Almas e Engrenagens: Fragmentos de Runeterra
1 Ato 1 - Novas peças no tabuleiro - parte 1
O projétil cruzou o céu de Piltover em um silvio. Um rastro azul marcava a sua trajetória, uma trilha de fumaça que parecia dividir o entardecer da cidade conhecida como o lar do progresso e da ciência. Em um arco suave, praticamente perfeito, o projétil chegou até seu destino, até o seu alvo.
E então, houve a explosão.
Uma coluna de chamas eclodiu no topo do prédio, um dos mais altos de Piltover, onde o conselho, reunindo os membros mais influentes da nação, se reuniam para debater e decidir os rumos de Piltover. E agora, foi tomada por um pilar de chamas, uma explosão violenta, rápida e aos olhos de uma única pessoa, uma das visões mais prazerosas de sua vida nos últimos anos.
Foi com essa constatação que Jinx observou as ruínas do que outrora era a sala de reuniões do conselho de Piltover. Tendo disparado em um sobrado na parte alta de Subferia, a jovem tinha uma visão perfeita das chamas, as ruínas e com elas, as vidas das pessoas que sempre amaldiçoou.
Eles condenaram sua vida.
Malditos piltes.
As sobrancelhas de Jinx se franziram. As vozes voltaram. Vozes irritantes que a falavam para ela, a julgavam, a culpavam, a lembravam. Vozes de pessoas no qual ela não queria lembrar. Vozes de uma vida que não pertencia mais a ela.
E então, houve o barulho de uma arma engatilhada.
Jinx se virou e viu a pilte com a sua pistola apontada para ela. Sua mão tremia levemente, os olhos arregalados, não podendo acreditar no que ela tinha feito. Vi, ainda amarrada à cadeira, mantinha os olhos arregalados, sequer conseguindo formular palavras.
Jinx largou Fishbones, sua bazuca, a arma fazendo um baque ao cair no chão. Desarmada, ela deu o primeiro passo e a mão da pilte ficou mais firme, o choque sendo substituído por raiva, um ódio puro e mortal por ela.
Aquilo a fez sorrir. Sim. Era isso que ela queria. Era isso que ela merecia. Raiva, ódio, vingança. Jinx foi criada, forjada nesses sentimentos. Seus olhos brilhavam em rosa. A adrenalina em seu corpo fazendo a cintila bombear pelo seu corpo com mais intensidade. Aquilo a encheu de energia, de euforia, de poder.
Outro passo e logo em seguida, Cait atirou.
Vi deu um grito e Jinx se moveu, uma rápida e sutil inclinação para a direita, a bala quase raspando pela sua bochecha esquerda. Ela deu outro passo e Cait disparou outra bala.
Entre os gritos de medo de Vi e o grito de ódio de Cait, o local se encheu com o som de tiros, 7 ao todo, até que finalmente acabasse e apenas o som de cliques de um gatilho sendo apertado pudesse ser ouvido.
Jinx estava de frente a Cait. A centímetros de distância, os olhos ainda brilhavam em rosa claro. Em seu pescoço, no lado direito, havia um corte feito pelo último tiro de Cait, a pistola ainda erguida, ainda apontada para Jinx.
Ela poderia ter desviado completamente. Não importava se estava a menos de um metro do disparo. Com esse novo corpo, ela conseguia fazer coisas impossíveis para pessoas normais. Ainda assim, ela não quis, pois queria ver a reação da pilte quando seu ferimento começava a se curar em segundos diante dela.
Os olhos arregalados, o medo brotando em meio a sua raiva.
Jinx se inclinou, sua testa encostando no cano da pistola, numa provocação clara a Caitlyn e os 7 disparos que ela fez mirando a sua cabeça. Ela queria lhe matar e isso causava arrepios no corpo de Jinx.
“E me disseram que sua mira é infalível.”
As sobrancelhas de Cait se franziram e quando ela pensou em partir pra cima de Jinx, recebeu um soco em sua cara tão rapido que sequer pode reagir e caiu dura no chão com o nariz ensanguentado.
Jinx pegou sua pistola no chão e endireitou-se com um bufo de desprezo. Olhando para Vi, ela viu a mulher com lágrimas nos olhos, em pura descrença no que Jinx fez.
“Por quê?”
Uma pergunta pequena, mas com uma resposta tão longa. Jinx poderia passar horas falando seus motivos. Culpando tudo e todos. No fim, ela simplesmente falou:
“Porque eu queria.”
Nessas palavras, em total indiferença, Jinx pegou suas armas e o corpo moribundo de Silco. Em nenhum momento, ela olhou para Vi. Na verdade, sequer parecia notar sua presença, perdida em pensamentos. Ela partiu, sem olhar para trás, sendo a responsável por um dos maiores crimes na história da cidade do progresso.
[...]
3 dias haviam se passado após o ataque. Em uma única noite, 4 membros do conselho de Piltover morreram em um ataque terrorista orquestrado pela criminosa Jinx. Entre os membros, cada um deles líderes de importantes e influentes clãs de Piltover, sem dúvida o nome de Cassandra Kiramman foi o que mais impactou a população. Uma das famílias mais tradicionais de Piltover, ainda nos tempos da fundação da cidade, Cassandra foi uma das mais antigas do conselho em atividade, com uma atuação notória pelo desenvolvimento e bem estar de seu povo.
No dia anterior, uma cerimônia de luto ocorreu e Mel Medarda, uma das poucas sobreviventes do ataque, realizou o discurso diante da população de Piltover, lamentando a morte de membros tão estimados, pessoas que dedicaram sua vida para o bem da nação e que cruelmente foram mortos por uma única criminosa. Em suas palavras finais, ela prometeu que a justiça seria feita e que Piltover continuaria a trilhar o caminho do avanço e do progresso.
Foi em meio a essas palavras que um ataque covarde da Subferia ocorreu. Dezenas de pessoas foram mortas e por muito pouco, Jayce Talis e Mel Merdada não foram assassinados. Apenas devido a atuação de Ambessa Medarda, senhora da guerra de Noxus e conselheira externa do conselho de Piltover, junto de seus soldados, que o pior não aconteceu, brutalmente eliminando os criminosos aprimoradas por Cintila e a própria Escolhida do Lobo havia perfurado o peito de Renni, uma das Baronesas químicas da Subferia, e responsável pelo ataque.
Foi nesse estado de pânico, com uma população exigindo uma resposta à altura aos ataques daqueles bárbaros da cidade de baixo, que finalmente começaram a se organizar para responder em altura aos ataques que sofreram nos últimos dias.
Foi com esses pensamentos em mente que Vi seguia Caitlyn a alguns passos de distância. Seu corpo estava tenso, sua cabeça borbulhando em pensamentos sobre Jinx e principalmente, no que iria acontecer com seu povo, com seu lar, devido a loucura da mulher que uma vez chamou de irmã.
“Pare com isso.”
A voz de Cait fez Vi sair de seus pensamentos. As duas caminhavam em um longo corredor com enormes janelas a direita e um piso de cerâmica azul claro que Vi conseguia ver o seu reflexo de tão limpo. A alguns metros à frente, enormes portas duplas levavam até as ruínas da sala de reunião do conselho, no topo do prédio central da Universidade de Piltover, uma das instituições mais importantes da cidade.
“Parar com o quê?”
“Essa cara de que vai socar qualquer coisa que aparecer na sua frente.”, afirmou Caitlyn, em um tom sério e se virando para encarar Vi, a forçando a parar no meio do corredor, “Você não quer irritar essas pessoas.”
“Eu sequer deveria conhecer essas pessoas.”, afirmou a mulher, as mãos indo aos bolso da sua calça, não escondendo seu desagrado, “Eu não deveria nem estar aqui.”
“Eles pediram a sua presença. Mesmo eu não sei o motivo.”
“Talvez, queiram me prender. Afinal, eu compartilho do mesmo sangue da maior criminosa de Piltover.”
Vi olhou para baixo enquanto falava, sarcasmo escorrendo em cada palavra dita, mas no fundo, apesar de não admitir nem para si mesmo, havia uma culpa avassaladora. Ela sabia que de alguma forma tudo que aconteceu teve um pouco de culpa dela. Mais uma vez, ela pensou naquela noite. Em meio a um galpão em chamas, após socar a cara de uma pequena garota de cabelos azuis em prantos. Amaldiçoando-a com o nome no qual carrega até hoje.
E mais uma vez, ela saiu de seu transe ao ver os saltos pretos próximo aos seus próprios pés. Lentamente, Vi subiu seu olhar, percorrendo as longas pernas da mulher, passando pelo seu quadril, torso, o queixo anguloso até chegar ao seu rosto, com os olhos verdes lhe olhando com uma intensidade que fez a mulher da cidade de baixo sentir o estômago revirar.
“Eu não vou permitir.”
Havia tamanha convicção nas palavras dela que Vi ficou constrangida por um momento. Ela ainda ficava surpresa em como a relação entre ela e Caitlyn havia crescido em tão pouco tempo. A mão de Caitlyn enlaçou com a de Vi enquanto falava:
“Esses últimos dias…”, começou ela, “Tem sido difícil. Ter você comigo me ajudou de uma forma que não posso nem expressar em palavras. Eu… Não sei o que faria sem você comigo, Vi.”
Vi deu um sorriso, um pequeno e espontâneo sorriso, um gesto que era reservado a tão poucas pessoas na sua vida que ela poderia contar nos dedos. Hoje, somente uma única pessoa a recebia e era justamente a pessoa a frente dela.
“Eu queria lhe beijar.”, confessou Vi e em troca, recebeu um sorriso de Caitlyn, o pagamento pelas palavras certas da mulher.
No entanto, havia guardas nas portas duplas à frente delas. Além de mais guardas ao longo do corredor. Somente por isso, Cait não avançou para um beijo que ambas tanto queriam. Assim, com um aperto mais forte na mão de Vi, Cait se afastou e com um suspiro, Vi a seguiu, colocando uma expressão muito mais agradável, ao menos comparada a antes, em seu rosto.
Ao ficarem diante das portas, os guardas, dois membros dos defensores, a força policial de Piltover, prestaram continência a Cait. Vi percebeu o respeito e admiração para a mulher ao lado e no instante que olharam para ela, tudo isso desapareceu para dar lugar a um julgamento velado.
Esses olhares foram mais um dos vários e vários olhares que Vi recebeu nos poucos dias que permaneceu em Piltover. A maior parte dele sendo dentro da mansão Kiremman, principalmente do pai de Caitlyn. Aquilo foi mais um lembrete do lugar de Vi e como ela insistia em querer ficar do lado errado da ponte por causa de uma única mulher.
Você mudou.
As palavras vieram e Vi as reprimiu. Ela não pensaria sobre ela. Não agora.
Os guardas abriram a porta e Caitlyn adentrou junto de Vi. Pela primeira vez, Vi via em detalhes o que restava da sala do conselho. O céu de Piltover estava com nuvens pesadas. Uma chuva prenunciava naquela tarde.
Antes, apenas se observava aquilo pelas estreitas janelas nas paredes ovais do salão. Agora, poderia se observar perfeitamente, com quase o teto inteiro destruído, restante apenas uma pequena parte ligada a entrada do salão. Junto a isso, as paredes haviam sido demolidas, dando uma visão perfeita da cidade em meio às ruínas e o portal hex a menos de um quilômetro em pleno funcionamento, após dois dias paralisado devido ao ataque terrorista.
Vi então observou os ocupantes. Ela não sabia o nome de nenhum deles, com exceção de Mel Merdada, aquela que havia discursado no velório dos membros do conselho falecido. Um deles estava sentado em uma cadeira de roda, sua constituição frágil e magra em uma suntuosa roupa. Seus olhos verdes fixaram em Vi e ele sequer escondeu seu nojo por ela, a reconhecendo como uma pessoa da Subferia. Próximo a ele, havia uma mulher negra e careca, com o mais curioso sendo os dentes de engrenagem dourado que usava como adereço no pescoço. A direita deles, Mel estava encostada na mesa oval do conselho, ao menos o que restava dela.
E finalmente, havia uma última pessoa, de costas aos outros, na borda do local, observando o horizonte. Seus cabelos brancos estavam amarrados em dois pequenos coques. Suas roupas pareciam uma armadura blindada tática, lembrando vagamente os dos defensore. Ao chegar na parte inferior, Vi piscou os olhos várias vezes, não conseguindo crê em seus olhos, pois no lugar de longas pernas da mulher alta, havia lâminas. Literalmente lâminas.
Vi focou novamente em Cait e a viu com os olhos arregalados, encarando fixamente a mulher de pernas de lâmina.
“Lady… Lady Ferros.”
O nome fez a mulher se virar. As maçãs do rosto eram altas, os lábios grossos em uma expressão neutra. Seus olhos brilhavam levemente em azul e exatamente no centro do seu peito, um pouco acima dos seios, havia um cristal azul com um leve brilho que Vi identificou como o mesmo cristal que havia em suas luvas de combate.
A mulher tinha um cristal Hextech no peito.
“Lady Kiremmam.”, cumprimentou a mulher, “Ou devo dizer, Chefe Kiremmam?”
A expressão de Cait se fechou em desagrado, mas logo se recompôs.
“Eu herdei a posição a poucos dias.”
“Sim. Eu soube.”, afirmou Lady Ferros, “Uma herança que não deveria ser sua agora.”
As mãos de Cait se fecharam e Vi sentiu a vontade de tocá-la, mas se conteve. Não era lugar para isso. A mulher observou o gesto, mas não reagiu. Nesse ponto, Vi se questionava se realmente falava com uma pessoa.
“O que faz aqui, Camille?”, perguntou Caitlyn.
“Não pense que a minha relação com sua falecida mãe lhe dá o direito de me chamar de forma tão casual, Lady Kiremmam.”, afirmou Camille.
Os primeiros passos foram feitos e o eco de metal ressoar no recinto. A leveza, o equilíbrio, a forma como ela se movia com facilidade, fez Vi engolir em seco. As lâminas, próteses, seja lá o que fosse, reluziam com a luz do recinto, tão afiadas que Vai sabia que ela poderia cortar o membro de qualquer pessoa com um único movimento.
“E o motivo de estar aqui é por causa das pessoas neste recinto. Ao menos, uma parte deles.”
“O conselheiro Tales está cuidando de um amigo que foi vítima do atentado.”, defendeu Mel.
“Sim. O mesmo homem que propôs a independência da Subferia para o conselho a alguns dias atrás. Além de claro, um homem de nome menor que assume de forma tão relapsa os deveres de sua posição. É claro que a ideia de dar independência a seus algozes partiria dele.”
“O ataque ao conselho foi feito de forma isolada. Já temos provas disso.”, afirmou Mel.
“Sim. Assim como o atentado ontem feito por uma das baronesas químicas da Subferia.”, continuou Camille, não mudando seu tom em nenhum momento, “Certamente, vocês têm tudo sobre o controle.”
Um silêncio tenso surgiu, os conselheiros olhando entre si e Vi pensou em quem diabos era aquela mulher para fazer os homens e mulheres mais poderosos de Piltover reagir daquela forma.
Camille se aproximou das ruínas da mesa oval, sua mão se arrastando delicadamente sobre a tampa da mesa.
“Eu deixo esse lugar por alguns anos, pouco mais de uma década, e vocês colocam em risco a segurança de nosso povo.”
“Piltover avançou como nunca nos últimos anos graças a nós. Graças ao conselheiro Talis e seus inventos Hextech.”, afirmou Mel.
“E junto a isso, vocês se tornaram moles.”, retrucou Camille e pela primeira vez, havia algo a mais além de sua frieza praticamente robótica, “Vocês começaram a pensar que as pessoas que vivem naquele poço de fissuras como algo além do que são. Como iguais.”
Agora foi Vi quem cerrava os punhos. Sua expressão se fechando em fúria. Se Camille reparou ou não, ela não demonstrava ou sequer se importava.
“Em sua fraqueza, vocês permitiram que eles mostrassem suas presas. Que fizessem pensar que podemos sangrar e não existe nada que aqueles bárbaros não desejam mais do que o nosso sangue. Esse foi o pecado de vocês. Um pecado que nos custou muito. Um pecado que se não for remediado agora, do jeito certo, pode nos custar tudo.”
Um breve silêncio surgiu após as palavras de Camille. Aquele era o convite para Mel a desafiar. Para alguém naquele recinto lhe desafiar. Contudo, como ela esperava, ninguém ousou. Havia muitas poucas pessoas que fariam algo assim e uma delas teve seu velório no dia anterior.
“O que você quer, Lady Ferros”, perguntou a conselheira Shola.
“Diante das vagas no Conselho de Piltover, declaro que o clã Ferros irá retornar a esse seleto grupo tendo a mim como representante.”
Não houve qualquer contrariedade. Na verdade, era uma mera formalidade. Sempre haveria uma cadeira para o clã Ferros se assim quisesse, não importasse se todas as vagas estivessem ocupadas.
“E como primeiro ato, proponho uma votação urgentepara delegar a tarefa de pacificação da Subferia a mim.”
“O quê?”, perguntou Mel, tão surpresa quanto os outros.
“Vocês foram fracos.”, declarou Camille, “Devo consertar o erro de vocês e farei isso nos meus termos, com meus soldados e recursos.”
“E como pretende pacificar a Subferia?”, perguntou Caitlyn.
“Do jeito que eles conhecem e sempre conheceram. Pela força.”, declarou Camille, seus olhos fixando em Vi por um momento, “Eu irei eliminar cada um dos Barões e Baronesas Químicas. Acabarei com qualquer célula terrorista e principalmente, irei capturar a responsável por este local decadente.”
Novamente, Vi se questionou o motivo de estar lá, no meio daquelas pessoas, discutindo sobre a dominação de pessoas da Subferia, de seu povo, como se falassem de gado. Aquilo revirou seu estômago.
“Inocentes serão colocados em perigo.”, intercedeu Mel.
“Então, fiquemos aqui. Esperando o próximo atentado. Aparentemente, é apenas isso que este conselho realiza com primor.”
Em suas palavras, os dois outros membros do conselho franzem os olhos. Foi o homem em cadeira de rodas quem ergueu a mão e afirmou:
“Eu apoio a moção.”
Logo em seguida, a mulher em ferragens douradas também fez o mesmo.
“Eu sou contra. Existem formas melhores para lidar com a situação. Violência só irá gerar mais violência.”, falou a conselheira Medarda em um tom de resignação.
“Resta um voto.”, afirmou Camille.
Os olhos de todos se debruçaram sobre Caitlyn. A mulher parecia pensativa, uma expressão séria no rosto até pergunta para Camille.
“Quem irá capturar a criminosa responsável pelo ataque ao conselho?”
Pela primeira vez, Camille reagiu. Foi um pequeno, minúsculo movimento de seus lábios, mas estava claro o indício de um sorriso enquanto respondia:
“Você. Com todo o poder do clã Ferros lhe apoiando da melhor maneira possível.”
Caitlyn não hesitou mais. Sua mão se ergueu e respondeu:
“Eu apoio a moção.”
Mel fechou os olhos em decepção, mas foi ignorada pelos outros.
“Muito bem. Então, se me dão licença, estimados membros do conselho, devo trazer esta cidade de volta aos eixos que nunca deveria ter saído.”
Camille avançou, seus passos ecoando e deixando os outros conselheiros para trás. Passando ao lado de Caitlyn, ela afirmou:
“Me acompanhe, Lady Kiremmam. Traga ela conosco.”
A forma como Camille se referiu a Vi como se fosse um vira-lata sarnenta, enfureceu a mulher, dando um passo à frente, mas sendo impedida por Cait.
“Qual o motivo para chamá-la aqui?”
“Nunca vá uma caçada sem conhecer sua presa.”, afirmou Camille, uma leve decepção em suas palavras, “Achei que sua mãe tivesse lhe ensinado ao menos isso.”
As palavras de Camille enfureceu Caitlyn em um nível que Vi poucas vezes tinha visto. Respirando fundo, uma expressão dura surgiu em seu rosto e ela declarou:
“Ela me ensinou muita coisa, Lady Ferros.”
“Mas não o suficiente.”,declarou Camille, “No entanto, não se preocupe quanto a isso. Sob minha tutela, você se tornará chefe adequado a sua família, assim como sua mãe desejava.”
Naquele momento, naquelas exatas palavras, Vi constatou que odiava Camille. Não importasse quão assustadora fosse, como parecia que poderia lhe matar com um único golpe daquelas pernas esquisitas. Ela o odiava com todo o seu ser ao ver como facilmente manipulava Caitlyn com suas palavras venenosas.
“Muito bem.”, respondeu a Kiremmam.
Camille não disse mais nada e partiu com Caitlyn logo atrás. Vi olhou para os outros conselheiros, especialmente para Mel Merdarda que parecia abatida, antes de seguir Cait, naquele ponto, apenas preocupação por ela a fazendo se mover.
No ataque de Jinx, as cidades unidas haviam chegado a mais um tensionamento e pela primeira vez em décadas, Zaun era aquela a iniciar.
Um conflito que, ao final, poderia levar a ruína ou ascensão das duas cidades.
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