Almas Doloridas
6 Capitulo 06
A garota de cabelos negros, curtos e bagunçados, manteve os olhos fechados, sentido o calor do fogo em sua pele. Ouvia os gritos de seus pais, de seus irmãos, ecoando em sua mente. Ela jamais poderia ter novamente aquele desespero que tomou seu corpo, quando viu as chamas consumirem a grandiosa mansão.
A menina gritou, todavia, nem um único som saiu de seus lábios, seu grito de socorro, apenas ela ouvia. Os bombeiros saíram e entravam da mansão, entretanto, nem mesmo seguravam os corpos mortos de seus familiares, só apagaram as labaredas vermelhas, laranjas e amarelas.
Foram embora depois disso, a menina de poucos anos entrou em seu antigo lar, não viu absolutamente nada dos antigos moradores, as únicas coisas que estavam em seu campo de visão eram cinzas.
Ela havia perdido tudo o que tinha, ajoelhando-se no chão, cansada e sentido uma dor profunda, chorando desesperada sem nem se importar com o mundo ao redor. Assustou-se com uma mão em seu ombro, virou-se e viu uma senhora de cabelos brancos, a mulher ofegava, então, conclui-se que ela havia acabado de chegar no local.
A doce menina, a abraçou, e a mulher, Teressa abaixou-se para poder abraça-la melhor, a garotinha encostou sua cabeça no ombro de sua vó, e disse. Assustada com sua voz embargada:
— Estou com medo vó Tess, mamãe e papai, Doug, a Alice... todos eles.... Se foram...? — A garota olhou novamente para a idosa, com os olhos cheios de lágrimas. A sua vó fortaleceu ainda mais o abraço.
— Sim, minha querida, Alínea, receio que sim, pare de chorar, tudo vai ficar bem- deu-lhe um beijo na cabeça da garotinha.
— Para onde eu vou agora? O que eu faço? — Questionou preocupada a mocinha
— Vou leva-la para minha casa, estará segura lá- pegou a mão dela.
— O- obrigada, v-vó- Alínea não conseguia mais parar de chorar, soluçava, desesperada, enquanto segurava a mão da sua vó fortemente.
Ambas tomaram seu destino para o carro luxuosa da Teressa, enfim, Alínea Whitesnake, recomeçaria sua vida, longe das cinzas do seu passado....
Voltando ao presente, Alínea Whitesnake, fazendo estágio de psicóloga, estava cursando faculdade de psicologia, e precisava fazer estágio, nesse estágio já atendeu vários clientes, estava no último ano de faculdade. Quanto a aparência. Tornou-se uma bela mulher, seus olhos azuis e seus curtos cabelos negros atraiam a atenção dos homens, exceto clientes, por causa do seu profissionalismo. Em sua vida amorosa. Porém, ela queria alguém especial, alguém que ela pudesse mudar, alguém que ela pudesse tornar-lhe melhor, não sendo um cliente, mas uma pessoa desconhecida.
Seus devaneios amorosos foram interrompidos pelo seu trabalho. Estava ocupada, atendendo inúmeras ligações, em um sábado de tarde, marcando consultas. Enquanto uma pessoa que não era mais cliente, ligou para seu telefone pessoal.
Hesitou antes de atender, mas o fez, suspirando, pegou o celular:
— Emma Holmes? O que foi? Problemas com o Oliver Smith novamente? Quer marcar uma consulta? – Levantou-se, andando de lá para cá, enquanto a outra a cumprimentava, e explicava a situação.
— Não, Alínea, você me ajudou muito quando precisava de psicólogo, ajudou-me com o Oliver, agora preciso de ajuda não apenas com o Oliver, mas comigo, e outros adolescentes...
— São os hormônios de jovens problemáticos, Emmy, novamente? — Riu a mais velha, então parou ao perceber que apenas ela ria da situação. – Há Holmes você continua a sem graça de sempre. Diga-me, o que foi dessa vez...? — Perguntou a outra um pouco mais séria do que o habitual
— Bom, desculpe a minha seriedade, mas vou abrir uma ONG, e preciso por enquanto de pelo menos um psicólogo para começar... poderia vim aqui na frente da igreja velha, amanhã, as 15:00 da tarde... se quiser ajudar...- a voz da loira falhou a ser abruptamente interrompida pela psicóloga
— Calma, loira, espera um pouco.... Você por acaso sabe quanto trabalho é preciso para abrir uma ONG? E para o que exatamente você quer uma ONG? — Temendo as respostas a senhorita Alínea Whithesnake perguntou tudo de uma vez para a jovem do outro lado do aparelho.
— Sim, eu sei... não eu não sei... bom, a questão é que todos os meus amigos sofrem de um problema de família....
Emma ficou preocupada com a falta de resposta de Alínea, e chamava o nome repetidas vezes da moça mais velha.
— Então que eles procurem um psicólogo do governo para se consultarem, eu só sou uma estagiara que precisa de dinheiro, você tem como pagar a mim? Não, você é rica, mas jamais gastaria dinheiro comigo, pois acha que só porque sou sua amiga, eu não deveria ser paga.... Conheço você..., a resposta é não. Adeus Emma Holmes- desligou na cara da loira atrás do aparelho, e guardou o telefone de volta no gancho enfurecida.
No quarto de Emma Holmes. Oliver Smith olhava confuso para a namorada a sua frente, gostaria de saber quem realmente era a tal Alínea Whitesnake, o que Emma contava para ela sobre ele antigamente e o porquê sua namorada ter feito uma cara de desapontamento ao aparentemente fim da ligação.
— quem é exatamente é Alínea whithesnake ? e porque estava ligando para ela?- colocou as mãos nos ombros da garota que amava, esperando uma reação negativa que ela não ia responder, pois aparentava estava desolada.
— era uma menina que estudava na Dalton High, se formou está fazendo faculdade de psicologia e estagiando... E queria que ela nos ajudasse com a ONG..., mas ela recusou. — A loira segurou as mãos de seu namorado, tirando-as de seus ombros. O abraçando, em seguida.
Oliver apertava ainda mais o abraço, para tentar tirar um pouco da dor que ela teria ao responder a próxima pergunta dele:
— E porque ela não aceitou? — Posicionou o queixo no topo da cabeça loira de Emma.
— Ela precisava do dinheiro, e não teria como paga-la, afinal, eu mal comecei, ela praticamente acha que não estou preparada para construir uma ONG.
Oliver Smith calmamente soltou-se dos braços de Emma Holmes e sentou-se na cama da loira. Olhando-a com cautela.
— E você está? — Emmy olhou para o rosto de seu namorado, com os olhos marejados, mas não queria chorar na frente dele. E respondeu à pergunta:
— Não... não sei.... Eu vou tomar banho, tirar esse uniforme, eu já volto- disse num fio de voz, pegou uma muda de roupa, dirigindo-se ao banheiro.
Enquanto a loira tomava banho, Oliver podia ouvir, soluços e barulhos de nariz fungando, junto com murmúrios e lamentações... Depois de algumas horas podia-se ouvir o chuveiro se fechando, e outras horas depois, ouvia-se a porta do banheiro sendo aberta.
O menino de cabelos castanhos caídos nos ombros, levantou o mais rápido que pode, e a observou. Emma Holmes estava com uma roupa simples para um sábado à tarde.
Porém seus olhos estavam vermelhos, preocupado pois já sabia a resposta, perguntou:
— Impressão minha, ou estava chorando no chuveiro? — tentou aproximar-se dela, mas ela recuou, sentando-se na cama
— Não é sua impressão, eu estava... pensei que ia ajudar alguém, mas... nem sei ajudar a mim mesma, quis fazer algo que pensei que fosse fácil, porém é difícil... procurei algo para começar, tudo está praticamente desabando- Emma não chorava, já chorou bastante. Agora apenas olhava para o nada, enquanto dizia em poucas palavras o que sentia.
Oliver Smith, sentou-se ao lado dela, pegou sua mão.
— Emma não desista, tenho fé em você, tenho fé em Deus, tenho ainda fé na humanidade, e tenho certeza absoluta que absolutamente tudo vai dar certo, tenha fé- sorriu para a namorada.
— Obrigada, Oliver- sussurrou Emma, sorrindo de volta.
— Agora, já que é sábado, e a reunião para a ONG, é só amanhã, o que acha da gente assistir um filme? — Levantou-se puxando-a consigo.
— você acha que Edward e Shaila vão? — Perguntou a loira, se segurando nele para não cair.
— Tenho certeza que eles vão, e tenho certeza que eu vou estar lá apoiando você- colocou gentilmente as mãos no rosto de Emma.
— Ótimo, graças a Deus, eu aceito assistir filme com você, Oliver Smith- sorriu e beijou o namorado
Se separaram do abraço e do beijo, Oliver escolheu um filme na sky que ambos gostavam, “ O amor não tira férias”. E enquanto assistiam se aconchegaram cada vez mais um no outro, ficando mais juntos.
Emma Holmes agradeceu a Deus por estar assistindo ao filme que goste em um sábado á tarde com o homem que ama. Afastando-se da dor e da escuridão um pouco.
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