O dia das bruxas chegara, para qualquer um, issotal acontecimento não passava de festas, fantasias, doces e travessuras., Mmas para minha família significava que dentre tantas pessoas fantasiadas estaria ele, uma criatura baixa e maligna cuja única função era acabar com todos nós, os caçadores de almas perdidas. Esse dia marcaria a conclusão do meu treinamento como caçadora e a morte de Allan Baron.

Há cinqüenta anos, Baron fora expulso da cidade, entretanto poderia voltar no dia das bruxas e receber os moradores de Bamberg no tradicional baile. Esse foi o trato, porém houveram diversas catástrofes na mansão, algumas terminaram em terríveis mortes e todas ocorreram na presença dele. Isso o tornara a mais infame de nossas presas.

Eu sabia tudo o que poderia sobre ele, mas nunca o tinha visto. Naquela noite as portas de ouro se abriram pontualmente às oito da noite revelando o grande salão com uma fina decoração , digna de um antigo baile da corte; o banquete estava disposto em compridas mesas nas laterais e os convidados se portavam como em um baile de máscaras da antiguidade.

Passado um tempo o baile começou, em poucos minutos quase todos dançavam, eu os observava encostada em uma parede. Um belo rapaz veio ao meu encontro, bem vestido, os cabelos negros, seus olhos azuis pareciam acariciar a minha face enquanto ele gentilmente me convidava para dançar.

As horas passaram como se fossem minutos, meu coração palpitava enquanto dançávamos e conversávamos. Ele era perfeito em todos os aspectos e a cada minuto eu ficava mais apaixonada. No meio do baile, ele tocou seus lábios nos meus, um doce beijo o qual me elevou aos céus e me devolveu a terra, logo após disse que me faria uma surpresa. Levando-me escadaria acima com os olhos apaixonados, pude senti-lo no centro do meu mundo, me puxando cada vez mais perto.

Enquanto subíamos, pude ver meu pai chamando minha atenção, parei de caminhar. Ele me parabenizava por pegar Allan Baron. Olhos azuis me fitaram, perguntando o que acontecera, respondi, simplesmente, \"estou tonta... ”. Ele me levou até um quarto. Ainda surpresa com tudo, a única coisa que fiz foi perguntar seu nome, confirmando meu medo. “Allan Baron” ele disse, pedindo em seguida pelo meu. Sem titubear, respondi “Mina Engels” — meu sobrenome o assustara.

Meus olhos se encheram d\'água enquanto Allan Baron percebia o ocorrido. Pensei que fugiria após ouvir meu sobrenome, mas não. Seus braços me envolveram junto ao seu corpo. Foi quando os caçadores entraram no quarto e me forçaram a matá-lo. Um tiro foi disparado e seu último ato se resumiu num beijo que selou sua alma. A dor estava cravada em meu peito, criando uma forte marca a qual aos poucos poderia ser cicatrizada, mas nunca apagada. Perdê-lo foi o pior sentimento que eu poderia ter nessa vida, porém, matá-lo era quase como talhar meu nome em uma sepultura de eterno sofrimento. Minha alma se tornou vazia, o tempo passa e a vida segue ininterrupta.

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