Almas Irmãs
5 Capítulo 5
Caroline
Caroline nunca contou a irmã ou a ninguém, mas ultimamente ela tem tido sonhos confusos, com fogo, gritos, pedidos desesperados de ajuda e no centro de tudo, está aquele homem.
Ela viu como a irmã já estava sobrecarregada com as visões que a atormentava e não quis colocar mais peso no seu fardo, achou que poderia lidar com elas.
— Como assim, homem aparece em seus sonhos? – Carme pergunta assustada.
— Então... eu tenho tido uns sonhos, meio assim... doidos. – Caroline tenta aliviar a importância da informação. — Achei que iria passar, ou fosse influência dos seus sonhos e eu estava com isso na mente e meu inconsciente criou imagens baseado em seus relatos.
Carmem ainda abalada diz decidida:
— Você também vai passar pela hipnose! Precisamos saber que raios está acontecendo e que esse homem quer conosco. – Carmem olha para a rua e o homem sumiu.
Caroline concorda que é melhor mesmo ela ter uma ajuda e resolve compartilhar mais uma coisa que anda acontecendo com ela.
— Carmem, não é só o sonho — Caroline diz meio ressabiada — Impulsos também andam me acometendo. Por exemplo, sei que devo pegar sálvia e queimar e passar na livraria. E que devemos colocar uma proteção na porta para a energia desse homem não entrar. – ela diz, corando e achando que a irmã a achará doida e vai perguntar se ela não assistiu Charmed demais e está achando que é a Prue.
Carmem olha para ela pálida e diz:
— Eu pensei exatamente a mesma coisa.
Carmem
Naquela noite, Carmem se preparou para dormir e antes de adormecer falou.
— Então, Melinda, se quiser mostrar mais coisas essa noite, eu estou aberta a receber as mensagens. Sem medo, sem receio algum... Então, é isso.
Ela então se ajeita para dormir e quem sabe, resolver esse mistério.
Melinda mais uma vez é obrigada a passar pelo vilarejo para pegar provisões. Ela conseguiu evitar ir por quase dois meses completos e agora não havia mais como adiar. Ela ia com um aperto no coração, sentindo que algo grande iria acontecer e ela não podia lutar contra.
Na quitanda em que ela comprava farinha e mais alimentos e um doce para filha, a porta se abriu e ela sentiu uma onda fria vir junto com a abertura da porta. De repente o ambiente ficou mais turvo, mais pesado e ela sabia, que o perigo que ela havia previsto, estava nas costas dela.
— Bom dia, Alto Cardel Edward, veio a procura de um pão especial, uma bebida, um bom pedaço de carne? – Sr. Thomás, o dono da quitanda pergunta animado, alheio a energia nefasta que aquele homem exalava.
— Não, meu bom homem, – Edward diz com sua voz grave e rude — Vim só a procura de doce especial, e já o achei.
Ele estende a mão e a passa ao lado de sua cabeça e pega um jarro de mel. Arrepios de horror correm por sua pele, só de encostar no tecido do casaco do homem.
Ela respira e vira para olhar para ele.
— Com licença, senhor, preciso passar. – ela olha para ele e vê diante de si o mal.
Nos olhos dele, ela vê pessoas sendo torturadas, queimadas vidas, homens e principalmente mulheres gritando e pegando fogo.
Horror que ela não conseguia esconder aparece em seu rosto e um sorrido mau aparece no rosto do Alto Cardeal.
— Melinda, não é? — diz o Alto Cardeal – a mãe sozinha que vive nas montanhas.
Melinda acena e se afasta e vai para onde deixou Hope aguardando por ela.
Hope, rodeada de crianças, mostrava suas habilidades com as borboletas e como elas as rodeavam.
Ela corre gritando pela filha:
— Hope, vamos minha menina, já acabei de comprar tudo, venha, mamãe comprou doces para você. – Melinda disse e puxou a filha com mão livre.
Ela olha para cima e vê o Alto Cardeal olhar para Hope com a cobiça exalando dele, como uma nuvem negra carregada de eletricidade.
Enquanto ela se afastava, o Alto Cardeal falou alto.
— Até muito breve, Melinda, muito, muito breve – diz ele sorrindo.
Carmem desperta chorando e já imaginado o desfecho da pobre Melinda e sua filha Hope.
Caroline, na mesma noite, no quarto ao lado
— Minha mamãe finalmente iria à cidade e eu pediria a ela para me comprar um doce. – Hope pensava alto enquanto dançava com as borboletas próximo ao riacho. Ela de repente parou e viu uma moça na beira do riacho olhando para ela, ela não sentiu nenhum medo, sabia que aquela moça era especial e boa. Luzes rosas, lilás, azul e dourada a rodeavam, quase iguais as da mamãe, mas as da mamãe eram bem menores que da moça.
— Olá, pequena irmã Hope, – disse a moça bonita de cabelos vermelhos.
— Olá, – Hope diz animada – quem é você? E por que você brilha? Posso brilhar também? – pergunta ela pulando.
— Você brilha pequena borboleta, brilha tanto que quase me cega os olhos. – diz a moça sorrindo — Meu nome é Morgana, e vim aqui dar um recado para você.
Hope, se sentindo importante apruma o corpo e fala:
— Pode me falar, minha mãe disse que sou muito esperta e sei guardar segredos..., bem, quase sempre. – diz Hope tímida.
— Pequena borboleta Hope, – começa Morgana – Hoje à noite, homens maus viram atrás de você e sua mãe. E uma coisa ruim vai acontecer, uma coisa que não há como impedir, porque é o destino. Você sabe o que é o destino? – pergunta Morgana.
— Sim! – diz Hope — Minha mãe diz que o destino é o que é para acontecer e que às vezes ele não pode ser mudado.
— Isso mesmo, esse destino, infelizmente tem que ser assim, mas saiba pequena borboleta, que estarei, eu e nossas irmãs, unidas e agradecidas por vocês. Que isso que irá acontecer, é o inicio de uma grande virada para nossa gente. E só vocês podem alcançar esse feito. Por isso, não temas, tudo bem?
Hope olha para os olhos da moça boa e vê tristeza profunda, gratidão e fogo.
— Vai doer? – Hope pergunta baixinho.
— Não, nós não deixaremos. – Morgana diz com a voz cheia de amor e pesar. — Eu preciso, que você abrace sua mamãe, abrace muito forte, ligue sua luz tão, tão brilhante com a dela, e assim, tudo acabará rápido, como dormir, está bem?
Hope acena com a cabeça vigorosamente e diz.
— Tudo bem, eu confio em você.
Morgana a abraça e Hope sente todo o amor do mundo concentrado naquela mulher, amor igual ela sente quando sua mamãe a abraça.
— Abençoada seja, criança. – Morgana diz beijando sua testa — Nos encontraremos em outra vida, combinado?
— Combinado. – Hope diz séria, sentindo naquele momento, um laço ser criado.
E Melinda começa a gritar ao longe.
— Hope, vamos minha menina, vamos a cidade.
Hope olha para o lado e a moça brilhante sumiu, mas, ela lembraria de cada palavra e confiaria que fosse o que fosse acontecer, ela e sua mamãe, estariam juntas.
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