Almas Perdidas
7 Consequências
Notas iniciais
Obrigado Murilo, e me desculpe. Naquele dia eu menti, eu não queria me envolver com você, mas isso não quer dizer que eu não gostasse de você. Eu gosto muito, principalmente quando você estava me dando forças pra seguir.
Por que isso aconteceu? Isso é uma injustiça! A minha irmã morreu por causa daquele hospital incompetente, por causa daquele médico incompetente, daquela balconista incompetente, eles à mataram! Eles à levaram de mim.
Nós éramos tão unidas, e eu amava o jeito como ela sempre se preocupava comigo, às vezes até demais. Mas isso tudo acabou, e dói muito, é uma ferida que nunca irá se curar, não importa o quanto eu chore. Metade do meu coração se foi.
Todos dizem que ela deve ter ido para um lugar melhor agora ou que Deus quis assim. Mas eu tenho certeza que a culpa não é de Deus, ele só refletiu as consequências de atos tão imprudentes como os daquele hospital.
Ela morreu porque ficou fraca demais durante o parto, ela não tinha mais forças. O pequeno Gustavo morreu dentro da barriga da Carol... Eu não quero nem saber mais detalhes sobre isso. Além de me tirar a Carol, minha irmã caçula, me tiraram também o Gustavo, meu sobrinho, eu até já sonhava como seria após ele nascer, após ele crescer...
...
Horas Depois
Eu desci para pegar um copo de água, mas resolvi ir até o quarto do Emanuel para ver como ele estava. Bati na porta, mas ninguém respondeu. Entrei e o vi chorando sentado na ponta da cama.
Emanuel murmurei sentando ao lado dele. Eu nem sei o que dizer, sei que palavras de consolo não servirão agora.
Eu à amava, eu daria minha vida por ela! pausou. Minha esposa, meu filho, agora não me resta mais nada. Se eu pudesse voltar no tempo tudo seria diferente.
Isso nunca vai passar, essa dor vai ficar para sempre. O abracei Eu também amava muito esses dois, muito.
Eu não consegui ligar para o meu papai e informa-lo da morte da Carol, perder à mamãe já foi muito doloroso para ele. No final o Murilo tinha razão, eu era medrosa. Mas o hospital ligou para ele e deu a notícia. O papai foi parar no Pronto Socorro depois da notícia, mas foi só um susto, ainda bem, eu não aguentaria perder ele também.
Ela era uma boa pessoa dizia Teodora sentada ao meu lado no quarto.
Podemos falar de outra coisa? Ela faleceu ontem e isso não sai da minha cabeça, eu só quero tentar esquecer.
Tudo bem, sobre o que quer falar?
Pensei por alguns segundos e tudo o que me vinha a cabeça era ela, nada mais.
Ela não deveria ter ido e me deixado aqui.
Sinto muito.
Sei que o que aconteceu com a Carol não foi o primeiro e nem vai ser o último caso de morte por causa do relaxamento de hospitais públicos. Como eles puderam trata-la desse jeito, como se sua vida não valesse nada? Isso é humilhante!
Agora, estamos na Copa do Mundo, e o que posso dizer?! Que isso não me deixa feliz, só me lembra que faz um ano da morte da minha irmã.
O tempo passou, as coisas mudaram, e hoje, a Teodora está fazendo intercâmbio no Canadá, Tábata e Caio, nossos vizinhos, adotaram uma filha linda chamada Luísa. Emanuel mora no andar debaixo da mesma casa que eu, ou seja, estamos no mesmo lugar de um ano atrás, mas olha que coincidência, ele abriga uma intercambista, a George (Georgina), da Inglaterra. Eu e o Murilo estamos noivos, pois é, estou falando sério. Mas cada um ainda mora em sua casa, talvez possamos nos casar no ano que vem.
A Carol não está aqui para ver a Copa do Mundo no Brasil, infelizmente, seria divertido, porque ela adorava uma festa! Mas é difícil olhar para toda essa alegria e pensar que quase ninguém soube da existência da minha irmã, que todo esse povo que canta pelas ruas não sabe pelo o que eu passei, enquanto alguns sorriem, eu não consigo fazer isso.
Nem mesmo o fracasso do Brasil contra a Alemanha pôde se comparar a tristeza que eu senti. É duro saber que as pessoas responsáveis pela morte da minha irmã nem ao menos conheceram-na, nem ao mesmo souberam que ela existe, nem ao menos se importaram com a dor que eu senti.
Imagina se próxima Copa também fosse no Brasil, gastariam um pouco menos, mas continuaria sendo esse desperdício com coisas desnecessárias. Talvez se pensássemos mais nas pessoas, se nos importássemos mais, a Carol poderia ainda estar comigo...
...
Por quê?!... Não deveriam ter permitido que isso acontecesse...
Eles à levaram de mim, eles me tiraram algo que sabiam que eu não poderia substituir...
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