dúvidas era a comida a fonte do cheiro. E da fumaça negra também.

Bom, ninguém é perfeito.

-- Em minha defesa, eu estava tentando achar alguma pista do meu mais novo caso! – falei, mostrando o jornal com a reportagem. Ia falar mais, só que meu irmão mais velho cruzou os braços, me encarando com um ar sério. Leo tem 1,83 de altura e eu apenas 1,73, sem falar que ele era bem mais forte, não era nada inteligente contestá-lo.

-- Aham. Claro! – disse irônico – Deixe os casos para quando você passar na academia, Sammuel! – vixe, ele me chamou pelo nome! – Joga esse troço fora e vamos sair para almoçar!

Não preciso nem dizer que também não tenho dotes culinários.

-- Você magoou o arroz! E desperdiçar comida é feio.

-- Então guarda em um canto que no próximo churrasco a gente usa como carvão!

-- Tá, eu jogo fora! – falei, desligando o fogo e jogando o arroz no lixo em seguida.

Leo foi até o quarto pegar um casaco e as chaves do carro que estavam no bolso da calça jeans que ele usara ontem para ir ao cinema com a namorada, Jackeline. Depois voltou para a cozinha, pegando a chave de casa:

-- Bora!

-- Espera, vou trocar de roupa. – estava com uma calça de moletom cinza e um blusão azul marinho com manchas brancas por causa de um pequeno acidente com água sanitária. Quando passei ao lado de Leo, fui surpreendido por uma chave de braço.

-- Deixa de ser fresco e vamos logo! Estou com fome – Leo me puxou para fora de casa. Agradeci mentalmente minha preguiça matinal que me fez meter meu pé no tênis ao invés de caçar um chinelo. – Considere sair desse jeito como um castigo. – completou me entregando a chave de casa.

-- Tudo bem, você dividirá esse castigo comigo, andando ao meu lado. – sorri de forma desafiadora, esperando que meu irmão repensasse e me deixasse trocar de roupa.

-- É, você tem razão. Mas nem esse argumento fará com que eu deixe você ir se trocar. Mas, por causa disso, quem pagará a conta de hoje será você! E só para lembrar, estou morrendo de fome! – traduzindo: “É hoje que você vai à falência!”

-- E as chances de eu dirigir...? – perguntei, trancando a porta de casa logo assim que saímos e indo em direção ao carro.

-- Nulas. – respondeu entrando no carro pelo lado do motorista – Agora entra no carro!

-- Tudo isso só porque eu deixei o arroz queimar... – disse obedecendo a Leo, este me encarou com um olhar bastante conhecido – Está bem! Beleza. “Tudo isso só porque eu carbonizei o arroz”! Melhorou?

-- Sim. Agora coloca o sinto. – Leo só deu a partida quando fiz o que mandou. Depois da morte de nossos pais em um acidente de trânsito, meu irmão ficou super protetor.

Fomos para o nosso restaurante preferido que não era requintado, mas também não poderia ser considerado uma espelunca. Era uma lanchonete e restaurante self-service que aos finais de semana também servia de bar. Roger, o dono e cozinheiro, dizia que um dia o Spelunk’s iria virar um restaurante requintado e de finíssima qualidade. A comida, com certeza, já estava a altura. Mas Roger teria que mudar a decoração. As paredes eram cobertas por um papel verde musgo, com alguns entalhes de madeira. Tinha várias janelas e as mesas e cadeiras eram todas de madeira envelhecida. Sem sombras de dúvida era um ambiente rústico, mas que não chamaria a atenção das mais pessoas ricas e famosas da cidade e do mundo. Outra coisa que tinha que melhorar, e urgente, era o banheiro. Que além de ser pequeno e abafado, não parecia ser limpo com frequência. Se é que era limpo.

Não demorou nem dez segundos para chegarmos. Como de costume o Spelunk’s estava lotado. Leo estacionou o carro na primeira vaga que achamos e não se demorou a sair do automóvel. Fiz o mesmo fechando a porta, ouvindo o alarme do carro sendo ligado e as portas trancadas logo em seguida.

-- A viatura de John está aqui. – Leo comentou, enquanto caminhávamos até a entrada do estabelecimento. Dei uma rápida olhada nos carros que estavam à volta, o de John estava quase invisível, escondido atrás de uma picape preta. – A mulher de Douglas, o parceiro de John, deve estar em trabalho de parto agora.

-- Depois a gente faz uma visita – comentei, entrando no recinto. Algo não me cheirava bem, e não era o cheiro da comida, pois ( desculpe mãe), Roger cozinhava bem melhor que minha mãe. Tentei ignorar aquela sensação de que estava se formando um complô contra mim e vistoriei o local a procura de uma mesa livre. – Olha, tem uma mesa livre bem a...

-- Sammy! – não consegui terminar a frase, pois fui surpreendido por um abraço de urso e um grito estridente próximo a minha orelha. Demorou alguns segundos para que eu percebesse que era Roger que me abraçava, e mais alguns segundos para notar que meus pés já não encostavam mais no chão – Que roupa é essa?

-- E aí Roger?! Como vão as coisas? – perguntou meu irmão, cumprimentando o amigo. Roger me soltou para abraçar Leo.

-- Está torturando seu irmão, Leo?! – o dono do restaurante perguntou, me olhando de cima a baixo.

-- É! Tudo isso porque eu, acidentalmente, deixei o arroz queimar.

-- Não vai me dizer que vocês ainda não almoçaram?! Já são 15:00 horas! – Roger acenou para um de seus empregados, que retirou uma caderneta do bolso e veio correndo em nossa direção – Traga batatas fritas, bolinhas de queijo, camarão empanado, espetinhos, pasteizinhos, pão com alho, pedaços de queijo, coxinhas de franjo, pães com patê e para completar, uma cerveja gelada para meus amigos aqui! – quando terminou ambos se retiraram, o garçom foi até a cozinha fazer o pedido e Roger foi falar com outro conhecido.

Ter um amigo cozinheiro nos garantia que de fomes não morreríamos. Mas, acredito que hoje eu teria um ótimo fim de tarde na cozinha lavando pratos. Dei uma olhada na minha carteira assim que sentei a mesa.

-- Espero que tudo aquilo que ele pediu seja o almoço. – falei, guardando a carteira no único bolso que tinha, depois de memorizar quanto havia sobrado de minhas economias. Eram exatos 108 reais.

-- Tudo bem. Você está de férias na faculdade. Pode ficar de tarde lavando pratos. – meu querido irmão disse com um sorriso malandro no rosto.

-- É realmente notável o seu amor por mim! – cruzei meus braços, fazendo um bico. Claro que eu sabia que tal atitude só funcionava até os sete anos (no máximo), mas como meu rosto tinha, literalmente, parado no tempo, talvez fosse capaz de derreter o gelo que era o coração desumano do meu irmão. Acho que também não preciso dizer que não deu certo.

Fico imaginando que nem mesmo Sherlock Holmes teria a capacidade de decifrar o humor de meu irmão. Este era um dos fatores que me atraíam nele, mas ao mesmo tempo me deixava bastante irritado. Nem minhas antigas namoradas tinham um humor tão instável. Às vezes posso jurar que meu irmão teria a capacidade de virar um excelente sereal killer, daqueles que torturam as vítimas e se divertem até que a criatividade acabasse ou a fome falasse mais alto.

Comida.

Era a única coisa capaz de fazer com que o humor da bomba caseira, que chamo de irmão, ficasse estável. E era por isso mesmo que eu esperava. Tinha quase certeza que depois de comer, ele estaria bem mais relaxado e me ajudaria a pagar a conta. Ou neste caso: dolorosa.

-- São em momentos como estes que, se eu não te conhecesse, diria que você é apenas um garoto mimado de no máximo dez anos, que comeu um pote de fermento! – a voz grossa e masculina veio da minha frente. Estava tão ocupado em minha representação que nem vi quando John se aproximou.

-- John! – exclamou meu irmão, levantando-se para cumprimentar o amigo – Como vai?

-- Muito bem. A comida daqui sempre me anima! – depois de abraçar meu irmão, o policial que acabara de se juntar a nós bagunçou meu cabelo – Brigaram de novo?

-- Sammy está de castigo. – Leo sinalizou para a roupa que eu estava vestindo, sem conseguir conter uma risada.

-- Como você é mau Leo.

Antes que eu pudesse comentar o ocorrido para minha situação humilhante, chagaram três garçons com a comida que Roger havia pedido para nós. Junto com os garçons estava o cozinheiro que era o braço direito de Roger: Ben. Trajava uma roupa toda branca e, sem nenhuma mancha de comida. Mostrando sua experiência no ramo da culinária, fazendo com que uma faísca de ciúmes brotasse em mim. “Certamente o arroz não teria virado carvão com ele”. Pensei, enquanto continuava a observá-lo. Ben era completamente careca, branco e com belos orbes verdes. Era indiscutivelmente mais jovem que Roger, e casado.

-- Olá rapazes! – disse animadamente – Se deliciem com os petiscos – petiscos?! Só esses petiscos lotaram a mesa e esvaziaram minha carteira! – Mas não comam demais, o prato principal logo será servido. – To falido!

Ben se retirou, junto com os garçons que andavam mais livremente sem o tanto de pratos que carregavam antes. Deixando nossa mesa sem nem espaço para os copos.

-- Acho que me enganei. – disse Leo. Encarando a comida – Você ficará trabalhando aqui no mínimo por três dias. – completou, colocando a mão em meu ombro como se quisesse me confortar, mas em seu rosto estava estampado um sorriso vitorioso.

Engraçado, algo me diz que este sorriso não é só por ver meu dinheiro indo embora.

-- É comovente o amor de você dois! – John, rui, pegando uma das coxas de frango a passarinho e dando uma boa mordida. – Nossa, está muito bom!

-- Acho que não conseguirei comer com tanto gosto assim. – falei desanimado, fazendo os dois policiais rirem. – Não vejo graça nisso!

-- Bom, se quiserem ajuda para comer, eu estou com a tarde livre. – disse John sugestivo.

Minha chance!

-- Essa ajuda inclui a conta?! – perguntei esperançoso.

-- Claro que não! – foi meu querido irmão que respondeu – John é nosso convidado para o almoço, e convidados não pagam. – o sorriso vitorioso de Leo havia ganhado um quê de malícia.

-- Mas, John, você ainda não almoçou? – perguntei, afinal, mesmo um convidado não pagando, ele aumentava significativamente a conta.

-- Bom, é uma história até que engraçada. – disse, coçando o lado da cabeça, já que no topo não havia cabelo – Eu havia convidado aquele amigo para almoçar – aquele amigo?! Por que o mistério? – só que eu esqueci minha carteira em casa, e ele tinha pouco dinheiro. Como eu disse que ia pagar, meu amigo acabou não sacando nem um centavo.

-- Não você não comeu nada? – Leo perguntou afastando uma cadeira em um pedido mudo para que John sentasse.

-- Comemos um espetinho cada...

-- Então eu exijo que tanto você quanto teu amigo se juntem a nós. – o tom de voz de meu irmão saiu sugestivo e banhando por segundas intenções. O que fez com que eu me sentisse em um encontro arranjado. E foi a partir deste pensamento que uma luz se acendeu acima da minha cabeça (metaforicamente, claro).

-- Já que insiste – John respondeu, trocando um olhar cúmplice com meu irmão. Daqueles que os assaltantes amadores trocam quando se encontram na rua, depois de um crime bem sucedido. O policial mais velho e calvo saiu em busca do seu amigo, que, se minhas suspeitas estivessem certas (e estavam), seria meu mais novo parceiro de aluguel.

Sentei-me na cadeira a frente a de Leo. Com a incomoda sensação de traição. Meu irmão mais velho olhou para mim e deu um sorriso brando, isso se comparado aos demais sorrisos que dera só no período que estávamos no restaurante. Claro que não deixei de notar que seus olhos estavam com um brilho de superioridade. Imagino que se a diferença de forças entre nós dois não fosse tão gritante, eu teria dado um belo de um soco nele.

-- Demorou a perceber, hein?! – falou, nem se dando mais ao trabalho de negar sua verdadeira intenção.

Fui enganado.

E o que é pior: pelo meu próprio irmão.

-- Enganado pelo meu próprio irmão, ê trauma. – suspirei emburrado, ele sabia que eu queria morar sozinho, mas me achava indefeso demais para fazê-lo. – Um irmão mais velho não devia fazer isso com o caçula.

-- O que Leo te fez agora? – estava tão aborrecido com o meu descuido que nem percebi quando John voltou com meu possível parceiro de aluguel. Levantei minha cabeça para encará-los e...

Fiquei mudo.

O rapaz ao lado de John era, além de belo, transparente. Seus cabelos negros e sedosos estavam, se é que era possível, organizadamente bagunçados. Como se ele tivesse passado muito tempo de frente ao espelho colocando cada fio em uma posição diferente, sem deixar nem um fio para cima. Sua franja ficava um pouco acima dos olhos, fazendo um contraste perfeito com a pele clara. Seus olhos eram calmos e alheios a sua volta (pelo menos a primeira vista). Parecia mais ocupado com seus pensamentos do que com qualquer outra pessoa. Seus orbes, à luz do sol, ganhavam um brilho negro azulado misterioso e viciante. Sua pele era, evidentemente, bem cuidada, pois não possuía marcas de espinhas antigas ou sequer rugas de expressão. Músculos bem definidos faziam-se notar por debaixo da jaqueta preta que deixara com o zíper aberto até o começo do abdome. Os três botões de sua camiseta pólo branca estavam desabotoados, dando-me a chance de ver o dorso de seu pescoço grosso e o começo de seu peito. Usava uma calça jeans azul marinha e um Adidas preto.

Foi a primeira vez que eu fiquei mudo perante outra pessoa. Minha mente não formulava palavras, estava ocupada demais gravando cada detalhe do rapaz que estava a minha frente. Senti-me na obrigação de rever meus conceitos, afinal, até vê-lo, imaginava que todo ser humano tinha um segredo, um mistério. Algo que atiçasse a curiosidade dos outros.

Então, por que não investigá-lo?!

Chamem-me do que quiser. Mas à primeira vista, meu parceiro de quarto me pareceu o cara mais perfeccionista e lindo que já conhecera. O que me incomodava, era que todo esse perfeccionismo parecia natural nele.

Não pude deixar de agir como Sherlock Holmes e tentar conhecê-lo pelo que me mostrava. Certamente era bastante cuidadoso com o corpo e com o que vestia. Só sabia a marca dos tênis, mas, sem sombras de dúvidas, toda a roupa dele era de marca. O que já me levava ao fato de que ele tinha um salário considerável ou nascera rico. Mas, ao mesmo tempo, seu jeito demonstrava autonomia. Então mesmo se fosse bem nascido, não usaria o dinheiro da família. Agora é só pensar nos empregos que dariam a ele dinheiro o suficiente para roupas caras.

Médico?

Não. Pode ser uma visão um tanto infantil, mas para mim, médico só andava de jaleco.

Advogado?

Não o imagino dependendo da boa vontade de outros para ser pago.E se não me engano com sua idade, é novo demais para ser promotor ou juiz.

Instrutor de academia?

Acho que o salário não é essas maravilhas.

Monitor em alguma escola?

Se fosse, certamente teria muitas rugas de expressão. Talvez seja até uma brincadeira da minha mente, mas algo me dizia que ele preferia ação. Que o emprego dele envolvia assassinatos e sangue, muito sangue. Policial eu sabia que não era, senão estaria usando aquelas habituais botinas ou um estilo de tênis mais esportista. Legista também estava fora de cogitação. Por mais que muitas pessoas que trabalham nesse ramo digam se divertir muito redescobrindo o corpo humano, não me parece o estilo de diversão dele. Então...

CSA.

Sim, certamente é isso.

Meu parceiro de aluguel e um cara perfeccionista, com um bom salário, que trabalha como CSA e não se apóia na família. Pode parecer pouco, mas era bastante informação para uma primeira vista. Só que algo não se enfaixava. Se todo mundo tem tendência a esconder algo... por que ele me parece tão transparente. Não pode ser só porque sou um bom detetive.

Isso me intrigava. Tamanha transparência só pode significar que ele quer ser daqueles que é facilmente esquecido. Mas...

Por quê?

-- Meu nome é Jensen – foi a única coisa que meus ouvidos captaram. Olhei para a mão que ele estendera para mim. Vacilei. Tornei a olhar aqueles olhos que demonstravam descaso, perdendo-me por lá.

Notas finais
Bom, tenho más notícias para você. Infelizmente fui tapeada pela minha mãe e agora estou proibida de usar o computador até janeiro. Devem está se perguntando como eu postei este capítulo se não posso nem ligar o pc. Simples, felizmente a biblioteca da escola tem internet.
Só que não tenho como viver na biblioteca, então se eu já demorava a postar, vou acabar demorando um pouco mais.
Não me culpem, mas por ter a mania de escrever primeiro em um caderno e só depois passar para o pc, acabo demorando mais a postar.
Claro, que isso não significa que deixarei de postar todas as minhas histórias. Já tenho quase todos os capítulos, falta apenas digitá-los e revisá-los.
Agradeço a todos que estão acompanhando a história e peço que tenham paciência.
Desculpe-me pelos possíveis erros, e não custa deixar reviews.
Bjus ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.