Alma Sombria
8 Capítulo 7
UIVOS DE CONCORDÂNCIA ALMENTARAM NA MULTIDÃO, OS OLHOS BRILHANDO, ANSIOSOS, ANSIANDO POR SANGUE. Pata Partida sentia a pelagem ao longo da espinha eriçar-se, ansiosa. Os aprendizes ali nada falavam, tomados pelo choque e pela ansiedade. Cauda de Esquilo já reuniam gatos a sua volta, formando grupos de ataque. Pata Partida sentia o estinto de luta gritar dentro de si, como se, inesperadamente, fosse apanhada pelas águas geladas e furiosas de um rio. Cauda de Esquilo ergueu a cabeça, encontrando o olhar da jovem.
— Ei, Pata Partida, quer fazer parte do grupo de ataque? — Indagou ele, o olhar com um brilho feroz.
— S..sim! — Respondeu ela, pulando sobre as quatro patas, logo sendo tomada pela ansiedade de participar de sua primeira batalha de verdade.
— Então está bem, chame Pata Listrada e estejam prontos ano nascer da lua. — Respondeu ele, a cabeça avermelhada logo sumindo no grupo de gatos novamente. Pata Partida olhou o irmão, sua pelagem tigrada do pescoço estava eriçada, ansioso, e as garras iam e voltavam, maltratando o chão gramado.
— Ouviu isso? vamos lutar! — Pata Partida correu saltitando até o irmão, que, encontrando o olhar da mesma, deu um pulo no ar, feliz.
— Vamos contar para a mamã... — Pata Listrada deu um sorrisinho bobo ao lembrar-se de tal fato. Sua mãe, tão nova, havia saido do berçário a pouco tempo, largando a vida de rainha ao tornar Pata Partida e Pata Listrada aprendizes, estava feliz ao vontar com as funções de uma guerreira, logo então sendo assassinada por um grupo de ataque do Clã das Sombras ao defender seu território em uma luta de fronteira.
— Não se preocupe, irmão. — Pata Partida chegou ao lado do mesmo, apertando-a sua pelagem contra a dele, confortando-o. — Ela estará olhando por nós de lá de cima, no Clã das Estrelas.
— É que...ela faz tanta falta, sabe? — Ele pareceu perder-se por um momento, mas logo voltou a falar — Ela sempre nos ajudava nos momentos difícieis... sempre nos acalmava, nos animava... — A voz de Pata Listrada morreu na garganta. Pata Partida não sabia mais o que dizer, ela não sabia como achar palavras confortantes nem para si mesma, quanto mais para o irmão. Ambos sentiam a mesma dor, como se um pedaço do coração tivesse ido junto com Flor de Aurora, para bem bem longe.
— Bem... deixe isso de lado, vamos comer para estarmos prontos na hora da luta — Pata Partida miou tentando animar o mesmo, que, logo levantou a cauda ao acompanhá-la, novamente feliz com o fato de lutar pela a primeira vez representando seu Clã. Pata Partida pegou um tordo pequeno para si e deixou o camundongo apetitoso para seu irmão, talvez assim ele animavá-se um pouco mais.
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Pata Partida trocava lambidas com Pata Listrada depois da refeição quando Cauda de Esquilo levantou-se, fazendo um uivo para que os escolhidos revelasem-se de onde estiverem e, colocar-se à sua volta. Pata Partida levantou num pulo, a cauda erguida de empolgação. Pata Listrada derrapou a sua frente, trotando com a irmã ao chegarem na frente de Cauda de Esquilo, que os olhava, divertido.
— É a primeira batalha de vocês, não é? — Ronronou o gato pequeno. — Entendo a empolgação. — Cauda de Esquilo chegou mais perto dos irmãos, ficando a menos de um camundongo de distância. — Aproveitem para mostrar sua capacidade, isso pode influenciar muito em seu treinamento. — Miou ele, agora, afastando-se. — Já vi aprendizes que saíram da luta já com seu nome de guerreiro. — Brincou. Os olhos da aprendiz brilharam. Todos os convocados já estavam a sua volta. Espinheiro tinha as grossas patas rijas, as cicatrizes pelo seu corpo lhe mostravam que o bravo guerreiro já estava acostumado a essa parte feroz da vida no Clã. Ao seu lado, Lua Nova parecia mais pequena e frágil do que já era, porém, era bem falada por sua velocidade e avidez. Folha Rosa e Luz de Ouro conversavam lado a lado, a pelagem negra de Luz de Ouro era um contraste na bege e delicada de Folha de Rosa. Risco Branco estava ao lado do Representante, fechando assim, o grupo de ataque. Pondo-se à frente, Cauda de Esquilo ergueu-se nas quatro patas e, marchando, tomou rumo ao túnel de tojos. Todos os gatos, obedientes o seguiam. A luz da lua não estava tão forte quanto a noite anterior, mas acabava por ajudar os gatos que tinham por objetivo entrar escondidos no território do Clã das Sombras. A mata no território do trovão era mais rica e abundante, proporcionando-lhes bons esconderijos e atalhos, fazendo com que chegassem mais rápido ao caminho do trovão. A vegetação ali era esmagada sobre o chão, terminando achatada para os lados, formando uma trilha de várias e várias gerações de patas que por ali passaram, levando-os até o topo, onde Cauda de Esquilo sinalizou para que parassem. O caminho largo e cinza do trovão agora estava vazio, o único sinal de que aquilo era traiçoeiro e perigoso eram o fedor incrivelmente forte e os sinais das enormes patas no chão pedroso, formando uma trilha imunda de sujeira ao longo que o caminho se estendia. Cauda de Esquilo elevou o focinho e, cautelosamente, farejou o ar. Tudo parecia bem calmo por ali, não ouviá-se nem se quer um rujido ao longe. Com um movimento brusco de cabeça, Cauda de Esquilo miou por sobre o ombro.
— Vamos! — Com o sinal de Cauda de Esquilo, rapidamente Pata Partida disparou. Seus músculos estavam tensos e as patas rijas, cada passo no chão pedroso era um impulso poderoso que a aprendiz dava até a outra beirada, sempre com a cabeça erguida, a aprendiz certificavá-se de não haver monstros. Com um certo espanto, Pata Partida revirou as orelhas ao ouvir um uivo de um monstro se aproximando, rujindo cada vez mais alto, até ficar ensurdecedor. Pata Partida sentiu as grossas patas colarem-se ao chão, incapazes de dar sequer mais um passo, sendo travadas pelo pânico.
— Corra! Pata Partida, corra! — O uivo amedrontado de Pata Listrada soou atrás da irmã, que o viu disparar ao seu lado, encoranjando-a a correr. Com um forte pulo, Pata Partida tomou impulso e, lado a lado com Pata Listrada, chegou ao outro lado, rolando na proteção da gramagem macia.
— Foi por pouco! — Pata Partida ouviu a voz doce de Flor Rosa soar em seu ouvido. Com certa dificuldade a gata levantou, ofegante.
— Foi mesmo. — Pata Patida soltou um suspiro, aliviada. — Obrigada, Pata Listrada. — Dando uma lambida de gratidão no ombro do irmão, a gata o olhou, encontrando seu olhar esverdeado. Se não fosse pelo irmão, Pata Partida poderia ter tido um final bem pior, sendo apanhada pelas enormes patas do monstro gigante. Cauda de Esquilo levantou-se, erguendo o pescoço para ter uma visão melhor de todos os gatos que ali estavam.
— Estão todos aqui? — Perguntou o representante. Os gatos a volta, depois de olharem-se uns aos outros, miraram o representante, confirmando. — Ótimo, então vamos! — Miou o gato pequeno, dando um pulo para colocar-se à frente do grupo, liderando-os novamente. Agpra que já haviam saído do território do Trovão, a floresta naquela parte mudara totalmente em comparação ao aconchegante Clã do Trovão. Ali não havia árvores, por exceção de duas ou três que localizavam-se em diferentes pontos daquela região vasta. O cheiro também era diferente, era forte e fétido, fazendo com que Pata Partida torcesse o nariz para acostumar-se com o odor diferente. Cauda de Esquilo começava a esgueirar-se sobre as pedras, ficando em posição de tocaia, parecendo ainda mais pequeno do que já era. Pata Partida e os outros fizeram o mesmo, como se tocaiassem uma presa, avançaram até a encosta mais alta, de onde dava para ter uma visão no entanto boa do Clã das Sombras. Com o sinal de Cauda de Esquilo, Pata Partida agachou-se sobre uma enorme árvore caída que estendia-se a algumas raposas de distância. Sua pelagem rala não a protegia dos galhos pontiagudos que saiam da árvore, encontrando-os uns aos outros no final. Luz de Ouro abaixou-se ao seu lado, roçando sua pelagem com a da aprendiz. Cauda de Esquilo escondia-se em um ramo de samambaias a frente, de onde os companheiros de Clã pudessem vê-lo caso desse o sinal de ataque. Dali onde estava, Pata Partida podia ver formas escuras se movimentando através de algumas samambaias e rochas que protegiam a entrada do acampamento, entrando e saindo, batendo as patas com vontade, sem medo de andar no próprio território. Dando um pulo do esconderijo de onde estava, Cauda de Esquilo uivou para que todos o ouvissem claramente.
— Agora!
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