Almas Gêmeas: Parte 1
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Obs: Ich liebe dich, meine liebe.
Amor. Palavra tão simples, mas de um imenso significado. Razão pela qual grandes casais da história passaram por cima do dinheiro, do nome, da posição e do poder apenas para conseguir um breve momento de afeto, de companheirismo. Mas não por um amor qualquer, e sim um amor puro, profundo e intenso. Um amor capaz de levar a outras dimensões, capaz de fazer com que os problemas sejam esquecidos e somente exista a paz e o conforto que apenas um amor inesquecível pode trazer.
Acreditar no amor, no sentimento "amor" parece ser simples. E é simples. O complicado é acreditar e aceitar que o amor que vai mudar sua vida está em um lugar onde você sabe que será impossível de alcançar. Mas o amor nunca é fácil. Se ele te oferece um momento agradável, suave e extremamente prazeroso, ele também te cobra. E sua principal cobrança é a ilusão.
A ilusão de que qualquer um pode ser sua cara-metade, que qualquer um que apareça na sua frente vai te fazer feliz. Sabe, isso pode ser verdade. Sei que isso parece complicado. O amor é complicado. Ele esconde e ao mesmo tempo exibe, ele oferece e ao mesmo tempo recua, mostra a realidade e por outro lado, ilude.
Cabe a você observar e decidir o que é melhor para você. Sonhar também é válido. Embora sonhar que um dia um príncipe encantado vai te encontrar e te levar para o reino encantado seja uma ideia quase que impossível nos dias de hoje.
Eu não posso contestar, porque eu acreditei no príncipe encantado e acredite tê-lo encontrado. Casei-me com ele e posso dizer por experiência própria que o "felizes para sempre" não existe. Minha experiência com Eddie foi o suficiente para que eu não confiasse meu amor em mais ninguém. Aliás, foi assim que eu vivi minha vida, até que...
- Cath? O que você está fazendo?
Sobressaltei-me com a pergunta, derrubando o caderno em que estava escrevendo.
- Ah, Sara, já chegou? – Não pude deixar de abrir um imenso sorriso ao ver minha morena parada ao lado da porta, também sorrindo de orelha a orelha. Seus profundos olhos castanhos me fitavam, observando-me enquanto ela se aproximava a passos lentos.
- Aham, há uns cinco minutos atrás.
Ela abriu seus braços e eu não pude fazer outra coisa senão mergulhar em seu confortável e aconchegante abraço.
- O que você estava escrevendo? – perguntou ela, apontando para o caderno esquecido no chão. De má vontade, afastei-me de seus braços e peguei o caderno para em seguida colocá-lo em segurança dentro de uma gaveta.
- Não é nada importante – respondi dando de ombros. – Como foi seu dia?
- Entediante – queixou-se e segurou minha mão entre as suas. – Senti sua falta.
- Eu também, querida, eu também. – Depois disso foi inevitável que nossos corpos se aproximassem e nossos lábios se unissem em um longo e profundo beijo. Estremeci quando senti uma de suas mãos acariciar minha nuca. Quando nos afastamos, ambas estávamos sem ar.
- O que foi? – Sara perguntou após um momento e então eu percebi que estava há um bom tempo olhando em seus olhos. Entretanto, não foi apenas isso que eu percebi. Ali, envolvida pelo olhar da pessoa que eu mais amava no mundo, cheguei à conclusão de que eu... amava. Que o amor não era tão traiçoeiro quanto eu acabara de escrever. Se existiam grandes obstáculos, maior ainda seria a recompensa e para alcança-la, era necessário amar. E eu amava. Eu amava Sara incondicionavelmente, amava mais do que um ser humano é capaz amar uma pessoa, amava mais do que...
- Catherine? Tudo bem? – Sara parecia preocupada com o meu silêncio. E não foi naquele instante que eu a respondi. Ao invés disso, aproximei-me novamente e a beijei, deixando que o meu corpo por si só respondesse sua questão. Ela correspondeu prontamente, arrancando o ar de meus pulmões em poucos segundos de contato. Na verdade, só o fato de vê-la já era suficiente para que eu não conseguisse respirar normalmente.
- Tudo perfeito, minha Sara, tudo completamente perfeito – sussurrei, nossos lábios ainda a centímetros de distância. Ela sorria, e eu poderia ter ficado ali o resto da minha vida, apenas a observando, a sentindo perto de mim. Porém, eu tinha algo meio que importante para fazer. Afastei-me novamente de seus braços e procurei pelo meu caderno. Quando o encontrei, abri na página em que estava escrevendo e continuei.
[...] Aliás, foi assim que eu vivi minha vida, até que eu encontrei meu verdadeiro príncipe, ou melhor, no meu caso, minha princesa. Minha princesa Sara. Encantada, é claro.
Por isso, não desista de procurar pelo seu amor. Embora o caminho seja árduo, a recompensa... É magnífica.
- Definitivamente concordo com você, Cath – Sara sussurrou no meu ouvido, colocando seus braços ao redor da minha cintura e puxando-me para perto dela. – Eu te amo.
- Eu também, Sara. Eu te amo muito – respondi enquanto inclinava minha cabeça para trás para que, mais uma vez, nossos lábios se unissem em um puro e amoroso beijo.
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