Almas Irmãs

2 Capítulon 2


Carmem Vasconcelos acorda no leito do seu psicólogo, acordando de uma hipnose profunda.

Dr. Alberto Gomes, olha para Carmem e pergunta:

— Como você está se sentindo, Carmem?

Carmem, ainda meio zonza da experiência que viveu, nem sabe direito o que falar ao médico.

— Dr. Alberto, eu não sei o que estou sentindo agora. É um misto de emoções profundas, neste momento, não sei se sinto por mim ou por Melinda, isso é normal? – pergunta Carmem abalada.

Dr. Alberto medita um pouco e fala com suavidade.

— Sim, é normal. Ainda mais depois de uma sessão tão intensa e tão clara. Poucas vezes vi um paciente entrar tanto nas visões de vidas passadas, transmitir uma riqueza de detalhes tão profundos. E de fatos que ela nem chegou a ver pessoalmente, como o caso do Alto Cardeal, que você menciona como se o visse e Melinda nem estava perto no momento. – diz o médico meio assustado.

Carmem só balança a cabeça e tenta relaxar para seu corpo voltar a sua realidade.

Ela levanta e começa a se despedir do médico.

— Então, Dr. Alberto, a próxima consulta será na quarta que vem? – questiona Carmem.

Dr. Alberto olha a agenda e pergunta a Carmem:

— O que você acha de adiantarmos a consulta para sexta, ainda nesta semana? – ele olha para Carmem ansioso – Confesso que seu caso é um dos mais intrigantes que já trabalhei, quero saber tudo, acho que até mais do que você. – diz ele sorrindo.

Carmem ri e diz: – Sexta, no mesmo horário então?

— Sim! – Dr. Alberto diz animado – Até sexta.

Carmem sai da sala e olha ao redor, se sentindo estranha dentro do próprio corpo, e não mencionou ao Dr. Alberto, que flashs da vida de Melinda, estão aparecendo mesmo sem hipnose.

Carmem foi para loja que tinha com sua irmã mais nova, Caroline. Ambas abriram uma pequena livraria com cafeteria que estava indo bem, e a cada dia conquistava mais clientes fiéis. Os clientes podiam curtir seu livro e tomar um café, comer um pedaço de bolo, torta ou um pão fresquinho e relaxar durante um tempo.

Caroline que incentivou Carmem a procurar um hipnoterapeuta para os flashs e sonhos que estava ficando fora de controle nos últimos tempos.

Melinda estava ganhando cada vez mais vida e Carmem temia o dia em que não poderia controlar esses momentos de ausência que esses flashs andavam causando.

Abrindo a porta da livraria, Carmem viu a irmã atendendo um homem e empurrando para o pobre, um romance com um modelo sem camisa na capa e dizendo:

— Pode levar seu Carlos, sua mulher vai amar! E o senhor leia com ela, vai que dá uma apimentada na relação hein? – Caroline ainda balançava as sobrancelhas cheia de graça com o pobre homem que estava mais vermelho que um tomate.

— Eu, hãn, eu vou... vou levar sim, Caroline, suas dicas são sempre boas. – o pobre homem gagueja.

— É isso ai! – Caroline faz um high-five com Carlos e faz uma dança, parecendo uma doida.

Caroline coloca o livro na sacola e ainda diz para o homem tomate:

— Depois me conta se deu tudo certo, Seu Carlos, sabe que gosto de saber se minha dica deu resultado! – Caroline fala – Até mês que vem, e até lá já chegou mais uns livros babados!

Carlos depois de pagar, sai rápido dali, mas sai sorrindo das loucuras da minha irmã.

Carmem se aproxima do balcão e reprende a irmã.

— Um dia desses, você vai fazer um cliente sair correndo da loja e o pobre nunca mais vai voltar.

— Oxê, se ele sair por medo de uma pessoa lúcida como eu, quem tem problema é ele. – diz Caroline jogando os cabelos loiros.

Às vezes, as pessoas duvidam que somos irmãs, meu cabelo é um castanho escuro e o dela loiro claro, meus olhos castanhos e os dela azuis.

E por incrível que pareça, nossos pais tem cabelo castanhos e olhos castanhos, e já ouviram mil piadas e insinuações por ter uma filha tão diferente fisicamente, tantas que até fizeram um teste de DNA um dia e pregaram na porta de casa, só para afrontar quem espalhava fofoca deles.

Caroline para de sorrir e me olha séria.

— Como foi lá no médico? Alguma novidade? – ela pergunta preocupada e todo ar maroto saindo do seu rosto.

— Mais de Melinda, mas nada ainda sobre esse medo e pânico que anda me atormentando sempre. – diz Carmem frustrada.

— Bom, quem sabe na próxima consulta algo novo surja né? Bora ter fé. – Caroline voltando na sua irreverencia de sempre.

Carmem balança a cabeça e decide trabalhar para ver se esquecia as coisas que descobriu na consulta e o medo que ela estava sentindo que hoje ela descobriu mais do que ela percebeu.