Almas Trigêmeas
19 Mata-me de prazer 1 ª parte
Notas iniciais
Anteriormente:
— É por isso que roubou a Colt, né? – perguntou Dean ao celular enquanto dirigia — Pra tentar se safar do seu pacto? Nossa arma por sua alma.
— Sim! – respondeu Bela
— Mas roubar a Colt não bastava, eu presumo.
— Eles mudaram o pacto. Querem que eu mate o Sam.
— Sério? – tornou o loiro com sarcasmo – Demônios que faltam com a palavra. Que chocante! É um prazo apertado também. Que horas tem? – olhou o relógio de pulso – Olha só! Quase meia-noite.
— Dean, escuta, preciso de ajuda – implorou Bela desesperada por entre lágrimas.
— Querida, ajuda só semanas atrás.
— Eu sei que não mereço.
— Quer saber? Tem razão. Não merece! Mas sabe o que me deixa encucado? Se tivesse vindo mais cedo nos pedir ajuda provavelmente teríamos a Colt e salvá-la.
— Eu sei, e se salvado. Sei sobre seu pacto, Dean.
— E quem te disse?
— O demônio que o possui. Ela possui o meu também. Ela disse que possui todos os pactos.
— Ela?
— Seu nome é Lilith.
(...)
— Pô, qual é, Sammy? Tá a fim de mais trabalho?
— Não me chame de... Sammy. – o homem trincou os dentes e dirigiu um olhar assassino ao irmão. Não queria que Victoria soubesse daquele apelido que o fazia se sentir um otário.
— Sammy? É o seu apelido? – indagou Collins
— É! Não! – responderam Dean e Sam respectivamente ao mesmo tempo.
— Na verdade é – tornou Dean ignorando a expressão de desagrado do irmão – Só que ele não gosta de ser chamado assim
(...)
— Ah...oi – abaixou o tom de voz , levantou-se do sofá e foi para um canto do quarto.
Tentou falar o mais baixo possível para que os Winchesters não escutassem. Dean trocou olhares com Sam, mas este deu de ombros.
Era Matt no telefone, o informante de Collins. Graças a ele, Vic recuperou seu celular – que havia esquecido num motel ao saber do acidente de Bobby. O aparelho havia sido enviado pelo correio quando ela estava na casa do tio e continha todos os seus contatos importantes.
— Está tudo providenciado? — sussurrava ela ficando o mais distante que podia de seus companheiros – Isso. Você levantou as fichas direitinho. Ótimo! Você pode falar com... o Bobby – abaixou mais ainda o tom de voz ao sussurrar o nome do tio – Não... agora não dá, tem que ser você. Estou com eles aqui. Ele lhe dirá em quais nomes. Sim, obrigada. Como sempre você fez um ótimo trabalho. Tchau. – sorriu
(...)
Não falou mais porque Victoria resolveu fazer a única coisa para calá-lo e deixá-lo tranquilo. Aproximou-se dele de uma vez, ergueu o corpo um pouco, enlaçou seu pescoço e beijou-o suavemente nos lábios. Se ele a achasse ousada demais por isso, paciência. Tinha chegado ao seu limite. Uma atração muito forte a impelia até ele.
Sam a enlaçou pela cintura e correspondeu também suavemente sem aprofundar o beijo. Ela desgrudou os lábios por um momento e disse:
— Eu queria te dizer, Sam Winchester, antes mesmo de você cruzar essa porta, que já me decidi. Eu aceito ser sua namorada.
Capítulo 18
Mata-me de prazer (1ª parte)
Quem nunca quis saber como é o interior do carro de Victoria Collins?
O veículo era uma das marcas registradas da caçadora e, tal como ela, um mistério. Dizem que se pode saber muito sobre uma pessoa ao se observar sua casa, especificamente, seu quarto. No caso de Victoria, seu Impala 67 branco revelava algumas particularidades sobre sua verdadeira personalidade, algo que todos os caçadores tinham vontade de desvendar.
É claro que Collins não permitia que ninguém, além dela mesmo, entrasse no veiculo. Era como seu refúgio, uma parte de si. Somente duas exceções fugiram à regra: Bobby e Castiel.
Ah, sim! E agora, Sam Winchester, seu namorado.
No interior do Impala, o equipamento de rádio era bem moderno, em contraste com o modelo antigo do automóvel. Havia um terço grande e dourado enrolado no retrovisor; uma imagem minúscula de plástico de São Cristóvão (protetor dos motoristas) em cima do painel do vidro frontal, num canto à direita; e três fotos à esquerda do painel no lado do motorista pregadas ao vidro. Tudo isso, Sam observou em seu primeiro encontro com Vic.
Sam ia pegar as fotos para vê-las melhor, porém, notou o desconforto da moça.
— Posso ver? – indagou com dúvida
— Pode. – ela assentiu após uma leve hesitação
Nem precisava perguntar quem era a menina na primeira foto. Era Vic tal como ele se lembrava de seus primeiros sonhos. Era bem pequena e estava de vestido azul-marinho ao lado de um menino pardo como ela; atrás deles se via um homem com cabelos loiros cacheados e olhos verdes com o braço no ombro de uma bela mulher negra de cabelos crespos, magérrima e elegante.
— Era sua família?
— Era. Meus pais e meu irmão Thomas.
— Então Bobby tinha outro sobrinho?
— É.
— E esta que é a grande lenda Jack Collins? Nossa! Eu... tinha uma ideia bem diferente de como ele era – confessou o Winchester ao observar o traje elegante que o homem vestia – É Samantha, a meia-irmã do Bobby? – apontou a mulher da foto. Ela era quase idêntica à Victoria, com exceção da cor dos olhos e dos cabelos.
— É... sim... é ela – Vic parecia meio vaga.
Sam se concentrou em outra foto. Mostrava um homem claro de cabelos negros e olhos castanhos ao lado de uma bela mulher loira de olhos azuis. Ele parecia bem mais velho do que ela e, pelas vestes, era um casal mais simples. À frente deles estava um menino loiro de olhos azuis. Vic também estava na imagem, um pouco maior.
— E esses com você...? – Sam a olhou de forma interrogativa.
— São... os pais do Luke. E este menino era ele – apontou o garotinho da foto.
— Como se chamavam os pais dele?
— Nossa, quantas perguntas, hein? – Vic sorriu, mas parecia meio desconfortável
— Curiosidade de namorado – replicou Sam
— Eram boas pessoas – foi tudo o que ela disse e pegou as fotos da mão dele – Mas... chega de ver fotos. Vamos, senão perdemos a sessão de cinema.
Sam ficou intrigado, mas nada disse. Não comentou sobre a outra foto – a de Vic adolescente com um rapaz loiro a segurando pela cintura – porque supôs que o moço devia ser Luke mais crescido.
Ela deu partida no carro. Estava silenciosa. Ele sentiu que era por causa das fotos.
— Posso? – perguntou ao apontar o porta-luvas.
— Claro – ela respondeu um pouco mais relaxada.
Abriu o porta-luvas e viu vários CDs de diferentes estilos musicais: de música instrumental a Legião Urbana. Havia também alguns livros relacionados à gestão empresarial e um exemplar com páginas meio amareladas de Noite de Reis, de William Shakespeare.
— Você realmente tem bom gosto – comentou Sam para dissipar o clima incômodo entre eles.
— Eu sei – ela suavizou a expressão do rosto – É por isso que estou aqui com você.
— Hum... cuidado porque senão eu fico convencido.
Eles riram e a conversa fluiu naturalmente... e o encontro também.
Depois disso, Sam nunca mais fez perguntas sobre as fotos. Sentiu que era um assunto tabu do qual a caçadora não estava preparada para lhe revelar. E também passou a ficar e a viajar constantemente no carro de Victoria. O Impala branco – antes um recanto só dela – tornou-se um ninho de amor para eles.
Encontravam-se justamente numa bela noite no interior do veículo. Estava estacionado diante de uma grande praça com chafariz. A noite estava estrelada e a lua brilhava cheia. Era como se a paisagem houvesse se transformado para intensificar o clima de romance entre o casal. Porém, estavam alheios a qualquer coisa que não fosse a sua bolha de amor.
Vic usava um vestido tomara-que-caia com estampa colorida e um cinto bege que o circundava ao meio. Seus cabelos estavam soltos e com cachos nas pontas. Nas orelhas, brincos de argola e, uma delas, era mordiscada por Sam enquanto suas mãos percorriam os ombros nus da namorada. Ele desceu a boca para o ombro direito e fez uma trilha de mordidas e beijos até o pescoço. Uma mão desceu até o seio esquerdo encoberto pelo vestido e apertou-o. Collins suspirou alto. Tal reação incentivou o Winchester a ousar mais. Ele levou a outra mão ao seio direito e, ao mesmo tempo em que apertava a ambos, voltou a encontrar a boca de Victoria e beijou-a com mais intensidade.
O moço estava de calça jeans escuro e camisa de botão branca com listras verticais na cor azul por fora da calça. Collins estava sentada em seu colo de frente para ele no banco de passageiro. Ela sentiu a ereção dele por baixo da calça.
Ele desceu a boca até o vão de seus seios, beijou um deles e mordeu-o por cima do vestido. Victoria arqueou o corpo para trás e gemeu. Já não aguentava mais! Ela queria!
Estavam juntos há dez dias sem passar das carícias e dos amassos. Isso porque ela ficava travada na última hora. Um homem lindo, gostoso e apaixonado como aquele e ela resistia! Mas Vic sabia que o problema era ainda seu medo, sua insegurança de se entregar por completo naquela relação. Era como se ao fazer amor com Sam, ela soubesse que pertenceria a ele como nunca pertencera a ninguém, como se fosse amá-lo de uma forma muito mais intensa do que podia imaginar. E isso a assustava.
Ainda bem que o Winchester estava lidando com a situação com naturalidade. Ele sentia o que se passava com ela sem que precisasse lhe dizer, uma espécie de sintonia entre eles. E o mais importante era que não a pressionava.
Mas Vic não aguentava mais. Aliás, nem sabia dizer como suportou durante esses dias. Quando estava sozinha em seu quarto, relembrava os beijos, toques e carícias de seu homem... e suas próprias mãos se ocupavam de proporcionar o prazer que ela sentia medo de experimentar com Sam.
Só que daquela noite não passaria. Não se importaria se finalmente acontecesse ali mesmo dentro de seu carro.
Victoria queria que Sam abaixasse o decote de seu vestido, expusesse os seios dela e fizesse o que quisesse com eles. O Winchester estava prestes a realizar o desejo de ambos quando o celular no bolso de sua calça começou a tocar.
Por alguns instantes, Sam parou o que fazia. Resolveu ignorar o chamado de seu telefone e focar sua atenção nos seios da amada que estava louco para ver. Já os tocara antes diversas vezes, mas nunca os viu.
Infelizmente, seu celular não queria deixá-lo realizar seu intento.
Não, isso não pode estar acontecendo, os dois pensaram juntos.
— Deixa tocar... – sussurrou Collins com a voz ofegante – Ou então desliga...
— Não, é melhor eu atender... Pode ser Dean ou alguma emergência – ele respondeu também ofegante.
Sem tirar Vic de seu colo, ele pegou o celular do bolso. Não era o número do telefone do irmão. O visor indicou o nome de Chuck. Sam franziu a testa. Clicou o botão de atendimento da chamada.
— Alô? Chuck?
No entanto, do outro lado, ninguém respondeu. A ligação caiu.
— Ué.
— O que foi? Quem era?
— Era Chuck, mas... a ligação caiu.
— Chuck? Quem é esse?
— É um... profeta.
— Um o quê?
— Um profeta.
— Um profeta, do tipo daqueles como Moisés, Elias?
— Algo assim.
Já que o clima fora quebrado por causa do telefonema, Sam relatou em poucas palavras sobre o escritor e a série de livros intitulada "Sobrenatural". Enquanto isso, esperava se Chuck retornava a ligação. Devia ser importante já que ele não era do tipo que os procuraria e fazia três meses que estavam sem notícias.
— Meu Deus! — exclamou Vic – O Evangelho dos Winchesters. Não se vê, ou melhor, não se lê uma coisa dessas todo dia.
— E o pior que todos os detalhes da nossa vida estão ali expostos pra todo mundo. Tem até comunidades e fics.
— Ah, Sammy, veja pelo lado positivo. Pelo menos, vocês são famosos, mesmo sem o cachê das grandes celebridades.
O moço sorriu. Adorava que ela o chamasse pelo odiado apelido. Vic o fez, um dia, sem querer no meio de alguns amassos. Desculpou-se, mas ele não se importou. Aceitou numa boa que ela o chamasse assim quando estivessem a sós, desde que ela não contasse para Dean.
— Me interessa apenas que uma pessoa me conheça – fitou-a intensamente.
Esquecidos um momento da ligação, seus rostos iam se aproximar para mais um beijo e sessão de carícias, contudo, o som de uma mensagem instantânea os interrompeu. Os dois bufaram juntos e riram. O Winchester abriu a mensagem: "Sam, por favor, preciso que vc e Dean venham já pra Pineview Hotel, no endereço logo abaixo. Questão de vida ou morte. Depois explico. Chuck"
E depois vinha o endereço do local indicado.
— É mensagem do Chuck. Deve estar impedido de telefonar por algum motivo e parece urgente. Temos que ir. Vamos chamar o Dean e partir agora.
— Agora? – ela não escondeu a frustração
— É, agora – sorriu e acariciou o rosto dela – Não se preocupe, vamos poder continuar depois o que começamos ... se você quiser.
— É claro que quero – ela sorriu e deu-lhe um último beijo antes de voltar para o banco de motorista.
— 0 –
Os Impalas corriam em alta velocidade. Vic e Sam no branco e Dean no preto.
Avistaram uma placa com o nome do hotel indicado na mensagem recebida por Sam e estacionaram. Dean saiu de seu veículo e reparou que havia uma dezena de Impalas da mesma cor e ano que o seu. Aquilo o intrigou.
— Dean, vamos – chamou Sam com Vic a seu lado.
Ele se juntou aos dois e correram até a entrada do hotel. Chuck – um homem magro, claro e barbudo de cabelos castanhos e olhos azuis – encontrava-se em frente a uma escadaria e andava de um lado para outro.
— Chuck, aí está você – Sam o chamou.
— Pessoal – ele os cumprimentou. Sua expressão foi de estranheza ao encarar a bela morena de olhos verdes ao lado dos Winchesters.
— Ahn... esta é Victoria Collins – adiantou Sam – Ela também é caçadora, sobrinha de Bobby, nossa colega de estrada há pouco tempo... e minha namorada. – o Winchester enfatizou bem a última palavra. Não que estivesse com ciúmes, porém, a maneira como o profeta encarava Vic lhe incomodou da mesma forma que outros homens ao se demorarem em observá-la – Mas imagino que você já saiba sobre ela.
— É, de certa forma... – o profeta respondeu de modo vago. Contemplava Vic assombrado, mas não pelo motivo que o Winchester imaginava. Percebeu que estava sendo indiscreto e estendeu sua mão – Ahn... Prazer.
— O prazer é todo meu, profeta – ela estendeu a mão
— Pode me chamar de Chuck – ele sorriu meio sem jeito – Fico mais à vontade do que com esse negócio de... profeta.
— Certo... Chuck.
— O que está havendo? – Dean inquiriu o profeta
— Nada. Só estava dando uma volta. O que fazem aqui?
— Disse para virmos – estranhou o loiro
— Er... não disse não.
— Sim, disse. Me mandou uma SMS. Essa mensagem "questão de vida ou morte" te lembra alguma coisa? – tornou Sam
— Não, eu não te mandei SMS.
— Dirigimos a noite toda – Dean estava impaciente
— Desculpe. Não entendo o que... – parou a fala subitamente como se lembrasse de algo – Ah, não.
— O quê?
— Sam! Você veio! – o grito estridente de uma mulher fê-los olharem para o alto da escadaria.
Era Becky, a fã número um dos livros da série e totalmente alucinada pelo mais novo dos Winchesters. Era baixa, magra e loira de olhos azuis. Não era uma mulher bonita, tampouco feia. Entretanto, seu jeito um tanto "irreverente" não a tornava muito sensual aos olhos da maioria dos homens.
Ela desceu correndo as escadas e postou-se de frente para o Winchester com expressão deslumbrada.
— Er... aham... Becky, né? – disse o moço sem graça
— Você lembrou! – exclamou ofegante pela correria – Tem pensado em mim?
— Eu...
— Tudo bem. Também não tiro você do pensamento.
Victoria cruzou os braços e olhou de modo interrogativo para seu namorado. Ele engoliu em seco. Foi só aí que Becky se deu conta da presença de Vic, olhou-a de cima a baixo e fechou o rosto como se sentisse uma ameaça no ar.
— Posso saber quem é essa, Sam? – indagou para o rapaz como se ele lhe devesse satisfações e sem esconder seu desagrado
— Esta é... – o Winchester ia apresentar Vic como sua namorada e livrar-se do embaraço daquela situação, mas foi interrompido
— Victoria Collins – a caçadora se apresentou com falsa cordialidade – Sou caçadora também.
— E o que você faz ao lado do Sam?
— Só caçando.
— Caçando quem? Fantasmas ou homens?
— Os dois. Mas... não se preocupe, o Sam não está na minha lista. Ele não faz bem o meu tipo.
Sam a olhou com estranheza, Dean segurou o riso e Chuck arqueou as sobrancelhas.
— Ah, bom... – Becky acreditou nas palavras de sua aparente "rival" e sorriu com simpatia. Estendeu a mão – Muito prazer.
— Prazer, querida – Vic ostentou um sorriso amarelo e apertou a mão da outra.
— Pegou meu telefone – Chuck interrompeu o cumprimento delas para censurar o atrevimento da loira
— Só peguei emprestado – virou-se para ele – Das suas calças.
— Becky! – repreendeu-a e balançou a cabeça
— O quê? – virou-se de novo para Sam – Eles vão querer ver.
— Ver o quê? – os irmãos falaram ao mesmo tempo
— Meu Deus! Eu amo quando eles falam ao mesmo tempo!
Collins revirou os olhos.
— Ei, Chuck! Vamos, é hora do show – um homem gordo, branco, cabelo preto e barba grisalha com uma prancheta na mão apareceu no alto da escada.
Becky subiu animada parte dos degraus. Aguardava por eles.
— Desculpem, pessoal – Chuck estava sem graça e também começou a subir – Por tudo.
Os três caçadores cada vez mais intrigados também subiram. Sam sussurrou para Vic:
— Por que você disse aquilo pra Becky?
— Eu não queria desapontar sua fã número um – ela sussurrou irônica em resposta e apressou os passos se colocando mais a frente.
Sam olhou confuso para Dean, mas este deu de ombros.
— 0 –
No saguão de entrada, toparam com um homem gordo de cabelo castanho claro, cavanhaque no queixo e que vestia uma jaqueta desbotada idêntica a de Dean. Ele segurava uma jarra de cerveja.
— Ei, Dean! Cosplay legal! – a meio caminho de uma das poltronas, ele saudou o loiro como se fossem velhos conhecidos
— Quem diabos é você? – perguntou o Winchester
— Sou o Dean também – respondeu o outro com desdém como se a resposta fosse óbvia – Dã.
O loiro olhou sem entender para o irmão. De repente, seu rosto ficou sombrio ao ver um homem alto vestido de espantalho. Sam se virou e tomou um susto. Vic, parada na frente deles, também se sobressaltou com a aparição.
— É o Sam e o Dean – a figura falou com eles. Segurava uma lata de coca-cola com canudo numa mão e na outra um gancho – Agora estou com problemas. Divirtam-se.
E saiu.
— O quê? – Dean perguntou confuso.
— Tenho a impressão que vocês vão matar saudades de velhos amigos – comentou Vic ao observar o local.
Os Winchesters vislumbraram o ambiente. Havia várias pessoas caracterizadas como a maioria das entidades que eles tinham exterminado. Outros estavam vestidos como seus companheiros de caça. Os livros da série assim como alguns itens relacionados (xícaras, pôsteres, chaveiros) estavam distribuídos em lugares estratégicos para venda.
— Até o tio serviu de inspiração – tornou Collins ao notar uma moça vestida como Bobby com barba, bigode, boné, calça larga e camisa enxadrezada.
— Becky, o que é isso? – inquiriu Sam à loira
— É demais! – respondeu entusiasmada – Uma convenção de "Sobrenatural". A primeira.
— O quê? – esbravejou Dean – Que palhaçada é essa?
— Não seja desmancha-prazeres, Dean – Becky fechou a cara para ele – Isto é uma homenagem dos seus fãs e conta com o patrocínio de um investidor – ela arregalou os olhos ao ver uma conhecida fantasiada de Lilith e acenou várias vezes para ela – Gente, se me dão licença eu tenho que ir ali. Acabo de ver uma amiga. Sam, não se importa se eu te deixar sozinho, não é?
— Não... que isso, imagine!
— Eu volto já. Vamos ter muito tempo pra nos entender – ela pôs a mão no peito dele e suspirou.
Ele ficou constrangido ainda mais com o olhar assassino de Victoria.
— Até mais. – a loira se afastou
—Quer saber? Acho que vou comprar alguns desses livros – anunciou Collins ocultando sua irritação
— O quê? – os dois homens estranharam.
— Já volto, rapazes – ela se afastou e ia até uma bancada que expunha uma coleção de livros.
— Ô, ô, Vic, espera aí! – Dean protestou e interceptou o caminho dela – Você não pode tá falando sério! Pra quê você quer ler essas histórias?
— Pra que mais seria, Dean? Pra eu saber detalhes de coisas que aconteceram com vocês antes de nos conhecermos.
— Você não tem necessidade de ler sobre isso, Vic – retrucou Sam – Tem coisas lá que você já sabe de nossa própria boca o que aconteceu.
— Eu sei dos fatos principais, mas não de tudo. E depois é bom saber o ponto de vista de outra pessoa, ainda mais um profeta.
— Vic, você não vai comprar nenhum desses livros – ele afirmou num tom enfático – É a nossa intimidade que está li. Se quer saber qualquer coisa sobre mim é só perguntar.
— Qual é o problema, hein, Sam? Tem medo que eu descubra algum podre seu? – ela cruzou os braços em desafio – Talvez, por exemplo, que você teve algum affair com sua amiguinha ali.
— Quê? – ele ficou boquiaberto – Eu e a Becky? Você está brincando, não é?
Dean se distanciou um pouco do casal; percebeu que havia um conflito presente. Não pôde deixar de sentir certa satisfação.
— Por favor, Sam! Por que uma maluca dessas ia ficar tão entusiasmada e se achando tão íntima de você? Na certa, deve ter rolado alguma coisa.
— Você mesma disse. Ela é uma maluca, uma... alucinada – fez uma pausa. Um sorriso se esboçou nos lábios dele – Vic, não me diga que está com ciúmes da Becky?
Collins ia protestar, todavia, naquele momento, o homem gordo com prancheta – o coordenador da convenção – chamou a todos no saguão:
— Vamos, pessoal! Venham pro auditório. Agora é hora do show!
— Sam! Sam! Rápido, vai ser muito legal! – Becky se aproximou do Winchester e puxou-o pela mão
— Ah, Becky... – ele tentou se desvencilhar dela
— Vá, Sam, vá. Não desaponte sua querida – Vic o empurrou levemente para a loira.
Ele olhou aborrecido para Vic enquanto era arrastado por Becky. A gargalhada de Dean fez Collins se voltar para ele.
— Qual é a graça? – perguntou irritada
— Des... desculpa, Vic, mas... é que essa situação é bem cômica.
— Que bom que pelo menos você está se divertindo.
— Olha, não teve como não escutar o que o Sam te disse e... não me entenda mal, mas é que é ridículo você ficar com ciúmes logo da Becky.
— Eu não estou com ciúmes!
— Sei. – ele a olhou com zombaria – Mas sério, Vic, olha pra ela... e olha pra você. Que homem em sã consciência ia preferir alguém como a Becky em vez de você?
O olhar que dirigiu à caçadora foi tão intenso quanto à maneira pela qual proferiu a última sentença. Vic sentiu um arrepio.
— Dean, nem todo homem fica com uma mulher por causa de beleza.
— Nem é só beleza, Vic. A Becky é uma versão grotesca da Glen Close em Atração Fatal. É o tipo de mulher que apavora os homens. Nem que essa doida fosse Miss Universo alguém ia querer ficar com ela.
— Também não é assim. O Chuck não me parece apavorado. Notei que ele tem uma quedinha por ela.
— Tem gosto pra tudo! – ele fez uma careta – Mas não tem sentido você se comparar com ela. E vai por mim, em matéria de mulher, o Sam e eu somos parecidos. Você não é só um rostinho e um corpo bonito, Vic. Eu sei... er, o Sam sabe disso.
Outra vez, o loiro fitou intensamente a mulher diante dele. Collins engoliu em seco.
— Valeu, Dean. – ela respondeu após um breve silêncio. Quase todas as pessoas haviam entrado, apenas eles estavam ali sozinhos. – Acho melhor nós entrarmos.
— Certo, mas promete que não vai comprar os livros – apontou o dedo em advertência para ela.
— OK, OK. Palavra de escoteiro.
— 0 –
Todos estavam dentro de um pequeno auditório. Os lugares estavam tomados pelos fãs da série.
Vic, Dean, Sam e Becky se encontravam lado a lado nesta ordem de pé nos fundos.
No palco, a cortina estava fechada e havia um logotipo pregado nela com a marca da série.
O coordenador subiu até o palco e anunciou:
— Bem-vindos à primeira convenção anual de "Sobrenatural". Às quinze e quarenta e cinco, no salão Magnólia, temos o painel "Garotinho Assustado: A vida secreta de Dean."
O loiro fez uma expressão contrariada ao ouvir aquilo.
— E às dezesseis e trinta, há as entrelinhas homoeróticas de Sobrenatural – continuou ele. Dessa vez, os dois Winchesters assumiram um ar perplexo no rosto. Vic segurou um riso. – E é claro, a grande caçada começa às dezenove horas em ponto.
A plateia bateu palmas, inclusive Becky com mais entusiasmo.
— Certo, mas agora... Agora eu gostaria de apresentar o grande homem. O criador e autor dos livros "Sobrenatural". O único... Carver Edlund.
Todos ovacionaram Carver, pseudônimo de Chuck. Ele entrou de um lado do palco. Chegou perto do microfone meio acanhado e pronunciou-se:
— Certo, bom... Isso não é tão embaraçoso quanto eu pensava – sua boca estava seca. Foi pegar uma garrafa d'água numa mesa e bebeu uma boa quantidade – Certo. Então, acho... Perguntas?
Todos levantaram as mãos, exceto Becky e os caçadores.
— Você – Chuck apontou um sujeito magro e claro ao lado do sujeito gordo que se intitulara "Dean"
— Ei, Senhor Edlund. Sou um grande fã – disse ao se levantar – Estava pensando... Como inventou o Sam e o Dean?
Antes de responder, Chuck olhou para os dois que mantinham a expressão carrancuda e os braços cruzados.
— Aham... Eu... Só me veio na cabeça.
Mãos se levantaram novamente.
— Certo... o homem gancho
Um homem magricela de longa veste preta, peruca negra e longa e chapelão se levantou:
— Por que em toda cena de luta, o Sam e o Dean têm sua arma ou faca derrubada pelo vilão? Por que eles não colocam em algum suporte?
Tanto os Winchesters como Collins acharam a pergunta pertinente e entreolharam-se em concordância.
— Er... aham... Não sei mesmo.
— Continuando... Por que Sam e Dean não sacam que a Ruby é do mal? É óbvio que ela está manipulando o Sam pra algum tipo de lapso moral. Não é óbvio?
Sam ficou incomodado com aquele assunto e Dean dirigiu um olhar para o irmão como se concordasse com a conclusão acertada do sujeito. Quanto a Becky, aproximou-se furiosa da plateia na direção em que estava o indivíduo.
— Ei! Se não gosta dos livros, não leia, idiota!
— Tudo bem, tudo bem... – interviu Chuck para acalmar os ânimos. O homem gancho se sentou constrangido – Está tudo bem. Então, próxima pergunta
Foi a vez de um baixinho ser escolhido.
— É, você.
— No final do último livro, o Dean vai pro inferno. O que acontece depois?
— Bom, há um anúncio. Aham... — Vocês irão descobrir – olhou receoso para os Winchesters que estreitaram os olhos – Graças a um rico investidor escandinavo, vamos voltar a publicar os livros.
Todos se levantaram e aplaudiram com estrondo. Becky deu pulos de alegria. Vic fez expressão de quem sabia que o tempo ia fechar para o lado do profeta.
E os principais implicados? Digamos que aborrecimento era pouco para expressar o que sentiam com a notícia.
Após a grande manifestação geral de alegria, Chuck pediu que todos se sentassem.
— Er... OK... Temos mais um tempinho pra perguntas. Mais alguém?
A moça fantasiada de Bobby foi a escolhida da vez.
— Certo, você pode perguntar – incentivou Chuck.
— Tá, eu queria saber...
Nesse exato momento, o celular de Victoria tocou bem alto. A plateia, Chuck, os Winchesters e Becky olharam automaticamente para ela.
Vic sorriu sem graça. Esquecera-se de desligar seu aparelho ou pelo menos, deixá-lo no silencioso.
—Er... desculpem... Com licença que vou lá fora.
— 0 –
— Alô? Matt? – falou Vic num canto do saguão – Sim, estou bem. E você? Qual é a emergência? Não tem como você resolver isso? Mas, Matt, eu confio na sua capacidade de julgamento. Tem que ser mesmo pessoalmente? – ela bufou – Tá, tá, tudo bem. Eu vou até aí resolver esse problema. Acho que chego no máximo em quatro horas. OK, até mais.
Desligou o telefone e suspirou aborrecida.
— Algum problema? – a voz de Sam a assustou. Ela se virou.
— Sam, não faz isso comigo! – pôs a mão no coração.
— Desculpe, Vic – ele se aproximou e alisou o cabelo dela – Eu queria apenas aproveitar que você veio aqui fora pra conversarmos. Mas eu não pude deixar de te ouvir. Notei que você ficou chateada com essa ligação.
— É que... que... um contato meu me ligou e me pediu ajuda pra um caso.
— Um caso? Que tipo de caso?
— Ele... não me deu detalhes. Só me pediu que fosse encontrá-lo com urgência. Ele disse apenas que é coisa rápida pra eu resolver, talvez amanhã eu já esteja de volta.
— Espero que não seja uma surpresinha desagradável como essa que encontramos aqui – ele brincou – Deixa só o Dean e eu darmos uma palavrinha com o Chuck e aí vamos com você.
— Sam, olha... é melhor não. Tem que ser só eu pra resolver esse problema.
— Por quê? — seu tom era de desconfiança
— Esse meu contato... ele... bem, ele não confia em mais ninguém. Sempre tem que ser eu pra resolver os casos que ele me pede.
— E esse contato tem nome?
— Tem. Ele se chama Matt.
— Ele é caçador?
— Mais ou menos. Está... aposentado do ramo.
— Sei. E... que tipo de relação vocês têm?
— Só relação de trabalho. Ele... me ajudou muito quando eu precisei e estou meio que pagando alguns favores. – vendo a expressão desconfiada de Sam, ela enfatizou – Sério, Sam, nunca tive nada com ele.
— Não, não me passou isso pela cabeça – mentiu – Só que... você tem mesmo que ir sozinha ou ainda está aborrecida comigo por causa da Becky?
— Não, claro que não. –ela revirou os olhos – Tá, eu confesso, fiquei com ciúmes e não gostei nada da tietagem dela pro seu lado.
Ele riu.
— Ih, não tem graça não, viu? – ela fez bico
— Ah, Vic, você realmente é surpreendente! Uma mulher linda e sexy como você, a lendária Indomável, insegura por causa da Becky!
— Sou mesmo, viu? Eu sei do homem maravilhoso que está comigo – ela brincava com o dedo no peito dele.
— E eu sei da mulher maravilhosa com quem estou – retrucou ele
E a puxou para um canto escondido da parede e beijou-a com intensidade. Suas mãos agarraram com propriedade o rosto feminino. Logo eles se separaram para puxar o ar pelas narinas.
— Então. Eu já vou – disse Vic o afastando com pesar.
— Tem que ser agora?
— Tem. O caso é urgente.
— Vic, deixa eu e o Dean irmos juntos só pro caso...
— Não, Sam, melhor não. Tem mesmo que ser só eu – diante da expressão aborrecida do namorado, Vic acrescentou — Por favor, confie em mim. Sei o que estou fazendo.
— Tudo bem – suspirou derrotado – Se você diz... Mas eu quero outro beijo.
Ela sorriu, jogou os braços em volta do pescoço dele e beijou-o com fervor. O moço se empolgou e ergueu-a no ar tirando os pés dela do chão.
— Uh, Sam! – Vic desgrudou sua boca e olhou constrangida ao redor para ver se alguém os notava. O Winchester a pôs no chão – Doido! Alguém pode ver.
Ele deu de ombros.
— Tá, tá, agora volte pra lá antes que a sua fã dê por sua falta e nos pegue aqui. Não quero nem imaginar a cena que ela faria.
— Só assim pra ela largar do meu pé.
— Coitada dela, Sam.
— Ah, agora é coitada? – olhou para o alto – Quem entende as mulheres, meu Deus?
Vic mostrou a língua e apertou o nariz dele. Riram juntos.
— Aqui: vocês vão deixar o Chuck publicar mais livros sobre vocês?
— É lógico que não! Ele nem é doido de fazer isso!
— Ah, Sam, que é que tem?
— Que é que tem? Então quer ver ele descrever alguma cena mais íntima entre você e eu?
Collins arregalou os olhos.
— Nem pensar! Tem razão. Não deixa ele escrever uma linha!
— Há, tá vendo?
— OK. Agora eu vou mesmo. Eu ligo pra combinar um ponto de encontro quando eu terminar o caso por lá – garantiu ela
— Pode ao menos me dizer pra onde você vai exatamente?
— Não , senhor, pra você não inventar de ir atrás – ela balançou o dedo no rosto dele.
— Ai, desisto!
— Ótimo! – deu-lhe um rápido beijo nos lábios – Preciso ir agora.
— Então tchau, minha querida – abraçou-a forte – Vou sentir sua falta.
— Eu também.
— 0 –
Um avião aterrissou no aeroporto de São Francisco, Califórnia, exatamente às dezonove horas. Vários passageiros saíram, dentre eles, Victoria.
Um homem baixinho, de traços orientais, com uniforme e quepe de motorista aguardava Collins no terminal de desembarque. Ela sorriu assim que o avistou:
— Olá, Liu. Como está?
— Muito bem, senhorita Victoria. Espero que tenha feito boa viagem.
— Um pouco cansativa, mas foi tranquila.
— A senhorita quer ir para o hotel descansar ou prefere ir direto para a empresa?
— Façamos o seguinte: você me leva pra empresa e leva minha bagagem até o hotel. Depois, te chamo pra me buscar.
— Como quiser, senhorita.
Foram pegar a bagagem de Collins que consistia em apenas uma mala grande e sua bolsa de viagem. Era o básico que necessitava para sua vida de caçadora.
O motorista conduziu as malas num carrinho até uma limusine prateada do lado de fora do aeroporto. Depois, abriu a porta para Vic. Ela se acomodou no assento e suspirou. Havia refrigerante, champanhe, além de algumas guloseimas. Mas ela não estava com fome.
— Ah, Liu, quero passar primeiro no Shopping. Preciso de uma roupa mais adequada pra me apresentar na empresa – pediu Vic do interfone do carro.
— Como quiser, senhorita – assentiu o homenzinho e deu partida.
Roupa até tinha, mas estavam meio manjadas. Precisava renovar seu guarda-roupa.
O percurso seria um pouco longo, suficiente para continuar seu cochilo interrompido na viagem de avião. Ela fechou os olhos e tentou adormecer, porém, o sono não vinha.
Collins sentia um peso na consciência: mentiu para Sam. Não havia caso algum. A questão não tinha nada de paranormal.
Saiu da Convenção dirigindo seu Impala e deixou-o num estacionamento pago por hora até o dia seguinte em que o buscaria. Depois, pegou um táxi até o aeroporto onde pegou um avião. Sam pensaria que ela estava viajando em seu carro, não podia desconfiar de nada.
Não podia compartilhar tal aspecto de sua vida com o namorado. Não ainda.
Era verdade que o relacionamento deles estava no início e que, ainda não tinham passado para um estágio mais avançado, porém, sabia que era inevitável um aprofundamento entre eles. Aí ficaria mais complicado de esconder aquela parte de sua vida de Sam, mas tentaria o quanto pudesse.
Justificava-se ao pensar que era para o bem dele, pelo menos era o que foi levada a crer. Quanto menos ele ou Dean soubessem de sua vida, mais seguro seria.
Sem perceber, acabou cochilando, mas logo foi despertada por Liu ao pararem diante de um mega shopping. Era um local onde havia as lojas mais sofisticadas e caras do estado. Vic sabia exatamente qual era mais conveniente para o que precisava.
Assim que entrou, as vendedoras ficaram a posto para atendê-la.
— Senhorita Collins, como está? – uma mulher morena clara de olhos azuis se aproximou com solicitude. Era a gerente.
— Bem, Sophie, desejo comprar um terno básico. Vou a uma reunião urgente.
— Claro, eu mesma a atenderei.
Victoria assentiu. Tinha bom gosto, mas gostava de ouvir sugestões. A gerente sabia disso e também o quanto era exigente.
Após escolher um conjunto de terno e calça cor cinza dentre cinco modelos, Vic entrou na limusine. Dali até a empresa era só dez minutos.
Collins pensou como a vida e as pessoas eram engraçadas. Ninguém daquele shopping sabia quem ela era realmente, mas tinham noção de sua importância para o funcionamento do local e tratavam-na como se fosse da realeza. Um tratamento bem diferente de uma ou outra loja similar qualquer de um local remoto. A cor de sua pele fazia com que fosse olhada com certa desconfiança por algumas vendedoras e tratada com certo descaso.
— Chegamos, senhorita Collins – anunciou o motorista.
O edifício em que haviam parado era o mais alto da cidade e talvez um dos maiores do país. Um imenso logotipo dourado o diferenciava dos demais prédios. BBG era a sigla que compunha o logotipo e estava dentro de um globo com uma tarja de um azul escuro.
— 0 –
— Matt, como vai? – inquiriu Vic assim que entrou no escritório do homem. A secretária dele sabia que não precisava anunciar a moça.
— Oi, Victoria, que bom que você veio! – um homem magro, baixo, calvo de olhos verdes e óculos se levantou da mesa e foi apertar a mão da mulher – Você está cansada da viagem?
— Um pouco, mas tudo bem. Mas me diga: a situação é mesmo grave?
— É, se não fosse não teria te chamado. Sei que confia na minha capacidade.
— E acho que eles também deveriam.
— Eles confiam, mas... pra essa situação, não conseguimos achar uma solução favorável. Eles me pressionaram pra te convocar e apresentar uma solução. Ou isto ou...
— Ou?
— Ou pretendem fechar o setor. E muita gente vai ser prejudicada.
— Parecem mesmo desesperados.
— E estão mesmo. Não só eles. Por favor, me diga que você pensou em alguma coisa.
— Pensei, mas é uma ideia bem louca e arriscada.
— Risco nunca foi problema pra Victoria Collins – sorriu Matt aliviado.
— 0 –
A Convenção de Sobrenatural, a princípio, mostrou-se inofensiva. Houve contação de histórias de terror, coquetel e noite de autógrafos com Carver Edlund. Todavia, uma caçada fictícia se tornou real.
Tudo começou com as instruções do coordenador do evento. Relatou uma lenda urbana, segundo a qual o hotel era um antigo orfanato dirigido pela "malvada Letícia Gore" que teria mutilado quatro garotinhos antes de se matar.
Mas a lenda era verdadeira, ou pelo menos, parte dela. As almas dos meninos realmente vagavam por ali e eram admoestados pelo fantasma da Letícia a se comportarem.
Os Winchesters tomaram conhecimento devido a uma ou duas pessoas que viram os fantasmas e perceberam que a caçada não era brincadeira como se supunha. Resolveram procurar os ossos da mulher após se informarem com o gerente do hotel sobre detalhes da lenda.
Tiveram companhia inesperada: dois fãs – o gordão que havia falado com Dean na entrada do hotel e encarnava o loiro; e o magro que havia feito a primeira pergunta a Chuck no auditório e encarnava o papel de Sam. Tudo porque os dois sujeitos estavam com um mapa real do cemitério da propriedade em que estavam os ossos da mulher e que julgavam ser parte da busca. Concordaram em trabalhar junto com os Winchesters sem imaginar no que estavam se metendo. E ficaram chocados ao verem os caçadores cavarem de verdade a tumba da mulher e o fantasma dela se manifestar no preciso momento em que era carbonizado.
No entanto, os caçadores ao retornarem ao estabelecimento, descobriram que, na verdade, um dos meninos era filho de Letícia e havia sido escalpelado pelos outros garotinhos. A mulher os matou por sua crueldade e os impedia de machucar outras pessoas.
Sem a intervenção de Letícia, os meninos aprontaram: fizeram uma vítima durante a convenção – o homem gancho que terminou escalpelado – e trancaram todas as saídas do hotel.
Mais uma vez, os caçadores tiveram que entrar em ação. E contaram com a bem-vinda ajuda de seus dois fãs. Forçaram uma saída para os dois sujeitos irem ao cemitério e queimar os ossos das crianças e ficaram no hotel para enfrentar seus espíritos.
Chuck, a par da situação, também colaborou ao manter e distrair todos dentro do auditório – inclusive funcionários — com sal na soleira da porta para não serem vitimados pelas entidades. Até mostrou seu lado heroico e impressionou Becky ao atingir com um caniço de ferro um dos fantasmas dos meninos. O espírito conseguiu entrar por um momento por conta do desavisado gerente que quis sair do local e acabou cortando a linha de proteção ao abrir a porta. Depois de um grande susto e espanto de todos, o profeta mandou fechar a porta e refazer a divisória.
Felizmente, mais uma vez, tudo acabou bem. E, dessa vez, graças aos imitadores de Dean e Sam que conseguiram queimar os ossos dos meninos e mandarem embora seus espíritos, no preciso instante em que quase escalpelavam os dois caçadores.
Na manhã do dia seguinte, a polícia estava no hotel recolhendo o corpo da única vítima e os depoimentos dos participantes. Ninguém sabia o que explicar. Testemunharam um fenômeno único e difícil de crer. De comum acordo com Chuck e o coordenador do evento, resolveram dizer que algum fã louco mascarado tinha matado o pobre homem gancho.
— Até que vocês não formam um mau time – afirmou Dean na despedida de seus ajudantes.
Tinham revelado seus nomes para ele: o gordo se chamava Demian e o magro, Barnes. O primeiro consertava copiadoras e o segundo, vendia equipamentos de som. O loiro até tinha se identificado como sendo o próprio Dean Winchester, porém, é claro que os homens não acreditaram. Amavam a série, encarnaram os personagens ali e até queriam ter uma vida como a de Dean e Sam, mas jamais conceberiam que tudo aquilo fosse verdade, ainda que acabassem de comprovar e vivenciar um caso real como aqueles que liam.
— Como se conheceram, afinal? – continuou o caçador
— Nos conhecemos na internet – respondeu Barnes – Sala de bate-papo de "Sobrenatural".
— Oh, deve ser legal sair do porão dos pais e fazer amigos.
— Somos mais do que amigos – replicou Demian e entrelaçou sua mão com a de Barnes – Somos parceiros.
— Oh! – o rosto de Dean assumiu um ar de compreensão
Barnes apoiou a cabeça no ombro de Demian, o que deixou o loiro desconfortável.
— Olá, parceiros – foi tudo o que disse
— Olá – disse Barnes ainda juntinho ao seu companheiro.
O caçador fez uma careta de estranheza, virou-se e foi embora.
— 0 –
— Olha, Sam, não vou mentir. Nós tínhamos uma química inegável – dizia uma Becky pesarosa
O moço fez expressão aturdida e engoliu em seco.
— Mas como um macaco no sol, estava muito quente para viver – continuou a loira – Não vai dar certo. Chuck e eu nos encontramos. Meu Yin pro seu orgulhoso Yang. Ninguém manda no coração. Eu lamento muito.
— Pois é, Sam. Sabe, lamentamos – disse Chuck ao lado dela.
— Você vai ficar bem? – tornou Becky.
Sam quase disse com grande alívio que sim, entretanto, ao notar o olhar cúmplice de Chuck, mudou de ideia de como responderia.
— Sinceramente, não sei – disse com ar tristonho – Só terei que achar um jeito de continuar vivendo, eu suponho.

— Deus o abençoe! – exclamou Becky contente da vida e sorriu para o profeta que passou o braço em torno de seu ombro – Mas, Sam, se me permite dizer, acho que aquela sua amiga, a tal Victoria Collins está gamada em você. Ela até que tentou disfarçar, mas eu notei uns olhares. Acho que ela tinha percebido que não tinha menor chance com você comigo no paréo.
— É mesmo? Nem notei. – disse o moço com ar desentendido
Chuck balançou a cabeça e reprimiu um riso.
— Acho que você deve dar uma chance pra ela. Ela é meio sem sal, cheia de não me toques e um pouco estranha essa saída sem explicação dela, mas... vai lá. Nem que seja pra você me esquecer até encontrar alguém especial.
— É, quem sabe. Vamos ver – continuou ele com a farsa – OK... Ahn... Chuck, se quiser mesmo publicar mais livros, você tem o nosso aval.
— Uau! Sério?
— Não. Temos armas e acharemos você.
— OK... OK... Sem mais livros.
— Até mais – deu meia-volta.
Mal tinha caminhado alguns passos e Becky voltou a chamá-lo:
— Sam! Espere! Mais uma coisa! – ela correu e alcançou-o – No capítulo trinta e três de Sobrenatural: O tempo está a meu favor, tinha aquela garota Bela. Era britânica e ladra.
— Sim, eu sei.
Nesse momento, Chuck se aproximou deles.
— Ela roubou a Colt de vocês, e "disse" que deu a arma para Lilith, lembra? — continuou Becky
— É.
— Sabe que ela mentiu, né? Ela não deu pra Lilith.
— Espere, o quê? – olhou confuso de um para outro
— Não leu o livro? Houve uma cena onde Bela entrega a Colt para um demônio chamado Crowley, o braço direito da Lilith. Eu acho que seu namorado também.
— Crowley? – dirigiu um olhar acusador a Chuck – Não pensou em nos contar antes?
— Desculpe. Não lembrei. Não sou tão fã que nem ela – sorriu para a moça
— Tá. Me diga tudo – Sam se voltou para Becky
Após ouvir os detalhes que só uma verdadeira fã seria capaz de fornecer, o Winchester fez menção de ir e procurar pelo irmão, porém, foi a vez de Chuck o impedir.
— Espere, Sam, só mais uma coisa antes que eu me esqueça.
— O quê? – virou-se impaciente
— Er... Becky, é papo de homem. Nos dê só uns minutinhos, certo?
— Certo. Te espero, tigrão! – deu um rápido beijo na boca do profeta e saiu correndo
O profeta ficou tão surpreso que ainda ficou olhando na direção que a loira se foi.
— Chuck! Chuck, ei, acorda! – Sam o chamou
— Ah, tá, Sam.
— O que você queria me dizer?
— Olha, é meio estranho, nem eu mesmo sei te explicar, mas é sobre a sua namorada.
— A Victoria? – estranhou o moço – O que tem ela?
— Aí é que está. Eu... não consigo ter visões dela junto com vocês. Você sabe, as visões ainda veem se formando.
— E o que mais você tem visto sobre mim e o Dean?
— Er... não vem ao caso, mas nessas visões, a Victoria não aparece. É como... se ela simplesmente não existisse.
— Como assim? O que isso quer dizer?
— Nem eles mesmos sabem. Eu até tinha visto ela numa profecia, mas... foi algo isolado, nada relevante – ele se referia ao futuro alternativo em que Sam e Dean estavam separados e o loiro era casado com a caçadora, porém, resolveu não mencionar tal fato – Depois disso, eles pararam de vê-la, embora soubessem que ela está com vocês nessa do Apocalipse. Ouço os sussurros deles de vez em quando a respeito dela. Estão intrigados e me arrisco a dizer até com certo medo. É como se a Victoria fosse um grande personagem de uma importância essencial na história de vocês, mas ninguém sabe dizer que papel e em que momento. Como um personagem surpresa que você resolvesse criar de última hora pra dar aquele desfecho.
Sam ficou mudo. Aquilo o preocupou.
— Olha, eu realmente não sei o que isso significa, mas achei que você devesse saber. Os anjos estão preocupados com o que ela representa e... tenho a impressão que se acharem que ela pode interferir de alguma forma no plano do Apocalipse, farão de tudo para afastá-la do caminho de vocês.
— 0 –
Dean esperava pelo irmão. Estava encostado com a barriga numa lateral do carro e as mãos em cima do capô.
— Você está bem? – perguntou Sam ao se aproximar.
— Sim, sabe, acho que estou bem – respondeu
— Não vai acreditar, mas tenho uma pista sobre a Colt.
— O quê?
— Longa história. Te digo no caminho?
— O que estamos esperando?
— 0 –
Isso, Vic, é esse o endereço aqui em Lousiana – avisou Sam – Já aluguei um quarto pra você e estou em outro com o Dean. Tô te esperando. Outro pra você. Tchau.
O Winchester desligou o aparelho e ficou o segurando com o olhar distante e um sorriso bobo nos lábios. Ansiava em rever a namorada.
— Sam – Dean o chamou.
— Oi? – respondeu automático
— Tem três demônios de tocaia nos aguardando na porta da lanchonete.
— Ah, tá – continuou distante
— Meu Deus, Sam! Você nem prestou atenção no que eu te falei!
— Ahm, o que foi? – perguntou confuso
— Daria igual se eu te falasse que o céu é azul de dia e preto quando é de noite.
— Que história é essa, Dean?
O loiro bufou.
— Nada, deixa pra lá.
Dean blefou; não havia demônio algum na lanchonete em que se encontravam, não que houvesse notado. Só queria testar o irmão que parecia estar a léguas dali.
Homem apaixonado é um bicho bobo! Mas quem era ele para julgar Sam? E não podia culpá-lo. A pessoa que estava na mente do irmão era a mesma que também mexia com sua cabeça.
— E aí? O que você decidiu? – tornou Dean.
— Sobre o quê? – indagou Sam mais atento.
— Sobre o que o Chuck contou da Vic? Vai falar pra ela?
— Não, acho melhor não. Não quero alarmá-la com bobagens.
— Bobagem? Pelo o que você me disse não me parece uma bobagem. E não disfarce, você está preocupado.
— É, estou, mas... pode não ser nada. O Chuck deve estar exagerando. E os anjos também. O fato dele não ter visões da Vic deve ser porque ela não é importante nessa profecia deles. Deve ser só isso.
Sam queria acreditar nessa teoria, mas algo em seu íntimo tentava alertá-lo. Quanto a Dean, recordou-se de sua viagem futura e do triste fim de Victoria. Isso o fazia duvidar que a revelação de Chuck não fosse importante.
Por outro lado, estava na dúvida. Se os anjos não podiam vislumbrar Collins em suas visões, como puderam lhe mostrar aquele futuro alternativo?
Mais uma vez se perguntou se o motivo era por ele ter decidido mudar seu rumo e unir forças com Sam naquela batalha. Talvez fosse isso. E Vic estava junto com eles. Os sonhos que tinha tanto com um quanto com outro poderiam significar alguma coisa. Uma ligação entre os três? Mas o que seria?
Queria poder compartilhar suas dúvidas com o irmão, porém, não podia. Apenas disse:
— E se ela correr perigo se estiver perto da gente?
— Perigo ela vai correr de qualquer jeito. Ela é uma caçadora. E depois, foi justamente pra protegê-la que o Bobby pediu que trabalhássemos com ela. E eu vou protegê-la, Dean, eu já falei. Não deixarei que ninguém, anjo, demônio ou Lúcifer, machuque a Vic.
O loiro teve certeza de que Sam seria capaz de tudo para cumprir o que afirmava.
— Que bom! – o loiro assentiu – Porque eu também pretendo fazer o mesmo. Também vou proteger a Vic – algo no olhar de Sam fez Dean acrescentar –Afinal, ela é... minha cunhadinha.
Os dois ficaram mudos. Encaravam-se.
Um boletim urgente na TV captou a atenção de Sam e fê-lo desviar o olhar do irmão.
— Fomos informados de que a alta cúpula da Blackwell Blue Global se reuniu em uma reunião urgente ontem à noite para decidir os rumos da multinacional num dos seus principais setores: o imobiliário – anunciava um repórter – Segundo o presidente da empresa, Matt Spencer, chegou-se a uma solução favorável que impedirá a perda das filiais no ramo. Também não haverá demissão em massa dos milhares de funcionários. Como todos sabem, a BBG é uma das maiores empresas do mundo que tem sofrido sucessivos golpes da crise que abateu o país e o mundo todo. Mais notícias ainda hoje no Jornal CNN.
Sam não sabia dizer, mas algo naquela notícia o fez se lembrar de alguma coisa. Um detalhe importante. Mas o quê? O curso de seus pensamentos foi interrompido pela aproximação de uma garçonete magra, alta e sorridente.
Os Winchesters eram os dois clientes mais bonitos que atendera na vida. Dean havia feito sua avaliação descarada e minuciosa da moça. Ela estava aprovada segundo seus padrões.
— Desejam mais alguma coisa? – perguntou toda solícita ao mais novo
— Não, obrigado – respondeu Sam com indiferença
— Certo – a moça o olhou com desapontamento. Depois, virou-se com expectativa para Dean – E você?
— Pode me dar o número do seu telefone? – disparou o loiro com seu sorriso safado e pose confiante.
— 0 –
Victoria chegou ao quarto indicado no motel. Bateu na porta. Esperou um tempo. Nada.
Ia bater outra vez, mas a porta foi aberta.
Ela se preparava para se jogar nos braços de Sam, contudo, paralisou ao ver que era Dean. E estava apenas de tolha que cobria a parte inferior.
— Dean? – ela arregalou os olhos e engoliu em seco.
— Oi, Vic. Você... tá legal?
— C... claro.
— Deu tudo certo lá no seu caso?
— É... Deu.
Ela tentava disfarçar, porém, estava desconfortável em ver o rapaz quase nu com apenas uma vestimenta a lhe cobrir. Uma peça que facilmente poderia cair no chão.
A esse pensamento, ela desviou os olhos. Sentia o rosto queimar. Deus, como aquilo podia passar na sua mente com o irmão de seu namorado?
Quanto a Dean, percebeu o desconforto da moça e não evitou um sorriso maroto. Ainda mais pela maneira como ela estava vestida: saia preta pouco acima dos joelhos, blusa vermelha de alças com um discreto decote, uma jaqueta de couro preta e botas de couro e cano alto da mesma cor. Um estilo elegante, ousado e sexy ao mesmo tempo. Uma tentação!
O loiro sentiu um latejar na virilha, todavia, lembrou-se de que a mulher à sua frente namorava seu irmão.
— Er... o Sam acabou de entrar no banho.
— Ah, tá. Eu... vou esperá-lo no quarto que ele alugou pra mim. Você pode me dar a chave?
— Claro. Só um minuto.
O moço foi buscar o objeto. Vic procurou distrair a mente com qualquer outra coisa que não fosse a anatomia de seu cunhado.
— Aqui. É o quarto vinte e sete, logo ali – apontou uma porta quase no final do corredor
Em seguida, entregou a chave para Collins. O simples contato entre os dedos das mãos de ambos fê-los sentir a eletricidade no ar.
— Obrigada – disse Vic num rompante – Avise o Sam que já cheguei.
E se foi a passos rápidos. Dean a contemplou até ela entrar no outro aposento.
— 0 –
Ela pôde sentir o olhar de Dean mesmo lhe dando as costas. Sentiu um arrepio na espinha.
Por que aquele homem ainda lhe causava aquele efeito? Não queria e nem podia sentir isso por ele agora que estava com Sam.
Sam, vem logo, tesão.
Sim, era Sam que ela queria. Era por ele que tinha ansiado retornar. Ainda pensava muito em Dean Winchester e também sentiu sua falta. No entanto, boa parte de seus pensamentos era preenchida pelo namorado.
Estava ansiosa! Não tinha mais medo de se entregar, aliás, arrependeu-se por ter deixado que o medo a tivesse impedido de realizar aquilo pelo que seu corpo tanto clamava e que a enlouquecia de desejo.
Batidas na porta. Era ele!
A porta não estava trancada, mas ela fez questão de abri-la para recepcionar seu homem.
— Sam! – sorriu de felicidade e ia pular nele
No entanto, ele se adiantou e agarrou-a com vontade. Levantou-a no ar até que seus pés não tocassem mais o chão.
— Ah, Vic... ele sussurrou com voz rouca
Depois, empurrou a porta com o pé fechando-a. Encostou Victoria na parede ao lado e apertou seu corpo. As pernas da mulher estavam levantadas e sustentadas pelas mãos dele e envolviam seu tronco. Sua boca já estava colada na dela. Beijaram-se com paixão. Vic tremeu de excitação e ansiedade. Suas mãos agarravam com ânsia o pescoço do moço. Gemeu quando aprofundaram o beijo. As línguas faziam sua dança sensual enquanto Sam a apertava mais.
Ele a queria. Precisava tocá-la, sentir o calor, a textura e os arrepios de sua pele.
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