Almost Easy
1 Capítulo 1
Notas iniciais
-------------------------{Jensen pov on}
Meu corpo estava banhado pela luz da lua que naquela noite estava cheia. O vento gélido bagunçava meus cabelos, fazendo com que um frio delicioso percorresse meu corpo. Meus desejos mais obscuros estavam se manifestando com mais frequência. E, infelizmente, desta vez não segui o protocolo.
-- Você está bem? – perguntou-me um dos policiais que há pouco tinha recebido uma mensagem no celular – A ambulância logo vai chegar. – como pude cometer tal erro? Como pude ser pego no ato?
-- Estou bem – falei, tentando me livrar daquele policial e sua falsa preocupação – E meu colega de quarto? – fiz minha melhor cara de inocente.
-- Sinto muito informar-lhe, mas ele morreu. – claro que morreu! Eu mesmo me certifiquei de que ele não sairia por aí falando que seu colega de quarto era um assassino sangue frio! – Ah! A ambulância chegou. – parece que eu não era o único querendo me livrar de alguém aqui. Talvez ele tivesse um motivo louvável, além do “não é boa coisa ficar ao lado do verdadeiro culpado”.O policial me deixou com um médico e saiu de carro com mais sete policiais.
Não precisava de um médico para informar-me de meu estado. Eu sabia exatamente qual era.Não sou médico, mas, quando é você mesmo que está se tacando nas coisas, fica difícil não saber exatamente o que está inteiro e o que não está. Não que eu seja masoquista, mas precisava de um disfarce. Não poderia sair inteiro de um assalto em que houve duas mortes.
Deixei que um dos médicos me examinasse, enquanto estava sentado na parte de trás da ambulância.
--Hum... Vejo que teve sorte – mas que legal, um médico sarcástico! – Não é nada muito grave, apenas duas costelas quebradas e cortes de facas. Por sorte não são profundos. Mas precisará de pontos. – ah! Como pode esquecer a pobre da costela trincada?! E ainda se diz médico – Vai sobreviver. – melhor notícia do dia, mas tenho uma ruim para você: Eu já sabia disso. Que pena. Mais sorte na próxima.
Afinal, ainda não virei suicida.
Preferi manter-me calado e pensando no que havia acontecido.
----------------------{flashback on}
Voltei da academia, doido para tomar um banho. Por isso, dei-me ao luxo de ignorar as evidências de um assalto.
Foi um deslize e tanto.
Fui ao meu quarto já tirando a blusa. Meu colega de quarto só chegaria mais tarde, então, eu teria completa e total liberdade de ficar nu no quarto. Não que eu fosse fazer isso.
Doce ilusão. Doce e curta ilusão.
Havia um cara no meu quarto revirando as coisas de Jesh, meu colega de quarto. Por sorte eu só tinha tirado a blusa. Ignorei o cara e fui ao banheiro. Até aí, eu também tinha sido ignorado.
Já falei que sou curioso?! Já falei que sou muito curioso?!
Entrei no banheiro, deixando a aporta aberta para ver o que o cara estava fazendo. Estava interessante. Ele parecia desesperado atrás de algo, sem falar que parecia realmente não ter me notado, acho que todas aquelas perseguições no escuro me fizeram ficar com passos leves.
Mas ele cometeu um grave erro quando largou as coisas de Jesh e se dirigiu ás minhas gavetas.Não ligo e nem impeço que mexam nas coisas dos outros, mas nas minhas já é outra história:
--Ei! O que está fazendo? – mexendo nas minhas coisas, isso estava na cara, mas quando você finge ser um humano normal, é natural que, de vez em quando, faça perguntas idiotas.
O cara se assustou, notando pela primeira vez minha presença. Foi aí que notei que ele não passava de um ladrãozinho barato que não estudou bem sua vítima. Ele ainda teve a coragem de sacar uma faca e me ameaçar. Ele realmente não fez o dever de casa.
Mas eu ia estudá-lo. Ah, ia sim. Se ele não parasse de tentar mexer nas minhas coisas.
Então, a música começou. Num ritmo frenético da bateria, guitarra e Baixo.
Moro em uma casa junto com mais 20 universitários. Todos sem dinheiro o suficiente para pagar um aluguel sozinho. E hoje havia sido a última aula do ano, então, todos juntaram tudo que tinham e foram à farra. Eu iria me juntar a eles se o ladrão idiota não houvesse aparecido.
Normalmente, eu adoraria relatar cada detalhe de minha diversão, mas não hoje. Não com um cara que nunca fez parte da lista “Brinquedos” e que se não fosse por esse encontro inoportuno, nunca faria.
A batida era perfeita e ritmada. Dando um clima mais agradável e fazendo ideias maravilhosas passarem por minha cabeça insana.
As Vozes apareceram com urgência, junto com a Necessidade e, ao fundo, uma música conhecida. Uma melodia perfeita.Quando dei por mim, o ladrão já estava esquartejado, com seu sangue vermelho intenso espalhado pelo chão, paredes e móveis. Eu tinha feito um estrago.
-- Drake?! O que você fez? – Jesh havia chegado, havia visto tudo. E algo em meu rosto, minha expressão, o assustou.
Por quê? Eu estava feliz. Havia feito o meu Show de Sangue. Por que ele estava assustado com o espetáculo? Como se eu não soubesse a resposta.
Ele é realmente muito azarado, se tivesse chegado algumas horas depois, não teria de participar da festa, mas agora que está aqui, por que não satisfazer as vozes em minha cabeça?!
Bom, acabei dando dois Shows de Sangue e um Bônus de Masoquismo. Tinha de manter meu disfarce.
Liguei para a polícia, alegando que um ladrão invadira minha casa, me atacara e, quando recobrei a consciência, Jesh e o ladrão estavam caídos no chão sangrando muito.
Claro, eles acreditaram. Fiz com que nenhum legista duvidasse de minha versão.
Disse que houve uma luta entre o ladrão e eu, o que explicaria minhas digitais em seu corpo. Espalhei digitais de Jesh forjando uma luta. E falei que, ao acordar, havia tentado parar o sangramento de meu colega de quarto. O que esclarecia o fato de também haver digitais minhas em seu corpo.
Aqueles dois haviam me dado muito trabalho, e por pouco meu disfarce não foi a ruína. Mas no final todo o trabalho foi compensado com jatos de sangue pelo quarto. Não que aquele fosse o meu estilo, o quarto estava imundo, mas a Festa de Sangue valeu à pena. Animou-me e calou as Vozes. Junto com as Vozes, a música também sumiu.
Era uma pena, eu gostava da música.
------------------------------{flashback off}
Fui levado ao hospital para tratarem de minhas fraturas e costurarem meus cortes. Imagine se eles soubessem que eu era o assassino, que eu fizera aquilo ao meu querido e azarado colega de quarto. Sorri com a ideia.
-- Drake! – quem é o doido que ainda me chama disso? – Cara, que bom que você tá vivo! – Viro-me para olhar o dono da voz. Tinha de ser. Era Bones, um dos universitários que morava na mesma casa.
No primeiro dia em que fui morar lá, houve uma reunião para me informar das “regras”, que eram, basicamente, "faça tudo o que quiser, só não atrapalhe ninguém". Traduzindo à minha maneira: Disseque que quantos corpos quiser, desde que não faça barulho.
-- Perdemos o Josh! – falou outro universitário. Acho que seu apelido era Dragon. Tosco, eu sei. Mas, se ele gostava, quem sou eu para discordar.
Em falar nisso: Quem foi mesmo que escolheu esses apelidos?!
Na reunião também falaram que não me chamariam pelo meu nome verdadeiro. Ninguém sabia quem começou com isso, mas já era norma da casa. Naquele ano eles ainda foram um pouco mais além, fazendo identidades falsas para cada um. Esses documentos de nada iam servi para eles, mas para mim poderia até ser útil. Afinal, apelidos como Dragon, Dog e Ruffles, era difícil, ou melhor, impossível, que alguém acreditasse que fossem realmente os nomes deles. Agora, Drake, de certa forma, era um apelido perfeito. Podia ser facilmente confundido com um nome.
Foi assim que saí de Jensen para Drake.Como Jesh ficou com o apelido de Josh, concordaram que o meu seria Drake. De um programa de TV: Drake e Josh.
Nunca vi esse programa, mas, como eu disse, Drake não era um apelido ruim.
-- Cara, você está bem? — perguntou Bones.
--Vou sobreviver. – estou melhor que você imagina, muito melhor.
--Estão todos preocupados com você. – Nick nunca foi um bom mentiroso. Eles mal me conheciam e se conhecessem, certamente estariam tentando me matar.
-- Vê se fica bom logo, amigão! – quem em sua sã consciência se interessaria em ser meu amigo? Pelo visto, Fred não estava.
É impressão minha ou os apelidos estão piorando?!
--Pode deixar. Já mandei esses machucados se curarem. – falei, dando meu melhor sorriso.
Eles ainda ficaram por mais um tempo conversando, até à hora da visita acabar, mas eu já não prestava mais atenção.
Isso aí, Jensen, você fez um showzinho e tanto. Sem falar que fugiu completamente do seu estilo. Idiota. Não sabe que isso é perigoso?!
Mas as Vozes gostaram. Elas estavam cansadas daquela mesma rotina e, com certeza, isso não era um bom sinal.
Não posso correr tal risco de novo. Não posso mais pensar nisso. Não quero mais pensar nisso.
Mas eu também gostei do showzinho. Não... Eu amei o showzinho. Amei ver o sangue se espalhar pelo quarto. Ver os olhares deles de medo, de pavor. Ah... Eu quero sentir isso de novo. Eu quero fazer um Circo de Sangue.
Mas dessa vez irei planejar. Não correrei mais tanto risco.
Agora o quarto estava deserto. A não ser por mim e as Vozes, que, por enquanto, estavam satisfeitas. Sorri para as Vozes na escuridão do quarto do hospital.
Novamente a música me vem à cabeça.
I'm not insane,
I'm not insane,
I'm not insane, I'm not
Not insane
Um riso macabro de fundo. Eles realmente estavam felizes.
----------------------------( Jensen pov off}
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