Almas Trocadas? Oh, não!
14 Final?
Notas iniciais

Almas trocadas? Oh, não!
Capítulo 14 — Final?
Por Teylla
“O destino nos escolheu, devemos resolver nosso passado, solucionar nossos problemas, enfrentar nossos carmas e seguir em frente, sendo felizes, eu e você”
— Andressa Mascarenhas
Just close your eyes (Somente feche seus olhos)
The sun is going down (O sol irá se por logo)
You'll be alright (Você irá ficar bem)
No one can hurt you now (Ninguém pode te machucar agora)
Come morning light (Vem a luz da manhã)
You and I'll be safe and sound (Você e eu estaremos sãos e salvos)
Safe & Sound — Taylor Swift e The Civil Wars
Estava frio, estranhamente frio naquele lugar amedrontador, já havia o visto antes, mas onde?
Sentia que já esteve ali, e que conhecia o lugar muito bem.
Uma pequena vila, onde as casas eram perto uma da outra, onde estava congelante e de noite. Não se sabia dizer se era porque ela ficava acima de um morro, onde o vento forte era constante, ou se apenas sentia-se assim, com o corpo congelado, ou melhor, seu coração.
Encontrou uma pequena — aparentemente — floresta, e sem pensar duas vezes entrou de vez, sua curiosidade era incensante naquele momento, e nada a faria sossegar.
Avistou um vulto de luz clara e decidiu segui-lo, talvez, se só talvez, estivesse normal, com o estado sã, não seguiria algo desconhecido, sairia correndo, isso sim.
Mas não, decidiu avançar a tropeços e com o corpo tremendo, tentava tolamente se esquentar, esfregando os braços ou soltando o ar lentamente, enquanto estava quente.
Retirava várias vezes galhos que ameaçavam sua visão e coisas do tipo, era irritante, certo? Não poderia fazer nada, só tinha que seguir.
Ela sentia que tinha que seguir.
Maluquice ou não, novamente, decidiu ouvir sua razão e as vozes que surgiam em sua mente pequena.
Avistou um pequeno lago, ele estava congelado, o gelo estava duro, sem riscos de quebrar, ao menos era isso que esperava.
Olhou para o céu, pondo as mãos para trás, enlaçando-as.
Por que estava ali?
O que ela tinha que descobrir?
O que aconteceu?
Ela estava sonhando, era isso?
Só podia.
Sentiu sua respiração falhar um pouco por causa do ar congelante e espirrou, passando levemente os dedos pela região gelada, com uma tentativa frustrante de tentar esquentá-lo.
O vulto de luz foi além do pequeno lago, indicando que Lucy teria que passar por ali, começou a nevar e a passos lerdos — que para ela eram rápidos —, tentava caminhar com passos seguros nos pequenos tufos de neve que estavam se formando.
A sua pegada estava registrada, olhou para trás, fitando a grande trilha com suas marcas, passou a mão pelo seu gorro preto com listras coloridas.
Quando chegou perto do gelo, seu corpo tremeu.
Estava com medo.
Mas isso era normal, mesmo parecendo grosso e parecendo que não se quebraria, o corpo reage a isso de forma negativa.
Respirou fundo, pôs a mão no bolso do grande casaco quente e com passos leves e serenos, começou a andar, estava tudo certo, né? Não ocorreria riscos, era isso que Lucy esperava.
Não havia barulho, era tudo silencioso.
Estranhamente silencioso.
O ar gélido batia levemente contra sua face, a qual, já estava parando de ficar corada.
A Heartfilia resmungou.
— Que diabos! — exclamou ao escutar barulho debaixo do gelo, o qual estava andando, arregalou os olhos e arqueou a sobrancelha esquerda.
Dava para enxergar abaixo dela, viu uma sombra bem escura na água.
Travou.
E travou novamente.
Ficou fitando inutilmente a sombra.
Corre sussurram em seu ouvido.
Lucy se arrepiou, olhou para trás e não viu ninguém, normalmente não confiava em vozes suspeitas e nem nada do tipo.
Mas sentia que tinha que realmente correr.
Decidiu fazer uma contagem e pegar o pico.
1...
2...
3...
Pronto, foi o suficiente para que Lucy começasse a correr loucamente, não faltava muito para que chegasse a margem coberta de neve. Os flocos eram belos, mas, não podia parar para admirá-los. Ou algo como isso.
Tomou um tombo e se xingou em pensamento, levantou quase caindo novamente e correu.
Sentiu algo se movimentando e foi a ajuda suficiente que ela obteve como estímulo para se mandar.
Chegou na margem, apoiou suas mão em seus joelhos, estava ofegante demais.
— O que diabos era aquilo? Nossa senhora — indagou para si, olhando pra trás, notou que o gelo estava começando a se partir.
Por aqui sussurraram em seu ouvido novamente.
Lucy levantou o tronco rapidamente, procurando ver ou descobrir de onde vinha a voz, olhou por todo canto e avistou novamente o vulto.
Não estava nem um pouco a fim de descobrir o que viria atrás dela e pôs-se a correr, desesperadamente atrás do vulto.
Parou para pensar, e se talvez fosse a voz a verdadeira vilã?
Balançou a cabeça em negação. Não pode ser isso.
Olhou os pinheiros pouco esverdeados, lentamente ficando coberto de flocos de neve, uma bonita visão.
Caminhou mais um pouco, entrando cada vez mais na escuridão que se encontrava.
The sun is going down (O sol irá se por logo)
You'll be alright (Você ficará bem)
Se estava com medo? Sim, estava, e muito, não sabia de onde surgiu essa sua coragem estupenda naquele momento, mas estava feliz em tê-la, ou senão, estaria encolhida em algum canto se cagando de medo, oh, sim, isso era bem a cara de Lucy quando está com medo...
A verdade era que, desde pequena, desejava ser corajosa, ter coragem para fazer tudo o que queria, sem se importar com nada e nem ninguém. Fora tola em achar que isso se realizaria tão facilmente.
Ou então, seu desejo em encontrar um príncipe encantado, montado em um cavalo branco, caminhando entre a neve, com a paisagem igual a que estava agora, não que ela fosse assustadora ao todo, era bem bonita, mesmo sendo sombria.
Algo como a Branca de Neve.
Tolice? Talvez.
Lucy riu amargurada consigo mesma, não podia se julgar, era uma criança, crianças sonham.
Quando foi que perdeu toda sua fé? Toda sua esperança? Quando foi que parou de sonhar? Havia prometido a si mesma que nunca pararia de sonhar
Cada vez mais que andava, não conseguia mais enxergar muita coisa, estava realmente muito escuro, era como se a escuridão quisesse comer a luz que estava presente até recentemente, e sua comparação parecia a mais aceitável agora.
Em um instante, um clarão invadiu o espaço, Lucy pôs sutilmente o braço em frente aos olhos, cobrindo-os. Talvez tivesse um ataque de epilepsia se procurasse enxergar naquela claridade destruidora.
Não estava reclamando, não mesmo.
Gostava de ambientes claros e iluminados também, gostava muito.
Piscou inúmeras vezes até acreditar no que estava vendo.
Afastou alguns galhos de sua frente e caminhou a passos lerdos, realmente não conseguia enxergar o que estava a sua frente, tremeu um pouco e levou a mão até a boca, em um gesto de surpresa e insatisfação.
Avistou um homem, um homem sendo literalmente devorado pela escuridão.
Ele estava cabisbaixo, com suas vestes negras e ao seu redor, só escuridão, havia algo mais ali, algo que não conseguia identificar direito.
Pareciam demônios, ou algo parecido com eles, percebeu que ela estava envolta a um manto branco, totalmente claro, suas vestes mudaram para um vestido simples, longo e branco.
Seu cabelo estava solto, sem gorro e sem nada.
Simples e linda era o que podiam falar, linda como um anjo.
O cabelo rosa era o que mais destacava o homem, sentia que o conhecia de algum lugar, e como sentia, um arrepio percorreu seu corpo e vagas lembranças vieram, uma atrás da outra, como estardalhaços, pedaços de fragmentos perdidos no tempo, era isso que ela poderia definir.
I remember tears streaming down your face (Eu me lembro das lágrimas escorrendo pelo seu rosto )
Ele estava chorando, se assim poderia definir, notou que lágrimas escorriam pelo seu rosto, quando fitou seus olhos esmeralda sentiu seu coração acelerar, aparentava conhecê-lo de outras vidas, talvez amantes, não se sabia dizer, mas aquele olhar... Conhecia muito bem.
O homem fez uma expressão dolorosa para Lucy, a qual, para ela, foi como uma flecha, machucando-a por inteiro. Quem era ele? Quem era aquele homem que a fazia se sentir assim?
Sem notar, seus pés começaram a caminha para frente, em direção ao rapaz de cabelo rosa
When I said, I'll never let you go (Quando eu disse "nunca te deixarei ir embora" )
— Lushi... — o rapaz disse, ao notar que a mulher a sua frente, acariciava seu rosto, deixando algumas lágrimas escaparem, ela estava com dor, uma dor insuportável no coração, ao escutar o “Lushi”, lembrou na mesma hora de quem era.
O amor da sua vida.
Natsu.
Natsu Dragneel.
— Lembra, Natsu? Lembra do que eu te disse quando você falou que iria se afastar de mim pela minha segurança? — questionou, passando a mão lentamente pelas bochechas geladas do homem. Natsu assentiu e iria responder, mas Lucy levou o dedo até a boca pálida, com os lábios meio partidos, silenciando-o. — Nunca te deixarei ir embora, Natsu, nunca — continuou, sorrindo amavelmente. — Não adianta fazer nada, nunca deixarei que você faça uma burrada.
When all those shadows almost killed your light (Quando todas as sombras quase acabaram com a sua luz)
Natsu estava com os dois braços estendidos, como se duas pessoas o segurassem, ele estava cansado e parecia doente, muito doente.
Totalmente diferente do que um dia foi, aquela luz que sempre o seguia.
Ele levantou a cabeça, encarando os olhos acastanhados e deu um sorriso, fraco, porém deu.
— Lucy... você sabe... — começou a dizer, com a voz rouca e fraca.
I remember you said, don't leave me here alone (Eu me lembro que você disse "não me deixe aqui sozinho" )
— Natsu, por favor, fique quieto, você não tem condições de falar nada — retrucou, sabia que ele falaria coisas como “nós não estamos destinados a ficar juntos, eu sou sua maldição” e coisas do tipo, ele tinha acreditado loucamente no Haru, após um surto que teve. — Você me disse, “não me deixe aqui sozinho” naquela noite, lembra? Não vou te deixar só — completou, silenciando-o com um beijo.
But all that's dead and gone and passed tonight (Mas nesta noite tudo está morto, acabado e já passou )
Natsu sentiu seus braços serem soltos, envolveu a sua luz, abraçando-a com ternura.
Lucy estava sendo beijada pelas sombras, envolvida na escuridão mais profunda, porém, ela também era a luz.
A luz dele.
A luz que iluminava o caminho do homem que amava.
Ela servia para algo, e como servia.
Nasceu para amá-lo.
Ela como um anjo.
E ele... como um demônio.
Lucy abriu os olhos, assustada com o sonho que teve, notou que Natsu estava em cima dela, afobado e nervoso, parecia preocupado. Arregalou os olhos.
— Natsu? — questionou, surpresa com a reação do rosado.
— Lucy? Você está bem? O que houve? Teve um pesadelo? — começou a fazer várias perguntas, ele a abraçou de nervoso e preocupação.
Lucy sorriu amavelmente, pela primeira vez, queria ser abraçada por ele verdadeiramente, por aquele corpo quente e caloroso, que era só para ela.
— Não... tive um sonho muito bom — respondeu, abraçando-o também.
Natsu respirou tranquilamente. Estava aliviado e não podia negar.
Teriam que acordar cedo para ir até o encontro do Sr. Jude, ele já estava suficientemente nervoso com isso.
— Droga, Lushi... Você tinha me assustado — disse, segurando os ombros dela, fitando os olhos acastanhados da garota.
Lucy riu, teria uma longa noite, e como teria.
ATON
— Ei, Lucy, o que há com essa roupa? — Natsu questionou, franzindo o cenho, a loira se encontrava com um chapéu de mendigo e roupas de mendigo.
— Fiquei pobre, Natsu, não tenho roupa... — respondeu chorando e jogando-se nos braços do homem.
— Mas o quê? Como isso? O que aconteceu? — perguntou preocupado, segurando os ombros da garota.
Lucy deu um sorriso de canto.
— RÁRÁ Pegadinha do malandro!! — respondeu animada, Natsu a jogou longe e bufou.
— Poupe-me, Lucy, você me faz me preocupar desnecessariamente, quer imitar a autora, é? Que deixou vários fãs tristes com a notícia do fim de ATON? Como o nosso fim, quero dizer — perguntou, revirando os olhos e cruzando os braços.
— Nossa, Natsu, só quis fazer uma brincadeirinha e a autora não é parcialmente culpada! Ela só... queria fazer uma brincadeira, mais não deu certo porque ela é lerda e levou UM ANO pra atualizar — respondeu, triste.
— Verdade, um longo ano... Quer dizer, 11 meses e alguns dias, mas isso não importa, vamos comer, você está horrível e tá fedendo, vai tomar banho — disse, puxando Lucy pelo ombro, fazendo-a se encostar nele.
— É o quê, seu pedaço de algodão doce? — Bateu nele e sumiram, brigando.
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