Alma de Vidro |HIATUS|

1 Capítulo 01. Uma Gota Na Minha Banheira


Notas iniciais
Esta é a primeira Fanfic que posto aqui no Nyah e estou altamente nervosa, mas com muita vontade de dividir minha trama com alguém, porque a ideia fica rondando minha cabeça de modo que me dá muita vontade de compartilhar. Não sejam tímidos e boa leitura!

As nuvens assumem formas sombrias e incomuns, envolvendo o céu em um melancólico véu acinzentado. O vento cortante parece perfurar carne e osso e a água gélida que apunhala suas costas é constante e insistente, como as sombras distorcidas dos arbustos que se arrastam pelo solo.

Deixa que seus olhos percorram o cenário escuro como breu na noite chuvosa, correndo as mãos pelos cabelos nervosamente. Fecha os olhos arfando e inclina a cabeça para o céu agitado no exato instante em que ouve o som de um trovão, incapaz de conter o grito estrangulado que rasga no escuro. Desesperada, fita a vastidão vazia em que se encontra, sentindo como se o ambiente espelhasse seu interior.

Não há dúvidas: está só.

A água que lhe golpeia cruelmente embaça sua visão, tornando o ambiente envolto em uma névoa transparente que não permite que ela se localize enquanto olha para todos os lados possíveis como se estivesse perdida, apesar de ter a perfeita convicção de que se acharia em qualquer ponto daquele lugar.

O longo vestido inteiramente branco torna cada movimento difícil, considerando que seu peso havia aumentado devido à água e à gélida e úmida corrente de ar que a envolve em um abraço familiar, enevoando ainda mais o cenário à sua volta, deixando-a cega de desespero. Sente seu corpo congelando de dentro para fora, e não pelo efeito do frio. Ela podia ser um borrão em meio ao que agora tinha se transformado em uma tempestade, com direito a raios e trovões.

De repente há atrás dela um calor confortável, aconchegante e familiar que parece anestesiar o gelo da chuva.

- Domino. – Ele diz docemente com a boca junto à orelha dela.

A garota inclina a cabeça para trás quase que involuntariamente enquanto sente as mãos dele em seus quadris e sua respiração calma e segura em sua nuca.

- Loki. – Sussurra deliciada.

Toda vez que se sentia assim tão assustadoramente perto de Loki, Domino não podia evitar entrar em uma espécie de transe. Ela tem consciência da chuva, do frio, daconfusão à sua volta, e nada disso parece estar realmente acontecendo. Os braços dele são como isolante para qualquer coisa.

- Eu odeio ter que te encontrar aqui fora sozinha à uma hora dessas – O nariz dele passeia suavemente pelo pescoço dela –, mas há uma parte boa nisso.

Domino se vira para Loki e suas mãos vão para o cabelo dele, acariciando os fios extremamente macios e convidativos que ela adorou desde a primeira vez que viu.

- Acho difícil encontrar algo bom no quadro geral, mas do que está falando? – Pergunta ela em tom melancólico, gostando da maneira com que o toque de Loki agora em sua cintura é protetor, deliciosamente possessivo e firme. O contato físico entre eles nunca foi muito vasto, mas parece uma coisa tão certa... A coisa mais certa de sua vida no instante.

Ele respira fundo, lançando-lhe um arrepio pela espinha, e a puxa para ainda mais perto.

- Você parece menos perdida agora do que há um minuto, antes de eu chegar. – O deus afasta o cabelo molhado de Domino de seu rosto com uma das mãos, enquanto a outra não deixa a cintura dela.

Domino ri da forma menos abobalhada que consegue encontrar.

- Melhor você parar por aqui. – Recomenda melancolicamente, desenhando com o dedo formas sem sentido no peito de Loki sobre o branco de sua camisa molhada e agarrada ao corpo. – Não deixe ninguém saber que me importo com você. Quem sabe o que pode acontecer com você nas mãos das pessoas erradas.

Loki pensa tê-la sentido estremecer e sobe as mãos para suas costas, abraçando-a de um modo gentil que não combina com ele. Seus lábios repousam no escuro do cabelo dela e ele a embala com força, o desejo de tê-la próxima mais urgente do que a segundos atrás.

- Nada vai acontecer comigo. – Promete solenemente. – Eu sou, afinal de contas, o Deus das Trapaças, não sou?

- Você está se arriscando demais. Todos nós estamos. – Domino ressalta, o rosto cansado e pálido com olheiras profundas envoltos em uma máscara de tristeza.

Loki segura o rosto dela entre as mãos e, ao olhá-lo de tão perto, Domino percebe o quanto a pele dele é perfeita, alva e lisa sem nenhuma cicatriz, diferente da dela. Quis mais do que nunca unir-se a ele de todas as maneiras possíveis, entregar-se a ele por completo, trazer seu corpo junto ao dele e nunca mais soltá-lo.

- Não é esse o preço da sua estimada liberdade? Ninguém pode silenciá-la agora, Domino. Você está exatamente onde um líder deve estar. Você está no comando.

- Por que está dizendo isso como se fosse algo que te agrada? – Ela pergunta cética, olhando-o desconfiada. – Você não acredita em liberdade. E também não gosta de alguém no comando que não seja você.

- Você está certa. – Loki admite imediatamente com um sorriso contido, como se aprovasse a observação da garota. – Mas você acredita nessa liberdade, e eu acredito em você. Quanto à parte da liderança, você pode estar à frente de um exército, mas não está à minha frente.

- Sempre o dono da verdade, certo, mentiroso?

- Posso ser um mentiroso. – Ele confessa. – Mas te direi a verdade sobre isso.

Domino respira fundo e tenta esconder um sorriso.

- Sobre o quê? – Pergunta curiosa.

Uma mão do deus migra para sua nuca enquanto a outra acha seu caminho até a cintura de Domino quando os lábios dele finalmente alcançam os dela. Não demora muito para que Domino enlace o pescoço de Loki e para que suas línguas se encontrem. A boca dele movendo-se com a dela tem uma sintonia surreal, assim como seus pensamentos e opiniões sempre tiveram. O toque de Loki é, no momento, particularmente forte e quase brutal. Ele sempre fora infinitamente delicado e distante e esse não é o tipo de carícia que Domino esperava. Não que ela se importe.

Quando o beijo chega ao fim, é como se a temperatura da chuva tivesse caído para cinquenta graus negativos. Como milhares de agulhas inseridas no corpo de Domino. Em seu coração cansado.

Ela e Loki se encaram por um longo tempo. Talvez uns quinze minutos, ambos com a respiração se normalizando, com um brilho a mais de esperança que Domino tanto procura durante esses tempos, com um enigma que os corrói – E agora?

Loki acaricia a bochecha de Domino por um segundo e aí sorri. Sorri de verdade. Ele não está zombando de nada, nem tem a habitual expressão superior no rosto. Está simplesmente sorrindo.

- Eu sou o mestre das mentiras, mas estou sendo perfeitamente sincero quando digo que o seu gosto é maravilhoso.

Eu não grito de imediato. Porque não é um sonho ruim.

Eu acordo logo depois da palavra “maravilhoso” e então olho ao redor do quarto procurando pelas árvores, pelo vento, pela chuva. Mas não há nada. Eu estou realmente sozinha. Não importa minha determinação em caçar indícios de que foi tudo real; um dia tudo estará certamente tão longe que eu vou questionar a mim mesma sobre a veracidade do que aconteceu. Todas as coisas boas simplesmente me virarão as costas, enquanto que as ruins sempre continuarão me fazendo gritar. E perder as coisas boas é tão horrível quanto conviver com as coisas ruins. Deve ser por isso que ambas as situações arrancam gritos de mim.

Não demora muito para que um choro histérico totalmente descontrolado irrompa pela fragilidade de meu ser, tentando expulsar do meu corpo toda a dor que estou sentindo – a dor que sempre se agrava com meus sonhos. Logo, estou sentada na cama fofa de casal, envolta por travesseiros e cobertores que não saciam minha solidão.

Também não demora muito para Tony Stark – meu guardião legal – irromper pela porta. Não moro com ele há muito tempo, mas ele já está acostumado com isso. Aliás, ele e Pepper, que têm sido como âncoras para mim, sempre me mantendo na realidade e lembrando-me do que importa agora: que eles estão comigo.

Mas, dessa vez, algo incomum acontece.

Quando Tony e Pepper entram no quarto, eles não estão sozinhos. Os dois já estão sentados na cama, cada um ocupando um lado, antes que eu perceba o agente próximo ao batente da porta olhando-me em uma surpresa triste, certamente não esperando me ver nesse estado e lamentando por isso.

Repudio o segundo sentimento em relação a mim.

Coulson se mantem à distância – sabendo que não deve interferir no ritual frequente pelo qual Tony e Pepper têm que passar desde que insistiram para que eu passasse um tempo na Torre com eles, até que eu voltasse a ser uma pessoa parcialmente civilizada –, mas é difícil ignorá-lo observando a cena como se não estivesse ali.

- Boa noite, agente Coulson. – Digo com a voz frustrantemente rouca e quebrada, amaldiçoando-me por ter chegado ao fundo do poço e cavado mais um pouco. – Como está?

- Está de saída. – Tony responde, um braço sobre meu ombro, me abraçando de lado enquanto Pepper tem uma mão em meu joelho.

- Já? – Pergunto com uma careta, odiando a umidade em meu rosto por conta das lágrimas. – Aposto que ainda nem ofereceram a ele uma xícara de café.

Há algo significante no olhar que Coulson lança a Tony.

- Ela não está em condições, está na hora de você ir, Coulson. – Diz Tony em um tom firme que eu quase nunca o ouço usando.

- Ela tem o direito de saber. – Diz o agente com calma.

- Saber o quê? – Intrometo-me, a essa altura bastante interessada.

- Coulson, não. – Diz Pepper em um pedido angustiado.

- O que está acontecendo? – Insisto.

- Você faz parte da Iniciativa Vingadores, sabe disso, não sabe, Senhorita Hepburn?

- Sim, eu sei. – Confirmo, não entendendo o que pode haver de tão horrível no ponto em que Coulson quer chegar. O aperto de Tony ao meu redor fica mais forte. – Houve um chamado? O que está acontecendo? Quem está tentando destruir o mundo?

- Loki.

E, bem assim, o agente diz a única palavra no mundo que podia me fazer cavar ainda mais no poço onde eu já estou.

Notas finais
Bom, o primeiro capítulo faz parte do mistério e pode ser confuso à primeira vista, mas tudo se explica. Espero que alguém goste e que se sinta à vontade para comentar hahahahah