Em uma campina verde, em uma época não determinado, em um lugar esquecido pelo tempo, uma mulher e uma criança brincam em um balance.

A moça empurra a criança mais e mais alto e ela ri com sua doce voz de criança e pede.

— Mais alto, mamãe, – pedia a criança rindo alto e feliz.

A mulher sorria para sua filha, encantada e com o coração cheio de amor pela sua pequena.

Naquele cantinho, escondido entre montanhas e florestas, viviam Melinda Morgan e sua filha Hope.

Melinda, uma jovem mulher sozinha, que achou ter encontrado o amor em um soldado que apareceu em seu pequeno vilarejo, não resistiu a paixão que ele lhe despertava e teve sua pequena Hope.

Mas, Alastair, era um homem leviano, assim que teve o que queria de Melinda, foi embora e nunca mais voltou.

Melinda, já era mal vista no vilarejo por saber mexer com ervas, óleos e por isso, era chamada de bruxa.

E quando teve sua filha sem ser casada, os boatos e as agressões verbais ficaram fora de controle, fazendo Melinda procurar um refúgio longe de todos para ela e sua filha. E ela encontrou, distante do vilarejo, uma cabana humilde, mas que ela com seu capricho e amor, transformou em um lar seguro para ela e sua vida.

Mas, tudo mudaria em questão de dias, pois inquisidores alucinados a procura do diabo, iriam acabar com sua paz.

Com as provisões acabando, Melinda precisava ir até o vilarejo, coisa que ela evitava o máximo que pudesse, mas existia um limite em coisas que ela poderia fazer sozinha, e ela precisava de farinha, alguns itens de costura e quem sabe, um regalo para sua pequena.

Preparando sua pequena charrete com o único cavalo que ela tinha, Melinda e Hope, se dirigem ao vilarejo.

Melinda, uma mulher alta, imponente, com belos cabelos negros, pele branca e olhos cinzas, tinha um ar etéreo e sábio. Hope, com cabelos louros quase brancos, olhos azuis intenso e pele branca, era um contraste gritante com sua mãe e mais um motivo que gerou rumores pela cidade. Juravam que Melinda ofereceu sua filha ao sol ou aos deuses para ela ser tão brilhante e diferente de sua mãe.

No vilarejo, Melinda tenta ao máximo ser rápida e passar despercebida, mas, o mal estava na cidade e já havia visto a jovem mulher e fazia planos para destruí-la. Afinal, odiar o que não se conhece e atribuir ao diabo, é mais fácil do que admitir que existem pessoas diferentes no mundo.

Melinda, sem noção ainda do mal que a rodeava volta para sua pequena cabana, feliz que havia conseguido trocar seus óleos, remédios por provisões.

Olhando a jovem se afastar e com o coração cheio de maldade, estava o Alto Cardel Edward Lewis.

Edward, um homem alto, com cabelos grisalhos ralos, boca sempre encrespada e ar superior, que se auto denominava, um enviado de Deus.

Um homem que atribuía ao diabo tudo o que ele não conseguia entender, e qualquer desejo que ele sentia e sabia, que não poderia realizar.

5, 4, 3, 2, 1

Acorde, Carmem!