Alma de Vidro |HIATUS|

18 Capítulo 18. Eu, Eu Mesma E Uma Forca


Notas iniciais
OLÁAAAAAAAAA!!! Em primeiro lugar, mil perdões pela demora. É culpa da época de vestibular. Por acaso prestei em 4 lugares e passei nos 4 (aleluia irmãos) e o último foi há pouco tempo e eu estava na correria das provas e acabei me atrasando bastante. Estou mt animada com a faculdade e enfim. Em segundo lugar, um carinho especial pra Anna, que recomendou ADV e disse coisas lindas na recomendação. Esse é pra você de aniversário atrasado, querida. Mt obg pelo apoio!

“Só precisamos me drenar enquanto colocamos sangue humano no meu sistema, rezar para que eu não morra e rezar para que a Lolita aí se mande”.

As coisas pareciam mais fáceis quando eu estava contando com Loki.

Dane-se.

Eu nem o conheço, certo? Não preciso dele. Não posso confiar nele. Só o simples gesto de pensar nele me atrapalha em tudo. Desconcentrada, é óbvio que nenhum plano que eu bole funcionará. Parte de mim insiste em que ele Loki só soltou todos aqueles demônios em cima de mim para, de algum modo, me instigar a alguma coisa, já que nós dois sabemos que eu não sou de nenhuma utilidade confinada no mesmo quarto que Hayden. É nessa parte que quero desesperadamente acreditar, mas meu sexto sentido parece nunca permitir que eu confie cem por cento nele.

“Você me manipulou, você me beijou, você transou comigo, você se tornou algo para mim. E, então, você tirou esse algo de mim. Nós não somos compatíveis. Não somos capazes de ficar juntos. Nunca seremos.”

Será?

Também sinto falta do conforto da presença de Belkan. Conversar com ele foi bom, eu acho. Claro que saber que ele está morto é desgastante e doloroso. Mas, depois do surto de Loki, voltei a chamá-lo e ele reapareceu no mesmo cenário. Bom, colocamos a conversa em dia – pelo menos no que se trata dos Vingadores. E deixei também um recado para Thor. Quer dizer, tenho certeza de que ouvir minha voz vinda do além o perturbou um pouco, mas espero que tenha entendido o que deve fazer.

Belkan estava certo. Fechar os olhos e desejar estar em algum lugar é a chave para passear pelo mundo afora. Quer dizer, eu queria mais que tudo desejar estar no Egito para dar uma olhada de perto nas pirâmides que sempre quis conhecer, mas há trabalho a ser feito na casa de Tony Stark e foi pra onde me transportei.

E lá está ele: na mesa da cozinha, com as luzes todas apagadas, bebericando sem vontade aparente um copo de whisky. Seus olhos encontram-se mais perdidos que os meus enquanto ele fita o balcão à sua frente, de costas para a entrada do cômodo.

Despreocupada pelo fato de que minha presença não pode ser notada, ando devagar até o banco ao lado do bilionário e me sento lá, ainda sem entender completamente como é que sou capaz de me sentar se não consigo nem tocar quando tento. Imagino que seja algo subjetivo, como fechar os olhos e estar no lugar onde quero estar. Isso tudo é muito mais energia e vontade do que qualquer coisa. Presumo que demorei muito para aprender a controlar esse poder – se é que cheguei a aprender isso um dia.

– O que é? – Pergunto a Stark com um suspiro estranhamente emocionado. – Por que se importa tanto?

Um estrondo vindo do corredor que leva à cozinha me sobressalta, e Stark e eu olhamos para o vão escuro juntos, sincronizados. Há uma sombra aproximando-se em despreocupação falsa e Natasha Romanoff logo deixa sua silhueta impecável à vista, caminhando para a mesa de jantar até o lugar onde eu estou sentada, obrigando-me a cambalear atordoada para longe do banquinho. Ela se senta junto a Tony e vira a cabeça para ele, observando-o. O bilionário, por sua vez, parece completamente alheio à presença da ruiva.

– Vejo que está lidando bem com a situação. – Romanoff indica o copo de whisky com a cabeça. Suas mãos permanecem sobre as coxas e ela parece estar sondando o terreno para dizer outra coisa que não envolve em nada bebidas alcoólicas. Reparo minuciosamente na tala em uma de suas mãos e pergunto-me o que aconteceu.

– Você a atacou. – Tony constata ao trazer o copo para mais perto de si e segurá-lo sobre a mesa com ambas as mãos.

– Foi precipitado.

– Eu quero você fora da minha casa. – Stark rebate de um modo cansado que volta a tocar qualquer coisa dentro de mim, fazendo-me circular a mesa e ficar de pé de frente para ele para poder vê-lo melhor, uma vez que Natasha roubara – mesmo que inconscientemente – meu lugar.

– Então, por que não me expulsa?

– Eu só quero ajudá-la. – Tony apoia os cotovelos no balcão e a cabeça sobre as mãos, fechando os olhos. – Tudo o que eu quis desde o começo foi ajudá-la. E eu nunca pude.

– Ela nunca deixou. – Natasha intervém, soando mais sincera do que eu achava possível. Olhando para seu rosto que reflete a emoção do meu, começo a acreditar que estamos todos na mesma equipe, que somos realmente um time.

– Ela não confia em mim. – Tony volta a erguer a cabeça, olhando para frente, não diretamente nos meus olhos, mas para o lugar onde estou. – Mesmo agora, quando ela não se lembra de nada... Ela confia mais nele.

O modo como Tony diz “nele” transparece o quanto detesta o deus. Claro que ele só pode ser tão ressentido em relação a uma pessoa.

– Loki está na cabeça dela. – Diz Natasha. – Você não pode arrancá-lo de lá.

– Eu não acho que a cabeça dela seja o problema. – Ele ergue o copo em uma das mãos e o gira contra a pouca luz do luar que ilumina parcialmente o cômodo. – O coraçãozinho pequeno e pirado é que é.

Romanoff parece lutar uma batalha interna ao encarar com surpresa o bilionário.

– Você realmente acha que ela confia nele? – Pergunta.

– Ela não precisa confiar nele para sentir algo por ele. – Tony devolve o copo à superfície da mesa e o empurra para frente, largando-o para mim como se estivesse me oferecendo a bebida, fazendo-me arregalar os olhos.

– Ponto para você, Stark. – Suspiro mal humorada, completamente insatisfeita com a situação de amar alguém e não me lembrar de como isso foi acontecer. – Vá se foder, Romanoff. – Com um segundo suspiro desanimado, coloco-me de pé, arrastando-me para fora da cozinha. – Legal não falar com vocês.

– E sua mão está quebrada. – Tony constata de repente, prendendo minha atenção. Dou logo meia volta, alternando olhares entre um e outro na cozinha.

– E o nariz da Domino definitivamente não está quebrado. – Natasha suspira frustradaa e não sei dizer por qual motivo: arrependimento por ter me atacado ou decepção por não ter chegado e quebrar nenhum osso meu uma vez que eu potencialmente a machuquei.

– Como isso é possível? – Sussurro a mim mesma, lembrando-me de quando levei o soco. A dor foi insuportável, havia sangue, eu tive tanta certeza de que meu nariz estava quebrado...

De repente, estou andando de um lado para outro enquanto os outros dois continuam a conversa na mesa. Sinto-me, mais uma vez, presa. Aprisionada em meu próprio mistério.

– Bruce Banner ficou bem chocado quando viu o raio-X dela. Quase não acreditou. Pensou que estava mais maluco do que sua outra metade verde. – Stark comenta, virando-se para Natasha para olhá-la. – Quando ele se transformou na base e Loki escapou, Domino puxou uma briga com ele. O Pepinão Temperamental pode não se lembrar de muita coisa, mas Thor ficou bastante impressionado.

– Eu nunca soube que ela lutou com Hulk naquele dia. – A ruiva desvia o olhar do bilionário e ri sem graça por um instante, fazendo-me automaticamente parar de ziguezaguear como uma barata tonta. Olhando para o copo de Tony, ela parece refletir consigo mesma. – Coulson disse que pensou que ela fosse desmaiar quando ele disse que Loki havia roubado o Tesseract.

– Loki, o Troglodita. – Stark reclama, levantando-se e dando voltas na mesa, alcançando o espaço em frente ao copo. – É tudo culpa dele. Se não tivesse tentado dominar o mundo como um vilão esquisito de desenho animado, Domino saberia exatamente quem ele é agora e não estaria em coma naquele hospital, porque eu tenho certeza que o desgraçado do Rudolph tem algo a ver com isso, ou por que ele desapareceria da noite para o dia?! – Ele bate as costas da mãos contra o copo, jogando-o diretamente para mim.

Ao invés de passar direto, como eu esperava, o vidro se estilhaça no ar exatamente quando toca a mão que estendi diante do corpo, assim como o whisky, que voa para longe de mim com os cacos de vidro, como se uma barreira invisível me protegesse.

Stark e Romanoff encaram o espaço onde estou em choque, os olhos duas vezes o tamanho normal e as sobrancelhas nervosas em expressões de incredulidade. Suponho que estou com a mesma cara de espanto, olhando de um para o outro como se todos nós pudéssemos nos ver.

– Pirralha? – Tony chama enquanto circula a mesa da cozinha e para na minha frente, os olhos correndo para lá e para cá tentando me localizar. – Você está aí?

– Estou aqui. – Suspiro bestificada. – Mas você não consegue me ver. Ou me ouvir. A menos que...

Se Hayden consegue se fazer notar quando está no meu corpo, talvez...

Chego perto da ruiva sem aviso prévio e toco seu braço. Parece tão irrelevante quanto seria se eu estivesse a dez mil metros dela.

– Você tem que sentir a áurea. – Olhando em volta freneticamente, Tony fala comigo. – Você me falou sobre isso uma vez. Concentre-se na energia em volta do corpo. Sinta-a.

Ele sabe o que estou tentando fazer? Vai dar certo? Eu consigo?

Fecho os olhos e me posiciono frente a frente com Romanoff, meu nariz quase tocando o dela. Respiro fundo e abro os braços, estendendo as mãos na direção do chão. Penso apenas na força que envolve o corpo da ruiva e jogo a cabeça para o alto.

As palavra de Belkan me atingem como raios, uma após a outra, encaixando-se e formando linhas tênues à minha volta que me permitem sentir cada vez mais uma energia diferente da minha.

“Ela é uma espiã. Ela não é a mocinha. Ela odeia você. Vocês formariam uma bela dupla se algum dia decidissem lutar juntas...”

Quando respiro fundo, sinto como se o ar me enchesse como um balão e começo a pensar que vou explodir a qualquer momento, então abro os olhos desesperada e me encontro de frente para Stark, que me olha completamente assustado. Solto o ar como louca, curvando-me e colocando a mão sobre o coração, que bate com loucura.

Encontro uma tala em minha mão.

Stark se abaixa diante de mim, as mãos em meus ombros e o olhar esperto, ansioso e preocupado preso ao meu.

– Suponho que tenha vindo aqui porque tem um plano. – Constata ele, pronto para prestar assistência à causa.

–x-

O Deus do Trovão marcha furioso por entre a floresta rumo à cabana que busca. Com o martelo em punho, seus músculos estão tão tencionados que ele mais se assemelha a uma estátua de pedra. Com Mjolnir em uma mão, na outra o loiro carrega uma corrente com um pingente branco como osso em forma curva e pontiaguda. Parando em frente à porta, Thor respira fundo antes de adentrar o local sem cerimônia, caminhando brutalmente de cômodo em cômodo até que seus olhos focalizam o irmão, a quem ele rapidamente agarra pela gola da roupa com uma mão feito um touro enfurecido, deixando cair no chão o martelo em seu baque familiar.

– Você ao menos se lembra disso? – Grita fora de si ao estender o pingente diante de Loki, deixando-o absurdamente próximo de um dos olhos verdes do deus. – Você sabe o que é isso?!

– Solte-me! – Ralha o moreno irritado, ajeitando as vestes depois de empurrar o irmão para longe. – E não queira me ensinar sobre o que você acha que sabe. Eu conheço esse pingente melhor do que qualquer um e sei muito bem o que significa, Thor.

– Pois não parece! – O loiro rebate, vermelho de raiva. – Você poderia tê-la matado.

Os olhos de Loki se fecham como a ponta de uma lâmina é virada antes de acertar o inimigo. Precisos e letais, eles se estreitam para Thor através de uma cortina de ira que ele ergue tão rápido quanto um piscar.

– E esse é o problema com todos vocês. – Diz o Trapaceiro com desdém, as palavras expelindo ódio e sarcasmo. – Todos se acham tão bons para serem comparados comigo que se amedrontam diante das dificuldades ao longo do caminho a ponto de escolher ignorá-las. – Ele se aproxima do irmão em passos elegantes e lentos enquanto cerra os punhos. – Não estou tentando matá-la, Filho de Odin. Estou tentando mantê-la viva. E o único meio que encontrei foi tirando-a do próprio corpo. Pensei que quando ela voltasse...

– Se ela voltar. – Thor interfere não menos zangado.

Se ela voltar. – Hayden repete, frisando a palavra “se” com gosto e prazer imenso, apoiada no batente da porta com um sorriso zombeteiro para os irmãos.

Loki respira fundo e revira os olhos teatralmente, sinalizando que Hayden definitivamente não é alguém com quem tivesse a menor vontade de lidar e que, apesar de ter expulsado Domino de seu corpo com o truque do Hulk, daria qualquer coisa para que sua irmã gêmea do mal simplesmente não existisse.

Thor, por outro lado, lembrando-se da voz de Domino entrando pela janela de seu quarto na casa de Tony Stark no meio da noite um pouco antes que ele fosse para cama, chamando-lhe para uma missão. Depois que ela entrou em coma – ou depois que Loki fez com que pensassem que entrou em coma quando, na verdade, Silken, que muda de forma, foi quem se fez passar por ela –, Stark decidiu por não ficar no hospital e, apesar de parecer perturbado como ninguém jamais o vira, estendeu o convite aos Vingadores para que ficassem em sua casa. Foi quando estava inquieto e sem sono que a garota falou com ele. Ela não disse muita coisa. Na verdade, só lhe deu coordenadas e lhe disse para se apressar porque precisava que ele “a segurasse exatamente onde e com quem ela estava”. Pareceu estranho à primeira vez, mas era de alguma maneira óbvio que ela se referia a seu verdadeiro corpo e a Loki. Então, tudo finalmente fez sentido em sua cabeça.

Assim sendo, o loiro olha encara Hayden como um louco, como se estivesse prestes a pular sobre ela e enforcá-la até que ela deixasse de respirar, caminha até ela e passa direto, desaparecendo pela porta. Loki o fita desentendido quando o loiro aparece com uma cadeira e corda em mãos, largando a cadeira no meio do cômodo e atirando a grossa corda sobre as mãos do confuso irmão.

– Sendo a cabana de alguém como Domino, não é de se admirar que há cordas e cadeiras prontas para uso de emergência. – Thor fala despreocupado, voltando-se para Hayden, que lança sobre ele um olhar indignado.

– Não está pensando em...

Sua fala é dramaticamente cortada quando o loiro a coloca sobre o ombro e joga sem cerimônias o corpo na cadeira com o máximo de cuidado que consegue em consideração a Domino, que eventualmente voltaria para ele.

– O que está fazendo? – Hayden grita incrédula, debatendo-se na cadeira. – Acha mesmo que é a opção mais inteligente de vocês?

Thor a encara por um instante, debatendo internamente a questão. Depois, olha para o irmão e acena com a cabeça.

– Loki. – Diz para que o moreno segure a garota que tenta freneticamente livrar-se da cadeira.

Loki se posta atrás da cadeira e abraça Hayden por trás, esgueirando-se para lá e para cá com caretas desconfortáveis enquanto Thor, com dificuldade e com caretas semelhantes, passa a corda sobre o tronco da garota, finalizando com um nó digno da Marinha.

Quando os dois se afastam, parando em frente à garota, ela olha de um para outro em um misto de raiva e novamente zombaria, desdenhando desafio em sua expressão de meio sorriso contido.

– Vocês botam tanta fé em sua amiguinha. – Começa a falar, sabendo que prende a tenção dos irmãos, que se mantêm firmes e inexpressivos diante dela, apesar de atentos. – É até bonitinho. – Ela fixa os olhos odiosos em Loki. – Mas você sabe que existem falhas nesse seu plano, não sabe?

A desconfiança se espalha no ambiente quando Thor olha de canto de olho para Loki.

– Há falhas em todos os planos. – O Deus da Trapaça argumenta.

– Você não precisa fingir comigo. – Hayden esclarece, captando a insegurança do deus perante ao assunto. – Domino também sabe dessas falhas. Aposto que sabe. Vocês não podem simplesmente trocar todo o sangue dela por sangue humano. Ela tem que ser drenada, como ela mesma disse. E se ela morrer depois de drenada? E se não houver tempo para colocar o sangue humano no sistema dela antes que ela sucumba? E se trocar o sangue dela não for o bastante? E se o sangue humano no organismo de um mutante se transformar aos poucos em um sangue mutante novamente? Sabe, quando se recebe uma transfusão, o sangue se mistura e, com o passar do tempo, volta à sua forma natural. E se não funcionar? E se...?

– Chega! – Thor interrompe com um grito de trovão, virando-se para Loki. – Você sabia de tudo isso?

Prevendo a confusão que tais revelações trariam, o moreno suspira contrariado.

– Sabia. – Admite pesaroso.

Thor volta a agarrá-lo pelas golas de suas roupas, os olhos tão claros e límpidos que é fácil ver as lágrimas de raiva e desespero que não chegam a se derramar.

– Por que você arriscaria? – Pergunta em um fio de voz, decepcionado. Magoado. Traído. Perdido em relação ao que fazer e em relação ao que pensar do irmão que tantas e tantas vezes tentara salvar.

– Eu tive fé. – Loki confessa em um murmúrio que soa sincero, os olhos espelhando a angústia dos de Thor. – Eu acreditei na fé que você quis tanto me ensinar a ter.

– Você está dizendo o que sabe que eu quero ouvir. – As mãos de Thor vão para o pescoço de Loki. Não é um gesto bruto, nem mal intencionado, só um meio de estar próximo do irmão enquanto tratam de um assunto tão delicado. – Você sabe que poderia tê-la deixado sem memória sem ter interferido na vida dela desse jeito.

Loki sorri sem vontade e balança a cabeça em discordância.

– Eu o teria feito, se acreditasse que ela ficaria bem. Você, assim como eu, sabe que ela se torturaria até o resto de seus dias se perguntando quem é. Não seria a mesma coisa, não seria a mesma pessoa, não seria certo.

Thor se afasta de Loki, as mãos caindo molengas ao lado do corpo enquanto ele dá dois passos para trás.

– Certo para quem? – Pergunta ele.

Ninguém diz mais nada, cada um refletindo sobre uma resposta diferente.

Até que Hayden sorri consigo mesma, olhando para nenhum ponto específico de uma das paredes.

– Vocês sabem qual é a pior falha de todo o plano? – Os deuses a fitam ambos pensando a mesma coisa: “e tem como piorar?” – O corpo humano aguenta no máximo três minutos sem oxigênio. Se eu me encher de ficar amarrada aqui e quiser dar uma voltinha no corpo de outra pessoa, este corpo ficará vazio. O que acontece se esse corpo ficar vazio por mais de três minutos?

– Você não vai fazer isso. – Thor diz com uma confiança que Loki não está sentindo quando encara o irmão com indignação e surpresa.

– Não vou? – Hayden pergunta a Thor em falsa inocência.

– Não. – Diz o loiro, aproximando-se da cadeira de modo que coloca as mãos cada uma em um braço da cadeira, trazendo seu rosto para bem perto do de Hayden. Ele sorri maroto e parece pela primeira vez relaxado. – Porque este é o corpo que você quer.

– Por quanto tempo? – Hayden continua, não se deixando abalar. – Se eu perceber que esse plano de vocês pode dar certo, me mando daqui muito antes que Domino tenha tempo de recuperar o corpo, aí o que acontece com ela?

– A mesma coisa que acontecerá com você. – Loki blefa. – Ela arranjará outro corpo.

– Se ela quisesse outro corpo, não estaria considerando drenar a si mesma e se encher de sangue humano por esse aqui. – Hayden rebate, dura e firma. – Nós três sabemos que ela não é como eu. Não vai simplesmente pular em qualquer corpo. O que acontece se ela perder este aqui, garotos?

Os irmãos se entreolharam em um pânico silencioso enquanto Loki lentamente se aproxima de Thor, puxando-o para longe de Hayden.

– Eu sei que Domino te mandou aqui. – Diz o deus por entre os dentes. – Não sei o que vocês dois estão tramando – Ele lança um rápido e desconfiado olhar para Hayden, que o fita de volta com seriedade. –, mas é melhor que seja um plano muito, muito bom.

Notas finais
Pois é, eu sou mt louca quando se trata de inventar histórias, coisa e tal. Mas tudo faz sentido, lembrem-se disso!!!!