Almas Doloridas

1 Capítulo 1


Edward Barton, um moço negro, com cabelos castanhos e belos olhos verdes chorava, segurando os joelhos com as duas mãos, com força; apoiava sua cabeça nas pernas. Estava sofrendo. Parecia desolado, um corpo encolhido de tristeza em uma imensidão de pessoas alegres.

Em um canto mais afastado da escola, sozinho, parecia que ninguém estava lá por ele, sofria bulliyng por sua cor ainda no ano de 2020. Ele sentia dor e muita solidão. Porém, uma outra pessoa não estava alegre, como ele havia pensado. Pois uma garota o observava. Melancólica.

E Edward pensou que acabaria morrendo de solidão, que o mundo era negro assim como a cor de sua pele. Ele havia perdido as esperanças.

Foi nesse momento que a moça loira de belos olhos azuis, e pele branca como a neve, que estava observando, chegou perto dele, sentou-se ao lado dele, e o abraçou, dizendo:

— Eu não entendo sua dor, mas posso ficar com você até essa dor passar, o que me diz? — Ele a encarou, e aquele rosto lindamente escuro, estava agora riscado por grossas camadas de lágrimas. E ele respondeu:

— Vai ter que ficar comigo por muito tempo, então, Emma. — Ela sorriu de canto, e brincou com um fundo de verdade, aliás, tinha mais verdade no consolo que ela falaria do que brincadeira:

— Eu não me importo, sou mais forte do que imagina, e sempre o admirei, Ed, não é de hoje, sempre vejo sua força.

— Está cega então, Em. — Ele a abraçou ainda mais, desejando que não estivesse sonhando. Porque ele sempre a admirava, assim como Emma o admirava.

— Não fale assim... Você não reconhece o valor que tem, Edward.

— Pare com isso, Emma Holmes, você nem me conhece... ninguém nessa escola, ninguém desse mundo sabe o que estou sentido... nem mesmo você- o negro saiu dos braços da moça, e abraçou o próprio corpo, chegando muito perto de um barranco ali perto.

— Edward Barton, eu conheço você, eu gosto do jeito que enfrenta as coisas, do jeito que aguenta as provocações de outros rapazes, porém, se realmente acha que não o conheço, ótimo, conte-me então a sua dor, quem sabe não entendo o que está passando nesse seu maravilhoso e gentil coração e você vai poder perceber que...eu desde que você chegou nessa escola tenho te observado, te admirado. — A loira então aproximou-se do moço, e queria tocar-lhe os ombros, mas ele desviou-se.

— Se sempre observou o que eu passava, se sempre admirou o jeito de que que enfrentei e o como aguento as brincadeiras que eles fazem comigo. Porque não faz nada? Porque não mexeu nenhum dedo para ajudar-me com esses problemas...? — Edward parecia ter-se alterado, estava transtornado e necessitava de explicações.

— Não ... não diga isso, sabe que um dos garotos que faz essas idiotices contigo, é o meu namorado, Oliver Smith, e eu sempre peço que ele pare de lhe fazer algum mal, e ele me obedece porque sabe que jamais poderei amar alguém que faz mal a outra pessoa.

— E o que é uma pessoa comparada a dez que me fez mal, Holmes? — Ele estava a centímetros de distância da Emma. Com fúria no olhar.

— Eu não sei, não sei o que está sentindo, não sei o que sofre, mas eu pedi-lhe para explicar-me, então, por favor, abra a boca e diga-me logo o que está havendo com você. – O tom de voz de Emma Holmes, agora, parecia tão frio e ao mesmo tempo tão irritado, que o moço ficou espantado com a mudança brusca de sentimentos, entretanto, percebendo o tom em que falava, e notando a expressão de surpresa de Edward, ela se controlou para não ser tão severa a ponto de magoar alguém que já estava sofrendo, magoado.

— Há, eu, vou lhe contar o que houve, Emma, mas pensei que você sabia, tendo o Oliver como namorado... Bom, meu pai. ... Ele foi... morto, em um bairro pobre da cidade, o meu bairro, por uma... bala perdida de um policial que... o confundiu com um bandido, e isso, dele ser confundido por um marginal repercutiu na escola, e o seu namorado, os amigos dele, me atormentam diariamente. E lembram-me que eu perdi meu pai por um motivo idiota. — Edward Barton, havia perdido seu pai, Ernest Barton, um homem simples e trabalhador, era negro assim como o filho, e em uma noite perdeu a vida por um motivo besta, idiota, um policial pensou que ele fosse um bandido, um marginal, pelo simples motivo de ser negro.

Ed Barton, agora chorava desesperadamente não conseguindo mais esconder a dor que sentia, a dor que não havia compartilhado com ninguém fora de seu meio familiar, a dor que sempre escondia em lugares públicos, principalmente em sua escola. A dor que jamais quis mostrar a alguém desconhecido com um colega de escola, porque sabia que ficaria vulnerável, sofreria mais que o normal, e ele nunca em hipótese alguma queria sentir e compartilhar isso. Essa dor.

Todavia ele o fez, ele compartilhou aquela dor para uma desconhecida, ele finalmente libertou-se daquela coisa incomoda que sentia para alguém. Ele agora chorava ao mesmo tempo aliviado e triste, finalmente, pôde abrir-se a alguém. Alguém que nunca foi um colega desconhecido de Ed.

Emma Holmes, uma garotinha popular, namorando um rapaz popular, talvez porque houvesse uma aparência de dar inveja. Uma pele tão pálida como a neve, cabelos tão loiros como ouro, e os olhos tão azuis como diamante. Apenas uma moça comum na superfície. Entretanto, Em Holmes, estava longe de ser comum, ela era doce, gentil, amorosa, educada ao extremo, livre de preconceitos, jovem, vestia-se como uma princesa, mas lutava como uma guerreira. E sabia como era a dor de perder uma pessoa que ama.

E por isso, invés de dizer alguma coisa, ao invés de fala-lhe belas palavras, que podem ser tão vazias quanto os corações de seu namorado, e de seus amigos, ainda essas belas palavras poderia para Barton não significar absolutamente nada.

Ela fez algo que queria fazer ao rapaz desde que o viu sozinho e chorando a algumas horas atrás. Ela o abraçou, um abraço forte, carinhoso e gentil. Um abraço que prontamente foi correspondido com igual força, gentileza e carinho por Barton.

E ambos ficaram assim, até o recreio acabar, e o sinal para voltarem ás aulas e a própria realidade de ambos tocar.