Carmem e Caroline chegam em casa e seus pais estão na sala vendo tv no sofá abraçados.

— Eita, chegamos em um mau momento? Devemos tapar nossos olhos? – Caroline brinca com a mãe e o pai.

— Para de palhaçada menina, olha o respeito – briga seu pai, mas sorrindo, pois sabe que a filha não tem jeito.

Silvio e Graziela eram casados há 30 anos e estavam curtindo a abençoada aposentadoria.

Eles gostavam de viajar em cruzeiros, ir a bailes, shows, na verdade, eles curtiam mais a vida que as filhas.

— Como foi no médico, minha filha? – pergunta Graziela.

— Normal, mãe, – diz Carmem, – nada de novo.

— É mãe, – Caroline fala – nada de descobrir ainda se foi uma rainha, ou uma dançarina famosa de Cancã – ela brinca e foge rindo da irmã que joga uma almofada nela.

— Para de palhaçada, – diz Carmem rindo – eu claramente fui uma rainha e você minha escrava.

— Nem nos seus sonhos. – diz Caroline rindo, indo para seu quarto.

Carmem sorri e fica aliviada por ter a irmã para aliviar a tensão que ela carregou o dia todo e ela sabia que Caroline agia assim justamente por isso, para tirar a tensão de cima dela.

Melinda está lavando suas roupas e da filha no riacho, quando começa a ver nas águas uma casa em chamas, pessoas correndo ao redor dela comemorando e um homem alto e sombrio no meio do caos, exalando satisfação e ódio.

Ela balança a água para a visão sumir e não quer pensar no que aquilo pode significar. Não pode ser seu futuro, os deuses não seriam tão cruéis com ela e sua filha.

Ela levanta com suas roupas lavadas em uma cesta e vai para casa para estender a roupa e fazer o jantar para a filha.

Chegando em casa, ela vê a pequena Hope na mesa desenhando e de repente Hope para e se concentra e os papéis, seu pequeno carvão de escrita começam a flutuar e rodar como um pequeno carrossel.

Ela começa a aplaudir e olha para a mãe.

— Olha, mamãe, olha o que consegui fazer! – Hope animada batendo palmas e pulando.

Melinda, ainda abalada com a visão que teve no lago, corre para a filha e com um gesto faz os objetos caírem na mesa.

— Hope, prometa para a mamãe, nunca, nunca, nunca faça isso na frente de ninguém, ok? – Melinda implora desesperada.

— Por que, mamãe? – Hope pergunta com ar triste – é tão bonito.

— Eu sei, meu doce, – Melinda a abraça apertado – mas, as pessoas não gostam do que não entendem, e é muito perigoso para nós. Por isso, não faça fora de casa e nunca, jamais, no vilarejo, tudo bem? – Melinda pede a abraçando ainda mais apertado.

— Pode deixar, mamãe, — Hope promete – nunca fora de casa e nunca no vilarejo.

Carmem levanta da cama de forma abrupta e derruba o abajur do lado da cama, fazendo um barulho alto.

Suando e ofegante, ela levanta e vai para a janela e ao olhar para fora, ela vê um homem alto, com um manto longo e escuro olhando em direção a sua janela.

Neste momento batem na porta e ela grita de susto.

— Carmem, o que aconteceu? – Caroline bate mais e mais na porta – responde mulher, tá viva? Não tenho força para derrubar a porta.

Carmem ri e vai abrir a porta e abraça a irmã.

— Outro sonho, não foi? – pergunta Caroline.

— Sim, dessa vez senti o perigo mais perto, não sei o que fazer. – diz Carmem baixinho.

Caroline decidida diz:

— Na sua próxima consulta vou com você. E quem sabe comigo lá, você se sente mais segura? Você sabe que eu acabo com qualquer espírito e essas coisas, eu vi Invocação do Mal, sei fazer exorcismos e essas coisas.

— Palhaça, – Carmem ri e empurra a irmã – vai dormir.

— Quer que eu durma aqui com você? – Caroline séria – Não há necessidade de você ficar sozinha está noite.

Carmem bagunça o cabelo da irmã e concorda.

— É, mal não vai fazer.

E as duas se acomodam na cama de casal de Carmem e dormem em paz.